A Reserva Federal reduziu pela 9ª vez desde 17 de Agosto de 2007 a sua princicpal taxa de referência a taxa de referência. Desta vez a redução foi de 50 pontos base (em linha com as expectativas) fixando a taxa em 1%. No actual estado dos mercados monetário e de crédito os mecanismos de transmissão monetária estão de algum modo comprometidos pelo que é duvidoso que esta redução tenha um impacto significativo mas não deixa de ter um significado psicológico importante.
Entretanto, em mais uma medida excepcional, o FMI divulgou a criação de uma linha de crédito de auxílio às economias emergentes para fazer face a "problemas temporários de liquidez".
Foram hoje divulgados os números das economendas de bens duradouros de Setembro que surpreendentemente apontam para uma ligeira recuperação das encomendas face aos valores francamente maus de Agosto (que foram revistos em baixo) e para uma continuação da deterioração do investimento (excepto aeronaves).
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Hungria recebe pacote de ajuda
A Hungria obteve um empréstimo de 20 mil milhões de euros (12,5 mil milhões do FMI, 6,5 mil milhões da União Europeia e mil milhões do Banco Mundial). Esta intervenção segue-se aos apoios do FMI à Ucrânia (16,5 mil milhões de dolares) e à Islândia (2,1 mil milhões de dólares). Além disso o FMI está presentemente em negociações com o Paquistão e a Bielo-Rússia.
No site do FMI informa-se que esta instituição dispõe actualmente de 200 mil milhões de dólares disponíveis para apoiar os países em dificuldades devido à crise financeira. A este ritmo resta saber se serão suficientes ou se será necessário "ajudar" o FMI.
No site do FMI informa-se que esta instituição dispõe actualmente de 200 mil milhões de dólares disponíveis para apoiar os países em dificuldades devido à crise financeira. A este ritmo resta saber se serão suficientes ou se será necessário "ajudar" o FMI.
A empresa mais "valiosa" do mundo
A Volkswagen era um dos títulos em que havia mais posições curtas, por duas razões: 1) arbitragem entre as acções ordinárias e acções preferenciais e 2) especulação na descida das acções dos construtores de automóveis devido à expectativa dos impactos da recessão económica. Sucedeu entretanto que a Porsche que se esperava que viesse a adquirir uma posição superior a 50% anunciou que tinha acções e opções correspondentes a quase 75% do capital da empresa. Como 20% do capital é detido pelo Estado da Bavária isso significa que haveria pouco mais de 5% de acções disponíveis (na verdade menos porque algumas serão detidas por index tracking funds) e o mercado foi surpreendido com a escassez de acções para liquidar as posições curtas existentes levando a uma subida da cotação para níveis astronómicos, transformando temporariamente na empresa mais valiosa do mundo em termos de capitalização bolsista e distorcendo a evolução dos índices em que está incluida nomeadamente o DAX (no qual a Volkswagen representava ontem mais de 25%) e o DJEurostoxx.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Nikkei no nível mais baixo desde 1982
Tudo aponta para que a Reserva Federal anuncie quarta-feira uma redução da taxa de juro de, pelo menos, 50 pontos base e o presidente do BCE afirmou hoje que "I consider possible that the Governing Council would decrease interest rates once again at its next meeting on the 6th of November", o que corresponde a uma (quase-)garantia de que o BCE irá descer a sua taxa de referência.
O Nikkei caiu mais 6,3% atingido o nível mais baixo dos últimos 26 anos e o iene prosseguiu a sua escalada face ao dólar e, sobretudo, face ao euro enquanto se agravam as dificuldades no Leste Europeu onde o FMI anunciou um empréstimo de 16,5 mil milhões de dólares à Ucrânia e está em negociações com a Hungria ao mesmo tempo que a Standard e Poor reviu em baixa os ratings da Letónia, Lituânia e Roménia.
Nos EUA as vendas de casas novas em Setembro foram inferiores em 33% às verificadas no ano anterior. Verificando-se todavia uma ligeira melhoria face a Agosto e uma redução do stock de casas novas no mercado.
O Nikkei caiu mais 6,3% atingido o nível mais baixo dos últimos 26 anos e o iene prosseguiu a sua escalada face ao dólar e, sobretudo, face ao euro enquanto se agravam as dificuldades no Leste Europeu onde o FMI anunciou um empréstimo de 16,5 mil milhões de dólares à Ucrânia e está em negociações com a Hungria ao mesmo tempo que a Standard e Poor reviu em baixa os ratings da Letónia, Lituânia e Roménia.
