quinta-feira, 7 de maio de 2009
Avaliação das necessidades de capital dos bancos nos EUA
No dia em que o Tesouro dos EUA anunciou alguns detalhes da avaliação às necessidades de capital dos 19 maiores grupos bancários dos EUA, cujos resultados vão ser oficialmente divulgados amanhã, surgiram notícias de que apontam para que o Bank of America necessite de um reforço de capital 35 mil milhões de USD, o Citi de pelo menos 5 mil milhões de USD e o Wells Fargo de 15 mil milhões, enquanto que o American Express, o JP Morgan, o Morgan Stanley e o Goldman Sachs teriam capital suficiente. Embora os valores em causa sejam astronómicos são inferiores aos que se temiam especialmente depois do último relatório sobre estabilidade financeira do FMI.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
O problema económico nacional
O debate económico na nossa internet arrisca tornar-se num diálogo de surdos entre os que (ver aqui e aqui) consideram que vivemos uma crise de procura e que portanto é necessário mais despesa pública e os que consideram que enfrentamos um grave problema de contas externas (ver aqui) que reflecte uma crise de falta de competitividade e portanto consideram que são necessárias medidas dirigidas a este problema como sejam a contenção do défice, a redução dos salários reais e a promoção de políticas de estimulo da oferta, designadamente de bens transaccionáveis.
E infelizmente, ambos têm razão. Portugal enfrenta actualmente uma conjugação de duas "crises" com origens distintas: - uma de origem externa e que se reflecte numa redução da procura externa dirigida à nossa economia e - uma crise de contas externas associada a uma baixa taxa de crescimento da produtividade e sérios problemas de competitividade.
Há obviamente interações entre estas duas crises que curiosamente são de sentido contrário. Com efeito, por um lado a crise económico-financeira internacional tende a agudizar o problema das contas externas, na medida em que torna mais dificil o financiamento do defice externo, o que por sua vez tende a agravar a queda da procura. Por outro lado, a forte especialização em bens não transaccionáveis significa que o impacto directo da quebra da procura externa seja menos sentido (não é por acaso que, na actual fase da crise, os países com quebras mais pronunciadas da actividade são aqueles cujas economias estavam mais orientadas para as exportações).
Mas a verdade é que se tratam de "doenças" distintas a exigir tratamentos também eles distintos, pelo que se põe a questão de quais as políticas mais adequadas. Obviamente, que a resposta depende eventualmente de pressupostos político-ideológicos mas também da avaliação que se faz da situação. Do ponto de vista da avaliação da situação há os que pensam que a situação das contas externas é de tal forma grave e periclitante que na realidade não há outra opção que não eleger esta como a primeira (única ?) prioridade. Enquanto que outros tendem a desvalorizar esta questão e a conceder prioridade absoluta às medidas destinadas a estimular a procura.
Julgo que ambos exageram as suas posições. Embora haja alguns sinais dos mercados financeiros (expressos nomeadamente no spread da República) a que é necessário estar atento a participação no euro põe-nos um pouco ao abrigo de uma crise de pagamentos que de outra forma seria inevitável e dá-nos alguma (não muito grande) margem de manobra temporal que podemos tentar aproveitar para que esse ajustamento seja gradual. Por outro lado, o impacto de um esforço de despesa pública de uma pequena economia aberta como Portugal é muito limitado. É certo que poderemos (deveremos) contribuir para um pacote europeu mas parece-me excesso de voluntarismo que façamos um esforço que, muito sinceramente, a Comissão e os outros Estados-membros não pedem nem esperam que façamos.
Neste contexto, julgo que a prioridade deve ser a utilização da escassa margem orçamental disponível para aliviar o impacto social da crise, evitando a tentação de prosseguir políticas quixotecas do tipo keynesiano que possam comprometer a nossa margem de manobra para o ajustamento externo que teremos que inevitavelmente fazer. É que, por muito que nos custe, o pior que poderia suceder neste momento seria uma perda de confiança na sustentabilidade das nossas contas públicas. A consequência seria uma crise financeira que iria agravar profundamente a quebra da procura com custos económicos e sociais verdadeiramente brutais.
E infelizmente, ambos têm razão. Portugal enfrenta actualmente uma conjugação de duas "crises" com origens distintas: - uma de origem externa e que se reflecte numa redução da procura externa dirigida à nossa economia e - uma crise de contas externas associada a uma baixa taxa de crescimento da produtividade e sérios problemas de competitividade.
Há obviamente interações entre estas duas crises que curiosamente são de sentido contrário. Com efeito, por um lado a crise económico-financeira internacional tende a agudizar o problema das contas externas, na medida em que torna mais dificil o financiamento do defice externo, o que por sua vez tende a agravar a queda da procura. Por outro lado, a forte especialização em bens não transaccionáveis significa que o impacto directo da quebra da procura externa seja menos sentido (não é por acaso que, na actual fase da crise, os países com quebras mais pronunciadas da actividade são aqueles cujas economias estavam mais orientadas para as exportações).
Mas a verdade é que se tratam de "doenças" distintas a exigir tratamentos também eles distintos, pelo que se põe a questão de quais as políticas mais adequadas. Obviamente, que a resposta depende eventualmente de pressupostos político-ideológicos mas também da avaliação que se faz da situação. Do ponto de vista da avaliação da situação há os que pensam que a situação das contas externas é de tal forma grave e periclitante que na realidade não há outra opção que não eleger esta como a primeira (única ?) prioridade. Enquanto que outros tendem a desvalorizar esta questão e a conceder prioridade absoluta às medidas destinadas a estimular a procura.
