As vendas a retalho nos EUA em Dezembro foram 2,7% inferiores às registadas em Novembro, tendo caído 10,8% face ao mês homólogo. Embora se esperasse uma queda os números anunciados indicam que esta terá sido superior ao esperado. Com efeito, mesmo excluindo as vendas de gasolina as quebras cifraram-se em 1,3% e 7,5%, respectivamente. Note-se, ainda, que os valores relativos aos meses anteriores foram revistos em baixa o que faz com que a queda no 4.º trimestre face ao 3.º se cifre em 24,6% anualizados e mesmo excluindo a gasolina a redução atinge 15%.
Entretanto, foi igualmente divulgado que embora os stocks se tenham reduzido 0,7% em Novembro face ao mês anterior, não só se situam num nível mais elevado do que o registado em Novembro de 2007 (+3,3%) como essa redução foi inferior à ocorrida nas vendas (que caíram 5,1% em Novembro) conduzindo a um aumento significativo dos rácios entre stocks e vendas (para 1,41 face ao valor de 1,31 no mês anterior e 1,24 em Novembro de 2007), o que deverá contribuir para agravar o abrandamento da actividade nos próximos meses.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
A (in)sustentabilidade do desequilíbrio externo português
Em termos acumulados a posição líquida face ao exterior que, corresponde, em sentido lato, ao nível de endividamento externo face ao exterior, passou de -8% do PIB, em 1995, para -41% em 2000 e -90,6% no 3.º trimestre de 2008, gerando um forte desequilíbrio na Balança de Rendimentos (-4,9% do PIB nos últimos 4 trimestres terminados em Setembro de 2008).
Esta evolução que contribuiu para amortecer a desaceleração do crescimento económico (e do consumo) no período 2001-2003, só foi possível porque a participação na zona euro eliminou a restrição tradicional da Balança de Pagamentos (associada à necessidade de obter divisas para pagar as importações) e devido à capacidade do sistema financeiro nacional para intermediar o financiamento da economia face ao exterior.
Embora, em grande parte fosse um reflexo de um ajustamento do “stock” de dívida privada face à alteração do regime monetário (este período foi caracterizado por um aumento do nível de endividamento das empresas e das famílias de cerca de 60% do PIB em 1995 para 115% em 2000 e cerca de 167% no 3.º trimestre 2008), a trajectória de evolução destas variáveis (posição face ao exterior e endividamento) é, no entanto, claramente insustentável na medida em que representava uma utilização, pelos agentes económicos nacionais, da margem disponível de endividamento, que naturalmente, se tenderia a esgotar, tornando inevitável um aumento do nível de poupança que, para que não fosse necessário sacrificar o consumo e/ou do investimento, teria que provir do crescimento económico.
Por outro lado, apresentava uma vulnerabilidade importante, na medida em que dependia da capacidade de intermediação do sistema financeiro nacional e, concretamente, da sua capacidade para se (re)financiar junto do exterior.
A actual crise veio exacerbar as dificuldades na medida em que: i) ao reduzir a procura externa torna mais difícil o aumento da poupança por via do aumento do produto/rendimento; ii) a deterioração das perspectivas económicas tende a reflectir-se numa redução da capacidade de endividamento dos agentes económicos e iii) veio pôr em causa a capacidade da banca para continuar a desempenhar o seu papel de intermediação.
Do lado positivo, a descida das taxas de juro pode, caso se venha a consolidar, significar um alívio significativo do défice da balança de rendimentos e que a descida dos preços dos produtos energéticos e alimentares tenderá a reflectir-se numa melhoria dos termos de troca com o consequente impacto positivo sobre a balança de bens e serviços compensando, ainda que parcialmente, o efeito negativo resultante da deterioração da procura externa. Estes factores, conjuntamente com a quebra do investimento empresarial e do consumo de bens duradouros contribuem para atenuar as necessidades de financiamento face ao exterior. Note-se, no entanto, que de acordo com o Banco de Portugal o défice da balança corrente e de capital deverão apresentar apenas uma ligeira melhoria em 2009 (de -9% para -7,9%), voltando a deteriorar-se em 2010 (para -9,4%).
Esta evolução que contribuiu para amortecer a desaceleração do crescimento económico (e do consumo) no período 2001-2003, só foi possível porque a participação na zona euro eliminou a restrição tradicional da Balança de Pagamentos (associada à necessidade de obter divisas para pagar as importações) e devido à capacidade do sistema financeiro nacional para intermediar o financiamento da economia face ao exterior.
