Os dados do PIB no 4.º trimestre surpreenderam pela negativa apontando para uma redução de 0,2% face ao trimestre anterior, apesar do cresimento do consumo privado (+0,9%) e do consumo público (+0,7%). Para esta evolução do PIB contribuiu principalmente a queda do investimento (-5,5%). Sendo de notar que esta queda do investimento só não foi superior em virtude do aumento significativo das existências (sem esse factor a queda no trimestre teria atingido os 6,9% e o volume do investimento foi mesmo mais baixo que o registado no primeiro trimestre de 2009).
Do lado da procura externa é de referir que embora esta tenha tido um contributo positivo, este resultou não do dinamismo das exportações (-0,4%) mas antes da redução das importações (-0,9%).
Esta melhoria da balança de bens e serviços conjuntamente com a evolução favorável da balança de rendimentos primários permitiu uma redução das necessidades de financiamento face ao exterior para cerca de 8,7% do PIB no trimestre (no total do ano de 2009 as necessidades de financiamento face ao exterior cifraram-se em cerca de 9,4% do PIB).
quinta-feira, 11 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
O Programa de Estabilidade e Crescimento
Um défice público de 2,8%, em 2013, e uma dívida pública estabilizada em cerca de 90% do PIB são os principais objectivos das linhas gerais do Programa de Estabilidade e de Crescimento para 2010-2013 apresentado hoje pelo Governo que, de acordo com os elementos que foram sendo noticiados, prevê, como esperado, um conjunto de medidas de contenção da despesa:
- Aumentos salariais da função pública abaixo da taxa de inflação até 2013
- Redução do investimento público
- Adiamento por dois anos da construção das linhas de TGV Lisboa-Porto e Porto-Vigo
- Tecto máximo para as despesas com outsourcing
- Tecto das despesas com prestações sociais de natureza não contributiva (onde se incluem o Abono de família, subsídio social de desemprego ou de maternidade, Rendimento Social de Inserção ou Complemento Solidário para Idosos)
E também algumas medidas para aumentar a receita:
- Criação de escalão de IRS à taxa de 45% para rendimentos superiores a 150 mil euros
- Tecto máximo para os montantes dos benefícios e deduções fiscais
- Tributação das mais-valias mobiliárias à taxa de 20%
- Redução da dedução específica das pensões
- Privatizações de 6 mil milhões de euros (de acordo com as regras do Eurostat não influenciam o défice público)
Sendo, ainda, de referir a limitação do endividamento do Sector Empresarial do Estado e previsão de aumento nulo do endividamento das autarquias e regiões autónomas.
Muito embora as medidas do lado da receita vão um pouco mais além do que as declarações anteriores do Governos faziam crer, isso não invalida que o programa assente, essencialmente, na contenção da despesa pública. Embora seja sempre bastante difícil fazer esse juízo sem conhecer em detalhe o programa, confirmando-se a redução substancial do investimento público e assumindo o cenário macroeconómico projectado, a implementação rigorosa destas medidas afigurar-se-ia como suficiente para atingir os objectivos indicados.
A questão está em que o cenário macroeconómico parece, infelizmente, demasiado optimista. A taxa de crescimento prevista, sempre inferior a 2%, ao longo do período em análise pode parecer prudente, mas a verdade é que assenta em projecções de crescimento das exportações (para as quais se prevêem taxas de crescimento entre 3,5%, em 2010, e 4,6%, em 2013) e do consumo privado e do investimento que podem ser consideradas bastante ambiciosas, especialmente as segundas, quando se tem em conta não apenas o cenário de contenção salarial e de redução do investimento de iniciativa estatal como também a possibilidade de subida das taxas de juro (de acordo com o cenário teremos uma subida da Euribor a 3 meses até aos 3,2%, em 2013). Além disso, a taxa de crescimento nominal surge ainda influenciada pela previsão relativa à taxa de inflação que aponta para valores próximos de 2% (para comparação recorde-se que de acordo com as previsões de Outono da Comissão Europeia a inflação em Portugal seria de 1,4% em 2011).
Assim, embora concorde, em geral, com as medidas anunciadas temo sinceramente que elas se venham a revelar insuficientes para atingir os objectivos pretendidos.
