segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Produção industrial nos EUA
Os dados publicados pela Reserva Federal apontam para uma descida da produção industrrial dos EUA de 0,6% em Novembro (em termos homólogos a queda foi de 5,5%) enquanto que o grau de utilização da capacidade produtiva se reduziu para 75,4%. Entretanto foi igualmente divulgado o indice de confiança na construção que se mantem no valor mais baixo desde, pelo menos, 1985.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Vendas a retalho nos EUA
As vendas a retalho nos EUA caíram 2% em Novembro face ao mês anterior. Sendo um mau resultado deve realçar-se que a queda se deve fundamentalmente às vendas de automóveis (-2,8%) e sobretudo às vendas de gasolina (-14,7%), bastando excluir as vendas de gasolina para ter uma queda de somente 0,2%.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Tesouro dos EUA coloca bilhetes do tesouro a taxa zero
O Tesouro dos EUA divulgou que colocou bilhtes do Tesouro a 28 dias à taxa máxima de juro de 0%. Trata-se sobretudo de um momento simbólico pois a verdade é que nas últimas semanas o Tesouro dos EUA tem colocado parte das suas emissões a 0% e ainda na segunda-feira tinha colocado bilhetes do Tesouro a 91 dias à taxa máxima de 0,005%.
PIB nacional caiu 0,1% no 3º trimestre
O PIB português caíu 0,1% no 3º trimestre face ao trimestre anterior (-0,5% em termos anualizados) cifrando-se a variação homóloga em +0,6%. A queda face ao trimestre anterioro deveu-se à procura externa com as exportações a cairem 1% e as importações a aumentarem 1,1%. Enquanto que a procura interna aumentou 0,7% com variações positivas em todas as componentes, com o consumo das familias a aumentar 1,1% e o consumo público e o investimento 0,1%. De notar, no entanto, que o aumento do investimento parece ter ficado a dever-se ao aumento dos stocks com a formação bruta de capital fixo a reduzir-se 1,8%. De realçar o agravamento da diferença entre o PIB e o Rendimento Nacional Bruto que se reduziu em 1,1% face ao trimestre anterior (nos últimos 4 trimestres a diferença entre o PIB e o RNB situa-se em 4,6%) e o aumento das necessidades de financiamento no exterior (que nos últimos 4 trimestres ascenderam a cerca de 10,4% do PIB).
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Sobre a actual crise financeira (parte I). O fim do capitalismo ?
Os dados que têm sido divulgados desde Setembro têm com uma consistência invulgar revelado-se (quase) sempre piores do que o esperado indiciando uma grande fragilidade da situação económica nas principais economias mundiais, sendo hoje evidente que não fossem as medidas excepecionais tomadas 2008 ficaria nos anais da história económico como o ano em que teria tido início uma depressão económica global que rivalizaria com a ocorrida em 1929-1933.
E apesar dessas medidas tivemos falências bancárias, uma "destruição" massiva de capital (segundo o Economist desta semana a capitalização bolsista mundial terá caído 30 milhões de milhões de dólares desde o auge, e o valor das casas terá descido no último trimestre em 23 de 45 mercados analisados) e ter-se-ão já perdido milhões de postos de trabalho.
Perante este cenário de quase-catastrofe tenho assistido a alguma pressa em anunciar, muitas vezes com satisfação, que a actual crise assinala o fim do capitalismo ou pelo menos o descrédito da "corrente económica dominante".
Neste contexto, importa recordar que esta não é a primeira crise do capitalismo. Kindleberger contabiliza ("Manias, Panics and Crashes", 3.ª ed., 1996) 34 crises financeiras no período 1618-1990 e desde então poderiamos acrescentar, pelo menos, mais 3 (a crise financeira asiática de 1997, o crash dot-com de 2000 e a actual crise), sendo que o "sistema capitalista" conseguiu sobreviver a todas elas. E a razão reside na fantástica capacidade intrinseca do "sistema capitalista" se adaptar, a qual deriva da superior flexibilidade que decorre de se basear em decisões económicas descentralizadas e da sua intima relação com a democracia. A história revelou as fragilidades desse sistema, nomeadamente a importância de instituições (nomeadamente, estatais) que intervenham no sentido de moderar a desigualdade na distribuição dos rendimentos e de estabelecer mecanismos de regulação.
