A Comissão Europeia divulgou hoje as suas previsões de Outono para 2011 e 2012 projectando um ligeiro abrandamento do crescimento do produto de 1,8% em 2010 para 1,7% em 2011 para o conjunto da União Europeia (e de 1,7% para 1,5% para a zona euro), prevendo-se uma descida marginal da taxa de desemprego que se manterá, em 2011, em níveis muito elevados (9,5% para a União Europeia e 10% para a zona euro).
No que se refere a Portugal as previsões da Comissão apontam para uma quebra do PIB que resulta de uma contracção da procura interna correspondente a 4% do PIB com todas as suas componentes a cair (consumo público: -6,8%, formação bruta de capital fixo: -3,2% e consumo privado -2,8%) parcialmente compensada pela contribuição positiva da procura externa associada a um aumento das exportações de 5,6% e uma redução de 3,2% das importações. Prevendo a Comissão que a taxa de desemprego atinja ao 11,1%, em 2011, e os 11,2% em 2012.
Uma boa notícia é a redução do défice externo de 9,5%, em 2010, para 6,7%, em 2011, e 5,3% em 2012, o que significaria uma evolução bastante significativa de uma variável num contexto macroeconómico, apesar de tudo, relativamente benigno. Mais preocupante é o facto de que nas projecções da Comissão Europeia o défice orçamental ficaria acima dos valores definidos no PEC situando-se em 4,9%, em 2011, e 5,1%, em 2012, o que corresponde a um desvio de cerca de 0,3 pp (cerca de 500 milhões de euros) e de 2,1 pp (cerca de 3.500 milhões de euros) face aos objectivos.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Indicador de Sentimento Económico
O indicador de sentimento económico para o conjunto da União Europeia e da zona euro voltou a registar um aumento significativo no mês de Novembro aumentando 1,3 pontos e 1,5 pontos, respectivamente, atingindo valores máximos desde finais de 2007 e apresentando evoluções positivas em todas os sectores à excepção da construção. Por países destaca-se o aumento de 2,5 pontos verificado na Alemanha e o de 1,4 registado na Itália, enquanto que nos restantes grandes países as variações foram marginais (Reino Unido: + 0,5 pontos, França: - 0,2 pontos, Espanha: +0,3 pontos). Em Portugal registou-se uma queda de 2,2 pontos para 88,5 pontos, que corresponde ao valor mais baixo desde Dezembro de 2009.
A comparação dos valores deste indicador nos diferentes países da União Europeia revela três grupos de países com situações conjunturais completamente distintas. Num primeiro grupo, temos os países onde o indicador supera os 105 pontos onde se incluem vários países do centro e norte da Europa nomeadamente a Suécia (119,5), a Alemanha (116,3), a Áustria (111,9), a Bélgica (110,8) e a Finlândia (109,9). Um segundo grupo onde o indicador está abaixo dos 95 pontos que engloba a Grécia (67,0), a Roménia (81,1), Portugal (88,5), a Espanha (90,8), a Bulgária (92,4) e muito provavelmente a Irlanda para a qual uma vez mais este indicador não foi revelado. E finalmente um terceiro grupo de países que se encontra numa situação intermédia.
A comparação dos valores deste indicador nos diferentes países da União Europeia revela três grupos de países com situações conjunturais completamente distintas. Num primeiro grupo, temos os países onde o indicador supera os 105 pontos onde se incluem vários países do centro e norte da Europa nomeadamente a Suécia (119,5), a Alemanha (116,3), a Áustria (111,9), a Bélgica (110,8) e a Finlândia (109,9). Um segundo grupo onde o indicador está abaixo dos 95 pontos que engloba a Grécia (67,0), a Roménia (81,1), Portugal (88,5), a Espanha (90,8), a Bulgária (92,4) e muito provavelmente a Irlanda para a qual uma vez mais este indicador não foi revelado. E finalmente um terceiro grupo de países que se encontra numa situação intermédia.
