quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Plano de apoio ao sector automóvel
Confirmando que os Governos só tem dinheiro quando existe uma crise, Portugal já tem o seu Plano de Apoio ao Sector Automóvel. De acordo com o comunicado disponível no portal do Governo o Plano está orçado em 900 milhões de euros e nas palavras do Ministro da Economia «é um programa muito grande, mas que se justifica num sector que emprega cerca de 50 mil pessoas em Portugal e que é responsável por cerca de 15% das nossas exportações». Mas o mais curioso é a afirmação de que "o Ministro referiu que dos 900 milhões de euros, 200 milhões provêm de fundos comunitários e do Orçamento do Estado e outros 100 milhões exclusivamente do Orçamento do Estado" o que levanta a incógnita relativamente a saber de onde vêm os restantes 600 milhões de euros. Movido pela curiosidade tentei investigar no site do Ministério da Economia onde não encontrei nenhuma referência ao plano mas reparei no slogan "Pólos de competitividade Somar para multiplicar" (não me parece um slogan particularmente feliz) que talvez ajude a explicar o enigma: Basta somar 200 com 100 e multiplicar por 3 para obter o s tais 900 milhões de euros.
Juros descem na Europa
O BCE anunciou hoje um corte da taxa de juro de 0,75 pp fixando a sua taxa de referência em 2,5%. Na sua declaração o presidente indicou que o BCE espera para 2009 uma contração do PIB da zona euro entre -1,0% a 0% e que a taxa de inflação se situe entre 1,1% e 1,7%, o que permite antecipar a possibilidade de futuras reduções. Importa notar o que parece ser algum endurecimento da posição relativamente à política fiscal considerando que "It is of the utmost importance that the public’s confidence in the soundness of fiscal policies is preserved, with the rules-based EU fiscal framework being fully applied and its integrity being fully preserved".
Entretanto, o Banco de Inglaterra desceu as suas taxas 1 pp (para 2%) e colocou um tom particularmente pessimista: "Consumer spending and business investment have stalled, while residential investment has continued to fall. Activity indicators in the rest of the world have also weakened, though the further depreciation in sterling should moderate the impact of weaker global growth on the United Kingdom. And a number of fiscal measures to boost near-term demand are in train, both in the United Kingdom and overseas. Despite the actions taken to raise bank capital, ease funding and improve liquidity, conditions in money and credit markets remain extremely difficult. The Committee noted that it was unlikely that a normal volume of lending would be restored without further measures."
Entretanto, o Banco de Inglaterra desceu as suas taxas 1 pp (para 2%) e colocou um tom particularmente pessimista: "Consumer spending and business investment have stalled, while residential investment has continued to fall. Activity indicators in the rest of the world have also weakened, though the further depreciation in sterling should moderate the impact of weaker global growth on the United Kingdom. And a number of fiscal measures to boost near-term demand are in train, both in the United Kingdom and overseas. Despite the actions taken to raise bank capital, ease funding and improve liquidity, conditions in money and credit markets remain extremely difficult. The Committee noted that it was unlikely that a normal volume of lending would be restored without further measures."
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Industria automóvel à beira do colapso ?
De acordo com o Financial Times as vendas de automóveis em Novembro desceram (face ao mês homólogo) 49,6% em Espanha, 36% na Suécia, 29% no Japão e 14% em França.
Nos EUA as vendas da Chrysler terão caído 47%, da GM 41% e da Ford 31%, com a GM a indicar que precisa de 4 mil milhões de USD para pagar as contas deste mês. E nem os construtores japoneses "escapam" à crise tendo registado quedas superiores a 30% (Nissan 42%, Toyota 34% e Honda 32%).
Nos EUA as vendas da Chrysler terão caído 47%, da GM 41% e da Ford 31%, com a GM a indicar que precisa de 4 mil milhões de USD para pagar as contas deste mês. E nem os construtores japoneses "escapam" à crise tendo registado quedas superiores a 30% (Nissan 42%, Toyota 34% e Honda 32%).
EUA em recessão desde Dezembro de 2007
O ISM (indice de confiança na indústria dos EUA) desceu novamente em Novembro (de 38,9 para 35,5) atingindo o valor mais baixo desde Maio de 1982, com quedas significativas nas componentes novas encomendas (valor mais baixo desde Junho de 1980 - trimestre em que o PIB dos EUA caiu 7,8%, em taxa anualizada) e emprego.
Enquanto isso o NBER declarou "oficialmente" que os EUA estão em recessão desde Dezembro de 2007.
Os yields das Obrigações do Tesouro dos EUA cairam significativamente, com os títulos a 10 anos substancialmente abaixo dos 3% e os títulos indexados a 5 anos com um yield significativamente superior às não indexadas a indicar que o mercado "espera" que se venha a registar um fenómeno de deflação. Este fenómeno de descida dos yields apesar do aumento exponencial esperado nas emissões em consequência do aumento do défice parece estar, pelo menos parcialmente, alimentado pela expectativa confirmada hoje pelo presidente da Reserva Federal de que "the Fed could purchase longer-term Treasury or agency securities on the open market in substantial quantities".
Enquanto isso o NBER declarou "oficialmente" que os EUA estão em recessão desde Dezembro de 2007.