Embora, em grande parte fosse um reflexo de um ajustamento do “stock” de dívida privada face à alteração do regime monetário (este período foi caracterizado por um aumento do nível de endividamento das empresas e das famílias de cerca de 60% do PIB em 1995 para 115% em 2000 e cerca de 167% no 3.º trimestre 2008), a trajectória de evolução destas variáveis (posição face ao exterior e endividamento) é, no entanto, claramente insustentável na medida em que representava uma utilização, pelos agentes económicos nacionais, da margem disponível de endividamento, que naturalmente, se tenderia a esgotar, tornando inevitável um aumento do nível de poupança que, para que não fosse necessário sacrificar o consumo e/ou do investimento, teria que provir do crescimento económico.
Por outro lado, apresentava uma vulnerabilidade importante, na medida em que dependia da capacidade de intermediação do sistema financeiro nacional e, concretamente, da sua capacidade para se (re)financiar junto do exterior.
A actual crise veio exacerbar as dificuldades na medida em que: i) ao reduzir a procura externa torna mais difícil o aumento da poupança por via do aumento do produto/rendimento; ii) a deterioração das perspectivas económicas tende a reflectir-se numa redução da capacidade de endividamento dos agentes económicos e iii) veio pôr em causa a capacidade da banca para continuar a desempenhar o seu papel de intermediação.
Do lado positivo, a descida das taxas de juro pode, caso se venha a consolidar, significar um alívio significativo do défice da balança de rendimentos e que a descida dos preços dos produtos energéticos e alimentares tenderá a reflectir-se numa melhoria dos termos de troca com o consequente impacto positivo sobre a balança de bens e serviços compensando, ainda que parcialmente, o efeito negativo resultante da deterioração da procura externa. Estes factores, conjuntamente com a quebra do investimento empresarial e do consumo de bens duradouros contribuem para atenuar as necessidades de financiamento face ao exterior. Note-se, no entanto, que de acordo com o Banco de Portugal o défice da balança corrente e de capital deverão apresentar apenas uma ligeira melhoria em 2009 (de -9% para -7,9%), voltando a deteriorar-se em 2010 (para -9,4%).
Desequilíbrio externo português – as origens
O desequilíbrio das contas externas resulta da diferença entre a poupança e o investimento, podendo-se distinguir dois períodos.
No período 1995-2000, verificou-se um aumento das necessidades de financiamento da economia de 0,4% do PIB para 9,0%, que se ficou a dever quer a um aumento do investimento (a FBCF aumentou de 23,3% do PIB, em 1995, para 27,8% em 1999 e 27,7% em 2000) quer a uma redução da taxa de poupança (de 20,2% do PIB, em 1995, para 17%, em 2000), apesar de um pequeno aumento da poupança pública (-1,5% em 1995 para 0,6% em 2000) e da FBCF das administrações públicas se ter mantido relativamente estável (quer em 1995 quer 2000 representava 3,8% do PIB e o valor máximo foi de 4,5%, em 1997).
Num segundo período, desde 2000, tem-se verificado uma redução quer da poupança (em 2007 situava-se nos 12,2%) quer do investimento (que caiu para 22,1%), mantendo-se os elevados níveis de necessidades de financiamento face ao exterior (9,3% em 2006, 8,7% em 2007 e 10,4% nos últimos 4 trimestres até Setembro de 2008). Note-se que apesar de uma redução da poupança (-0,1%, em 2007) e da FBCF (2,3% em 2007), o contributo das administrações públicas para este resultado foi, uma vez mais, relativamente reduzido.
O desequilíbrio externo resultou, pois, fundamentalmente de reacções dos agentes económicos privados (empresas e famílias) que no primeiro período responderam à descida de taxa de juro e aumento da disponibilidade de crédito propiciada pela participação no processo de integração monetária aumentando o investimento e o recurso ao crédito e numa segunda fase, de estagnação económica (neste período a taxa de crescimento médio foi de apenas 1,2%) e de deterioração dos termos de troca, sacrificando a poupança.
