Conhecida a proposta de Orçamento do Estado para 2010 o primeiro ponto a salientar é o da divulgação de que o défice em 2009 terá atingido os 9,3% do PIB, valor que constitui uma derrapagem significativa face aos números (8,0% a 8,5%) que se tinham como referência aquando da apresentação em Novembro do Orçamento rectificativo. Neste quadro a redução do défice em 1 pp projectada no OE para 2010 corresponde a obter um valor que se situa em linha com o que há menos de 2 meses se previa para 2009 o que revela que o ajustamento orçamental é minimo.
No que respeita ao cenário macroeconómico embora o valor de 0,7% previsto para o crescimento do PIB seja idêntico ao projectado pelo Banco de Portugal existem algumas diferenças na evolução prevista para as componentes da procura. Pois se ambos prevêm uma subida de 1% no consumo privado, o Governo projecta uma queda do consumo público de 0,9% (face a um crescimento de 0,7% do Banco de Portugal) e em contrapartida a revelr-se mais optimista quanto à evolução da FBCF (-1,1% face a -3,4%) e das exportações (3,5% face a 1,7%). Mas onde a diferença é mais significativa é no que diz respeito ao emprego que o Governo prevê que se reduza "apenas" 0,1% enquanto que o Banco de Portugal aponta para uma contração de 1,3%.
Quanto à evolução da receita e despesas deve referir-se que o OE aponta para uma subida da despesa corrente primária de cerca de 1,6%, em linha portanto com o crescimento previsto para o PIB nominal, que resulta sobretudo do aumento das prestações sociais (+ 2,1%) e do consumo intermédio (que cresce uns supreendentes 6,9%). Enquanto que a receita fiscal aumenta 1,7% (graças sobretudo aos impostos indirectos que compensam uma ligeira redução dos impostos directos associada sobretudo à evolução prevista para o IRC) mas as contribuições sociais reduzem-se 2,3% pelo que o aumento de 2,1% na receita corrente resulta quase exclusivamente de uma subida muito significativa da "Outra receita corrente" (+14,6% que corresponde a 1.174 milhões de euros) - que curiosamente até regista uma pequena redução nas contas segundo a óptica da contabilidade pública.
No que se refere às receitas e despesas de capital cabe salientar o aumento significativo projectado para as primeiras (19,1% que corresponde a 388 milhões de euros) e a redução das despesas de capital em 1.301 milhões de euros (o que representa uma contração de 18,8%) que permitem um aumento do saldo primário que mais do que compensa a subida prevista para os encargos com juros (mais 565 milhões de euros que representam uma subida de 11,8%) e possibillitam atingir uma redução do défice global de 1.412 milhões de euros (para -13.955 milhões de euros).
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Um artigo do Roubini
Num artigo de Roubini (via Sedes) no qual ele refere que :
"For the Club Med members of the euro zone – Italy, Spain, Greece, and Portugal – public-debt problems come on top of a loss of international competitiveness. These countries had already lost export-market shares to China and other low value-added and labor-intensive Asian economies. Then a decade of nominal-wage growth that out-paced productivity gains led to a rise in unit labor costs, real exchange-rate appreciation, and large current-account deficits.
The euro’s recent sharp rise has made this competitiveness problem even more severe, reducing growth further and making fiscal imbalances even larger. So the question is whether these euro-zone members will be willing to undergo painful fiscal consolidation and internal real depreciation through deflation and structural reforms in order to increase productivity growth and prevent an Argentine-style outcome: exit from the monetary union, devaluation, and default. Countries like Latvia and Hungary have shown a willingness to do so. Whether Greece, Spain, and other euro-zone members will accept such wrenching adjustments remains to be seen."
Esta referência vem confirmar que infelizmente Portugal tem vindo a ganhar uma notoriedade muito pouco desejada e em segundo lugar demonstra que, como refere Pedro Lains, existe um consenso muito alargado quanto ao diganóstico da situação. Infelizmente o prognóstico não é o melhor e o tratamento promete ser penoso, o que não significa que não sejam também eles cada vez mais consensuais como o atesta este post de Ricardo Paes Mamede nos Ladrões.