Os yields das Obrigações do Tesouro dos EUA cairam significativamente, com os títulos a 10 anos substancialmente abaixo dos 3% e os títulos indexados a 5 anos com um yield significativamente superior às não indexadas a indicar que o mercado "espera" que se venha a registar um fenómeno de deflação. Este fenómeno de descida dos yields apesar do aumento exponencial esperado nas emissões em consequência do aumento do défice parece estar, pelo menos parcialmente, alimentado pela expectativa confirmada hoje pelo presidente da Reserva Federal de que "the Fed could purchase longer-term Treasury or agency securities on the open market in substantial quantities".
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Conjuntura económica degrada-se na União Europeia
O indicador de sentimento económico na União Europeia registou em Novembro uma queda de 6,7 pontos, situando-se agora nos 70,5 pontos o que corresponde ao valor mais baixo da série iniciada em Janeiro de 1985. A quebra na zona euro foi menos significativa (-5,1), no entanto o valor registado (74,9) é o mais baixo desde Agosto de 1993 e situa-se proximo do mínimo da série (73,0 verificado em Julho de 1993).
Por países, as maiores quedas registaram-se nos países da Europa de Leste e Central, com quedas particularmente pronunciadas na Eslovénia (-29,8), Hungria (-21,7), Roménia (-12,3), Eslováquia (-11,7) e Áustria (-11,5). Pelo contrário, Itália (-1,2), França (-1,3) e Portugal (-1,7) foram os Estados com quebras menos pronunciadas. Entre os grandes países destaque ainda para as descidas no Reino Unido (-8,8), na Alemanha (-6,3) e em Espanha (-2,8), sendo que a Espanha e o Reino Unido registaram os valores mais baixos das respectivas séries.
Enquanto que por sectores é de realçar a queda nos serviços (-7,7) e na indústria (-6).
A degradação dos indicadores de confiança conjugada com as estimativas da inflação também ontem divulgadas e que apontam para uma descida da taxa de inflação de 3,2% em Outubro para 2,1% em Novembro, tornam quase certa uma nova redução significativa (pelo menos 0,5 pp) das taxas de juro de referência do BCE.
PS: Os últimos dados publicados pela Comissão Europeia relativamente à Irlanda datam de Abril (!!!), altura em que o indice de confiança na construção tinha colapsado de -46 para -69.
Por países, as maiores quedas registaram-se nos países da Europa de Leste e Central, com quedas particularmente pronunciadas na Eslovénia (-29,8), Hungria (-21,7), Roménia (-12,3), Eslováquia (-11,7) e Áustria (-11,5). Pelo contrário, Itália (-1,2), França (-1,3) e Portugal (-1,7) foram os Estados com quebras menos pronunciadas. Entre os grandes países destaque ainda para as descidas no Reino Unido (-8,8), na Alemanha (-6,3) e em Espanha (-2,8), sendo que a Espanha e o Reino Unido registaram os valores mais baixos das respectivas séries.
Enquanto que por sectores é de realçar a queda nos serviços (-7,7) e na indústria (-6).
A degradação dos indicadores de confiança conjugada com as estimativas da inflação também ontem divulgadas e que apontam para uma descida da taxa de inflação de 3,2% em Outubro para 2,1% em Novembro, tornam quase certa uma nova redução significativa (pelo menos 0,5 pp) das taxas de juro de referência do BCE.
PS: Os últimos dados publicados pela Comissão Europeia relativamente à Irlanda datam de Abril (!!!), altura em que o indice de confiança na construção tinha colapsado de -46 para -69.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Os efeitos da crise sobre as relações extra-maritais
O Wall Street Journal divulgou mais uma manifestação do impacto da crise que pode ter sérias repercussões no comércio de bens de luxo.
Um Plano de Recuperação para a Europa
A Comissão Europeia apresentou um plano de a proposta de acordo para um estímulo orçamental de 200 mil milhões de euros (cerca de 1,5% do PIB) dos quais 85% provirão dos orçamentos nacionais (170 mil milhões de euros) e apenas 15% (cerca de 30 mil milhões de euros) dos orçamentos da UE e do Banco Europeu de Investimento. Mais, esta contribuição "comunitária" consiste basicamente em acelerar ou adiantar programas que já estavam previstos. Por outro lado, não resulta claro dos documentos agora apresentados como será distribuído o esforço pedido aos orçamentos nacionais nem sequer a forma que esse estímulo revestirá, elencando-se apenas um conjunto de princípios e uma lista de possíveis medidas (denotando-se, no entanto, uma aparente preferência da Comissão por medidas de aumento temporário da despesa pública). Ou seja, na prática, a parte essencial do esforço vai ficar ao critério de cada Estado-Membro, existindo uma elevada probabilidade de que o valor real venha a ser substancialmente inferior ao anunciado e um sério risco que esses esforços venham a ser pouco coordenado. Note-se, ainda, que no documento se refere que o esforço deve ser efectuado no quadro do Pacto de Estabilidade revisto em 2005, o que significa que (alguns) Estados-Membros poderão exceder o limite de referência dos 3% para o défice público mas que devem assegurar a estabilidade orçamental no médio prazo.
Por outro lado o documento abre o caminho para apoios à indústria automóvel através da concessão de ajudas de Estado sob a forma de empréstimos bonificados (ou de garantias de empréstimos) para investimentos relacionados com a "protecção ambiental".
Por outro lado o documento abre o caminho para apoios à indústria automóvel através da concessão de ajudas de Estado sob a forma de empréstimos bonificados (ou de garantias de empréstimos) para investimentos relacionados com a "protecção ambiental".
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