sábado, 14 de agosto de 2010

Evolução do PIB na UE

De acordo com as estimativas preliminares ontem divulgadas pelo Eurostat o PIB no conjunto da UE cresceu 1,0% face ao trimestre anterior e 1,7% face ao trimestre homólogo, salientando-se a celeração do crescimento da Alemanha (+2,2% face ao trimestre anterior) e o bom comportamento da actividade económica na generalidade dos países do Centro e Norte da Europa.

Já nos países do eixo Mediterrânico a evolução não foi tão positiva, pois a Itália cresceu apenas 0,4% (mesmo valor do trimestre anterior), a Espanha 0,2% (no trimestre anterior o valor tinha sido 0,1%), em Portugal verificou-se uma desaceleração do crescimento para 0,2% (no tirmestre anterior havia crescido 1,1%) e na Grécia verificou-se mesmo uma quebra de -1,5% (superior à de 0,8% registada no trimestre anterior).

No que se refere a Portugal, de acordo com o INE a já esperada desaceleração ter-se-á ficado a dever a uma redução quer da procura interna quer da procura externa líquida. Será no entanto necessário esperar pelos resultados mais completos (que serão conhecidos em Setembro) para ter uma imagem mais completa dos factores que determinaram a evolução do produto no 2.º trimestre.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sobre o futuro da zona euro

Quando saiu em Junho confesso que apenas li o pequeno resumo da introdução disponível on-line desta publicação da Vox. E francamente achei-a insipida e desinspirada e (como o tempo é sempre demasiado escasso) acabei por não a ler. Ontem repesquei-a entre os meus papeis e lendo-a, desta vez em papel, e sinceramente julgo que vale a pena a leitura da versão em papel desta obra colectiva pela qual trespassa como ideia essencial de que "The Eurozone “ship” is holed below the waterline. The ECB actions are keeping it afloat for now, but this is accomplished by something akin to pumping out water. What European leaders need to do very soon is to find a way to fix the hole; ECB bond purchases are merely a palliative. The risk now is that politicians become complacent – confusing treatment of the symptoms for treatment of the disease."

terça-feira, 10 de agosto de 2010

As energias renováveis

Embora escrito em termos elogiosos para o esforço que Portugal tem vindo a fazer em termos de utilização das energis renováveis, este excelente artigo do New York Times refere também de forma bastante clara os custos associados a esta "aposta":
"While Portugal’s experience shows that rapid progress is achievable, it also highlights the price of such a transition. Portuguese households have long paid about twice what Americans pay for electricity, and prices have risen 15 percent in the last five years, probably partly because of the renewable energy program, the International Energy Agency says.

Although a 2009 report by the agency called Portugal’s renewable energy transition a “remarkable success,” it added, “It is not fully clear that their costs, both financial and economic, as well as their impact on final consumer energy prices, are well understood and appreciated.”"

e recorda uma questão que constitui um limite à expansão da utilização das energias renováveis quando recorda que:
"Running a country using electricity derived from nature’s highly unpredictable forces requires new technology and the juggling skills of a plate spinner. A wind farm that produces 200 megawatts one hour may produce only 5 megawatts a few hours later; the sun shines intermittently in many places; hydropower is plentiful in the rainy winter, but may be limited in summer."
O que implica que para garantir a segurança do abastecimento é necessária a existência de uma importante capacidade de geração de electricidade excedentária, com os custos económicos associados. O que não significa que o investimento que tem vindo a ser feito (e que tem uma componente estratégica que importa valorizar) não se justifique (sinceramente não possuo os números que me permitam fazer essa avaliação), mas serve-nos para recordar que também aqui não existem almoços grátis.

ISM e emprego nos EUA

Em Julho o ISM voltou a reduzir-se ligeiramente (para 55,5) pelo quarto mês consecutivo, mantendo-se ainda assim acima do nível de 50 pontos o que indica que a indústria terá continuado a expandir-se, embora a um ritmo mais moderado, sendo de notar, contudo, que a queda significativa do índice de evolução das encomendas registada nos últimos dois meses (53,7 em Julho face a 65,7 em Maio).