Face ao modesto crescimento económico (e às restrições às admissões no sector público) parecem igualmente bastante difícil que seja possível alcançar as previsões de crescimento do emprego em 2011-2013 que permitiriam a contenção e mesmo uma redução da taxa de desemprego (para 9,3% em 2013).
E, finalmente, deve referir-se que o cenário aponta para que as necessidades de financiamento da economia (ou seja o endividamento externo) se mantenham em níveis francamente elevados, oscilando entre um máximo de 8,8%, em 2011, e um mínimo de 8,2%, em 2013.
Adenda: Link para o documento.
- Aumentos salariais da função pública abaixo da taxa de inflação até 2013
- Redução do investimento público
- Adiamento por dois anos da construção das linhas de TGV Lisboa-Porto e Porto-Vigo
- Tecto máximo para as despesas com outsourcing
- Tecto das despesas com prestações sociais de natureza não contributiva (onde se incluem o Abono de família, subsídio social de desemprego ou de maternidade, Rendimento Social de Inserção ou Complemento Solidário para Idosos)
E também algumas medidas para aumentar a receita:
- Criação de escalão de IRS à taxa de 45% para rendimentos superiores a 150 mil euros
- Tecto máximo para os montantes dos benefícios e deduções fiscais
- Tributação das mais-valias mobiliárias à taxa de 20%
- Redução da dedução específica das pensões
- Privatizações de 6 mil milhões de euros (de acordo com as regras do Eurostat não influenciam o défice público)
Sendo, ainda, de referir a limitação do endividamento do Sector Empresarial do Estado e previsão de aumento nulo do endividamento das autarquias e regiões autónomas.
Muito embora as medidas do lado da receita vão um pouco mais além do que as declarações anteriores do Governos faziam crer, isso não invalida que o programa assente, essencialmente, na contenção da despesa pública. Embora seja sempre bastante difícil fazer esse juízo sem conhecer em detalhe o programa, confirmando-se a redução substancial do investimento público e assumindo o cenário macroeconómico projectado, a implementação rigorosa destas medidas afigurar-se-ia como suficiente para atingir os objectivos indicados.
A questão está em que o cenário macroeconómico parece, infelizmente, demasiado optimista. A taxa de crescimento prevista, sempre inferior a 2%, ao longo do período em análise pode parecer prudente, mas a verdade é que assenta em projecções de crescimento das exportações (para as quais se prevêem taxas de crescimento entre 3,5%, em 2010, e 4,6%, em 2013) e do consumo privado e do investimento que podem ser consideradas bastante ambiciosas, especialmente as segundas, quando se tem em conta não apenas o cenário de contenção salarial e de redução do investimento de iniciativa estatal como também a possibilidade de subida das taxas de juro (de acordo com o cenário teremos uma subida da Euribor a 3 meses até aos 3,2%, em 2013). Além disso, a taxa de crescimento nominal surge ainda influenciada pela previsão relativa à taxa de inflação que aponta para valores próximos de 2% (para comparação recorde-se que de acordo com as previsões de Outono da Comissão Europeia a inflação em Portugal seria de 1,4% em 2011).
Assim, embora concorde, em geral, com as medidas anunciadas temo sinceramente que elas se venham a revelar insuficientes para atingir os objectivos pretendidos.
Face ao modesto crescimento económico (e às restrições às admissões no sector público) parecem igualmente bastante difícil que seja possível alcançar as previsões de crescimento do emprego em 2011-2013 que permitiriam a contenção e mesmo uma redução da taxa de desemprego (para 9,3% em 2013).
E, finalmente, deve referir-se que o cenário aponta para que as necessidades de financiamento da economia (ou seja o endividamento externo) se mantenham em níveis francamente elevados, oscilando entre um máximo de 8,8%, em 2011, e um mínimo de 8,2%, em 2013.
Adenda: Link para o documento.
domingo, 7 de março de 2010
O (não) apoio à Grécia
Aparentemente, o primeiro-ministro grego saiu de Berlim com apoio político, mas de "mãos vazias", tendo a chanceler Merkel declarado que: "Greece has not asked for financial aid. The euro zone is stable at the moment. And therefore this question (oif aid) does not present itself".
Declarações que revelam bem as dificuldades políticas do Governo alemão para conseguir reunir um consenso interno para apoiar um pacote de apoio à Grécia, e que podem aumentar o nervosismo do mercado face às necessidades de (re)financiamento da dívida pública grega.