Julgo que ambos exageram as suas posições. Embora haja alguns sinais dos mercados financeiros (expressos nomeadamente no spread da República) a que é necessário estar atento a participação no euro põe-nos um pouco ao abrigo de uma crise de pagamentos que de outra forma seria inevitável e dá-nos alguma (não muito grande) margem de manobra temporal que podemos tentar aproveitar para que esse ajustamento seja gradual. Por outro lado, o impacto de um esforço de despesa pública de uma pequena economia aberta como Portugal é muito limitado. É certo que poderemos (deveremos) contribuir para um pacote europeu mas parece-me excesso de voluntarismo que façamos um esforço que, muito sinceramente, a Comissão e os outros Estados-membros não pedem nem esperam que façamos.
Neste contexto, julgo que a prioridade deve ser a utilização da escassa margem orçamental disponível para aliviar o impacto social da crise, evitando a tentação de prosseguir políticas quixotecas do tipo keynesiano que possam comprometer a nossa margem de manobra para o ajustamento externo que teremos que inevitavelmente fazer. É que, por muito que nos custe, o pior que poderia suceder neste momento seria uma perda de confiança na sustentabilidade das nossas contas públicas. A consequência seria uma crise financeira que iria agravar profundamente a quebra da procura com custos económicos e sociais verdadeiramente brutais.
Segunda derivada
Numa altura em que se fala de luz ao fim do túnel, de sinais de recuperação importa realçar que os últimos indicadores tem revelado é uma melhoria no comportamento da segunda derivada que representa a (des)aceleração da evolução. Significa isto que os últimos indicadores que têm vindo a ser divulgados apontam para uma continuação da queda da actividade económica só que a um ritmo francamente menos acentuado.
Claro que mais vale isso do que o contrário, mas esta evolução não garante que a recuperação esteja à vista e a verdade é que, antes pelo contrário, mesmo no curto prazo continuam a existir sérios riscos de que a deterioração da economia venha a agravar-se e grandes incertezas quanto a uma muito desejada recuperação sustentada, nomeadamente em virtude das fragilidades do sistema financeiro.
Claro que mais vale isso do que o contrário, mas esta evolução não garante que a recuperação esteja à vista e a verdade é que, antes pelo contrário, mesmo no curto prazo continuam a existir sérios riscos de que a deterioração da economia venha a agravar-se e grandes incertezas quanto a uma muito desejada recuperação sustentada, nomeadamente em virtude das fragilidades do sistema financeiro.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
PNET Economia e PNET Política
Aceitando um repto do Prof. Carlos Santos que tem feito um trabalho notável de dinamização da nossa internet económica iniciei uma colaboração regular nos projectos PNETeconomia e PNETpolitica, coordenados pelo Carlos Santos. Além dos colaboradores regulares estes espaços estão abertos a crónicas de outros utilizadores, mediante o registo e obtenção de password que deve ser autenticada com o primeiro acesso, sendo as crónicas publicadas com pequeno desfasamento temporal.
Passem por lá !
Passem por lá !
ISM volta a subir em Abril
O ISM voltou a subir em Abril situando-se nos 40,1 pontos (+3,8 pontos que no mês anterior) que corresponde ao valor mais elevado desde Setembro 2008, sendo de salientar a recuperação das novas encomendas (+ 6 pontos para os 47,2) e dos stocks dos clientes (-4,5 pontos para 49,5). Recorde-se contudo que este resultado continua a apontar para uma quebra significativa da actividade industrial, embora a um ritmo menos elevado do que o verificado nos meses anteriores.
Previsões de Primavera da Comissão
As previsões de Primavera da Comissão Europeia apontam para uma contracção do PIB de 4% na União Europeia, com o consumo privado a cair 1,5% e o investimento 10,5%. Com a economia alemã a contrair-se 5,4%, a Itália 4,4%, o Reino Unido 3,8%, a Espanha 3,2% e a França 3,0%. Enquanto nas restantes economias ressaltam as previsões para a Irlanda (-9%) e para os países bálticos (Letónia: -13,1%, Lituânia: -11,0% e Estónia: -10,3%). Quanto à taxa de desemprego, a Comissão prevê que esta atinja 9,4% em 2009 e 10,9% em 2010.
Para Portugal a Comissão prevê uma redução do PIB de 3,7% e um aumento do desemprego para 9,1% em 2009 e 9,8% em 2010. Enquanto que o défice do sector público se deverá situar nos 6,5% em 2009 e 6,7% em 2010. Para além destes números ressalta algum pessimismo relativamente à situação portuguesa nomeadamente em virtude da evolução do endividamento externo e da competitividade.
Para Portugal a Comissão prevê uma redução do PIB de 3,7% e um aumento do desemprego para 9,1% em 2009 e 9,8% em 2010. Enquanto que o défice do sector público se deverá situar nos 6,5% em 2009 e 6,7% em 2010. Para além destes números ressalta algum pessimismo relativamente à situação portuguesa nomeadamente em virtude da evolução do endividamento externo e da competitividade.
domingo, 3 de maio de 2009
Gripe humana ?
Apesar do número de casos confirmados a nível global continuar a aumentar, particularmente nos EUA e Espanha, as informações conhecidas apontam para uma estabilização no México e para que o grau de virulência não seja tão significativo como se poderia temer.
Entretanto, e a propósito da discussão em torno da denominação desta gripe, esta notícia sugeriu-me uma alternativa: porque não "gripe humana"?
PS: E parece que não foi a primeira vez na história !
Entretanto, e a propósito da discussão em torno da denominação desta gripe, esta notícia sugeriu-me uma alternativa: porque não "gripe humana"?
PS: E parece que não foi a primeira vez na história !
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