Sabemos que as coisas estão más quando uma quebra de 15,6% nas vendas é considerado um bom resultado (http://www.cnbc.com/id/26978669/for/cnbc/) e uma empresa com uma capitalização de 245 mil milhões de dólares e rating AAA anuncia "plans to raise $15 billion through stock sales to improve liquidity". As vendas de automóveis são um indicador dos efeitos devastadores que a restrição do crédito pode ter na economia e os planos da GE das dificuldades tremendas que as empresas estão (irão) sentir para refinanciar os seus passivos e continuar a investir. Sinais claros de que a crise já está (e irá) afectar a dita "economia real", a questão que se coloca é se o plano que vier a ser aprovado (continuo convencido que acabará por ser) é suficiente.
Sobre isso tem sido interessante acompanhar o que vai sendo dito por Krugman (http://krugman.blogs.nytimes.com/) e outros que consideram que o verdadeiro problema não é de liquidez mas sim de solvência. E, com efeito, tudo indica que os problemas de liquidez são um sintoma das dúvidas fundadas quanto à solvência das instituições e portanto qualquer solução terá que passar por uma recapitalização dos bancos o que implica que para funcionar o plano tem de implicar a compra de activos acima do seu "valor de mercado" (que pode, ou não, estar exageradamente baixo) por uma margem suficientemente elevada, o que não é certo que o plano permita fazer e é, em grande medida, contraditório com o marketing do plano feito pela administração americana.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Indicador da indústria transmformadora nos EUA (ISM)
situou-se em 43,5 em Setembro contra 49,9 no mês anterior (valores inferiores a 50 indicam uma contração no sector) enquanto que a Ford anunciou que terá tido uma quebra de 34% das vendas de veículos automóveis face ao mesmo mês do ano anterior.
Enquanto nos EUA tentam "salvar o plano de salvamento"
Foi hoje conhecido o indice Case-Shiller relativo ao mês de Julho que revela que, em média, nos últimos 12 meses os preços das casas nas 20 maiores cidades os EUA caíram 16,3%, ajustando do efeito da inflação temos uma queda de 20,7%. Apesar disso os preços reais ainda estão 28,4% acima dos que se verificavam em Jan 2008 o que conjugado com os indicadores relativos ao stock de casas para venda e a situação dos mercados financeiros aponta para uma continuação do processo de "ajustamento" no mercado imobiliário norte-americano.
Entretanto foram ontem divulgados na Europa os indicadores de confiança relativos ao mês de Setemebro que apontam para uma degradação acentuada da situação económica, salientando-se pela negativa a evolução no Reino Unido e em Espanha onde o indicador de sentimento económico estão nos níveis mais baixos desde, respectivamente, 1993 e 1991 o que parece confirmar que estes países estão já em recessão. Nos outros 3 grandes países da União verificou-se uma continuação da degradação da situação na Alemanha e uma ligeira recuperação na França e Itália depois das quebras acentuadas verificadas em Julho e Agosto. De salientar, ainda, que o indicador de confiança da indústria caíu nestes 5 países.
Em Portugal, apesar de ligeira recuperação da confiança dos consumidores (associada a uma apreciação não tão negativa da evolução dos preços) verificou-se uma nova degradação do indicador de sentimento económico com uma redução significativa da confiança na indústria onde se verificou a continuação da degradação das encomendas do exterior.
Entretanto, continuando o esforço notável de melhoria da informação estátística nacional, o INE divulgou hoje pela primeira vez as contas nacionais trimestrais por sector institucional (período 1999Q1 2008Q2) que revelam que a poupança bruta nacional se continua a degradar (11,0% nos últimos 4 trimestres - 2007Q3 a 2008Q2 - quando em 1995 era 20%) muito por "culpa" da evolução da poupança das famílias (6,2% nos últimos 4 trimestres quando em 1995 se situava nos 14,1%). Conjugando os dados agora divulgados com os publicados pelo Banco de Portugal o nível de endividamento das famílias situava-se no final de Junho em cerca de 124% do rendimento disponível (em 1995 este indicador era cerca de 40%).