Declarações que revelam bem as dificuldades políticas do Governo alemão para conseguir reunir um consenso interno para apoiar um pacote de apoio à Grécia, e que podem aumentar o nervosismo do mercado face às necessidades de (re)financiamento da dívida pública grega.
sábado, 6 de março de 2010
Sinais dos EUA
Os índices de actividade publicados pelo ISM relativos ao mês de Fevereiro revelam que a industria e os serviços continuam a expandir-se, embora no caso da indústria a um ritmo um pouco mais fraco. Estes relatórios revelam no entanto outros sinais que me parecem importantes.
O ISM aponta para que uma estabilização dos stocks que foram um elemento importante para o crescimento do PIB no último trimestre de 2009 e provavevlmente sê-lo-á igualmente no actual trimestre, o que torna provável um abrandamento do ritmo de recuperação da actividade económica no 2.º trimestre de 2010, excepto se se verificar um aumento significativo da procura final.
Ora, quanto à procura final as perspectivas não surgem como muito animadoras, pois embora os índices ISM apontem para uma melhoria das perspectivas de emprego nestes sectores que é confirmada pelos dados do emprego em Fevereiro que indicam uma estabilização da taxa de desemprego nos 9,7% (14,9 milhões de desempregados) e uma estabilização (ou até aumento) do número de assalariados na indústria e serviços que no entanto não foi suficiente para evitar uma nova queda no número global de assalariados (-36 mil empregos) em virtude, nomedamente, das reduções verificadas nos sectores da construção (- 64 mil). Pelo que não parece muito provável um aumento significativo do consumo nos próximos trimestres e quer os indicadores da construção quer das encomendas de bens de investimento parecem apontar para uma estabilização no investimento.
O ISM aponta para que uma estabilização dos stocks que foram um elemento importante para o crescimento do PIB no último trimestre de 2009 e provavevlmente sê-lo-á igualmente no actual trimestre, o que torna provável um abrandamento do ritmo de recuperação da actividade económica no 2.º trimestre de 2010, excepto se se verificar um aumento significativo da procura final.
Ora, quanto à procura final as perspectivas não surgem como muito animadoras, pois embora os índices ISM apontem para uma melhoria das perspectivas de emprego nestes sectores que é confirmada pelos dados do emprego em Fevereiro que indicam uma estabilização da taxa de desemprego nos 9,7% (14,9 milhões de desempregados) e uma estabilização (ou até aumento) do número de assalariados na indústria e serviços que no entanto não foi suficiente para evitar uma nova queda no número global de assalariados (-36 mil empregos) em virtude, nomedamente, das reduções verificadas nos sectores da construção (- 64 mil). Pelo que não parece muito provável um aumento significativo do consumo nos próximos trimestres e quer os indicadores da construção quer das encomendas de bens de investimento parecem apontar para uma estabilização no investimento.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Um artigo a não perder
Este artigo de Miguel Lebre de Freitas merece mesmo ser lido, concordo especialmente com este excerto:
Este problema é bem visivel no nosso discurso público e revela que ainda não fomos capazes de nos libertarmos do peso da herança de décadas de condicionamento industrial e os nossos "grandes" empresários em geral a depender excessivamente das "orientações" do Estado procurando colocar-se sob a sua sombra protectora.
Numa escala diferente, não deixa de ser oportuno falar sobre isto no dia em que se anuncia um novo plano estratégico para a Europa que visa "transformar a UE numa economia inteligente, verde e inclusiva, com elevados níveis de emprego, produtividade e coesão" ao qual antevejo um sucesso semelhante ao da antecessora "Estratégia de Lisboa", em que, em 2000, a Europa definiu como "objectivo estratégico para a próxima década: tornar-se no espaço económico mais dinâmico e competitivo do mundo baseado no conhecimento e capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social".
