quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Yield das OT's a 10 anos

O yield das OT's a 10 anos voltou hoje a subir, fechando nos 6,61%. Estamos a apenas 39 pb do limiar dos 7%.

O factor Irlanda - que ao final do dia de hoje anunciou que mesmo com a ajuda de um "pequeno" truque contabilístico o ajustamento a efectuar para atingir um défice de 9,25% do PIB em 2011 será de 6 mil milhões de euros - a notícia de que os fundos soberanos da Noruega e Rússia retiraram a dívida dos países periféricos da zona euro da sua lista de compras, bem como a revisão em baixa do crescimento mundial vai afinal e a valorização do euro não ajudaram, mas há pelo menos duas coisas que nunca se devem fazer num dia destes porque apenas podem contribuir para piorar a situação:

1.º Dizer ao FT que a subida dos yields é um movimento especulativo sem justificação económica porque isso é automaticamente interpretado pelos mercados como uma sintoma de negação da realidade e de que o Governo não está preparado para tomar medidas adicionais que eventualmente se venham a justificar.

2.º Dizer no dia a seguir à aprovação na generalidade através de um acordo conseguido a ferros que afinal não será suficiente a redução do défice para 4,6% e que a Comissão irá "encorajar" o Governo português a obter uma redução do défice superior à estimada.

Política monetária quantitativa

Correspondendo aquelas que eram as expectativas do mercado a Reserva Federal anunciou a sua intenção de adquirir 600 mil milhões de USD de títulos do tesouro de longo prazo até ao final do 2.º trimestre de 2011, a um ritmo de cerca de 75 mil milhões de USD por mês.

Econbrowser apresentou recentemente dois posts com os argumentos a favor e contra estas medidas que Krugman e Brad deLong já vieram considerar como insuficiente.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A evolução do juro da dívida pública

Contrariamente ao que seriam as expetactivas dos muitos que esperariam que o acordo para a viabilização do OE para 2011 permitisse um alívio dos custos de financiamento, as taxas de juro da dívida pública portuguesa registaram hoje um novo aumento da taxa de juro das OT's portuguesas com o yield das obrigações a 10 anos a situar-se nos 6,24%.

Comentando este fenómeno o nosso primeiro-ministro terá referido que esta subida seria "função de um comportamento especulativo que nada tem de justificação do ponto de vista económico".

E com efeito trata-se de um movimento que afecta não apenas Portugal, mas também outros países periféricos da zona euro, com destaque para a Irlanda cujas OT's a 10 anos atingiram hoje um máximo histórico de 7,3%. Na verdade esta recente subida parece estar a ser motivada pelos receios de que o BCE venha a reduzir substancialmente as facilidades que tem vindo a conceder no financiamento ao sistema bancário dos países. Segundo Alphaville (um blog do FT) "Deutsche [Bank] reckons that for Ireland, Portugal, Spain and Greece a return to a pre-crisis (early 2007) average level of ECB funding would imply banks would have to shift some €82bn, €50bn, €103bn and €90bn, respectively of ECB funding to more (ahem) market-based sources" o que no caso de Portugal corresponde a cerca de 30% do PIB.

Para além das consequências económicas de um eventual "credit crunch" no caso do BCE alterar, como é previsivel que o venha a fazer, as facilidades de financiamento que tem vindo a conceder tal terá efeitos no mercado de dívida pública dado o papel que os bancos destes países têm vindo a desempenhar nestes mercados. De acordo com Alphaville um estudo do Citi indica que "banks in peripheral countries substantially increased their holdings of domestic government bonds over the past year – by a very large 88% in Portugal, 20% in Greece and Ireland, 13% in Spain and by 20% in Italy" referindo que "there has come a rising reliance on domestic banks, which in turn are still highly reliant on ECB funding".

Ora, infelizmente, Portugal aparece mencionado com algum destaque nesta "narrativa" e por isso não é por acaso que é um dos países afectados por este novo aumento dos yields da dívida pública.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Yields da dívida pública

Apesar do acordo para a viabilização do Orçamento do Estado para 2011, a verdade é que os yields da dívida pública portuguesa a 10 anos estão hoje a subir, situando-se novamente acima dos 6 %. O que parece estar relacionado com as preocupações com a situação na Irlanda e também por notícias como esta que enfatizam as dificuldades que Portugal enfrenta.

ISM

Os dados do ISM para Outubro foram bastante robustos com uma subida de 2,5 pontos (para 56,5) no PMI e um aumento de 7,8 pontos (para 58,9) na componente de novas encomendas, o que indica uma reaceleração do crescimento da indústria transformadora nos EUA e constitui um excelente resultado depois da evolução decepcionante em Setembro.

sábado, 30 de outubro de 2010

Já só falta o mais dificil

O acordo firmado para a viabilização do OE para 2011 é obviamente importante sobretudo pelo facto de adiar a abertura de uma crise política que no actual contexto seria particularmente perigosa.

Mas, este acordo não só não resolve a crise económica que enfrentamos como nem sequer é suficiente para garantir a solução dos problemas de financiamento da economia portuguesa.

Quer a execução orçamental do que ainda falta do corrente ano e sobretudo, o que não vai ser nada fácil em 2011, vão ser cruciais para a estabilização do financiamento externo de que a nossa economia depende. E quer uma menor capacidade do Governo para executar o Orçamento, quer a evolução da economia ou, ainda, uma surpresa desgaradável que possa surgir no sistema financeiro inverterá rapidamente quaisquer ganhos em termos de custo financiamento que sejam entretanto obtidos e tornará inevitável o recurso ao apoio do FMI e dos nossos parceiros europeus.

Indicador de sentimento económico (ESI)

Os resultados divulgados pela Comissão Europeia indicam a continuação da melhoria do sentimento económico na União Europeia. O ESI aumentou 0,5 pontos na UE situando-se agora nos 104,1 pontos, sendo de realçar que se trata do 7.º mês consecutivo em que este indicador regista um valor acima dos 100 pontos. Para o resultado deste mês contribuiram fundamentalmente as evoluções positivas registadas na França (+3,4 pontos) e nos Países Baixos (+2,8 pontos), devendo, no entanto, realçar-se que o indicador subiu também, embora a um ritmo mais moderado, na Alemanha (+0,3 pontos), Itália (+0,3 pontos) e no Reino Unido (+0,3 pontos).

Esta melhoria não foi no entanto generalizada tendo-se registado descidas marginais na Espanha (-0,2 pontos) e em alguns pequenos Estados-Membros bem como descidas significativas no Chipre (-4,7 pontos), na Suécia (-3,2 pontos) e em Portugal (-2 pontos).