Como referiu George W. Bush, em 13 de Novembro : "like any other system designed by man, capitalism is not perfect. It can be subject to excesses and abuse. But it is by far the most efficient and just way of structuring an economy. At its most basic level, capitalism offers people the freedom to choose where they work and what they do, the opportunity to buy or sell products they want, and the dignity that comes with profiting from their talent and hard work. The free market system provides the incentives that lead to prosperity -- the incentive to work, to innovate, to save, to invest wisely, and to create jobs for others. And as millions of people pursue these incentives together, whole societies benefit".
Tal como a história também revela isso não significa que a "sobrevivência" do capitalismo esteja assegurada. Mas apenas que a melhor opção será tentar corrigir as falhas que esta crise evidenciou, salvaguardando os elementos essenciais do sistema capitalista.
E apesar dessas medidas tivemos falências bancárias, uma "destruição" massiva de capital (segundo o Economist desta semana a capitalização bolsista mundial terá caído 30 milhões de milhões de dólares desde o auge, e o valor das casas terá descido no último trimestre em 23 de 45 mercados analisados) e ter-se-ão já perdido milhões de postos de trabalho.
Perante este cenário de quase-catastrofe tenho assistido a alguma pressa em anunciar, muitas vezes com satisfação, que a actual crise assinala o fim do capitalismo ou pelo menos o descrédito da "corrente económica dominante".
Neste contexto, importa recordar que esta não é a primeira crise do capitalismo. Kindleberger contabiliza ("Manias, Panics and Crashes", 3.ª ed., 1996) 34 crises financeiras no período 1618-1990 e desde então poderiamos acrescentar, pelo menos, mais 3 (a crise financeira asiática de 1997, o crash dot-com de 2000 e a actual crise), sendo que o "sistema capitalista" conseguiu sobreviver a todas elas. E a razão reside na fantástica capacidade intrinseca do "sistema capitalista" se adaptar, a qual deriva da superior flexibilidade que decorre de se basear em decisões económicas descentralizadas e da sua intima relação com a democracia. A história revelou as fragilidades desse sistema, nomeadamente a importância de instituições (nomeadamente, estatais) que intervenham no sentido de moderar a desigualdade na distribuição dos rendimentos e de estabelecer mecanismos de regulação.
Como referiu George W. Bush, em 13 de Novembro : "like any other system designed by man, capitalism is not perfect. It can be subject to excesses and abuse. But it is by far the most efficient and just way of structuring an economy. At its most basic level, capitalism offers people the freedom to choose where they work and what they do, the opportunity to buy or sell products they want, and the dignity that comes with profiting from their talent and hard work. The free market system provides the incentives that lead to prosperity -- the incentive to work, to innovate, to save, to invest wisely, and to create jobs for others. And as millions of people pursue these incentives together, whole societies benefit".
Tal como a história também revela isso não significa que a "sobrevivência" do capitalismo esteja assegurada. Mas apenas que a melhor opção será tentar corrigir as falhas que esta crise evidenciou, salvaguardando os elementos essenciais do sistema capitalista.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Desemprego nos EUA sobe para 6,7%
De acordo com os dados hoje divulgados o número de empregados por conta de outrem nos EUA terá caído em Novembro 533 mil (no último ano reduziu-se 1,87 milhões) e o emprego total terá tido uma redução de 673 mil (-2,362 milhões no último ano) elevando a taxa de desemprego para 6,7% apesar de uma redução da população activa de 422 mil. Estes números seguem-se aos ontem divulgados relativamente à indústria transformadora que indicam uma degradação das vendas e das encomendas. A informação disponível para os EUA aponta para uma queda do PIB dos EUA no 4.º trimestre que se situará provavelmente acima dos 5% (taxa anualizada).
Paralelamente, confirmando a seriedade das dificuldades, a Bloomberg noticia que um em cada dez propritários americanos viu a sua hipoteca executada ou está atrasado no pagamento das prestações.
Paralelamente, confirmando a seriedade das dificuldades, a Bloomberg noticia que um em cada dez propritários americanos viu a sua hipoteca executada ou está atrasado no pagamento das prestações.
Krugman assustado
O recém nobelizado Krugman que tem sido um dos grandes proponentes de um estímulo fiscal massivo nos EUA que poderá eventualmente ascender a 600-700 mil milhões de dólares em 2009-2010 escreveu hoje um "post" em que refere as dificuldades dessa política. Basicamente a dificuldade está em que os projectos de investimento em infraestruturas levam tempo a preparar e que uma descida de impostos pode ter um impacto limitado no consumo (na medida em que os contribuintes tendam a poupar uma parte substancial dessa poupança fiscal para "reconstruir" os seus balanços deteriorados pela descida do preço da habitação e dos mercados financeiros e, também, por receio de virem a perder o emprego).
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