segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Previsões da Comissão Europeia

A Comissão Europeia divulgou hoje uma revisão das suas previsões económicas para 2009-2010 que apontam para uma queda do PIB da zona euro de -1,9% em 2009 (-1,9 pp que a previsão de Outono) e para uma subida da taxa de desemprego para 9,3%. Para os EUA e o Japão a previsão é de quedas do produto de 1,6% e 2,4%, respectivamente.
Para Portugal as novas previsões para 2009 são de uma queda do produto de 1,6% (-0,8 pp que o valor projectado pelo Governo na apresentação do Orçamento suplementar) e um aumento do desemprego para 8,8% (+0,3 pp que o valor projectado pelo Governo) e uma subida do défice público para 4,6% (face à previsão de 3,9% do Governo).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Produção industrial nos EUA reduziu-se 2,0%

A produção industrial nos EUA ter-se-á reduzido 2% em Dezembro face ao mês anterior elevando-se a queda face ao mês homológo para 7,8% (a queda do indice de produção da indústria transformadora é de 2,3% e 9,9%, respectivamente). Em termos anulaizados a queda da produção no 3.º trimestre terá sido 11,5% (16,7% na indústria transformadora). Enquanto que o indice de utilização de capacidade produtiva desceu para 73,6% (menos 7,4 pp que em Dezembro de 2007).

Entretanto, o índice de preços no consumidor voltou a cair em Dezembro face ao mês anterior (-0,7%), situando-se a inflação homóloga em -0,1%. O indice excluindo os produtos energéticos e alimentares manteve-se virtualmente inalterado pelo segundo mês consecutivo. No último trimestre a taxa de crescimento anualizada deste índice face ao trimestre anterior foi de apenas 0,4%.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

BCE desce taxa de juro para 2%

O Banco Central Europeu anunciou uma redução de 50 pontos base na taxa das operações principais de refinanciamento. Esta é a quarta descida desde Outubro de 2008 altura em que a a taxa se situava nos 4,25%.
No seu discurso Trichet salientou o enfraquecimento da actividade económica nos últimos meses do ano e perspectivou que a economia global e a procura interna da zona euro deverão permanecer fracas nos próximos trimestres e referiu a redução do crédito ao sector não financeiro que considera ser necessário continuar a analisar.

Inflação homologa em Portugal desce para 0,8%

A taxa de inflação homóloga em Portugal desceu para 0,8% (1,9% se excluirmos os produtos energéticos), fixando-se a taxa média anual de 2008 nos 2,7%. Enquanto que na zona euro a taxa de inflação homóloga se situou nos 1,6% (2,1% excluindo os produtos energéticos) e a taxa média anual em 3,3%.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Vendas a retalho caem nos EUA e stocks aumentam

As vendas a retalho nos EUA em Dezembro foram 2,7% inferiores às registadas em Novembro, tendo caído 10,8% face ao mês homólogo. Embora se esperasse uma queda os números anunciados indicam que esta terá sido superior ao esperado. Com efeito, mesmo excluindo as vendas de gasolina as quebras cifraram-se em 1,3% e 7,5%, respectivamente. Note-se, ainda, que os valores relativos aos meses anteriores foram revistos em baixa o que faz com que a queda no 4.º trimestre face ao 3.º se cifre em 24,6% anualizados e mesmo excluindo a gasolina a redução atinge 15%.

Entretanto, foi igualmente divulgado que embora os stocks se tenham reduzido 0,7% em Novembro face ao mês anterior, não só se situam num nível mais elevado do que o registado em Novembro de 2007 (+3,3%) como essa redução foi inferior à ocorrida nas vendas (que caíram 5,1% em Novembro) conduzindo a um aumento significativo dos rácios entre stocks e vendas (para 1,41 face ao valor de 1,31 no mês anterior e 1,24 em Novembro de 2007), o que deverá contribuir para agravar o abrandamento da actividade nos próximos meses.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A (in)sustentabilidade do desequilíbrio externo português