Nos EUA as vendas de casas novas em Setembro foram inferiores em 33% às verificadas no ano anterior. Verificando-se todavia uma ligeira melhoria face a Agosto e uma redução do stock de casas novas no mercado.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Crise cambial
Um aspecto surpreendente desta crise é a velocidade com que ela se vai transformando. As notícias destes dias são definitivamente as economias emergentes e a evolução do mercado cambial. Leio rapidamente os jornais económicos e as notícias de subida das taxas de juro na Dinamarca (0,5 pp) depois da Hungria (3 pp) conjugado com a subida extraoridnária do iene, a queda extraordinariamente rápida do euro e o quase colapso cambial noutros países e temo com a ideia de que existe uma elevada probabilidade de muitas instituições financeiras e hedge funds serem severamente afectados.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Genial
Não percam este vídeo do Daily Show:
http://video.yahoo.com/watch/3725299/10238971
A história destes dois dias tem sido a valorização do dólar que parece ser movida por três factores:
1) a desalavancagem;
2) a melhoria da balança comercial americana devido à queda do preço do petróleo e à redução das importações em consequência da recessão;
3) a percepção de que a recessão / redução do crescimento fora dos EU vai ser mais grave e prolongada do que tinha sido previsto.
http://video.yahoo.com/watch/3725299/10238971
A história destes dois dias tem sido a valorização do dólar que parece ser movida por três factores:
1) a desalavancagem;
2) a melhoria da balança comercial americana devido à queda do preço do petróleo e à redução das importações em consequência da recessão;
3) a percepção de que a recessão / redução do crescimento fora dos EU vai ser mais grave e prolongada do que tinha sido previsto.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Spill-over effects
Estou em Bruxelas, onde basta um pequeno passeio para nos cruzarmos com "nomes" com ressonâncias à actual crise financeira (Fortis, Dexia, BNP, ...). Talvez por isso noto, confesso que com alguma surpresa, que o "ambiente" entre os meus colegas de outros países europeus é francamente pessimista, mesmo quase depressivo. Há obviamente quem tente brincar com a situação mas a reacção são alguns risos que não conseguem esconder algum nervosismo.
Segundo o FT (a minha principal fonte de informação diária quando estou no estrangeiro) o crescimento na China caiu para 9% no 3.º trimestre, enquanto na Índia o primeiro ministro indicou que o crescimento iria cair para 7-7,5%. Taxas ainda assim elevadas mas que indicam um arrefecimento acentuado, colocando em causa as expectativas (optimistas) de que o crescimento nas economias emergentes possa amortecer os efeitos da recessão nos EUA e na Europa. Entretanto, o FT tem publicado nestes últimos dias artigos que referem dois problemas que podem assumir proporções graves:
- as dificuldades no crédito à exportação, nomeadamente na Ásia e no Brasil;
- os elevados níveis de exposição ao risco cambial do sector privado em algumas economias emergentes.
Entretanto, nos EUA já se fala da necessidade de um estímulo fiscal de 150 mil milhões de euros. E na Europa seguem os anúncios de apoios financeiros na França (injecção de 10,5 mil milhões de euros nos seis maiores bancos), Finlândia (50 mil milhões de euros) e Suécia (150 mil milhões de euros), com a particularidade que neste caso uma das justificações parece ter sido os receios de perdas devido à exposição dos bancos suecos nos países bálticos.
Acedo à internet e numa olhadela pela Bloomberg leio a notícia de que a Argentina se prepara para nacionalizar os fundos de pensões.
Segundo o FT (a minha principal fonte de informação diária quando estou no estrangeiro) o crescimento na China caiu para 9% no 3.º trimestre, enquanto na Índia o primeiro ministro indicou que o crescimento iria cair para 7-7,5%. Taxas ainda assim elevadas mas que indicam um arrefecimento acentuado, colocando em causa as expectativas (optimistas) de que o crescimento nas economias emergentes possa amortecer os efeitos da recessão nos EUA e na Europa. Entretanto, o FT tem publicado nestes últimos dias artigos que referem dois problemas que podem assumir proporções graves:
- as dificuldades no crédito à exportação, nomeadamente na Ásia e no Brasil;
- os elevados níveis de exposição ao risco cambial do sector privado em algumas economias emergentes.
Entretanto, nos EUA já se fala da necessidade de um estímulo fiscal de 150 mil milhões de euros. E na Europa seguem os anúncios de apoios financeiros na França (injecção de 10,5 mil milhões de euros nos seis maiores bancos), Finlândia (50 mil milhões de euros) e Suécia (150 mil milhões de euros), com a particularidade que neste caso uma das justificações parece ter sido os receios de perdas devido à exposição dos bancos suecos nos países bálticos.
Acedo à internet e numa olhadela pela Bloomberg leio a notícia de que a Argentina se prepara para nacionalizar os fundos de pensões.
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