sexta-feira, 15 de maio de 2009

PIB na zona euro caiu 2,5%

De acordo com os dados divulgados pelo Eurostat o PIB da zona euro e da UE 27 caiu 2,5% no primeiro trimestre de 2009 face ao trimestre anterior. Em termos homólogos a quebra é de 4,6% para a zona euro e 4,4% para a UE 27, ressaltando as descidas na Alemanha (-6,9%), na Itália (-5,9%) e nos países bálticos (Estónia -15,6%, Letónia -18,6% e Lituânia -10,9%). Em Portugal as estimativas apontam para uma descida de 1,5% face ao trimestre anterior e de 3,7% face ao primeiro trimestre de 2008.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

BPP e BPN

No caso do BPP e do BPN creio que se atingiu um grau de descredibilização tal que não haverá ninguém de bom senso que confie o seu dinheiro a estes bancos. Além disso, o dano feito é tal que torna mirifica qualquer hipótese de sobrevivência das marcas. Neste contexto o fecho do BPP e a integração do BPN na CGD surgem cada vez mais como inevitáveis e qualquer plano de viabilização pouco mais poderá fazer do que prolongar uma situação de agonia que se torna cada vez mais penosa.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Resultados da avaliação do sector bancário nos EUA

Como esperado foram divulgados os resultados da avaliação dos 19 principais grupos bancários dos EUA. Numa primeira análise os resultados parecem corresponder aos que vinham surgido nos media apontando para que no conjunto seja necessário um reforço dos capitais de cerca de 74,6 mil milhões de USD (BofA: 33,9 mil milhões, Citi: 5,5 mil milhões, FiftTh: 1,1 mil milhões, GMAC: 11,5 mil milhões, KeyCorp: 1,8 mil milhões, Morgan Stanley: 1,8 mil milhões, PNC: 0,6 mil milhões, Regions: 2,5 mil milhões, SunTrust: 2,2 mil milhões e Wells: 13,7 mil milhões).
Note-se que as perdas estimadas ascendem a 599,2 mil milhões.

Banco Central Europeu reduz taxas

O BCE anunciou a redução da taxa das operações principais de refinanciamento em 0,25 pp fixando-a em 1%, mantendo a taxa da facilidade permanente de depósito em 0,25%. Após esta descida a margem do BCE para voltar a descer as taxas de juro é praticamente nula sob risco da diferença para a taxa de facilidade de depósito ficar demasiado reduzida o que tenderia a paralizar o mercado monetário interbancário. Estamos perante uma situação em que se esgotou o espaço para medidas de política monetária convencional o que justifica o anúncio de que o BCE tomou a decisão de princípio de intervir directamente através da aquisição de obrigações em operações cujos detalhes deverão ser decididos na reunião de 4 de Junho.
No seu comunicado de realçar um certo endurecimento da linguagem utilizada relativamente às finanças públicas, a propósito das quais se afirma que: "it is paramount that countries make a strong and credible commitment to a path of consolidation in order to return to sound fiscal positions, respecting fully the provisions of the Stability and Growth Pact".

FMI apoia Roménia e Polónia

Nos útlimos dias o FMI anunciou um financiamento de 12,9 mil milhões de euros à Roménia (que faz parte de um pacote total de 19,9 mil milhões para o qual a União Europeia contribui com 5 mil milhões) e uma linha de crédito de 20,6 mil milhões de USD à Polónia.

Avaliação das necessidades de capital dos bancos nos EUA

No dia em que o Tesouro dos EUA anunciou alguns detalhes da avaliação às necessidades de capital dos 19 maiores grupos bancários dos EUA, cujos resultados vão ser oficialmente divulgados amanhã, surgiram notícias de que apontam para que o Bank of America necessite de um reforço de capital 35 mil milhões de USD, o Citi de pelo menos 5 mil milhões de USD e o Wells Fargo de 15 mil milhões, enquanto que o American Express, o JP Morgan, o Morgan Stanley e o Goldman Sachs teriam capital suficiente. Embora os valores em causa sejam astronómicos são inferiores aos que se temiam especialmente depois do último relatório sobre estabilidade financeira do FMI.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O problema económico nacional

O debate económico na nossa internet arrisca tornar-se num diálogo de surdos entre os que (ver aqui e aqui) consideram que vivemos uma crise de procura e que portanto é necessário mais despesa pública e os que consideram que enfrentamos um grave problema de contas externas (ver aqui) que reflecte uma crise de falta de competitividade e portanto consideram que são necessárias medidas dirigidas a este problema como sejam a contenção do défice, a redução dos salários reais e a promoção de políticas de estimulo da oferta, designadamente de bens transaccionáveis.

E infelizmente, ambos têm razão. Portugal enfrenta actualmente uma conjugação de duas "crises" com origens distintas: - uma de origem externa e que se reflecte numa redução da procura externa dirigida à nossa economia e - uma crise de contas externas associada a uma baixa taxa de crescimento da produtividade e sérios problemas de competitividade.

Há obviamente interações entre estas duas crises que curiosamente são de sentido contrário. Com efeito, por um lado a crise económico-financeira internacional tende a agudizar o problema das contas externas, na medida em que torna mais dificil o financiamento do defice externo, o que por sua vez tende a agravar a queda da procura. Por outro lado, a forte especialização em bens não transaccionáveis significa que o impacto directo da quebra da procura externa seja menos sentido (não é por acaso que, na actual fase da crise, os países com quebras mais pronunciadas da actividade são aqueles cujas economias estavam mais orientadas para as exportações).

Mas a verdade é que se tratam de "doenças" distintas a exigir tratamentos também eles distintos, pelo que se põe a questão de quais as políticas mais adequadas. Obviamente, que a resposta depende eventualmente de pressupostos político-ideológicos mas também da avaliação que se faz da situação. Do ponto de vista da avaliação da situação há os que pensam que a situação das contas externas é de tal forma grave e periclitante que na realidade não há outra opção que não eleger esta como a primeira (única ?) prioridade. Enquanto que outros tendem a desvalorizar esta questão e a conceder prioridade absoluta às medidas destinadas a estimular a procura.

Julgo que ambos exageram as suas posições. Embora haja alguns sinais dos mercados financeiros (expressos nomeadamente no spread da República) a que é necessário estar atento a participação no euro põe-nos um pouco ao abrigo de uma crise de pagamentos que de outra forma seria inevitável e dá-nos alguma (não muito grande) margem de manobra temporal que podemos tentar aproveitar para que esse ajustamento seja gradual. Por outro lado, o impacto de um esforço de despesa pública de uma pequena economia aberta como Portugal é muito limitado. É certo que poderemos (deveremos) contribuir para um pacote europeu mas parece-me excesso de voluntarismo que façamos um esforço que, muito sinceramente, a Comissão e os outros Estados-membros não pedem nem esperam que façamos.

Neste contexto, julgo que a prioridade deve ser a utilização da escassa margem orçamental disponível para aliviar o impacto social da crise, evitando a tentação de prosseguir políticas quixotecas do tipo keynesiano que possam comprometer a nossa margem de manobra para o ajustamento externo que teremos que inevitavelmente fazer. É que, por muito que nos custe, o pior que poderia suceder neste momento seria uma perda de confiança na sustentabilidade das nossas contas públicas. A consequência seria uma crise financeira que iria agravar profundamente a quebra da procura com custos económicos e sociais verdadeiramente brutais.