Em termos acumulados a posição líquida face ao exterior que, corresponde, em sentido lato, ao nível de endividamento externo face ao exterior, passou de -8% do PIB, em 1995, para -41% em 2000 e -90,6% no 3.º trimestre de 2008, gerando um forte desequilíbrio na Balança de Rendimentos (-4,9% do PIB nos últimos 4 trimestres terminados em Setembro de 2008).
Esta evolução que contribuiu para amortecer a desaceleração do crescimento económico (e do consumo) no período 2001-2003, só foi possível porque a participação na zona euro eliminou a restrição tradicional da Balança de Pagamentos (associada à necessidade de obter divisas para pagar as importações) e devido à capacidade do sistema financeiro nacional para intermediar o financiamento da economia face ao exterior.
Embora, em grande parte fosse um reflexo de um ajustamento do “stock” de dívida privada face à alteração do regime monetário (este período foi caracterizado por um aumento do nível de endividamento das empresas e das famílias de cerca de 60% do PIB em 1995 para 115% em 2000 e cerca de 167% no 3.º trimestre 2008), a trajectória de evolução destas variáveis (posição face ao exterior e endividamento) é, no entanto, claramente insustentável na medida em que representava uma utilização, pelos agentes económicos nacionais, da margem disponível de endividamento, que naturalmente, se tenderia a esgotar, tornando inevitável um aumento do nível de poupança que, para que não fosse necessário sacrificar o consumo e/ou do investimento, teria que provir do crescimento económico.
Por outro lado, apresentava uma vulnerabilidade importante, na medida em que dependia da capacidade de intermediação do sistema financeiro nacional e, concretamente, da sua capacidade para se (re)financiar junto do exterior.
A actual crise veio exacerbar as dificuldades na medida em que: i) ao reduzir a procura externa torna mais difícil o aumento da poupança por via do aumento do produto/rendimento; ii) a deterioração das perspectivas económicas tende a reflectir-se numa redução da capacidade de endividamento dos agentes económicos e iii) veio pôr em causa a capacidade da banca para continuar a desempenhar o seu papel de intermediação.
Do lado positivo, a descida das taxas de juro pode, caso se venha a consolidar, significar um alívio significativo do défice da balança de rendimentos e que a descida dos preços dos produtos energéticos e alimentares tenderá a reflectir-se numa melhoria dos termos de troca com o consequente impacto positivo sobre a balança de bens e serviços compensando, ainda que parcialmente, o efeito negativo resultante da deterioração da procura externa. Estes factores, conjuntamente com a quebra do investimento empresarial e do consumo de bens duradouros contribuem para atenuar as necessidades de financiamento face ao exterior. Note-se, no entanto, que de acordo com o Banco de Portugal o défice da balança corrente e de capital deverão apresentar apenas uma ligeira melhoria em 2009 (de -9% para -7,9%), voltando a deteriorar-se em 2010 (para -9,4%).

Desequilíbrio externo português – as origens

O desequilíbrio das contas externas resulta da diferença entre a poupança e o investimento, podendo-se distinguir dois períodos.

No período 1995-2000, verificou-se um aumento das necessidades de financiamento da economia de 0,4% do PIB para 9,0%, que se ficou a dever quer a um aumento do investimento (a FBCF aumentou de 23,3% do PIB, em 1995, para 27,8% em 1999 e 27,7% em 2000) quer a uma redução da taxa de poupança (de 20,2% do PIB, em 1995, para 17%, em 2000), apesar de um pequeno aumento da poupança pública (-1,5% em 1995 para 0,6% em 2000) e da FBCF das administrações públicas se ter mantido relativamente estável (quer em 1995 quer 2000 representava 3,8% do PIB e o valor máximo foi de 4,5%, em 1997).

Num segundo período, desde 2000, tem-se verificado uma redução quer da poupança (em 2007 situava-se nos 12,2%) quer do investimento (que caiu para 22,1%), mantendo-se os elevados níveis de necessidades de financiamento face ao exterior (9,3% em 2006, 8,7% em 2007 e 10,4% nos últimos 4 trimestres até Setembro de 2008). Note-se que apesar de uma redução da poupança (-0,1%, em 2007) e da FBCF (2,3% em 2007), o contributo das administrações públicas para este resultado foi, uma vez mais, relativamente reduzido.

O desequilíbrio externo resultou, pois, fundamentalmente de reacções dos agentes económicos privados (empresas e famílias) que no primeiro período responderam à descida de taxa de juro e aumento da disponibilidade de crédito propiciada pela participação no processo de integração monetária aumentando o investimento e o recurso ao crédito e numa segunda fase, de estagnação económica (neste período a taxa de crescimento médio foi de apenas 1,2%) e de deterioração dos termos de troca, sacrificando a poupança.