Os indicadores de sentimento económico ontem publicados pela Comissão Europeia apontam para que uma subida da confiança dos agentes económicos no mês de Setembro (+1,6 pontos para o conjunto da União Europeia) pelo sexto mês consecutivo. Esta melhoria resultou sobretudo da evolução da confiança na indústria (+ 2 pontos) e dos consumidores (+ 3 pontos). Destacando-se em termos de evolução por países as subidas registadas em França (+4,7) e na Alemanha (+1,5) e em vários pequenos países, designadamente, Estónia (+ 5), Grécia (+4,6), Chipre (+10,6), Países Baixos (+4,6), Eslovénia (8,1), Eslováquia (5,6), Finlândia (+4) e Portugal (+6).
Note-se, contudo, que, para o conjunto da União Europeia, o crescimento foi o menor destes 6 meses e que o indicador se situa ainda num nível francamente baixo (82,6 pontos) e que contrariamente ao que havia sucedido nos meses anteriores, em que a subida foi generalizada, este indicador caiu na Bulgária (-1,6), Espanha (-1,2), Itália (-1,3), Hungria (-1,3) e estagnou no Reino Unido.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
Evolução da construção e das entregas e encomendas industriais nos EUA
Apesar dos últimos dados conhecidos quanto à evolução da construção e das entregas e encomendas industriais nos EUA continuam a indicar uma tendência de recuperação, a verdade é que o ímpeto dessa recuperação parece estar a a reduzir-se. Por exemplo, a venda de casas novas que tinha recuperado de modo sgnificativo enbtre Maio e Julho praticamente estagnou em Agosto (e está a um nível que corresponde a cerca de um terço do que se verificava em 2005) e as entregas e encomendas de bens duradouros voltaram a cair face ao mês anterior, respectivamente 1,4% e 2,4%.
Cimeira do G-20
Numa conferência marcada pelo optimismo quanto à recuperação da economia mundial, os pontos mais importantes foram a confirmação da importância do G-20 face ao G-8 e a discussão sobre redistribuição de poder em favor das economias emergentes que se fará à custa da redução do peso dos países europeus e do Japão e da qual beneficiarão sobretudo China, Russia, Brasil e India.
World Economic Outlook and Stability Report
O FMI já divulgou os capitulos 3 e 4 do World Economic Outlook e 2 e 3 do Gloibal Financial Report.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Um tema estranhamente ausente
O tema da consolidação orçamental tem sido um tema quase inteiramente ausente da campanha eleitoral. O que sinceramente é uma pena. De acordo com o Boletim Informativo da Direcção-Geral do Orçamento referente aos 8 primeiros meses de 2009 ano o saldo global do subsector Estado passou de -3.436 milhões de euros para -8.712,6 milhões de euros fruto de um aumento de 4,1% da despesa e de uma redução de 15,4% na receita. Enquanto que no mesmo período o saldo da Segurança Social se reduzia de 1.534 milhões de euros para 628,1 milhões de euros (a receita corrente aumentou 3% enquanto as despesas correntes subiram 10,4%). Evolução que não foi compensada pelo pequeno aumento do saldo dos Fundos e Serviços Autónomos (+114,8 milhões de euros) e da CGA (+219,8 milhões de euros).
Em termos líquidos a deterioração do saldo global excedeu os 5.800 milhões de euros correspondente a cerca de 4% do PIB.
Mesmo descontando alguns efeitos de medidas de política com efeitos transitórios (por exemplo a aceleração dos reembolsos) estamos perante uma deterioração muito significativa das contas públicas que irá ser necessário começar a corrigir senão em 2010 provavelmente já a partir de 2011.
Neste sentido, seria interessante para os eleitores conhecerem a estratégia de consolidação orcamental dos diversos partidos concorrentes às eleições.
Mas estranha e infelizmente dir-se-ia que passámos de uma situação de "obsessão com o défice" para uma situação de "ignorância do défice", alimentada pelo facto de haver outros países em situação igual ou pior e pela convicção de que a Comissão Europeia não forçará a tomada de medidas, numa atitude de inconsciência ou de "logo se vê". Esquecendo que 2011 é já a seguir e que quem estiver nessa altura no Governo vai quase certamente ser forçado a tomar decisões dificeis.
Em termos líquidos a deterioração do saldo global excedeu os 5.800 milhões de euros correspondente a cerca de 4% do PIB.
Mesmo descontando alguns efeitos de medidas de política com efeitos transitórios (por exemplo a aceleração dos reembolsos) estamos perante uma deterioração muito significativa das contas públicas que irá ser necessário começar a corrigir senão em 2010 provavelmente já a partir de 2011.
Neste sentido, seria interessante para os eleitores conhecerem a estratégia de consolidação orcamental dos diversos partidos concorrentes às eleições.
Mas estranha e infelizmente dir-se-ia que passámos de uma situação de "obsessão com o défice" para uma situação de "ignorância do défice", alimentada pelo facto de haver outros países em situação igual ou pior e pela convicção de que a Comissão Europeia não forçará a tomada de medidas, numa atitude de inconsciência ou de "logo se vê". Esquecendo que 2011 é já a seguir e que quem estiver nessa altura no Governo vai quase certamente ser forçado a tomar decisões dificeis.
sábado, 19 de setembro de 2009
Os programas económicos do PS e do PSD
Lendo o programas do PS e do PSD a primeira coisa que ressalta à vista é a semelhança dos objectivos enunciados. Se o PS pretende “Relançar a economia e promover o emprego” o PSD contrapõe com “Criar condições para aumentar o emprego e para retomar o crescimento e a convergência com a União Europeia”. O modo como o pretendem fazer é porém diverso.
