É o tema deste artigo do Economist significativamente intitulado "The importance of not being Greece" em que correctamente se chama a atenção para a situação das nossas contas públicas ser claramente mais favorável mas também para as nossas fragilidades económicas reflectidas na perda de competitividade e no endividamento externo.
Esta questão das semelhanças e diferenças entre á situação da Grécia e de outros Estados da zona euro é igualmente o tema deste interessante artigo publicado no Vox, onde se recorda que Portugal partilha com a Grécia um nível de poupança nacional extremamente baixo e a consequente dependência dos mercados financeiros internacionais. No entanto, de acordo com os cálculos destes economistas o impacto do ajustamento orçamental necessário em Portugal será apenas ceca de 1/5 do previsto para a Grécia e inferior ao da Irlanda e Espanha.
sábado, 24 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Tragédia grega
Entretanto pela Europa os últimos dias têm sido dominados pelas (más) notícias da Grécia em que avulta a revisão em alta do défice público (de 12,7% do PIB para 13,6%) e as sucessivas revisões em baixa do rating da divida grega, que levaram este país, perante a crescente degradação da sua situação financeira e a imparável subida das taxas de juro dessa dívida, a pedir a activação da ajuda europeia. Numa altura em que se havia tornado evidente a inevitabilidade dessa atitude e em que a questão que agora assola os mercados é a de saber se o pacote de € 45 mil milhões "prometidos" pela UE e o FMI serão suficientes e se será possível evitar uma "renegociação" da dívida pública grega.
De regresso
Os indicadores económicos dos EUA da produção e da despesa são francamente encorajadores sugerindo a continuação de tendência de recuperação da actividade económica, com evoluções significativas da produção industrial, vendas a retalho (com destaque para as vendas de automóveis), exportações e mercado imobiliário, tendo igualmente surgido sinais positivos, embora ainda débeis no mercado de trabalho. Sendo ainda de destacar a ausência de sinais de tensões inflaccionistas que afasta os receios de que a Reserva Federal seja forçada a antecipar uma subida das taxas de juro e temos um cenário francamente animador para a economia americana que de acordo com o FMI deverá crescer 3,1% este ano.
domingo, 14 de março de 2010
Uma excelente análise do PEC
Alvaro Santos Pereira colocou no blog Portuguese Economy uma boa análise do PEC que só é pena apenas estar disponível em inglês. A tese parece ser a de que o Governo adoptou uma estratégia bastante simples: "tributar, privatizar, cortar na despesa e esperar que a economia recupere" e pergunta se isto será suficiente para resolver o que designa desequilíbrios estruturais do sector público português.
A definição da estratégia julgo que está correcta (embora a ordem dos factores seja discutivel) e concordo inteiramente com os riscos do cenário de crescimento. Não obstante, as críticas que são feitas merecem-me duas notas: i) em primeiro lugar, independentemente das medidas concretas não me parece que existissem grandes alternativas ou, talvez dito de outro modo (grandes projectos de investimento à parte e embora pense que o esforço em 2010 poderia/deveria ser um pouco superior) políticas mais restritivas do lado da despesa do que as previstas poderiam revelar-se extremamente perigosas para a estabilidade económica e social no curto prazo; e ii) os designados problemas estruturais do sector público derivam de um problema mais vasto e, infelizmente, bastante mais dificil de resolver: um problema estrutural de (falta de) competetividade da economia portuguesa.
A definição da estratégia julgo que está correcta (embora a ordem dos factores seja discutivel) e concordo inteiramente com os riscos do cenário de crescimento. Não obstante, as críticas que são feitas merecem-me duas notas: i) em primeiro lugar, independentemente das medidas concretas não me parece que existissem grandes alternativas ou, talvez dito de outro modo (grandes projectos de investimento à parte e embora pense que o esforço em 2010 poderia/deveria ser um pouco superior) políticas mais restritivas do lado da despesa do que as previstas poderiam revelar-se extremamente perigosas para a estabilidade económica e social no curto prazo; e ii) os designados problemas estruturais do sector público derivam de um problema mais vasto e, infelizmente, bastante mais dificil de resolver: um problema estrutural de (falta de) competetividade da economia portuguesa.
sábado, 13 de março de 2010
Dois artigos a não perder
Este de Vitor Bento (via Pedro Lains) (que, passe a imodéstia, vai no sentido que tenho vindo a preconizar (ver aqui) e tem sido defendido por Martin Wolf do FT e que vai na linha do pensamento de Paul Krugman) do qual ressalto
O outro artigo que recomendo é este ontem publicado no FT da autoria do Ministro das Finanças Alemão Wolfgang Schauble, que julgo particularmente interessante porque: i) admite expressamente a criação de instituições (o tal Fundo Monetário Europeu) para auxiliar as economias em situação financeira dificil, considerando essa situação preferível à intervenção do FMI (o que tem sido muito discutido), como resulta claramente da parte em que refere que: "Eurozone members could also be granted emergency liquidity aid from a «European monetary fund» to reduce the risk of defaults"; e ii) simultaneamente define com bastante clareza as condições para a Alemanha aceitar essa possibilidade: "Strict conditions and a prohibitive price tag must be attached so that aid is only drawn in the case of emergencies that present a threat to the financial stability of the whole euro area (...) Emergency aid could also be coupled on a mandatory basis with stricter sanction within the framework of budget defict proceedings. Monetary penalities could be imposed immediately and, once the aid and cooling-off period end, enforced against the member state without recourse to reclaim the fine".
