quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Equivalência Ricardiana

A propósito do debate entre despesa pública e redução de impostos como forma de estimular a economia recomendo este post do EconSpeak sobre a equivalência ricardiana:

http://econospeak.blogspot.com/2009/01/ricardian-equivalence-does-not-imply.html

Plano Obama

Entretanto, o recém eleito Presidente Obama conseguiu que o Congresso aprovasse o seu plano de $815 mil milhões de USD com uma confortável maioria de 244 votos contra 188 mas, significativamente, sem obter um único voto favorável dos republicanos.

E já se fala de um plano de 1 a 2 milhões de milhões de USD para ajudar (!?) a restaurar o sector bancário.

Declaração da Reserva Federal

Na sua declaração de ontem a Reserva Federal indica que:
"the economy has weakened further. Industrial production, housing starts, and employment have continued to decline steeply, as consumers and businesses have cut back spending. Furthermore, global demand appears to be slowing significantly. Conditions in some financial markets have improved, in part reflecting government efforts to provide liquidity and strengthen financial institutions; nevertheless, credit conditions for households and firms remain extremely tight. The Committee anticipates that a gradual recovery in economic activity will begin later this year, but the downside risks to that outlook are significant."
e anunciou que está a prosseguir uma política de expansão monetária quantitativa muito agressiva:
"The Federal Reserve continues to purchase large quantities of agency debt and mortgage-backed securities to provide support to the mortgage and housing markets, and it stands ready to expand the quantity of such purchases and the duration of the purchase program as conditions warrant. The Committee also is prepared to purchase longer-term Treasury securities if evolving circumstances indicate that such transactions would be particularly effective in improving conditions in private credit markets. The Federal Reserve will be implementing the Term Asset-Backed Securities Loan Facility to facilitate the extension of credit to households and small businesses."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Case-Shiller

Dados ontem divulgados indicam que o ritmo de queda dos preços das casas nos EUA (-18,2% entre Novembro 2007 e Novembro de 2008) se manteve, elevando a queda desde o máximo para 25,1%.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Transaccionáveis vs não transaccionáveis

Por definição, o desequilíbrio comercial externo português corresponde a um “desequilíbrio” entre a oferta e a procura de bens e serviços transaccionáveis internacionalmente.

Quanto a nós este desequilíbrio resulta, pelo menos em parte, da alteração da estrutura produtiva nacional provocada pela adesão à união monetária. Esta adesão conduziu a uma redução da taxa de juro nominal que correspondeu a uma política monetária excessivamente expansionista para as condições da economia portuguesa à época.

Daqui resultou um aumento da procura agregada dirigida quer a transaccionáveis quer a não transaccionáveis (nomeadamente, construção e serviços). Uma vez que os bens não transaccionáveis têm de ser produzidos internamente tal implicou um aumento da rentabilidade deste sector e, consequentemente, um aumento da procura de recursos (nomeadamente trabalho) para este sector com reflexo no aumento dos salários que ao não ser compensado por aumentos de produtividade no sector dos transaccionáveis conduziu a um agravamento dos custos unitários do trabalho que prejudicou a rentabilidade do sector dos bens transaccionáveis (cujos preços de venda são contidos pela concorrência internacional), reforçando o desequilíbrio.

Temos, assim, que este desequilíbrio foi uma resposta “racional” de adaptação dos agentes económicos às condições macroeconómicas vigentes que no quadro da moeda única apenas poderia ter sido evitada caso se tivesse prosseguido uma política orçamental muito restritiva e/ou através de um aumento muito mais rápido da produtividade nacional.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Construção nos EUA cai a pique

Não é fácil adjectivar a evolução da construção residencial nos EUA. Segundo os valores divulgados o número de casas iniciadas a construir em Dezembro caiu 15,5% face ao valor de Novembro situando-se no valor mais baixo desde, pelo menos, 1959. O número de casas unifamiliares (que é particularmente importante no mercado norte-americano) caiu 13,5% correspondendo a menos de um quarto do máximo histórico atingido em Janeiro de 2006.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

The pain in Spain

A recessão espanhola é... histórica, ao ponto de merecer a atenção do Paul Krugman num título inspirado que não resistimos a plagiar.
A Comissão Europeia prevê que em 2009 o PIB espanhol decresça 2,0% e que o desemprego dispare para os 16,1% enquanto que o défice público deverá atingir os 6,7%. Ainda assim melhor que a Irlanda cujo PIB deverá cair 5,0% (depois de uma queda de 2,0% já em 2008) com o desemprego a atingir 9,7% enquanto que o défice público deverá chegar aos 11,0% em 2009 (o pior resultado dos 27 Estados-Membros).
As dificuldades de ajustamento macroeconómico destas economias (e também da portuguesa) no quadro de uma moeda única são o preço a pagar pela relativa protecção que o euro deu em relação a uma crise de balança de pagamentos e vão constituir um importante teste, sobretudo de carácter político, à união monetária.

PS: Acabei de ler na Bloomberg que a Standard & Poors reduziu o rating da Espanha, manifestando preocupações quanto à qualidade da carteira de crédito dos bancos espanhóis.