Dois artigos de Krugman
Nos útlimos dias publicou dois excelentes artigos sobre a crise na zona Euro. O último intitula-se "Spanish prisoner" e apesar de conter uma referência a Portugal, considerando que é geralmente apontado como o próximo "dominó", centra-se na Espanha e consiste basicamente numa avaliação das perspectivas económicas deste país concluindo que no contexto do euro a única opção para a Espanha será uma "desvalorização interna" ou seja um corte dos preços e salários que normalmente para funcionar exige vários anos de altas taxas de desemprego, concluindo que a alternativa de saída do euro não será melhor o que justifica o título do artigo. Krugman não o diz mas o cenário para Portugal é idêntico.
O outro artigo já tem alguns dias e intitula-se "Eating the Irish" e versa sobretudo a questão da "nacionalização" de dívidas privadas que, como Krugman refere, serviram para financiar uma loucura especulativa "driven by runaway banks and real estate developers, all in a cozy relationship with leading politicians. The frenzy was financed with huge borrowing on the part of Irish banks, largely from banks in other European nations." que quando a bolha reventou iomplicou perdas gigantescas para os bancos que foram cobertas pelo Estado (ou seja pelos contribuintes). Como salienta Krugman "These debts were incurred, not to pay for public programs, but by private wheeler-dealers seeking nothing but their own profit. Yet ordinary Irish citizens are now bearing the burden of those debts." Concluindo depois com uma comparação com a situação da Islândia que "let foreign lenders to its runaway banks pay the price of their poor judgment, rather than putting its own taxpayers on the line to guarantee bad private debts".
O outro artigo já tem alguns dias e intitula-se "Eating the Irish" e versa sobretudo a questão da "nacionalização" de dívidas privadas que, como Krugman refere, serviram para financiar uma loucura especulativa "driven by runaway banks and real estate developers, all in a cozy relationship with leading politicians. The frenzy was financed with huge borrowing on the part of Irish banks, largely from banks in other European nations." que quando a bolha reventou iomplicou perdas gigantescas para os bancos que foram cobertas pelo Estado (ou seja pelos contribuintes). Como salienta Krugman "These debts were incurred, not to pay for public programs, but by private wheeler-dealers seeking nothing but their own profit. Yet ordinary Irish citizens are now bearing the burden of those debts." Concluindo depois com uma comparação com a situação da Islândia que "let foreign lenders to its runaway banks pay the price of their poor judgment, rather than putting its own taxpayers on the line to guarantee bad private debts".
Behind the curve
Foram hoje anunciados os detalhes do plano de resgate da Irlanda que vai obter 85 mil mihões de euros a uma taxa média de 5,83% a reembolsar em 7 anos, concedendo-se à Irlanda um prazo até 2015 para reduzir o défice para 3%. De acordo com esta notícia da Bloomberg há ainda que assinalar dois desenolvimentos importantes: i) o acordo de principio quanto ao mecanismo de estabilização pós 2013 ficando claro que a participação dos privados num futuro plano de resgate não terá carácter automático e ii) a extensão do prazo de reembolso concedido à Grécia em 4 anos e meio (de 2013 para 2017).
Estas iniciativas destinam-se a responder a dois dos factores que vinham sendo apontados como responsáveis pelo recente aumento dos custos de financiamento dos países da periferia, pelo que seria de esperar que permitissem um alívio das actuais dificuldades de colocação da dívida por estes países. Julgo, no entanto, que infelizmente esse alívio será limitado pois, para além de alguma falta de clareza quanto ao funcionamento do futuro mecanismo de assistência, a verdade é que as pressões dos mercados têm bases mais profundas que se prendem com dúvidas quanto à solvabilidade dos países afectados e a própria sustentabilidade do euro que estas medidas não afastam.
PS: De acordo com este documento 17,5 mil milhões de euros provêm da própria Irlanda, sendo a contribuição externa é de "apenas" 67,5 mil milhões de euros (45 mil milhões asseugurados pela União Europeia e 22,5 mil milhões pelo FMI).
