domingo, 25 de janeiro de 2009

Transaccionáveis vs não transaccionáveis

Por definição, o desequilíbrio comercial externo português corresponde a um “desequilíbrio” entre a oferta e a procura de bens e serviços transaccionáveis internacionalmente.

Quanto a nós este desequilíbrio resulta, pelo menos em parte, da alteração da estrutura produtiva nacional provocada pela adesão à união monetária. Esta adesão conduziu a uma redução da taxa de juro nominal que correspondeu a uma política monetária excessivamente expansionista para as condições da economia portuguesa à época.

Daqui resultou um aumento da procura agregada dirigida quer a transaccionáveis quer a não transaccionáveis (nomeadamente, construção e serviços). Uma vez que os bens não transaccionáveis têm de ser produzidos internamente tal implicou um aumento da rentabilidade deste sector e, consequentemente, um aumento da procura de recursos (nomeadamente trabalho) para este sector com reflexo no aumento dos salários que ao não ser compensado por aumentos de produtividade no sector dos transaccionáveis conduziu a um agravamento dos custos unitários do trabalho que prejudicou a rentabilidade do sector dos bens transaccionáveis (cujos preços de venda são contidos pela concorrência internacional), reforçando o desequilíbrio.

Temos, assim, que este desequilíbrio foi uma resposta “racional” de adaptação dos agentes económicos às condições macroeconómicas vigentes que no quadro da moeda única apenas poderia ter sido evitada caso se tivesse prosseguido uma política orçamental muito restritiva e/ou através de um aumento muito mais rápido da produtividade nacional.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Construção nos EUA cai a pique

Não é fácil adjectivar a evolução da construção residencial nos EUA. Segundo os valores divulgados o número de casas iniciadas a construir em Dezembro caiu 15,5% face ao valor de Novembro situando-se no valor mais baixo desde, pelo menos, 1959. O número de casas unifamiliares (que é particularmente importante no mercado norte-americano) caiu 13,5% correspondendo a menos de um quarto do máximo histórico atingido em Janeiro de 2006.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

The pain in Spain

A recessão espanhola é... histórica, ao ponto de merecer a atenção do Paul Krugman num título inspirado que não resistimos a plagiar.
A Comissão Europeia prevê que em 2009 o PIB espanhol decresça 2,0% e que o desemprego dispare para os 16,1% enquanto que o défice público deverá atingir os 6,7%. Ainda assim melhor que a Irlanda cujo PIB deverá cair 5,0% (depois de uma queda de 2,0% já em 2008) com o desemprego a atingir 9,7% enquanto que o défice público deverá chegar aos 11,0% em 2009 (o pior resultado dos 27 Estados-Membros).
As dificuldades de ajustamento macroeconómico destas economias (e também da portuguesa) no quadro de uma moeda única são o preço a pagar pela relativa protecção que o euro deu em relação a uma crise de balança de pagamentos e vão constituir um importante teste, sobretudo de carácter político, à união monetária.

PS: Acabei de ler na Bloomberg que a Standard & Poors reduziu o rating da Espanha, manifestando preocupações quanto à qualidade da carteira de crédito dos bancos espanhóis.

Previsões da Comissão Europeia

A Comissão Europeia divulgou hoje uma revisão das suas previsões económicas para 2009-2010 que apontam para uma queda do PIB da zona euro de -1,9% em 2009 (-1,9 pp que a previsão de Outono) e para uma subida da taxa de desemprego para 9,3%. Para os EUA e o Japão a previsão é de quedas do produto de 1,6% e 2,4%, respectivamente.
Para Portugal as novas previsões para 2009 são de uma queda do produto de 1,6% (-0,8 pp que o valor projectado pelo Governo na apresentação do Orçamento suplementar) e um aumento do desemprego para 8,8% (+0,3 pp que o valor projectado pelo Governo) e uma subida do défice público para 4,6% (face à previsão de 3,9% do Governo).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Produção industrial nos EUA reduziu-se 2,0%

A produção industrial nos EUA ter-se-á reduzido 2% em Dezembro face ao mês anterior elevando-se a queda face ao mês homológo para 7,8% (a queda do indice de produção da indústria transformadora é de 2,3% e 9,9%, respectivamente). Em termos anulaizados a queda da produção no 3.º trimestre terá sido 11,5% (16,7% na indústria transformadora). Enquanto que o indice de utilização de capacidade produtiva desceu para 73,6% (menos 7,4 pp que em Dezembro de 2007).

Entretanto, o índice de preços no consumidor voltou a cair em Dezembro face ao mês anterior (-0,7%), situando-se a inflação homóloga em -0,1%. O indice excluindo os produtos energéticos e alimentares manteve-se virtualmente inalterado pelo segundo mês consecutivo. No último trimestre a taxa de crescimento anualizada deste índice face ao trimestre anterior foi de apenas 0,4%.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

BCE desce taxa de juro para 2%

O Banco Central Europeu anunciou uma redução de 50 pontos base na taxa das operações principais de refinanciamento. Esta é a quarta descida desde Outubro de 2008 altura em que a a taxa se situava nos 4,25%.
No seu discurso Trichet salientou o enfraquecimento da actividade económica nos últimos meses do ano e perspectivou que a economia global e a procura interna da zona euro deverão permanecer fracas nos próximos trimestres e referiu a redução do crédito ao sector não financeiro que considera ser necessário continuar a analisar.

Inflação homologa em Portugal desce para 0,8%

A taxa de inflação homóloga em Portugal desceu para 0,8% (1,9% se excluirmos os produtos energéticos), fixando-se a taxa média anual de 2008 nos 2,7%. Enquanto que na zona euro a taxa de inflação homóloga se situou nos 1,6% (2,1% excluindo os produtos energéticos) e a taxa média anual em 3,3%.