Enquanto no programa do PS há uma aposta sobretudo na intervenção do Estado através: do investimento público, da criação ou reforço de fundos de apoio (nomeadamente para a internacionalização – 250 milhões de euros - e reforço dos capitais próprios – 1,6 mil milhões de euros) e linhas de crédito bonificadas (por exemplo manutenção da linha de crédito de 3,75 mil milhões de euros para a PME); de programas de estágio (designadamente, INOV Jovem, INOV Social e INOV Export) seja ainda através da aposta num Pacto para o Emprego e num Pacto para a Internacionalização, cuja natureza e forma de implementação confesso que não fui capaz de descortinar.
O PSD aponta para uma estratégia diferente, em que a aposta no investimento público é claramente menos importante e em que dá preferência aos investimentos “de proximidade” (requalificação urbana, habitação para jovens, equipamentos sociais, património cultural e equipamentos escolares), em que se nota uma clara aposta na utilização de instrumentos fiscais seja para reduzir o custo do trabalho através da descida da taxa social única em 2 pontos percentuais, seja através da criação de regimes de incentivos fiscais (majoração em IRC das despesas com novas contratações, créditos fiscais para investimento, etc), da extinção do pagamento especial por conta e da alteração do regime de pagamento do IVA.
Quanto às finanças públicas o PSD compromete-se a concretizar uma “consolidação orçamental efectiva” através da “racionalização e redução da despesa pública” enquanto o PS apresenta como objectivo “alcançar, até ao final da legislatura, um saldo orçamental compatível com o objectivo de equilíbrio sustentável das contas públicas” e aposta em “melhorar a qualidade da despesa pública”. Sendo, talvez a principal diferença que o PSD propõe a elaboração de um “programa plurianual de redução do peso da despesa pública no PIB, com metas quantificadas e fixas por cada ano”. Sendo de notar, ainda, que uma vez que ambos os partidos parecem afastar aumentos de impostos (embora o PS anuncie como objectivo "aproximar o regime de tributação das mais-valais mobiliárias ao praticado na generalidade dos países da OCDE"), o esforço de redução da despesa necessário para alcançar este objectivo (já em si dificil) tenderá a ser maior no caso de PSD em virtude, principalmente, da necessidade de cobrir a redução de receitas da Segurança Social resultantes da descida da taxa social única que terá um impacto que deverá andar próximo dos 1,5 mil milhões de euros ano, valor que corresponde a 0,9% do PIB.
Enquanto no programa do PS há uma aposta sobretudo na intervenção do Estado através: do investimento público, da criação ou reforço de fundos de apoio (nomeadamente para a internacionalização – 250 milhões de euros - e reforço dos capitais próprios – 1,6 mil milhões de euros) e linhas de crédito bonificadas (por exemplo manutenção da linha de crédito de 3,75 mil milhões de euros para a PME); de programas de estágio (designadamente, INOV Jovem, INOV Social e INOV Export) seja ainda através da aposta num Pacto para o Emprego e num Pacto para a Internacionalização, cuja natureza e forma de implementação confesso que não fui capaz de descortinar.
O PSD aponta para uma estratégia diferente, em que a aposta no investimento público é claramente menos importante e em que dá preferência aos investimentos “de proximidade” (requalificação urbana, habitação para jovens, equipamentos sociais, património cultural e equipamentos escolares), em que se nota uma clara aposta na utilização de instrumentos fiscais seja para reduzir o custo do trabalho através da descida da taxa social única em 2 pontos percentuais, seja através da criação de regimes de incentivos fiscais (majoração em IRC das despesas com novas contratações, créditos fiscais para investimento, etc), da extinção do pagamento especial por conta e da alteração do regime de pagamento do IVA.
Quanto às finanças públicas o PSD compromete-se a concretizar uma “consolidação orçamental efectiva” através da “racionalização e redução da despesa pública” enquanto o PS apresenta como objectivo “alcançar, até ao final da legislatura, um saldo orçamental compatível com o objectivo de equilíbrio sustentável das contas públicas” e aposta em “melhorar a qualidade da despesa pública”. Sendo, talvez a principal diferença que o PSD propõe a elaboração de um “programa plurianual de redução do peso da despesa pública no PIB, com metas quantificadas e fixas por cada ano”. Sendo de notar, ainda, que uma vez que ambos os partidos parecem afastar aumentos de impostos (embora o PS anuncie como objectivo "aproximar o regime de tributação das mais-valais mobiliárias ao praticado na generalidade dos países da OCDE"), o esforço de redução da despesa necessário para alcançar este objectivo (já em si dificil) tenderá a ser maior no caso de PSD em virtude, principalmente, da necessidade de cobrir a redução de receitas da Segurança Social resultantes da descida da taxa social única que terá um impacto que deverá andar próximo dos 1,5 mil milhões de euros ano, valor que corresponde a 0,9% do PIB.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Evolução da Indústria e Construção nos EUA
Os dados sobre a produção industrial e a construção nos EUA foram francamente positivos indicando que uma expansão no mês de Agosto, confirmando as expectativas de um crescimento económico positivo no corrente trimestre, permanecendo dúvidas quanto à sustentabilidade da recuperação, uma vez que como há dois dias lembrou Krugman os efeitos dos estímulos orçamentais tenderão a esbater-se nos próximos trimestres e a procura final continua anémica estando os sinais positivos em grande parte relacionados com o ciclo de stocks.
Subscrever:
Mensagens (Atom)