quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Desemprego em Portugal

De acordo com os dados diuvulgados ontem pelo INE no 3.º trimestre a taxa de desemprego em Portugal terá ascendido aos 9,8% (2,1 pp que no periodo homologo) valor que corresponde a 547 mil desempregados (+26,3% que no 3.º trimestre de 2008).
Esta subida ocorre apesar de uma subida significativa da taxa de inactividade (de 37,5% para 38,3%) o que corresponde ao abandono do mercado de trabalho de mais 80 mil individuos, sendo de salientar que o aumento dos inactivos ocorreu em todas as faixas etárias mas com maior incidência nos 25 aos 45 anos (subida superior a 6,5% face ao período homologo) o que constitui um forte indicio que a larga maioria serão "inactivos desencorajados". Se assim for a subida da taxa de desemprego não reflecte a total dimensão do impacto da crise no desemprego e a taxa de desemprego tenderá a permanecer elevada à medida que estes inactivos reentrem no mercado de trabalho.

sábado, 14 de novembro de 2009

Energias renováveis

Não conhecia a metodologia utilizada pela Direcção-Geral da Energia, mas sendo verdade o que afirma Mira Amaral  que os valores oficiais sobre o peso das energias renováveis estão empolados por se ter como referência um ano extremamente húmido de onde resulta que, por exemplo, em 2008, que foi um ano de fraca pluviosidade com um Indice de Produtividade Hidroeléctrica de 0.562, a sua produção hidroeléctrica real de 7102GWh foi corrigida, tendo-se obtido uma produção 'cozinhada' de 7102 x 1.22 / 0.562 = 15 406GWh que somada às restantes renováveis permitiu passar da percentagem das energias renováveis no consumo de electricidade de 27% para 43.3% trata-se de uma situação inaceitável.

Evolução do PIB na UE

Os valores ontem divulgados pelo Eurostat para o PIB no 3.º trimestre apontam para um crescimento do PIB de 0,4% na zona euro (0,2%) na UE face ao trimestre anterior. Apesar de não terem sido divulgados os resultados para muitos dos países, ois dados aapontam para divergências importantes na evolução da actividade dos diversos países. Com efeito enquanto que alguns países revelam sinais de recuperação, a verdade é que noutros (Estónia, Grécia, Espanha, Chipre, Hungria, Roménia e Reino Unido) o PIB continuou a decrescer. Em termos trimestrais os países em que a recuperação foi mais importante foram a Lituânia (6%, mas depois de dois trimestres de queda abrupta do PIB: -11,3% e -7,7%), a Eslováquia (1,6%), Áustria e Portugal (0,9%). Sendo de salientar relativamente aos grandes países o crescimento de 0,7% registado pela Alemanha.
Em termos homólogos a queda do PIB da zona euro situou-se nos -4,1% e por países (faltando conhecer os dados da Polónia que no 2.º trimestre foi o único país a registar um crescimento homologo positivo) os melhores comportamentos pertencem à Grécia (-1,6%), Portugal e França (-2,4%). Enquanto as quedas mais significativas são as registadas empaíses do Leste Europeu, nomedamente: Estónia (-15,3%), Lituânia (-14,3%), Hungria (-8%), Roménia (-7%), Bulgária (-5,8%).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Caras eu ganho, coroa tu perdes

De acordo com o Publico de hoje, uma contrapartida de 230 milhões de euros que um consórcio para a construção da auto-estrada se tinha proposto pagar à Estradas de Portugal pela subconcessão não consta do contrato final. De acordo com a notícia essa alteração do contrato ficou a dever-se à degradação do clima económico e financeiro resultante da crise global que teria conduzido a um aumento dos custos, margens e comissões e a uma redução dos prazos de financiamento.

Não conheço os detalhes do caso e mesmo que conhecesse teria dificuldade em me pronunciar quanto à legalidade ou não das alterações introduzidas. Mas independentemente das questões jurídicas que o caso suscita não posso deixar de me interrogar quanto à assimetria que parece existir nestes negócios. Imaginemos que, em vez de terem piorado, as condições de financiamento tinham melhorado consideravelmente, será que as condições da concessão teriam sido revistas em favor do Estado ?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Procedimentos por défice excessivo

A Comissão Europeia propôs hoje ao Conselho o ano de 2013 como prazo para a correcção dos défices orçamentais excessivos na Áustria, Rep. Checa, Alemanha, Eslováquia, Países Baixos e Portugal, enqaunto que a Bélgica e Itália deverão corrigir os seus défices até 2012, elevando para 14 os Estados-Membros alvo de procedimentos de défice excessivo.