No período 1995-2000, verificou-se um aumento das necessidades de financiamento da economia de 0,4% do PIB para 9,0%, que se ficou a dever quer a um aumento do investimento (a FBCF aumentou de 23,3% do PIB, em 1995, para 27,8% em 1999 e 27,7% em 2000) quer a uma redução da taxa de poupança (de 20,2% do PIB, em 1995, para 17%, em 2000), apesar de um pequeno aumento da poupança pública (-1,5% em 1995 para 0,6% em 2000) e da FBCF das administrações públicas se ter mantido relativamente estável (quer em 1995 quer 2000 representava 3,8% do PIB e o valor máximo foi de 4,5%, em 1997).
Num segundo período, desde 2000, tem-se verificado uma redução quer da poupança (em 2007 situava-se nos 12,2%) quer do investimento (que caiu para 22,1%), mantendo-se os elevados níveis de necessidades de financiamento face ao exterior (9,3% em 2006, 8,7% em 2007 e 10,4% nos últimos 4 trimestres até Setembro de 2008). Note-se que apesar de uma redução da poupança (-0,1%, em 2007) e da FBCF (2,3% em 2007), o contributo das administrações públicas para este resultado foi, uma vez mais, relativamente reduzido.
O desequilíbrio externo resultou, pois, fundamentalmente de reacções dos agentes económicos privados (empresas e famílias) que no primeiro período responderam à descida de taxa de juro e aumento da disponibilidade de crédito propiciada pela participação no processo de integração monetária aumentando o investimento e o recurso ao crédito e numa segunda fase, de estagnação económica (neste período a taxa de crescimento médio foi de apenas 1,2%) e de deterioração dos termos de troca, sacrificando a poupança.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Desemprego nos EUA aumenta para 7,2%
Os dados divulgados pelo BLS indicam que a taxa de desemprego nos EUA aumentou em Dezembro 0,4 pontos percentuais situando-se em 7,2%, ascendo o número de desempregados a mais de 11 milhões (uma subida de 632 mil). Note-se que a queda do emprego foi ainda superior (-806 mil empregos) e que a subida da taxa de desemprego só não foi maior porque a população activa se reduziu (- 173 mil). Considerando o número total de pessoas que querem um emprego a taxa de desemprego subiria para os 10,4% (correspondente a mais de 16,5 milhões de pessoas).
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Banco de Inglaterra desce taxa de juro
Sentimento económico na europa volta a descer
O indicador de sentimento económico voltou a cair de forma pronunciada quer na União Europeia (-7.0) quer na zona euro (-7,6) atingindo os valores mínimos da série (iniciada em 1985). Registando-se descidas muito substanciais nos Países Baixos (-13,2), Itália (-9,9), França (-8,2), Espanha (-6,3) e Alemanha (-5,3) e nos países de Leste. Em mais um indicador do incrivel grau de sincronização internacional da crise, o indicador caiu em 25 Estados-Membros (mais uma vez não foram publicados para a Irlanda - o que sucede desde Maio e o indicador não é calculado para Malta), com a menor queda a ser observada no Reino Unido (-0,6) e o indicador registou mínimos históricos em todos os países à excepção da Bulgária (-16,9), República Checa (-10,8), França, Polónia (-4,5), Roménia (-6,8), Finlândia (-2,7) e Suécia (-3,7).
Em Portugal a queda foi de 5,6 pontos situando-se o indicador nos 71,7 que corresponde ao novo mínimo da série (o anterior mínimo de 73,2 havia sido registado em Junho de 1993).
Estes dados tornam praticamente certa uma nova descida das taxas do BCE de, pelo menos, 50 pontos base.
Em Portugal a queda foi de 5,6 pontos situando-se o indicador nos 71,7 que corresponde ao novo mínimo da série (o anterior mínimo de 73,2 havia sido registado em Junho de 1993).
Estes dados tornam praticamente certa uma nova descida das taxas do BCE de, pelo menos, 50 pontos base.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Declaração do Governador do Banco de Portugal
Da declaração do Governador do Banco de Portugal gostaria de realçar a seguinte referência "Idealmente, os programas de estímulo orçamental deveriam obedecer aos seguintes princípios: - Concentrarem-se em despesas de investimento de imediata realização e rápido acabamento, para não implicarem grandes despesas futuras. O programa recentemente anunciado pelo Governo de construção e manutenção de escolas constitui um bom exemplo". Vitor Constâncio não o afirmou, mas uma vez que os grandes projectos de investimento anunciados pelo Governo (TGV, expansão da rede de auto-estradas e aeroporto) obviamente não cumprem aqueles requisitos podemos concluir que constituem maus exemplos.
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