Uma limitação fundamental é o Estado não ser omnisciente. Ao contrário do que se assume em muitos modelos económicos, o Estado não conhece o funcionamento detalhado das economias e a sua ignorância é tanto maior quanto mais se desce ao nível sectorial. Em Portugal, por exemplo, quem solicita ao Governo que defina os sectores estratégicos, estará a apelar para que competências? Para as dos políticos iluminados? Ou para as dos técnicos da Administração Pública, consumidos por trabalho corrente? Mesmo que os técnicos tivessem disponibilidade para elaborar estudos, seriam esses estudos inquestionáveis? E que incentivo teria um técnico para libertar informação credível sobre oportunidades de lucro no sector privado? E se as prioridades se revelassem erradas, quem seria responsável pelos prejuízos decorrentes? Se, em alternativa, o Governo encomendasse os estudos a empresas consultoras ou a associações empresariais, até que ponto esses estudos seriam isentos ou, pelo contrário, capturados por interesses privados? É que, a partir do momento em que o Estado anuncia uma política discricionária, o sistema de incentivos altera--se: torna-se aliciante desviar recursos da actividade produtiva para os dedicar à competição por favores políticos e medidas de excepção.
Este problema é bem visivel no nosso discurso público e revela que ainda não fomos capazes de nos libertarmos do peso da herança de décadas de condicionamento industrial e os nossos "grandes" empresários em geral a depender excessivamente das "orientações" do Estado procurando colocar-se sob a sua sombra protectora.
Numa escala diferente, não deixa de ser oportuno falar sobre isto no dia em que se anuncia um novo plano estratégico para a Europa que visa "transformar a UE numa economia inteligente, verde e inclusiva, com elevados níveis de emprego, produtividade e coesão" ao qual antevejo um sucesso semelhante ao da antecessora "Estratégia de Lisboa", em que, em 2000, a Europa definiu como "objectivo estratégico para a próxima década: tornar-se no espaço económico mais dinâmico e competitivo do mundo baseado no conhecimento e capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social".
domingo, 28 de fevereiro de 2010
O objectivo de taxa de inflação do BCE
Num paper, Olivier Blanchard, Giovanni Dell’Ariccia, and Paolo Mauro colocam a seguinte questão:
Pessoalmente, penso que a questão do espaço de manobra da política monetária não me parece por si só um argumento particularmente convincente. Efectivamente, como a actual crise demonstrou os bancos centrais tem outros instrumentos para aumentar a liquidez no sistema financeiro nomeadamente através de políticas monetárias quantitativas.
Por outro lado, aumentar o objectivo de inflação em 2 pontos percentuais pode ter o efeito perigoso de criar um precedente que reduza a credibilidade do novo objectivo, na medida em que os agentes tenderão a pensar que se o objectivo aumentou uma vez poderá aumentar (ainda mais) outras vezes. Recorde-se, além disso, que a fixação do valor em 2% foi fixado tendo em conta a possibilidade de enviesamento da taxa de inflação (resultante da forma como o índice é calculado) e criar uma margem que contivesse os riscos de deflação.
Mas, existe um outro argumento que, este sim, me parece bastante importante.
Num contexto de rigidez de preços, a fixação de um objectivo de inflação superior pode facilitar o ajustamento dos preços relativos, nomeadamente, dos salários entre os vários países.
O que poderia ser particularmente importante no caso da zona euro na medida em permitiria um ajustamento mais rápido dos custos unitários de produção sem a necessidade de uma (tão grande ?) descida dos salários nominais. Com efeito, existindo relutância em reduzir os salários nominais, o custo tenderá a ser um aumento (superior) do desemprego, o que significa que, nomedamente no contexto da actual zona euro, talvez exista, mesmo no longo prazo, uma relação inversa entre taxa de desemprego e inflação (pelo menos para níveis de inflação moderados).
Claro que além do problema de credibilidade que acima referi, existe o problema de uma compreensível relutância da Alemanha para quem a inflação e defesa de uma moeda forte são compreensivelmente preocupações importantes. Talvez fosse no entanto possível fazer uma pequena alteração, mas que poderia ter um impacto significativo, no objectivo de política monetária do BCE que actualmente é "a manutenção, a médio prazo, da taxa de inflação num nível inferior mas próximo de 2%". Este objectivo poderia passar a ser simplesmente "a manutenção, a médio prazo, da taxa de inflação próximo de 2%", o que permitiria ao BCE uma maior margem para deixar a taxa de inflação aumentar quando essa subida contribuisse para a correcção de desequilíbrios entre países da zona euro, sem que me pareça que daí pudesse resultar danos significativos em termos de credibilidade da política monetária do BCE.