No que diz respeito a Portugal a proposta da Comissão implica que Portugal proceda a um ajustamento médio anual do défice estrutural de 1,25%, valor idêntico  ao proposto para a França e inferior à Irlanda (2%), Espanha (1,75%) e Reino Unido (1,75%).

Em pior situação está a Grécia relativamente à qual face à severa deterioração da situação orçamental (-12,7% contra um compromisso de -3,7%) a Comissão propõe que o Conselho considere que não tomou medidas efectivas, o que constitui o primeiro passo para uma eventual aplicação de sanções.

O ajustamento proposto para Portugal implica um ajustamento anual do défice próximo dos 2 mil milhões de euros, o que certamente não será fácil de atingir sem um aumento da carga fiscal. Esta proposta parece no entanto permitir uma certa negociação quanto à repartição do esforço durante os próximos 4 anos sendo de esperar que o esforço exigido em 2010 venha a ser significativamente inferior àquele valor.

sábado, 7 de novembro de 2009

Desemprego nos EUA

Nos EUA, a taxa de desemprego atingiu 10,2% o que corresponde ao valor mais elevado desde Março de 1983, elevando-se o número de desempregados a 15,7 milhões (mais 8,4 milhões do que em Outubro de 2007), tendo o número de assalariados se reduzido em cerca de 190 mil (apenas ligeiramente menos do que os 200 mil sendo de assinalar que no sector privado a redução foi mesmo ligeiramente superior à resgistada no mês de Setembro).
Os números agora divulgados apontam para uma redução do emprego desde 2007 se cifre em mais de 5% enquanto que a redução do PIB foi de "somente" 2,8% o que indica que, ao contrário do habitual durante as um facto pouco normal durante recessões, a produtividade nos EUA estará mesmo a acelerar o que conjugado com a contenção dos salários gerada pelos elevados níveis de desemprego e a depreciação do dólar nos últimos meses significa um aumento muito apreciável da competitividade da economia americana o que deverá contribuir para, pelo menos, continue o processo de atenuação do forte desequilíbrio externo dos EUA.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Previsões da Comissão Europeia

As previsões económicas de Outono da Comissão Europeia divulgadas na passada terça-feira são razoavelmente optimistas confirmando os sinais de estabilização da situação económica que tem sido divulgados nos últimos meses e que levaram a uma revisão em alta (+0,8 pp) das previsões de crescimento da zona euro para 2010.

Importa no entanto ter presente que os resultados positivos resultam em larga medida de factores temporários para os quais temos vindo a chamar a atenção, nomeadamente o ciclo de ajustamento dos stocks e as medidas de estimulo monetário e orçamental cujo efeito tenderá a atenuar-se nos próximos trimestres e que se traduziram num forte desequilíbrio das contas públicas com o défice orçamental projectado para o conjunto da zona euro a ascender a -6,4% e -6,9% do PIB em 2009 e 2010 respectivamente e a um aumento do stock de dívida pública correspondente a quase 20 % do PIB entre 2008 e 2011.

No que se refere a Portugal as previsões da Comissão apontam agora para um decréscimo do PIB de -2,9% em 2009 e aumentos em 2010 e 2011 de 0,3% e 1,0%, respectivamente. A confirmarem-se as previsões da Comissão Europeia em 2009 o PIB português cairá menos que a média da zona euro (-1,1), mas nos anos subsequentes também crescerá significativamente menos (-0,4 pp em 2010 e -0,5 pp em 2011), expressando a Comissão uma visão bastante pessimista quanto à evolução da produtividade e à competitividade da economia portuguesa. Aliás um outro ponto preocupante é o facto das previsões apontarem para a continuação de défices da balança de transacções correntes superiores a 10% e para a continuação do processo de acumulação do "endividamento" externo que em 2011 deverá situar-se próximo dos 120% do PIB.

As previsões também não são favoráveis quanto à evolução das contas públicas projectando-se défices públicos de 8% em 2009 e 2010 e 8,7% em 2011 ano em que a dívida pública deverá atingir 91,1% do PIB.

Onde aparentemente a evolução será mais favorável será no mercado de trabalho uma vez que se projecta que uma estabilização da taxa de desemprego em 2009 e 2010 nos 9,0%. No entanto, mesmo aqui há más notícias: as projecções apontam para uma redução do emprego de 0,4% em 2010 pelo que essa estabilização parece ficar a dever-se não à criação de emprego mas sim à queda da taxa de participação.