segunda-feira, 23 de março de 2009

O plano Geithner

O New York Times divulgou as linhas do plano de aquisição de activos tóxicos no valor de 1 milhão de milhões de USD. Segundo este jornal, de acordo com o plano que será anunciado esta semana: o FDIC vai criar veículos especiais de investimento a quem concederá empréstimos correspondentes a 85% do montante que será necessário para adquirir os activos. Os restantes 15% provirão do Tesouro e de investidores sendo que a parte do Tesouro poderá ascender a 80% desta parcela, caso em que o investimento privado ascenderá a somente 3% do total. Isto significa que estes investidores irão colocar apenas 3% do total (3o mil milhões) e receber 20% dos ganhos (calculados sobre 1 milhão de milhões de USD) acima da taxa de juro dos empréstimos concedidos pelo FDIC.
O debate político promete ser intenso com o Krugman a assumir uma posição contra o plano, enquanto que Brad de Long apoia a iniciativa.

domingo, 22 de março de 2009

Lições económicas da crise

Da actual crise económico financeira julgo poderem-se desde já destacar quatro grandes conclusões:
1 - Depois de anos em que se priveligiaram as questões microeconómicas (ou se preferirem a economia da oferta), esta crise veio demonstrar a importância da regulação da procura agreagada e a relevância dos equilíbrios fundamentais nomeadamente ao nível da balança de pagamentos.
2 - A necessidade de reavaliação da política monetária. É um aspecto que não tem sido suficientemente focado mas esta crise resulta (em parte) de erros de política monetária, que se focou exageradamente na evolução da inflação e do emprego desprezando a evolução exagerada do crédito e a sobrevalorização dos preços dos activos que alimentou.
3 - As insuficiências de uma regulação demasiado passiva que confiava na auto-regulação das empresas pelos investidores e em que as empresas de auditoria e agências de rating assumem um papel central.
4 - A necessidade de reavaliar os esquemas de incentivos dos gestores que era suposto conduzirem a um melhor alinhamento dos seus interesses com os de longo prazo dos accionistas/empresas.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Irlanda

Não perder este artigo do Economist sobre a situação da Irlanda, do qual chamo a atenção para seguinte passagem:
«Some economists would like an agreement that cuts public and private pay in tandem. As a euro member, Ireland cannot devalue to restore competitiveness. So wages must fall. Karl Whelan at University College, Dublin is sceptical that a co-ordinated pay cut is likely or even necessary. “This is a flexible market economy: with a 10% unemployment rate, wages will fall.” Indeed, they already are. A Dublin Chamber of Commerce survey found that nine out of ten firms were reducing or freezing pay; almost a third of respondents were cutting executive salaries by 10% or more.»

Sinais da Alemanha

Surgem cada vez mais sinais da Alemanha de que este país estará disponível para ajudar os outros países da zona euro que enfrentem dificuldades, mas que esta ajuda terá um preço em termos de redução da autonomia da política orçamental e fiscal.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Evolução da situação nos EUA

Esta semana verificaram-se alguns sinais animadores relativamente à evolução da economia dos EUA. Na segunda-feira confirmou-se que o ritmo de queda na produção industrial embora ainda muito elevado (-1,4% face ao mês anterior) abrandou ligeiramente. E ontem os números para a inflação revelaram uma subida dos preços de 0,4% face ao mês anterior o que representa uma subida de 0,2 pp face ao valor registado no mês anterior. Mas a grande surpresa surgiu na terça feira em que foi anunciada uma subida das casas iniciadas a construir superior a 20% face a Janeiro, mesmo sendo um dado aparentemente algo enganador na medida em que o aumento resultou sobretudo da construção de condomínios (com 5 ou mais fogos) é de salientar que o valor das unidades com apenas 1 fogo também aumentou ligeiramente (+1%) o que parece apontar para, pelo menos, uma estabilização neste sector.
Mas a grande notícia da semana foi mesmo o anúncio pela Reserva Federal de aceleração das medidas quantitativas através de um aumento da aquisição de obrigações hipotecárias (+750 mil milhões de USD para um novo total de 1,25 milhões de milhões de USD) e, sobretudo, de que irá adquirir nos próximos 6 meses 300 mil milhões de USD de obrigações do Tesouro de longo prazo, o que foi aplaudido pelos mercados obrigacionistas (o yield das OT a 10 anos baixou para cerca de 2,5%) e de acções (o S&P continuou a subir elevando para 17,4% a sua recuperação face ao valor de fecho registado em 9 de Março), mas conduziu a uma queda acentuada do USD nomeadamente face ao euro (de cerca de 1,30 para cerca de 1,35).

domingo, 15 de março de 2009

Krugman sobre Espanha

O post de ontem de Krugman sobre Espanha é bastante elucidativo sobre os problemas de ajustamento deste país... E infelizmente a situação de Portugal é muito similar à de Espanha.

Comunicado dos Ministros das Finanças do G-20

Como se esperava o comunicado dos Ministros das Finanças do G-20 não apresenta grandes novidades. Temos os (inevitáveis) compromissos de evitar o proteccionismo e de assegurar a solidez das instituições sistemicamente importantes e de medidas (a médio prazo) de reforço da supervisão. O ponto mais relevante parece ser o reconhecimento da urgência de reforçar as linhas para auxílio aos países ditos emergentes.