Entretanto a taxa de desemprego manteve-se nos 9,5%, tendo-se registado mesmo uma descida no número de empregados. Embora esta descida se deva a factores temporários relacionados com a realização do recenseamento nos EUA a verdade é que mesmo excluindo esse efeito a criação líquida de emprego nos últimos 3 meses foi extremamente fraca e denota poucos sinais de recuperação.

Estes dados confirmam o cenário de uma recuperação económica lenta, alimentando mesmo os receios de uma temida recaída numa situação de recessão.

sábado, 31 de julho de 2010

Indicador de Sentimeno Económico

Em Julho, o indicador de sentimento económico registou um aumento significativo na União Europeia (+1,9 pontos) situando-se agora nos 102,2 cresultado de evoluções positiva em todoas as suas componentes à exscepção da construção. Enquanto que por países se destacaram as evoluções verificadas na Alemanha (+4 pontos) e na França (+2,6 pontos). Apesar da maioria dos países ter registado um aumento, este movimento não foi uniforme tendo-se verificado descidas na Bulgária (-0,5), Finlândia (-0,6), Eslovénia (-0,9), Suécia (-1,2) e Espanha (-2,2).

Em Portugal este indicador subiu 3,1 pontos para 93,3 pontos, tendo-se verificado evoluções favoráveis na indústria (+2 pontos), serviços (+3 pontos) e no comércio a retalho (+1 ponto), enquanto que a confiança dos consumidores se manteve inalterada e a dos construtores registou uma queda de 2 pontos.

PIB nos EUA

Os dados preliminares divulgados pelo BEA apontam para que um crescimento do PIB dos EUA no 2.º trimestre à taxa anual de 2,4%, o que representa um abrandamento face aos 5,0% registados no 3.º trimestre de 2009 e aos 3,7% do trimestre anterior.

Para este abrandamento contribuiu um menor crescimento do consumo privado, sobretudo em bens não duradouros e serviços, uma natural redução da contribuição da acumulação de stocks (que ainda assim aumentaram a um ritmo superior ao registado no trimestre anterior) e uma redução do contributo da procura externa líquida resultado de uma redução da taxa de crescimento das exportações (que ainda assim aumentou ao ritmo de 10,4%) e sobretudo do forte aumento das importações (que cresceram à taxa anual de 28,8%).

Enquanto que se verificou um recuperação considerável do investimento em equipamento e software (taxa anual de 21,5%) e residencial (taxa anual de 27,8%) e do consumo público (taxa anual de 4,4%).

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Projecções do Banco de Portugal

No seu Boletim Económico de Verão, o Banco de Portugal traça um quadro não muito animador para as perspectivas para a economia portuguesa. Face ao acentuado desequilibrio macroeconómicos face ao exterior o Banco de Portugal considera que "o ajustamento dos balanços dos agentes económicos ainda não se iniciou de forma marcada" e que "o dinamismo da procura interna observado na primeira metade de 2010 não se deverá contudo revelar sustentável", prevendo que após um crescimento de 0,9% em 2010 o PIB aumente apenas 0,2% em 2011 num quadro de redução do consumo privado (-0,9%) e sobretudo do consumo público (-1,4%) e do investimento (-1,6%).

Note-se, no entanto, que no cenário traçado pelo Banco de Portugal apesar da quebra (-1,1%) da procura interna e do aumento de 3,7% nas exportações o défice da balança corrente e de capital se situa, ainda assim, em cerca de 8,2% do PIB, justificando a afirmação contida no Relatório de que "Esta evolução tenderá a persistir, dado que a presente projeção não contempla um ajustamento significativo dos desequilíbrios macroeconómicos". Referindo-se no Relatório que existe uma probabilidade superior a 50% de uma variação negativa do PIB em 2011 e "que num quadro de manutenção de uma acentuada discriminação do risco soberano a nível global e de fortes tensões nos mercados fi nanceiros internacionais, um eventual processo de ajustamento mais abrupto da economia portuguesa poderia implicar uma queda acentuada da atividade económica em 2011".
Particularmente negativas são, igualmente, as previsões para a evolução do emprego que de acordo com o Relatório "será marcada pelo crescimento limitado da atividade e da procura de trabalho no período 2010-2011. As atuais projeções contemplam uma redução do emprego de 1,1 e 0,3 por cento em 2010 e 2011, respectivamente".