"For the Club Med members of the euro zone – Italy, Spain, Greece, and Portugal – public-debt problems come on top of a loss of international competitiveness. These countries had already lost export-market shares to China and other low value-added and labor-intensive Asian economies. Then a decade of nominal-wage growth that out-paced productivity gains led to a rise in unit labor costs, real exchange-rate appreciation, and large current-account deficits.
The euro’s recent sharp rise has made this competitiveness problem even more severe, reducing growth further and making fiscal imbalances even larger. So the question is whether these euro-zone members will be willing to undergo painful fiscal consolidation and internal real depreciation through deflation and structural reforms in order to increase productivity growth and prevent an Argentine-style outcome: exit from the monetary union, devaluation, and default. Countries like Latvia and Hungary have shown a willingness to do so. Whether Greece, Spain, and other euro-zone members will accept such wrenching adjustments remains to be seen."
Esta referência vem confirmar que infelizmente Portugal tem vindo a ganhar uma notoriedade muito pouco desejada e em segundo lugar demonstra que, como refere Pedro Lains, existe um consenso muito alargado quanto ao diganóstico da situação. Infelizmente o prognóstico não é o melhor e o tratamento promete ser penoso, o que não significa que não sejam também eles cada vez mais consensuais como o atesta este post de Ricardo Paes Mamede nos Ladrões.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Perspectivas para a economia portuguesa
O Boletim Económico de Inverno do Banco de Portugal (publicado no passado dia 12 mas a que só agora pude dar a devida atenção) aponta para um crescimento anémico do PIB de 0,7% em 2010 e 1,4% em 2011. Este crescimento anémico tem consequência em termos de emprego que depois de uma contração de cerca de 2,8% em 2009, segundo o Banco de Portugal deverá cair em 2010 1,3% em 2010 e registar uma recuperação muito ligeira (apenas 0,4%) em 2011.
De referir ainda que de acordo com estas previsões a recuperação deverá assentar na procura interna sendo o contributo das exportações líquidas de 0,4% em 2010 e -0,1% em 2011. Consequentemente, o défice da balança de bens e serviços deverá aumentar ligeiramente fixando-se em -6,8% do PIB em 2010 e -7,0% em 2011 e registar-se um novo agravamento substancial da balança corrente e de capital associada à subida das taxas de juro que o Banco de Portugal prevê que venha a verificar-se a partir de meados do corrente ano, o que a confirmar-se agravará fortemente a balança de rendimentos cujo défice o Banco de Portugal prevê que possa vir a atingir 6% do PIB em 2011.
Para além das dúvidas quanto à sustentabilidade de manutenção destes níveis de desequilíbrio externo que não permitem excluir a possibilidade de uma quebra brusca das condições de financiamento da economia portuguesa com consequências bastante adversas sobre o produto e o emprego estes dados revelam que a economia portuguesa se encontra numa situação muito pouco confortável. Pois se, por um lado, a recuperação da economia portuguesa depende da recuperação da economia mundial e, em particular da recuperação do crescimento económico na União Europeia, por outro lado, essa mesma recuperação tenderá a estar associada a uma subida das taxas de juro para níveis mais "normais" com o consequente aumento dos encargos relacionados com o serviço da dívida (a nossa posição de investimento internacional que pode ser vista como uma medida do nosso endividamento líquido face ao exterior situava-se em Setembro em cerca de -108,5% do PIB). Uma subida das taxas de juro traduzir-se-á, nomeadamente, numa redução do rendimento disponível dos consumidores e num aumento dos encargos com a dívida pública tornando ainda mais dificil o indispensável ajustamento orçamental.
De referir ainda que de acordo com estas previsões a recuperação deverá assentar na procura interna sendo o contributo das exportações líquidas de 0,4% em 2010 e -0,1% em 2011. Consequentemente, o défice da balança de bens e serviços deverá aumentar ligeiramente fixando-se em -6,8% do PIB em 2010 e -7,0% em 2011 e registar-se um novo agravamento substancial da balança corrente e de capital associada à subida das taxas de juro que o Banco de Portugal prevê que venha a verificar-se a partir de meados do corrente ano, o que a confirmar-se agravará fortemente a balança de rendimentos cujo défice o Banco de Portugal prevê que possa vir a atingir 6% do PIB em 2011.
