A decisão do BCE de manter as condições de cedência de liquidez enquanto for necessário e, pelo menos, até 12 de Abril de 2011 e de continuar a comprar dívida soberna no mercado secundário conduziu a uma queda de 0,504 pontos percentuais (para 6,14%) do yield das obrigações genéricas a 10 anos da dívida portuguesa.
A evolução recente dos mercados com o aumento da pressão sobre as dívidas da Espanha e da Itália estavam a assumir dimensões procupantes que importava atalhar o que, pelo menos para já, parece ter sido conseguido. Resta, no entanto, saber em que medida esta descida, que se concentrou num período extraordinariamente curto, se deveu à reacção dos mercados às palavras do presidente do BCE ou a aquisições desta instituição e, sobretudo, se os sinais positivos de hoje serão, ou não, confirmados pela evolução das cotações nos próximos dias e semanas.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
ISM
O relatório do ISM hoje divulgado indicou uma queda do índice de 0,3 pontos para 56,6 pontos, o que indica uma continuação da expansão do sector industrial nos EUA, enquanto que o índice de novas encomendas desceu 2,3 pontos para os mesmos 56,6 pontos o que é apesar de tudo um resultado bastante bom especialmente se atendermos a que no mês anterior, depois de 4 quedas consecutivas, esta componente tinha registado um aumento de 7,8 pontos e se colocavam algumas questões quanto à sustentabilidade dessa recuperação que os números de hoje vieram de alguma forma atenuar.
À espera do BCE
Foi um dia de alívio da pressão quer sobre os juros da dívida pública com a taxa de juro das obrigações genéricas a 10 anos a cair para os 6,645% quer sobre as cotações dos principais bancos portugueses com as acções do BCP a recuperarem mais de 6% e as do BPI e do BES a subirem mais de 3%. O que parece estar relacionado com dados positivos relativamente à evolução da indústria e sobretudo com a expectativa de que o BCE poderá anunciar já amanhã nomeadamente através do anúncio de um incremento significativo do volume das suas compras de títulos de dívida pública de países da zona euro.
Entretanto, no leilão de BT realizado hoje o IGCP colocou 500 milhões de euros à taxa média de 5,281% (com a taxa mínima a situar-se nos 5% e a de corte nos 5,4%) o que representa uma subida de 0,468 pp face à emissão realizada no passado dia 17 de Novembro e mais de 2 pp relativamente à taxa do leilão de 3 de Novembro o que ilustra o agravamento muito significativo dos custos de (re)financiamento da República.
Entretanto, no leilão de BT realizado hoje o IGCP colocou 500 milhões de euros à taxa média de 5,281% (com a taxa mínima a situar-se nos 5% e a de corte nos 5,4%) o que representa uma subida de 0,468 pp face à emissão realizada no passado dia 17 de Novembro e mais de 2 pp relativamente à taxa do leilão de 3 de Novembro o que ilustra o agravamento muito significativo dos custos de (re)financiamento da República.
Mais más notícias
Foi um dia repleto de mais más notícias. Primeiro com o economista-chefe do Citigroup a considerar que Portugal (conjuntamente com a Grécia, Irlanda e provavelmente também a Espanha) são insolventes e colocar dúvidas quanto à suficiência do FEEF. Depois a S&P a considerar que a economia portuguesa irá contrair-se 2% em 2011 e a colocar o rating sob vigilância, sendo curioso de notar que uma das razões para uma eventual descida do rating da República reside no facto de Portugal poder ter de recorrer ao FEEF e os créditos que virem a ser concedidos nesse âmbito poderem vir a ter preferência sobre os créditos privados.
No que diz respeito a Portugal é ainda cada vez mais preocupante o comportamento das cotações das acções dos nossos bancos, em especial do BCP e do BES, influenciadas pelas preocupações com a exposição da banca nacional à dívida pública portuguesa e, naturalmente, com as desaniomadoras perspectivas para a economia portuguesa.
A nível europeu depois de Grécia, Irlanda, Portugal (que todos os analistas internacionais consideram que irá ser intervencionado) e Espanha a crise da dívida pública europeia está a estender-se à Itália (que mereceu um post de Krugman e uma análise aprofundada da Reuters) e até a França sentiu a necessidade de vir dizer que não é Portugal (onde é que já ouvimos isto ?), o que deve estar a fazer perder muitas horas de sono em Berlim, Bruxelas e Frankfurt e ameaça provocar mais um fim de semana intenso à espera de decisões do Ecofin.