"To be concrete, are the net costs of inflation much higher at, say, 4 percent than at 2 percent, the current target range? Is it more difficult to anchor expectations at 4 percent than at 2 percent?"considerando os autores que, embora esse aumento pudesse aumentar os efeitos distorcivos associados à inflação, estes poderiam ser compensados pelo aumento do espaço de manobra da política monetária que resulta de não ser possível (ou pelo menos dificil) fixar taxas de juro negativas.
Pessoalmente, penso que a questão do espaço de manobra da política monetária não me parece por si só um argumento particularmente convincente. Efectivamente, como a actual crise demonstrou os bancos centrais tem outros instrumentos para aumentar a liquidez no sistema financeiro nomeadamente através de políticas monetárias quantitativas.
Por outro lado, aumentar o objectivo de inflação em 2 pontos percentuais pode ter o efeito perigoso de criar um precedente que reduza a credibilidade do novo objectivo, na medida em que os agentes tenderão a pensar que se o objectivo aumentou uma vez poderá aumentar (ainda mais) outras vezes. Recorde-se, além disso, que a fixação do valor em 2% foi fixado tendo em conta a possibilidade de enviesamento da taxa de inflação (resultante da forma como o índice é calculado) e criar uma margem que contivesse os riscos de deflação.
Mas, existe um outro argumento que, este sim, me parece bastante importante.
Num contexto de rigidez de preços, a fixação de um objectivo de inflação superior pode facilitar o ajustamento dos preços relativos, nomeadamente, dos salários entre os vários países.
O que poderia ser particularmente importante no caso da zona euro na medida em permitiria um ajustamento mais rápido dos custos unitários de produção sem a necessidade de uma (tão grande ?) descida dos salários nominais. Com efeito, existindo relutância em reduzir os salários nominais, o custo tenderá a ser um aumento (superior) do desemprego, o que significa que, nomedamente no contexto da actual zona euro, talvez exista, mesmo no longo prazo, uma relação inversa entre taxa de desemprego e inflação (pelo menos para níveis de inflação moderados).
Claro que além do problema de credibilidade que acima referi, existe o problema de uma compreensível relutância da Alemanha para quem a inflação e defesa de uma moeda forte são compreensivelmente preocupações importantes. Talvez fosse no entanto possível fazer uma pequena alteração, mas que poderia ter um impacto significativo, no objectivo de política monetária do BCE que actualmente é "a manutenção, a médio prazo, da taxa de inflação num nível inferior mas próximo de 2%". Este objectivo poderia passar a ser simplesmente "a manutenção, a médio prazo, da taxa de inflação próximo de 2%", o que permitiria ao BCE uma maior margem para deixar a taxa de inflação aumentar quando essa subida contribuisse para a correcção de desequilíbrios entre países da zona euro, sem que me pareça que daí pudesse resultar danos significativos em termos de credibilidade da política monetária do BCE.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Notícias da Grécia nada animadoras
O Wall Street Journal publica que os enviados da União Europeia à Grécia consideram que as medidas planeadas apenas conduzem a uma redução do défice de cerca de 2 pontos percentuais e estão a pressionar no sentido de um pacote adicionla de 4 mil milhões de euros.
E já hoje tinha sido noticiado no Spiegel que os alguns grandes bancos alemães não estavam interessados em adquirir mais títulos do Estado grego, numa altura em que se sucedem os avisos de downgrade do rating da Grécia e em que segundo o que tem sido noticiado na imprensa económica o Estado grego necessitará de refinanciar cerca de 20 a 25 mil milhões de euros nos próximos 2 meses.
Entretanto foi noticiado que a chanceler alemã Angela Merkel convidou o primeiro-ministro grego para uma visita a Berlim na próxima semana.
E já hoje tinha sido noticiado no Spiegel que os alguns grandes bancos alemães não estavam interessados em adquirir mais títulos do Estado grego, numa altura em que se sucedem os avisos de downgrade do rating da Grécia e em que segundo o que tem sido noticiado na imprensa económica o Estado grego necessitará de refinanciar cerca de 20 a 25 mil milhões de euros nos próximos 2 meses.
Entretanto foi noticiado que a chanceler alemã Angela Merkel convidou o primeiro-ministro grego para uma visita a Berlim na próxima semana.
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