Entretanto foram ontem divulgados na Europa os indicadores de confiança relativos ao mês de Setemebro que apontam para uma degradação acentuada da situação económica, salientando-se pela negativa a evolução no Reino Unido e em Espanha onde o indicador de sentimento económico estão nos níveis mais baixos desde, respectivamente, 1993 e 1991 o que parece confirmar que estes países estão já em recessão. Nos outros 3 grandes países da União verificou-se uma continuação da degradação da situação na Alemanha e uma ligeira recuperação na França e Itália depois das quebras acentuadas verificadas em Julho e Agosto. De salientar, ainda, que o indicador de confiança da indústria caíu nestes 5 países.
Em Portugal, apesar de ligeira recuperação da confiança dos consumidores (associada a uma apreciação não tão negativa da evolução dos preços) verificou-se uma nova degradação do indicador de sentimento económico com uma redução significativa da confiança na indústria onde se verificou a continuação da degradação das encomendas do exterior.
Entretanto, continuando o esforço notável de melhoria da informação estátística nacional, o INE divulgou hoje pela primeira vez as contas nacionais trimestrais por sector institucional (período 1999Q1 2008Q2) que revelam que a poupança bruta nacional se continua a degradar (11,0% nos últimos 4 trimestres - 2007Q3 a 2008Q2 - quando em 1995 era 20%) muito por "culpa" da evolução da poupança das famílias (6,2% nos últimos 4 trimestres quando em 1995 se situava nos 14,1%). Conjugando os dados agora divulgados com os publicados pelo Banco de Portugal o nível de endividamento das famílias situava-se no final de Junho em cerca de 124% do rendimento disponível (em 1995 este indicador era cerca de 40%).
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Golpe de teatro...
Surpreendentemente o plano de resgate do sistema financeiro americano foi derrotado no Congresso. Os mercados como era de esperar cairam significativamente com o S&P500 a cair quase 9%, mas num dia em que além deste revés cairam mais dois gigantes financeiros (o Fortis e o Wachovia que foi forçado a vender as suas operações bancárias por $1 por acção - na sexta feira valiam $10 e há um ano valiam mais de $50) até podia ter sido pior.
Naturalmente isto não significa que os EUA vão deixar "cair" o sistema financeiro, mas apenas que terão de continuar a lidar com a crise caso a caso, em vez de implementarem uma solução sistémica, e com os bancos centrais a terem de continuar a intervir maciçamente no mercado monetário.
PS: Segundo a CNN 140 congressistas democratas votaram a favor e 95 contra, enquanto que no Partido Republicano 65 votaram sim e 133 contra, ou seja o plano da administração republicana foi derrotado pelo partido republicano... vai ser dificil aprovar qualquer plano até à tomada de posse do novo Presidente... a não ser que a administração ceda (ainda mais) aos democratas e aprove um plano contra a larga maioria dos congressistas do seu próprio partido.
Naturalmente isto não significa que os EUA vão deixar "cair" o sistema financeiro, mas apenas que terão de continuar a lidar com a crise caso a caso, em vez de implementarem uma solução sistémica, e com os bancos centrais a terem de continuar a intervir maciçamente no mercado monetário.
PS: Segundo a CNN 140 congressistas democratas votaram a favor e 95 contra, enquanto que no Partido Republicano 65 votaram sim e 133 contra, ou seja o plano da administração republicana foi derrotado pelo partido republicano... vai ser dificil aprovar qualquer plano até à tomada de posse do novo Presidente... a não ser que a administração ceda (ainda mais) aos democratas e aprove um plano contra a larga maioria dos congressistas do seu próprio partido.
Bail-out
Deixo aqui o link para o projecto de legislação:
http://i.cdn.turner.com/cnn/2008/images/09/28/ayo08c04_xml.pdf
são 110 páginas (embora pareça que o essencial está nas primeiras 30-40 páginas).
http://i.cdn.turner.com/cnn/2008/images/09/28/ayo08c04_xml.pdf
são 110 páginas (embora pareça que o essencial está nas primeiras 30-40 páginas).
Fortis intervencionado
Foi anunciada a quase-nacionalização do Fortis (http://www.fortis.com/app/innw/fortis_news_detail_com_en.asp?IdNmb=2416):
"Fortis and the Governments of Belgium, the Netherlands and Luxembourg announce that they
have entered into an agreement, whereby the Government of Belgium has agreed to invest EUR
4.7 billion in Fortis Bank (Belgium), the Government of the Netherlands has agreed to invest
EUR 4.0 billion in Fortis Bank Nederland (Holding) N.V., and the Government of Luxembourg
will invest EUR 2.5 billion in Fortis Banque Luxembourg SA.