Para além das dúvidas quanto à sustentabilidade de manutenção destes níveis de desequilíbrio externo que não permitem excluir a possibilidade de uma quebra brusca das condições de financiamento da economia portuguesa com consequências bastante adversas sobre o produto e o emprego estes dados revelam que a economia portuguesa se encontra numa situação muito pouco confortável. Pois se, por um lado, a recuperação da economia portuguesa depende da recuperação da economia mundial e, em particular da recuperação do crescimento económico na União Europeia, por outro lado, essa mesma recuperação tenderá a estar associada a uma subida das taxas de juro para níveis mais "normais" com o consequente aumento dos encargos relacionados com o serviço da dívida (a nossa posição de investimento internacional que pode ser vista como uma medida do nosso endividamento líquido face ao exterior situava-se em Setembro em cerca de -108,5% do PIB). Uma subida das taxas de juro traduzir-se-á, nomeadamente, numa redução do rendimento disponível dos consumidores e num aumento dos encargos com a dívida pública tornando ainda mais dificil o indispensável ajustamento orçamental.
domingo, 10 de janeiro de 2010
O Estudo do BPI sobre a Sustentabilidade das Contas Públicas
O mínimo que se pode dizer é que se trata de um contributo valioso para o diagnóstico da situação das contas públicas portuguesas, principalmente porque chama a atenção para a importância dos compromissos assumidos pelo estado no âmbito do Sector Empresarial do estado (SEE), em relação ao qual faz o que me parece ser um excelente trabalho de identificação das diferentes situações, e das concessões de serviço público, nomeadamente através das Parcerias Público-Privadas (PPP) procurando dar uma visão integrada da situação das contas públicas portuguesas.
Os resultados a que chega apontam para que a dívida pública consolidada do Estado corresponda em final de 2009 a 100% do PIB, resultando de adicionar à divida directa do Estado (82,4%), a correspondente ao SEE (10,7%), dos municipios, (3,1%), da RA da Madeira (2,9%) e da RA Açores (0,6%).
Analisando o estudo com alguma atenção vemos que esta pode ser considerada como uma estimativa algo conservadora, pois (ainda) não inclui o valor actualizado líquido dos défices/investimentos do SEE e dos pagamentos líquidos das concessões, o qual se encontra descrito nas páginas 19 e seguintes do documento, segundo os quais o valor actualizado dos compromissos adicionais estimados corresponde a 70,9 mil milhões de euros (ou seja cerca de 44,1% do PIB).
O que significa que o somatório da dívida pública com os valor actualizados dos compromissos estimados corresponde a cerca de 203,4 mil milhões de euros que equivale a cerca de 126,5% do PIB de 2009.
Os resultados a que chega apontam para que a dívida pública consolidada do Estado corresponda em final de 2009 a 100% do PIB, resultando de adicionar à divida directa do Estado (82,4%), a correspondente ao SEE (10,7%), dos municipios, (3,1%), da RA da Madeira (2,9%) e da RA Açores (0,6%).
Analisando o estudo com alguma atenção vemos que esta pode ser considerada como uma estimativa algo conservadora, pois (ainda) não inclui o valor actualizado líquido dos défices/investimentos do SEE e dos pagamentos líquidos das concessões, o qual se encontra descrito nas páginas 19 e seguintes do documento, segundo os quais o valor actualizado dos compromissos adicionais estimados corresponde a 70,9 mil milhões de euros (ou seja cerca de 44,1% do PIB).
O que significa que o somatório da dívida pública com os valor actualizados dos compromissos estimados corresponde a cerca de 203,4 mil milhões de euros que equivale a cerca de 126,5% do PIB de 2009.
Evolução do emprego nos EUA
Os números do desemprego nos EUA em Dezembro foram decepcionantes. Efectivamente apesar da taxa de desemprego se ter mantido nos 10,0%. A verdade é que tal resultou a redução da população acftiva uma vez que o número de pessoas empregadas desceu 589 mil naquele mês. Esta evolução negativa da situação do mercado de trabalho foi de algum modo confirmado pela evolução do número de assalariados que se reduziram em 85 mil.
Apesar de tudo os indicadores de confiança na industria (+2,3 pontos) e nos serviços (+1,4 pontos)divulgados durante a semana apontam para uma evolução positiva da actividade em Dezembro.
