sábado, 16 de outubro de 2010

Relatório do OE para 2011

Já está disponível aqui. No cenário macroeconómico divulgado, prevê-se um crescimento do PIB de de cerca de 1,3% em 2010 e de 0,2% em 2011, sendo o crescimento em 2011 inteiramente sustentado nas exportações (+7,3%) e na redução das importações (-1,7%) que compensariam uma queda de 2,5% na procura interna.

Trata-se de uma previsão significativamente mais optimista do que as recentemente divulgadas pelo Banco de Portugal (ver aqui), onde mesmo sem contar com as medidas mais recentes se previa um crescimento de 0,0%.

Comparando os contributos para a taxa de crescimento verificamos que para além das exportações que o Banco de Portugal previa que crescessem somente 3,7%, existe um grande desvio na previsão do consumo privado que na previsão do Banco de Portugal se contraia 0,9% contra os 0,5% da previsão do Ministério das Finanças enquanto que em sentido contrário as previsões do Governo são significativamente mais negativas no que se refere à evolução do consumo público (-8,8% face aos -1,4% do Banco de Portugal) e ao investimento (-2,7% face aos -1,6% do Banco de Portugal).

Refira-se ainda que o Governo prevê uma redução do emprego de 0,4% que é significativamente inferior à de 0,7% prevista pelo Banco de Portugal.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Projecções do Banco de Portugal

Ainda não tive oportunidade de analisar, em detalhe, as projecções que o Banco de Portugal hoje divulgou para a economia portuguesa. Numa primeira análise, parecem em linha com as apresentadas pelo FMI que, tal como agora sucede, também não tiveram em conta o pacote de austeridade recentemente apresentado.

De acordo com estas projecções a economia portuguesa estagnaria em 2011 com a queda da procura interna a ser compensada por um aumento das exportações líquidas, que apesar de tudo é insuficiente para uma melhoria significativa do défice da BTC que apenas desceria 1 pp (de 9,2% do PIB em 2010 para 8,2% do PIB para 2010). Para o Banco de Portugal que "os riscos em torno da projecção são marcadamente descendentes", o que, traduzindo, significa que o Banco de Portugal considera que será quase impossível evitar um cenário de recessão.

Referindo que "Ao nível interno, o principal fator de risco prende-se com a intensificação do necessário esforço de consolidação orçamental e respetivo impacto sobre a avaliação do risco da economia portuguesa pelos participantes nos mercados fi nanceiros. Neste âmbito, existe a necessidade de especificação de medidas adicionais de política de molde a atingir os exigentes objetivos orçamentais atualmente definidos" e alertando para que  (tal como haviamos referido aqui) "não é evidente que o conjunto de medidas recentemente anunciadas seja suficiente para garantir estes objetivos", pois "estas medidas não deixarão de ter um impacto contracionista no curto prazo, ao afetarem negativamente o rendimento disponível real das famílias, bem como as perspetivas de procura, induzindo uma maior contração do consumo e do investimento privados" e queeste "impacto na atividade económica, conjugado com a ação dos estabilizadores automáticos, mitiga a magnitude total da consolidação orçamental".

E, ainda, que "Um fator adicional de risco de origem interna diz respeito à possibilidade de se iniciar, em simultâneo, uma redução significativa do grau de alavancagem do sistema bancário português, o que implicaria um aumento do grau de restritividade das condições de financiamento para as famílias e empresas, com impacto negativo adicional sobre as condições de procura e sobre a atividade económica".

PS: Aparentemente o Banco de Portugal terá vindo desdizer-se relativamente à necessidade de mais medidas para 2011. Ora além de, como se refere na notícia, na página 56 do Boletim se referir textualmente o seguinte : "A 29 de Setembro, o Governo aprovou um conjunto de medidas adicionais a incluir na proposta de Orçamento para 2011. No entanto, as medidas de caráter permanente desde já bem especificadas não parecem ser suficientes para garantir a prossecução do objetivo assumido para 2011." o excerto que acima citámos é bem claro. Pelo que o desmentido apenas se pode entender por razões políticas e/ou receio da eventual reacção negativa dos mercados.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sobre o ouro

No dia em que o ouro voltou a bater recordes, dexio-vos um link recente de Ken Rogoff sobre o tema em que este autor revela o que eu designaria por um cepticismo saudável relativamente à sustentabilidade da actual tendência.