(...)
Maurice Lippens decided to step down from the Fortis Board of Directors. The new Chairman
will be recruited from outside the company in consultation with the Belgian government. In
addition, the governments of Belgium, the Netherlands and Luxembourg will receive significant
board representation in the respective Fortis banks.
(...)
The terms of the investment by the respective governments are as follows:
• the Government of Belgium has agreed to invest EUR 4.7 billion in Fortis Bank NV/SA
(Belgium) in exchange for a 49% share in the common equity of this entity
• The Government of the Netherlands invests EUR 4.0 billion in Fortis Bank Nederland
(Holding) N.V. in exchange for a 49% ownership in this entity
• The Government of Luxembourg invests EUR 2.5 billion in Fortis Banque Luxembourg SA
in the form of a mandatory convertible loan. Next to other rights, Luxembourg will be
entitled, upon conversion, to 49% of Fortis Banque Luxembourg."
Dois pontos positivos a realçar são (i) a capacidade para encontrar uma solução rápida envolvendo 3 governos e, certamente o Banco Central Europeu; (ii) a solução encontrada ir directamente à raiz do problema proporcionando a recapitalização do banco (o que não é certo que venha a ocorrer nos EUA - ou pelo menos não se afigura que venha a ser feito de forma tão transparente).
Por outro lado, demonstra que a actual crise não afecta apenas os bancos americanos ou anglo-saxónicos e coloca em evidência a fragilidade destes gigantes financeiros com níveis de alavancagem extremamente elevados em que basta uma pequena desvalorização dos activos para colocar as instituições em risco de insolvência (ou pelo menos de subcapitalização).
"Fortis and the Governments of Belgium, the Netherlands and Luxembourg announce that they
have entered into an agreement, whereby the Government of Belgium has agreed to invest EUR
4.7 billion in Fortis Bank (Belgium), the Government of the Netherlands has agreed to invest
EUR 4.0 billion in Fortis Bank Nederland (Holding) N.V., and the Government of Luxembourg
will invest EUR 2.5 billion in Fortis Banque Luxembourg SA.
(...)
Maurice Lippens decided to step down from the Fortis Board of Directors. The new Chairman
will be recruited from outside the company in consultation with the Belgian government. In
addition, the governments of Belgium, the Netherlands and Luxembourg will receive significant
board representation in the respective Fortis banks.
(...)
The terms of the investment by the respective governments are as follows:
• the Government of Belgium has agreed to invest EUR 4.7 billion in Fortis Bank NV/SA
(Belgium) in exchange for a 49% share in the common equity of this entity
• The Government of the Netherlands invests EUR 4.0 billion in Fortis Bank Nederland
(Holding) N.V. in exchange for a 49% ownership in this entity
• The Government of Luxembourg invests EUR 2.5 billion in Fortis Banque Luxembourg SA
in the form of a mandatory convertible loan. Next to other rights, Luxembourg will be
entitled, upon conversion, to 49% of Fortis Banque Luxembourg."
Dois pontos positivos a realçar são (i) a capacidade para encontrar uma solução rápida envolvendo 3 governos e, certamente o Banco Central Europeu; (ii) a solução encontrada ir directamente à raiz do problema proporcionando a recapitalização do banco (o que não é certo que venha a ocorrer nos EUA - ou pelo menos não se afigura que venha a ser feito de forma tão transparente).
Por outro lado, demonstra que a actual crise não afecta apenas os bancos americanos ou anglo-saxónicos e coloca em evidência a fragilidade destes gigantes financeiros com níveis de alavancagem extremamente elevados em que basta uma pequena desvalorização dos activos para colocar as instituições em risco de insolvência (ou pelo menos de subcapitalização).
domingo, 28 de setembro de 2008
A crise segue já a seguir
Enquanto o Reino Unido se estará a preparar para nacionalizar mais um banco, desta vez o Bradford & Bingley, (http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/7640143.stm), o belgo-holandês Fortis (http://www.cnbc.com/id/26922718) e o americano Wachovia parece que continuam desesperadamente à procura de uma solução.
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