O resto do texto nomeadamente a parte muito falada de que "Should a eurozone member ultimately find itself unable to consolidate its budgets or restore its competitiveness, this country should, as a last resort, exit the monetary union", parece-me sinceramente sobretudo para consumo político no debate interno alemão.
"ao nível colectivo têm que ser asseguradas as condições para que o efeito inevitavelmente recessivo dos ajustamentos orçamentais e económicos, que os países em causa terão que efectuar, em simultâneo, num período relativamente reduzido e num contexto de deprimida procura mundial, se não torne numa espiral contraccionista. Espiral essa que, por um lado, poderá anular o impacto dos ajustamentos (ou exigir a sua insustentável exponenciação) e tornar a situação ainda mais insustentável, e, por outro lado, pode contagiar toda a zona euro, remetendo-a novamente para a recessão.
Para prevenir essas consequências, é necessário que os países em melhor situação financeira - contas públicas e contas externas - actuem compensatoriamente em sentido inverso, estimulando a sua procura interna. E, aqui, o principal papel tem que ser desempenhado pela Alemanha e, dada a sua elevada propensão a poupar, o estímulo necessário será mais eficaz se vier do aumento da despesa do que da redução dos impostos."chamando, no entanto, a atenção para que o ajustamento se concretize será necessária a conjugação de duas disponibilidades:
De um lado, a do BCE para deixar inflacionar a zona euro (acima dos 2% que são a sua referência superior). E, de outro lado, a dos países debilitados, para assegurar um estrito controlo de preços nos seus sectores não transaccionáveis, não permitindo que estes acompanhem a inflação da zona euro (a concorrência internacional encarregar-se-á de "controlar" o sector transaccionável).Não podia concordar mais, apenas chamando à atenção para que na realidade os desequillibrios na zona euro se inserem no problema mais vasto dos desequilíbrios globais e que seria igualmente útil como temn vindo a ser defendido por Krugman uma apreciação real das moedas das economias asiáticas, nomeadamente da China, face quer ao dólar quer ao euro.
O outro artigo que recomendo é este ontem publicado no FT da autoria do Ministro das Finanças Alemão Wolfgang Schauble, que julgo particularmente interessante porque: i) admite expressamente a criação de instituições (o tal Fundo Monetário Europeu) para auxiliar as economias em situação financeira dificil, considerando essa situação preferível à intervenção do FMI (o que tem sido muito discutido), como resulta claramente da parte em que refere que: "Eurozone members could also be granted emergency liquidity aid from a «European monetary fund» to reduce the risk of defaults"; e ii) simultaneamente define com bastante clareza as condições para a Alemanha aceitar essa possibilidade: "Strict conditions and a prohibitive price tag must be attached so that aid is only drawn in the case of emergencies that present a threat to the financial stability of the whole euro area (...) Emergency aid could also be coupled on a mandatory basis with stricter sanction within the framework of budget defict proceedings. Monetary penalities could be imposed immediately and, once the aid and cooling-off period end, enforced against the member state without recourse to reclaim the fine".
O resto do texto nomeadamente a parte muito falada de que "Should a eurozone member ultimately find itself unable to consolidate its budgets or restore its competitiveness, this country should, as a last resort, exit the monetary union", parece-me sinceramente sobretudo para consumo político no debate interno alemão.
A Recessão da Letónia
Imaginem um país que, em menos de dois anos, registasse uma queda do PIB próxima dos 25%, uma subida do desemprego para cerca de 23%, uma descida dos salários nominais de 10% e uma explosão do rácio de dívida pública face ao PIB. Este país existe, pertence à União Europeia e é a Lituânia, que já conquistou o seu direito a entrar nos futuros manuais macroeconómicos ao superar, em apenas 2 anos, a gravidade da crise Argentina de 1998-2002. E se as previsões para este ano se confirmarem o agravamento da actividade económica, elevando a queda acumulada para cerca de 30%, conseguirá o "feito" de superar a dimensão (em termos relativos obviamente) da grande depressão nos EUA nos anos 1929-1933.
A história que merece ser lida por todos os que se interessam um pouco por macroeconomia pode ser vista aqui neste paper e neste documento do FMI.
E, olhando para os vizinhos países bálticos, verificamos que a sua situação não parece ser muito melhor, pois de acordo com o Eurostat, em 2009, a queda do PIB real foi de 14,1% na Estónia e de 15% na Lituânia.
A história que merece ser lida por todos os que se interessam um pouco por macroeconomia pode ser vista aqui neste paper e neste documento do FMI.
E, olhando para os vizinhos países bálticos, verificamos que a sua situação não parece ser muito melhor, pois de acordo com o Eurostat, em 2009, a queda do PIB real foi de 14,1% na Estónia e de 15% na Lituânia.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Uma provocação
Onde estão os subscritores deste manifesto ? Seria pelo menos curioso saber se mantêm a posição que então subscreveram.
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