domingo, 7 de março de 2010

O (não) apoio à Grécia

Aparentemente, o primeiro-ministro grego saiu de Berlim com apoio político, mas de "mãos vazias", tendo a chanceler Merkel declarado que: "Greece has not asked for financial aid. The euro zone is stable at the moment. And therefore this question (oif aid) does not present itself".

Declarações que revelam bem as dificuldades políticas do Governo alemão para conseguir reunir um consenso interno para apoiar um pacote de apoio à Grécia, e que podem aumentar o nervosismo do mercado face às necessidades de (re)financiamento da dívida pública grega.

sábado, 6 de março de 2010

Sinais dos EUA

Os índices de actividade publicados pelo ISM relativos ao mês de Fevereiro revelam que a industria e os serviços continuam a expandir-se, embora no caso da indústria a um ritmo um pouco mais fraco. Estes relatórios revelam no entanto outros sinais que me parecem importantes.

O ISM aponta para que uma estabilização dos stocks que foram um elemento importante para o crescimento do PIB no último trimestre de 2009 e provavevlmente sê-lo-á igualmente no actual trimestre, o que torna provável um abrandamento do ritmo de recuperação da actividade económica no 2.º trimestre de 2010, excepto se se verificar um aumento significativo da procura final.

Ora, quanto à procura final as perspectivas não surgem como muito animadoras, pois embora os índices ISM apontem para uma melhoria das perspectivas de emprego nestes sectores que é confirmada pelos dados do emprego em Fevereiro que indicam uma estabilização da taxa de desemprego nos 9,7% (14,9 milhões de desempregados) e uma estabilização (ou até aumento) do número de assalariados na indústria e serviços que no entanto não foi suficiente para evitar uma nova queda no número global de assalariados (-36 mil empregos) em virtude, nomedamente, das reduções verificadas nos sectores da construção (- 64 mil). Pelo que não parece muito provável um aumento significativo do consumo nos próximos trimestres e quer os indicadores da construção quer das encomendas de bens de investimento parecem apontar para uma estabilização no investimento.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Um artigo a não perder

Este artigo de Miguel Lebre de Freitas merece mesmo ser lido, concordo especialmente com este excerto:

Uma limitação fundamental é o Estado não ser omnisciente. Ao contrário do que se assume em muitos modelos económicos, o Estado não conhece o funcionamento detalhado das economias e a sua ignorância é tanto maior quanto mais se desce ao nível sectorial. Em Portugal, por exemplo, quem solicita ao Governo que defina os sectores estratégicos, estará a apelar para que competências? Para as dos políticos iluminados? Ou para as dos técnicos da Administração Pública, consumidos por trabalho corrente? Mesmo que os técnicos tivessem disponibilidade para elaborar estudos, seriam esses estudos inquestionáveis? E que incentivo teria um técnico para libertar informação credível sobre oportunidades de lucro no sector privado? E se as prioridades se revelassem erradas, quem seria responsável pelos prejuízos decorrentes? Se, em alternativa, o Governo encomendasse os estudos a empresas consultoras ou a associações empresariais, até que ponto esses estudos seriam isentos ou, pelo contrário, capturados por interesses privados? É que, a partir do momento em que o Estado anuncia uma política discricionária, o sistema de incentivos altera--se: torna-se aliciante desviar recursos da actividade produtiva para os dedicar à competição por favores políticos e medidas de excepção.

Este problema é bem visivel no nosso discurso público e revela que ainda não fomos capazes de nos libertarmos do peso da herança de décadas de condicionamento industrial e os nossos "grandes" empresários em geral a depender excessivamente das "orientações" do Estado procurando colocar-se sob a sua sombra protectora.

Numa escala diferente, não deixa de ser oportuno falar sobre isto no dia em que se anuncia um novo plano estratégico para a Europa que visa "transformar a UE numa economia inteligente, verde e inclusiva, com elevados níveis de emprego, produtividade e coesão" ao qual antevejo um sucesso semelhante ao da antecessora "Estratégia de Lisboa", em que, em 2000, a Europa definiu como "objectivo estratégico para a próxima década: tornar-se no espaço económico mais dinâmico e competitivo do mundo baseado no conhecimento e capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social".

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O objectivo de taxa de inflação do BCE

Num paper, Olivier Blanchard, Giovanni Dell’Ariccia, and Paolo Mauro  colocam a seguinte questão:

"To be concrete, are the net costs of inflation much higher at, say, 4 percent than at 2 percent, the current target range? Is it more difficult to anchor expectations at 4 percent than at 2 percent?"
considerando os autores que, embora esse aumento pudesse aumentar os efeitos distorcivos associados à inflação, estes poderiam ser compensados pelo aumento do espaço de manobra da política monetária que resulta de não ser possível (ou pelo menos dificil) fixar taxas de juro negativas.

Pessoalmente, penso que a questão do espaço de manobra da política monetária não me parece por si só um argumento particularmente convincente. Efectivamente, como a actual crise demonstrou os bancos centrais tem outros instrumentos para aumentar a liquidez no sistema financeiro nomeadamente através de políticas monetárias quantitativas.