No que diz respeito a Portugal é ainda cada vez mais preocupante o comportamento das cotações das acções dos nossos bancos, em especial do BCP e do BES, influenciadas pelas preocupações com a exposição da banca nacional à dívida pública portuguesa e, naturalmente, com as desaniomadoras perspectivas para a economia portuguesa.
A nível europeu depois de Grécia, Irlanda, Portugal (que todos os analistas internacionais consideram que irá ser intervencionado) e Espanha a crise da dívida pública europeia está a estender-se à Itália (que mereceu um post de Krugman e uma análise aprofundada da Reuters) e até a França sentiu a necessidade de vir dizer que não é Portugal (onde é que já ouvimos isto ?), o que deve estar a fazer perder muitas horas de sono em Berlim, Bruxelas e Frankfurt e ameaça provocar mais um fim de semana intenso à espera de decisões do Ecofin.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Previsões de Outono da Comissão Europeia
A Comissão Europeia divulgou hoje as suas previsões de Outono para 2011 e 2012 projectando um ligeiro abrandamento do crescimento do produto de 1,8% em 2010 para 1,7% em 2011 para o conjunto da União Europeia (e de 1,7% para 1,5% para a zona euro), prevendo-se uma descida marginal da taxa de desemprego que se manterá, em 2011, em níveis muito elevados (9,5% para a União Europeia e 10% para a zona euro).
No que se refere a Portugal as previsões da Comissão apontam para uma quebra do PIB que resulta de uma contracção da procura interna correspondente a 4% do PIB com todas as suas componentes a cair (consumo público: -6,8%, formação bruta de capital fixo: -3,2% e consumo privado -2,8%) parcialmente compensada pela contribuição positiva da procura externa associada a um aumento das exportações de 5,6% e uma redução de 3,2% das importações. Prevendo a Comissão que a taxa de desemprego atinja ao 11,1%, em 2011, e os 11,2% em 2012.
Uma boa notícia é a redução do défice externo de 9,5%, em 2010, para 6,7%, em 2011, e 5,3% em 2012, o que significaria uma evolução bastante significativa de uma variável num contexto macroeconómico, apesar de tudo, relativamente benigno. Mais preocupante é o facto de que nas projecções da Comissão Europeia o défice orçamental ficaria acima dos valores definidos no PEC situando-se em 4,9%, em 2011, e 5,1%, em 2012, o que corresponde a um desvio de cerca de 0,3 pp (cerca de 500 milhões de euros) e de 2,1 pp (cerca de 3.500 milhões de euros) face aos objectivos.
No que se refere a Portugal as previsões da Comissão apontam para uma quebra do PIB que resulta de uma contracção da procura interna correspondente a 4% do PIB com todas as suas componentes a cair (consumo público: -6,8%, formação bruta de capital fixo: -3,2% e consumo privado -2,8%) parcialmente compensada pela contribuição positiva da procura externa associada a um aumento das exportações de 5,6% e uma redução de 3,2% das importações. Prevendo a Comissão que a taxa de desemprego atinja ao 11,1%, em 2011, e os 11,2% em 2012.
Uma boa notícia é a redução do défice externo de 9,5%, em 2010, para 6,7%, em 2011, e 5,3% em 2012, o que significaria uma evolução bastante significativa de uma variável num contexto macroeconómico, apesar de tudo, relativamente benigno. Mais preocupante é o facto de que nas projecções da Comissão Europeia o défice orçamental ficaria acima dos valores definidos no PEC situando-se em 4,9%, em 2011, e 5,1%, em 2012, o que corresponde a um desvio de cerca de 0,3 pp (cerca de 500 milhões de euros) e de 2,1 pp (cerca de 3.500 milhões de euros) face aos objectivos.
Indicador de Sentimento Económico
O indicador de sentimento económico para o conjunto da União Europeia e da zona euro voltou a registar um aumento significativo no mês de Novembro aumentando 1,3 pontos e 1,5 pontos, respectivamente, atingindo valores máximos desde finais de 2007 e apresentando evoluções positivas em todas os sectores à excepção da construção. Por países destaca-se o aumento de 2,5 pontos verificado na Alemanha e o de 1,4 registado na Itália, enquanto que nos restantes grandes países as variações foram marginais (Reino Unido: + 0,5 pontos, França: - 0,2 pontos, Espanha: +0,3 pontos). Em Portugal registou-se uma queda de 2,2 pontos para 88,5 pontos, que corresponde ao valor mais baixo desde Dezembro de 2009.