Apesar de tudo os indicadores de confiança na industria (+2,3 pontos) e nos serviços (+1,4 pontos)divulgados durante a semana apontam para uma evolução positiva da actividade em Dezembro.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Um artigo muito interessante
De Martin Wolf no FT (via Pedro Lains) do qual cito a conclusão nada optimista:
"Where does that leave peripheral countries today? In structural recession, is the answer. At some point, they have to slash fiscal deficits. Without monetary or exchange rate offsets, that seems sure to worsen the recession already caused by the collapse in their bubble-fuelled private spending. Worse, in the boom
years, these countries lost competitiveness within the eurozone. That was also inherent in the system. The interest rates set by the European Central Bank, aimed at balancing supply and demand in the zone, were too low for bubble-fuelled countries. With inflation in sectors producing non-tradeables relatively high, real interest rates were also relatively low in these countries. A loss of external competitiveness and strong domestic demand expanded external deficits.
These generated the demand needed by core countries with excess capacity. To add insult to injury, since the core country is highly competitive globally and the eurozone has a robust external position and a sound currency, the euro itself has soared in value.
This leaves peripheral countries in a trap: they cannot readily generate an external surplus; they cannot easily restart private sector borrowing; and they cannot easily sustain present fiscal deficits. Mass emigration would be a possibility, but surely not a recommendation. Mass immigration of wealthy foreigners, to live in now-cheap properties, would be far better. Yet, at worst, a lengthy slump might be needed to grind out a reduction in nominal prices and wages. Ireland seems to have accepted such a future. Spain and Greece have not. Moreover, the affected country would also suffer debt deflation: with falling nominal prices and wages, the real burden of debt denominated in euros will rise. A wave of defaults – private and even public – threaten."
"Where does that leave peripheral countries today? In structural recession, is the answer. At some point, they have to slash fiscal deficits. Without monetary or exchange rate offsets, that seems sure to worsen the recession already caused by the collapse in their bubble-fuelled private spending. Worse, in the boom
years, these countries lost competitiveness within the eurozone. That was also inherent in the system. The interest rates set by the European Central Bank, aimed at balancing supply and demand in the zone, were too low for bubble-fuelled countries. With inflation in sectors producing non-tradeables relatively high, real interest rates were also relatively low in these countries. A loss of external competitiveness and strong domestic demand expanded external deficits.
These generated the demand needed by core countries with excess capacity. To add insult to injury, since the core country is highly competitive globally and the eurozone has a robust external position and a sound currency, the euro itself has soared in value.
This leaves peripheral countries in a trap: they cannot readily generate an external surplus; they cannot easily restart private sector borrowing; and they cannot easily sustain present fiscal deficits. Mass emigration would be a possibility, but surely not a recommendation. Mass immigration of wealthy foreigners, to live in now-cheap properties, would be far better. Yet, at worst, a lengthy slump might be needed to grind out a reduction in nominal prices and wages. Ireland seems to have accepted such a future. Spain and Greece have not. Moreover, the affected country would also suffer debt deflation: with falling nominal prices and wages, the real burden of debt denominated in euros will rise. A wave of defaults – private and even public – threaten."
Indicador de sentimento económico
A Comissão Europeia revelou hoje os indicadores de sentimento económico relativos ao mês de Dezembro que indicam uma melhoria significativa do clima económico na generalidade dos países da União Europeia, sendo de destacar as subidas registadas no Reino Unido (+8,2 pontos) e França (+4,1) mas também os aumentos menos pronunciados registados na Itália (+2,9), Alemanha (+1,7) e Espanha (+1,2). Para o conjunto da União Europeia o indicador progrediu 4,1 pontos (+2,1 para a zona euro) situando-se agora nos 92,0 (91,3 na zona euro) valor já relativamente do limiar de 100 que corresponde à média de longo prazo
Em Portugal este indicador recuou 0,7 (para 83,0 pontos) fruto da evolução negativa da confiança na industria (-2), comércio a retalho (-4), construção (-6) e dos consumidores (-3) e apesar da subida (+5) da confiança no sector dos serviços.
Em Portugal este indicador recuou 0,7 (para 83,0 pontos) fruto da evolução negativa da confiança na industria (-2), comércio a retalho (-4), construção (-6) e dos consumidores (-3) e apesar da subida (+5) da confiança no sector dos serviços.
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