Por outro lado, aumentar o objectivo de inflação em 2 pontos percentuais pode ter o efeito perigoso de criar um precedente que reduza a credibilidade do novo objectivo, na medida em que os agentes tenderão a pensar que se o objectivo aumentou uma vez poderá aumentar (ainda mais) outras vezes. Recorde-se, além disso, que a fixação do valor em 2% foi fixado tendo em conta a possibilidade de enviesamento da taxa de inflação (resultante da forma como o índice é calculado) e criar uma margem que contivesse os riscos de deflação.

Mas, existe um outro argumento que, este sim, me parece bastante importante.

Num contexto de rigidez de preços, a fixação de um objectivo de inflação superior pode facilitar o ajustamento dos preços relativos, nomeadamente, dos salários entre os vários países.

O que poderia ser particularmente importante no caso da zona euro na medida em permitiria um ajustamento mais rápido dos custos unitários de produção sem a necessidade de uma (tão grande ?) descida dos salários nominais. Com efeito, existindo relutância em reduzir os salários nominais, o custo tenderá a ser um aumento (superior) do desemprego, o que significa que, nomedamente no contexto da actual zona euro, talvez exista, mesmo no longo prazo, uma relação inversa entre taxa de desemprego e inflação (pelo menos para níveis de inflação moderados).

Claro que além do problema de credibilidade que acima referi, existe o problema de uma compreensível relutância da Alemanha para quem a inflação e defesa de uma moeda forte são  compreensivelmente preocupações importantes. Talvez fosse no entanto possível fazer uma pequena alteração, mas que poderia ter um impacto significativo, no objectivo de política monetária do BCE que actualmente é "a manutenção, a médio prazo, da taxa de inflação num nível inferior mas próximo de 2%". Este objectivo poderia passar a ser simplesmente "a manutenção, a médio prazo, da taxa de inflação próximo de 2%", o que permitiria ao BCE uma maior margem para deixar a taxa de inflação aumentar quando essa subida contribuisse para a correcção de desequilíbrios entre países da zona euro, sem que me pareça que daí pudesse resultar danos significativos em termos de credibilidade da política monetária do BCE.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Notícias da Grécia nada animadoras

O Wall Street Journal publica que os enviados da União Europeia à Grécia consideram que as medidas planeadas apenas conduzem a uma redução do défice de cerca de 2 pontos percentuais e estão a pressionar no sentido de um pacote adicionla de 4 mil milhões de euros.

E já hoje tinha sido noticiado no Spiegel que os alguns grandes bancos alemães não estavam interessados em adquirir mais títulos do Estado grego, numa altura em que se sucedem os avisos de  downgrade do rating da Grécia e em que segundo o que tem sido noticiado na imprensa económica o Estado grego necessitará de refinanciar cerca de 20 a 25 mil milhões de euros nos próximos 2 meses.

Entretanto foi noticiado que a chanceler alemã Angela Merkel convidou o primeiro-ministro grego para uma visita a Berlim na próxima semana.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Indicador de Sentimento Económico na União Europeia

Segundo os valores hoje divulgados pela Comissão Europeia o indicador de sentimento económico em Fevereiro terá subido subiu 0,2 pontos (para 97,4) no conjunto da União Europeia e descido 0,1 pontos (para 95,9) na Zona Euro.

Por países destacam-se as evoluções positivas verificadas na Polónia (+4,2), Espanha (+1,1), Alemanha e Países Baixos (+0,9) e Reino Unido (+0,1) e as quedas verificadas na França (-1,9) e Itália (-1,7) - países que tinham registado evoluções muito positivas no mês anterior -, sendo ainda de assinalar a queda de 3,7 pontos (para 72,4 pontos o valor mais baixo da União Europeia) registada na Grécia.

Enquanto que por sectores registou-se uma evolução globalmente positiva da confiança no sector dos serviços, enquanto que a confiança dos consumidores e no comércio a retalho registou um ligeiro declínio. Na indústria e na construção os níveis de confiança mantiveram-se quase inalterados.

Em Portugal o indicador de sentimento económico caiu 1,6 pontos (para 91,0), tendo a confiança descido em todos os sectores com excepção do sector dos serviços (onde subiu 1 ponto). Esta queda foi mais pronunciada nos consumidores (-4 pontos) e na construção (- 3 pontos), sendo de “somente” 1 ponto no comércio a retalho e na indústria.

Entretanto, nas suas previsões intermédias agora divulgadas a Comissão Europeia manteve praticamente inalteradas as previsões feitas no Outono que apontam para um crescimento na União Europeia de 0,7% em 2010, confirmando as perspectivas de uma recuperação, embora frágil, da actividade económica ao longo do presente ano.

Dados económicos nos EUA

Os últimos sinais económicos dos EUA têm sido mistos.

Os dados da indústria têm sido positivos: os valores da produção industrial divulgados na semana anterior apontam para um crescimento anualizado da produção na indústria transformadora nos três meses terminados em Janeiro de cerca de 5,7% e os dados da evolução das encomendas de bens duradouros foram também bastante animadores apontando no mesmo período para um crescimento de dois dígitos (12,7%).

Pelo contrário no sector da construção os sinais dos últimos dois meses foram algo decepcionantes e indicam que as vendas de casas novas terão atingido em Janeiro o valor mais baixo desde, pelo menos, 1963. Enquanto que o índice Case-Shiller registou em Dezembro (-0,24%) pelo 3.º mês consecutivo, importando no entanto ressalvar que se tratam de quedas ligeiras se comparadas com as verificadas em 2008 e na primeira metade de 2009.