A comparação dos valores deste indicador nos diferentes países da União Europeia revela três grupos de países com situações conjunturais completamente distintas. Num primeiro grupo, temos os países onde o indicador supera os 105 pontos onde se incluem vários países do centro e norte da Europa nomeadamente a Suécia (119,5), a Alemanha (116,3), a Áustria (111,9), a Bélgica (110,8) e a Finlândia (109,9). Um segundo grupo onde o indicador está abaixo dos 95 pontos que engloba a Grécia (67,0), a Roménia (81,1), Portugal (88,5), a Espanha (90,8), a Bulgária (92,4) e muito provavelmente a Irlanda para a qual uma vez mais este indicador não foi revelado. E finalmente um terceiro grupo de países que se encontra numa situação intermédia.
A comparação dos valores deste indicador nos diferentes países da União Europeia revela três grupos de países com situações conjunturais completamente distintas. Num primeiro grupo, temos os países onde o indicador supera os 105 pontos onde se incluem vários países do centro e norte da Europa nomeadamente a Suécia (119,5), a Alemanha (116,3), a Áustria (111,9), a Bélgica (110,8) e a Finlândia (109,9). Um segundo grupo onde o indicador está abaixo dos 95 pontos que engloba a Grécia (67,0), a Roménia (81,1), Portugal (88,5), a Espanha (90,8), a Bulgária (92,4) e muito provavelmente a Irlanda para a qual uma vez mais este indicador não foi revelado. E finalmente um terceiro grupo de países que se encontra numa situação intermédia.
Dois artigos de Krugman
Nos útlimos dias publicou dois excelentes artigos sobre a crise na zona Euro. O último intitula-se "Spanish prisoner" e apesar de conter uma referência a Portugal, considerando que é geralmente apontado como o próximo "dominó", centra-se na Espanha e consiste basicamente numa avaliação das perspectivas económicas deste país concluindo que no contexto do euro a única opção para a Espanha será uma "desvalorização interna" ou seja um corte dos preços e salários que normalmente para funcionar exige vários anos de altas taxas de desemprego, concluindo que a alternativa de saída do euro não será melhor o que justifica o título do artigo. Krugman não o diz mas o cenário para Portugal é idêntico.
O outro artigo já tem alguns dias e intitula-se "Eating the Irish" e versa sobretudo a questão da "nacionalização" de dívidas privadas que, como Krugman refere, serviram para financiar uma loucura especulativa "driven by runaway banks and real estate developers, all in a cozy relationship with leading politicians. The frenzy was financed with huge borrowing on the part of Irish banks, largely from banks in other European nations." que quando a bolha reventou iomplicou perdas gigantescas para os bancos que foram cobertas pelo Estado (ou seja pelos contribuintes). Como salienta Krugman "These debts were incurred, not to pay for public programs, but by private wheeler-dealers seeking nothing but their own profit. Yet ordinary Irish citizens are now bearing the burden of those debts." Concluindo depois com uma comparação com a situação da Islândia que "let foreign lenders to its runaway banks pay the price of their poor judgment, rather than putting its own taxpayers on the line to guarantee bad private debts".
O outro artigo já tem alguns dias e intitula-se "Eating the Irish" e versa sobretudo a questão da "nacionalização" de dívidas privadas que, como Krugman refere, serviram para financiar uma loucura especulativa "driven by runaway banks and real estate developers, all in a cozy relationship with leading politicians. The frenzy was financed with huge borrowing on the part of Irish banks, largely from banks in other European nations." que quando a bolha reventou iomplicou perdas gigantescas para os bancos que foram cobertas pelo Estado (ou seja pelos contribuintes). Como salienta Krugman "These debts were incurred, not to pay for public programs, but by private wheeler-dealers seeking nothing but their own profit. Yet ordinary Irish citizens are now bearing the burden of those debts." Concluindo depois com uma comparação com a situação da Islândia que "let foreign lenders to its runaway banks pay the price of their poor judgment, rather than putting its own taxpayers on the line to guarantee bad private debts".
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