World Economic Outlook

O FMI divulgou hoje as suas previsões para 2011 que diga-se não são nada animadoras. O FMI prevê que o crescimento do PIB nas economias avançadas abrande de 2,7% em 2010 para 2,2% em 2011, e que o desemprego descer apenas muito ligeiramente (de 8,3% para 8,2%).

Para a zona euro o FMI prevê que o crescimento do PIB se situe nos 1,7% este ano e em 1,5% em 2011 e que o desemprego desça de 10,2% para 10,1%, considerando que os riscos de que a evolução económica seja pior que o previsto são elevados.

E para Portugal o FMI prevê que a economia cresça 1,1% em 2010 e estagne em 2011, e que o desemprego aumente de 10,7% para 10,9%. Estas previsões não incluem os efeitos do pacote de austeridade recentemente anunciado pelo Governo tendo surgido notícias na imprensa de que incluindo essas medidas a previsão seria de uma redução do PIB de 1,4%.

Emissão de Bilhetes do Tesouro

O IGCP colocou hoje Bilhetes de Tesouro 23SEP2011 à taxa média ponderada de 3,333%, ligeiramente abaixo da verificada na emissão realizada no passado dia 15 de Setembro em que tinham sido colocados a 3,369%.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Global Financial Stability Report and World Economic Outlook

O FMI divulgou hoje o relatório "Global Financial Stability Report" onde salienta as incertezas que ainda persistem sobre a sustentaibilidade das contas públicas de alguns países europeus e a solidez de alguns bancos, que poderão ter conseuências nefastas parea a recuperação económica em curso. Particularmente interessante parec ser o capítulo III intitulado "The Uses and Abuses of Sovereign Credit Ratings" que no entanto não tive ainda tempo de ler.

Simultaneamente, foram igualmente divulgados os capítulos 3 e 4 do "World Economic Outlook", dos quais desatacaria o primeiro que versa sobre os efeitos macroeconómicos da consolidação orçamental onde se conclui que estas medidas tem um efeito recessivo que, em média corresponderá a uma redução de 1% na procura interna e um aumento de 0,3 pontos percentuais no desemprego por cada 1% do PIB de redução do défice, sendo no entanto a quebra da procura interna parcialmente compensada por um aumento das exportações correspondente a 0,5% do PIB (reduzindo, pois, para metade o efeito sobre o produto). Referindo-se, ainda, que os efeitos recvessivos tenderão a ser mais pronunciados quando: i) as taxas de juros estejam próximas de zero e a margem para a política monetária reduzida; e/ou quando ii) não esteja disponível o instrumento cambial.

Indicador de Sentimento Económico e ISM

Indicador de Sentimento Económico continuou a melhorar quer na União Europeia (+0,3 pontos para 103,4 pontos)) quer na zona euro (+0,9 pontos para 103,2 pontos)). Para esta evolução positiva contribuiu sobretudo a melhoria registada na Alemanha (+ 2,0 pontos), sendo de assinalar também o aumento verificado em espanha (+1,1 pontos), enquanto que em sentido negativo destaca-se a quebra de -2,1 pontos do Reino Unido.

Em Portugal a evolução foi igualmente positiva com este indicador a aumentar 1,9 pontos para 92,7, mantendo-se, portanto, abaixo dos 100 pontos.

Do outro lado do Atlântico, nos EUA, o ISM da indústria transformadora caíu  1,9 pontos situando-se agora nos 54,4 pontos o que indica um abrandamento do crescimento deste sector.