Estas iniciativas destinam-se a responder a dois dos factores que vinham sendo apontados como responsáveis pelo recente aumento dos custos de financiamento dos países da periferia, pelo que seria de esperar que permitissem um alívio das actuais dificuldades de colocação da dívida por estes países. Julgo, no entanto, que infelizmente esse alívio será limitado pois, para além de alguma falta de clareza quanto ao funcionamento do futuro mecanismo de assistência, a verdade é que as pressões dos mercados têm bases mais profundas que se prendem com dúvidas quanto à solvabilidade dos países afectados e a própria sustentabilidade do euro que estas medidas não afastam.
PS: De acordo com este documento 17,5 mil milhões de euros provêm da própria Irlanda, sendo a contribuição externa é de "apenas" 67,5 mil milhões de euros (45 mil milhões asseugurados pela União Europeia e 22,5 mil milhões pelo FMI).
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Notícias da Irlanda
O Governo irlandês anunciou hoje o seu plano de recuperação nacional para o período 2011-2014 no qual projecta um ajustamento brutal de 15 mil milhões de euros dos quais 6 mil milhões a efectuar já em 2011 para obter um défice de 9,1% do PIB em 2011 e abaixo do 3% em 2014. No seu conjunto o plano envolve 10 mil milhões de euros de corte na despesa - entre as medidas mais dramáticas refira-se o corte de 2,8 mil milhões de euros nos benefícios sociais e uma redução de 25 mil funcionários públicos - e 5 mil milhões de aumento da receita fiscal - sobretudo através do aumento do IVA para 22% em 2011 e 23% em 2014, do aumento dos impostos sobre as pessoas singulares e da redução dos benefícios fiscais. O plano baseia-se, no entanto, em projecções macroeconómicas irrealistas prevendo um crescimento médio anual no período de 2,75% e uma redução do desemprego dos actuais cerca de 13,5%, em 2010, para valores abaixo dos 10%, em 2014, que comprometem a credibilidade de um plano já colocado em dúvida por incertezas políticas.
Para piorar o cenário os mercados parecem não estar muito convencidos de que a intervenção do FMI/FEEF será suficiente para resolver os problemas financeiros e ontem assisitiu-se a uma derrocada das cotações dos principais bancos irlandeses (hoje as cotações do AIB recuperaram ligeiramente mas as acções do Bank of Ireland afundaram mais 11%), por receios de que possa estar iminente uma nacionalização ou, pelo menos, uma diluição considerável do valor das acções, o que coloca um grande ponto de interrogação sobre os resultados dos famosos testes de "stress" anunciados em Julho em que ambos os bancos passaram (ver aqui e aqui).
PS: Entretanto, está a ser noticiado que o Ministro Teixeira dos Santos irá reunir-se amanhã com os presidentes da CGD, BCP, BES e BPI.
Para piorar o cenário os mercados parecem não estar muito convencidos de que a intervenção do FMI/FEEF será suficiente para resolver os problemas financeiros e ontem assisitiu-se a uma derrocada das cotações dos principais bancos irlandeses (hoje as cotações do AIB recuperaram ligeiramente mas as acções do Bank of Ireland afundaram mais 11%), por receios de que possa estar iminente uma nacionalização ou, pelo menos, uma diluição considerável do valor das acções, o que coloca um grande ponto de interrogação sobre os resultados dos famosos testes de "stress" anunciados em Julho em que ambos os bancos passaram (ver aqui e aqui).
PS: Entretanto, está a ser noticiado que o Ministro Teixeira dos Santos irá reunir-se amanhã com os presidentes da CGD, BCP, BES e BPI.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Irish aftermath
Infeliz (mas não inesperadamente) o anúncio do apoio à Irlanda não parece não ter sido suficiente para tranquilizar os mercados quanto à situação das finanças públicas portuguesas e o yield da dívida pública a 10 anos voltou hoje a subir para valores próximos dos 7%, num dia em que voltaram a surgir notícias sobre as fragilidades do nosso sistema bancário, chamando a atenção para a sua (excessiva) dependência do financiamento junto do BCE.
