terça-feira, 21 de abril de 2009

Solvência fiscal ?

Lido no Wall Street Journal:

"Some economies have no choice but to cut wages if they want to stay in the euro zone. Spain, Ireland, Greece and Italy have to do so if they are to regain competitiveness. If they don't, investors may fear that their growth prospects will be permanently handicapped, raising questions about their fiscal solvency."

O autor não menicona Portugal mas, entretanto, a DGO informou que no primeiro trimestre as receitas fiscais do Estado ficaram 12,3% abaixo das registadas no período homólogo, com a queda do IVA a atingir 20,3%, o Imposto sobre Veículos a cair mais de 25% e o imposto sobre os combustíveis mais de 13%. Há alguns factores conjunturais que ajudam a explicar parte da quebra do IVA, nomeadamente a redução da taxa e um aumento dos reembolsos, mas apesar disso é preocupante que o défice do sector Estado tenha aumentado mais de mil milhões de euros. A que, infelizmente, haverá ainda que acrescer a redução de quase 200 milhões de euros no saldo da segurança social.

sábado, 18 de abril de 2009

Construção nos EUA e confiança dos consumidores

Os dados relativos à construção nos EUA indicam uma ligeira deterioração da situação no mês de Março. A boa notícia é que considerando os níveis dos últimos três meses se nota alguma estabilização da actividade embora a níveis muito fracos (para se ter uma ideia correspondem a cerca de um terço da média histórica desde 1959 quando a poupulação cresceu significativamente neste período). O mesmo parece estar a suceder com o nível de confiança dos consumidores que de acordo com os dados preliminares divulgados terá subido mais de 4 pontos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Produção industrial na Europa regista queda substancial

A produção industrial na zona euro voltou a cair em Fevereiro (-2,3%) elevando-se a queda homologa a 18,4%. Por sectores as quedas são significativas nos sectores de bens de capital (-24,7%) e bens de consumo duradouros (-22,1%).

Inflação na zona euro desce para 0,6%

A taxa de inflação homóloga na zona euro desceu para 0,6%. Embora a queda seja em boa medida atribuível à evolução dos preços da energia (-8,1%) a verdade é a que mesmo excluindo essa componente e os bens alimentares a taxa de inflação homologa tem vindo a cair substancialmente situando-se agora em 1,5%, pelo que começa a surgir um gap importante face ao objectivo de "abaixo mas perto dos 2%" definido pelo BCE. Entre os países da zona euro quatro apresentam variações homólogas negativas (Irlanda: -0,7%, Portugal: -0,6%, Luxemburgo: -0,3% e Espanha: -0,1%).

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Produção industrial nos EUA

Os valores hoje divulgados pela Reserva Federal relativos à produção industrial no mês de Março apontam para uma queda de 1,5% face ao mês anterior e de 12,8% em relação ao mês homólogo, com quedas significativas em todos os grandes grupos excepto as "utilities". Note-se, ainda, a queda substancial no nível de utilização da capacidade produtiva para 69,3% que corresponde ao valor mais baixo desde 1948 e não augura nada de positivo para o investimento nos próximos trimestres. Realce-se, ainda, que em termos anualizados a quebra da produção industrial no primeiro trimestre terá ascendido a cerca de 20% excedendo o valor correspondente no 4.º trimestre de 2008 (-12,7%).

Projecções do Banco de Portugal

O Banco de Portugal divulgou hoje (melhor ontem) um novo conjunto de projecções para a economia portuguesa que, infelizmente, como seria não são nada animadoras. Assim o PIB deverá cair 3,5% resultado da redução da FBCF de 14,4% (em 2008 caiu 1,7%) e de 0,9% no consumo privado, enquanto as exportações deverão reduzir-se em 14,2% e as importações em 11,7% o que corresponde ainda assim um contributo positivo das exportações líquidas de 0,3 pp. Note-se, ainda, que de acordo com as projecções agora avançadas os preços no consumidor deverão reduzir-se em -0,2%. Um sinal da dimensão da actual crise é o valor apontado para a redução da procura externa dirigida às empresas portuguesas em 2009 que se situa em -12,9%.

Recorde-se que no Programa de Estabilidade a projecção do PIB para 2009 era de -0,8%, o que significa que o défice orçamental se deverá situar significativamente acima dos 3,3% então projectados.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Riscos de deflação ?

O INE divulgou ontem o indice de preços relativo ao mês de Março que aponta para uma variação homóloga de -0,4%. Por classes destacam-se as reduções nos Transportes (-5,7%), Comunicações (-1,9%), Lazer, recreação e cultura (-1,7%), Saúde (-1,1%), Produtos alimentares e vestuário e calçado (-0,5%). Enquanto que, em termos homólogos, a classe cujos preços mais subiram foi a da educação (+3,5%) seguida das bebidas alcoolicas e tabaco (+3,2%). Note-se que em Fevereiro Portugal situava-se, juntamente com a Irlanda e a Espanha, no grupo de países com inflação mais baixa. Será que depois de anos consecutivos em que os preços subiram mais rapidamente na periferia face ao centro poderemos assistir ao fenómeno inverso com taxas de inflação mais baixas nestes países face à média da União Europeia ?