Neste contexto em que parece inevitável o recurso ao FMI e ao Fundo de Estabilização Europeu, será ainda mais interessante o paper publicado pelo FMI intitulado "Lifting Euro Area Growth: Priorities for Structural Reforms and Governance" onde os países do sul da Europa surgem como aqueles surgem como aqueles onde os "atrasos" nas reformas estruturais será mais elevado (ver tabela da página 8) e se considera o mercado de trabalho e a melhoria do ambiente empresarial como a área prioritária a intervir. Diga-se no entanto que as medidas específicas propostas para Portugal (página 22) não parecem particularmente originais:
"- Promote firm level wage bargaining to allow companies to opt-out from industry-wide arrangements
- Reduce severance payments (which area above EU average level) both for fair and unfair dismissals
- Relax employment protection for regular workers with a view to reducing protection gap with temporary workers
- Relax working time regulations to help reduce cyclical employment losses
- Promote vocational training to raise labor quality
- Streamline licensing processes for businesses and more generally accelerate the implementation of the authorities' SIMPLEX program
- Expedite the revision of existing legislation to make it compatible with the EU Service Directive
- Resume the privatization process and expand performance monitoring of state-owned enterprises".
Neste contexto em que parece inevitável o recurso ao FMI e ao Fundo de Estabilização Europeu, será ainda mais interessante o paper publicado pelo FMI intitulado "Lifting Euro Area Growth: Priorities for Structural Reforms and Governance" onde os países do sul da Europa surgem como aqueles surgem como aqueles onde os "atrasos" nas reformas estruturais será mais elevado (ver tabela da página 8) e se considera o mercado de trabalho e a melhoria do ambiente empresarial como a área prioritária a intervir. Diga-se no entanto que as medidas específicas propostas para Portugal (página 22) não parecem particularmente originais:
"- Promote firm level wage bargaining to allow companies to opt-out from industry-wide arrangements
- Reduce severance payments (which area above EU average level) both for fair and unfair dismissals
- Relax employment protection for regular workers with a view to reducing protection gap with temporary workers
- Relax working time regulations to help reduce cyclical employment losses
- Promote vocational training to raise labor quality
- Streamline licensing processes for businesses and more generally accelerate the implementation of the authorities' SIMPLEX program
- Expedite the revision of existing legislation to make it compatible with the EU Service Directive
- Resume the privatization process and expand performance monitoring of state-owned enterprises".
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
PIB e emprego em Portugal
Os dados provisórios do INE para a evolução do PIB no terceiro trimestre apontam para um crescimento de 0,4% face ao trimestre anterior e de 1,5% face ao período homologo, o que constitui um resultado positivo não só pelo valor em si (o crescimento face ao trimestre anterior está em linha com o registado na União Europeia onde no entanto a taxa de crescimento homóloga se situa nos 2,1%), mas sobretudo pelo facto de se basear num crescimento das exportações correspondendo assim a uma redução do défice externo. O aspecto menos positivo, apesar de esperado, destes dados parece ser a continuação do comportamento negativo do investimento. Refira-se ainda que este valor implica que caso o PIB se mantivesse neste nível o crescimento médio do PIB em 2010 face a 2009 seria de 1,6%.
Esta evolução do PIB que está agora "apenas" cerca de 1,9% abaixo do valor registado no terceiro trimestre de 2008 não foi, no entanto, suficiente para impedir um novo aumento da taxa de desemprego para cerca de 10,9%. Sendo de assinalar que a estimativa do número de desempregados ultrapassou pela primeira vez os 600 mil, registando-se um aumento de 175,7 mil desempregados e uma redução de 232,2 mil empregos face aos valores do terceiro trimestre de 2008. O que significa que a redução do emprego (cerca de 4,5%) foi significativamente superior à redução do PIB e que se registou um aumento do produto médio por trabalhador.
Esta evolução do PIB que está agora "apenas" cerca de 1,9% abaixo do valor registado no terceiro trimestre de 2008 não foi, no entanto, suficiente para impedir um novo aumento da taxa de desemprego para cerca de 10,9%. Sendo de assinalar que a estimativa do número de desempregados ultrapassou pela primeira vez os 600 mil, registando-se um aumento de 175,7 mil desempregados e uma redução de 232,2 mil empregos face aos valores do terceiro trimestre de 2008. O que significa que a redução do emprego (cerca de 4,5%) foi significativamente superior à redução do PIB e que se registou um aumento do produto médio por trabalhador.
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