terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Não há almoços grátis

A ERSE apresentou uma proposta de aumento de 3,8% nas tarifas de venda em baixa tensão. Entre os factores que determinam esta variação de preços, a ERSE elenca os Custos da Produção em Regime Especial (PRE) referindo que:

"O empenho de Portugal para cumprir as metas de produção de electricidade através de fontes de energia renováveis, tem-se materializado num conjunto de incentivos económicos à Produção em Regime Especial (PRE), que inclui, para além da produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis, a produção em cogeração de energias eléctrica e térmica.
O custo médio deste tipo de produção tem sido superior ao custo da produção em centrais convencionais, sendo que o seu custo total tem vindo a aumentar ao longo do tempo pelo facto das entregas desta energia eléctrica à rede terem aumentado significativamente nos últimos anos.
Este efeito manifesta-se nas tarifas de energia eléctrica através da inclusão nos proveitos permitidos às empresas reguladas, já que é o Comercializador de Último Recurso (CUR) quem, por lei, compra a totalidade desta energia.
Para 2011, estima-se um aumento com o custo da PRE face ao valor homólogo de 2010, sendo particularmente significativo nos custos com a produção em cogeração."

PS: De acordo com o quadro da página 8 do comunicado da ERSE a dívida tarifária acumulada ascende a 1.891 milhões de euros.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Desemprego nos EUA

A taxa de desemprego nos EUA voltou a subir em Novembro situando-se agora nos 9,8% o que equivale a mais de 15 milhões de desempregados, enquanto que o número de assalariados aumentou apenas 39 mil unidades, o que terá contribuído para reforçou a tendência de recuperação do euro suportada pela continuação dos sinais de alívio da crise da dívida soberana num dia em que o yield das obrigações genéricas a 10 anos da dívida portuguesa desceram mais 21 pontos base fechando a semana abaixo dos 6%.

Um artigo de Eichengreen

Barry Eichengreen ewscreveu um artigo, do qual felizmente o blog Irish Economy publicou uma tradução integral em inglês sobre o programa de apoio à Irlanda no qual considera que este programa apenas adia o problema e que o encargos para a economia irlandesa associados ao mesmo poderão dentro de alguns anos ascender a cerca de 10% do PIB e que essa situação não é politicamente sustentável, comparando-a mesmo com a situação da Alemanha no pós I Guerra Mundial, nem economicamente sustentável porque irá exigir uma "desvalorização interna" dos salários e cortes orçamentais incomportáveis.

Sintomaticamente este artigo surge ao mesmo tempo de um artigo de Kevin O'Rourke (reproduzido por Krugman no seu blog) onde refere:

"(...) we are about to have a general election, and if Brussels thinks that this deal is not going to be the big issue in that election, then they are even more out of touch than we already think they are. It is no longer even certain that the budget will be passed in December. Brussels may not have a Plan B, but they had better prepare one nonetheless.
Irish citizens may bring down the bailout of foreign bank creditors by voting at the ballot box, but if they do not, they will bring about a default of some kind by voting with their feet. We now face a negative spiral in which austerity causes emigration, which increases the burden of the debt, which ultimately leads to more austerity. (...)
Iceland is an obvious model for us. In a referendum, her voters have already rejected a proposal to pay back their banks’ creditors, who will take major losses. Now they have elected a constitutional assembly charged with drafting a new constitution. Ireland probably needs this more than does Iceland; I wish I were more confident that we will follow the latter’s example."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A reacção à decisão do BCE

A decisão do BCE de manter as condições de cedência de liquidez enquanto for necessário e, pelo menos, até 12 de Abril de 2011 e de continuar a comprar dívida soberna no mercado secundário conduziu a uma queda de 0,504 pontos percentuais (para 6,14%) do yield das obrigações genéricas a 10 anos da dívida portuguesa.

A evolução recente dos mercados com o aumento da pressão sobre as dívidas da Espanha e da Itália estavam a assumir dimensões procupantes que importava atalhar o que, pelo menos para já, parece ter sido conseguido. Resta, no entanto, saber em que medida esta descida, que se concentrou num período extraordinariamente curto, se deveu à reacção dos mercados às palavras do presidente do BCE ou a aquisições desta instituição e, sobretudo, se os sinais positivos de hoje serão, ou não, confirmados pela evolução das cotações nos próximos dias e semanas.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ISM

O relatório do ISM hoje divulgado indicou uma queda do índice de 0,3 pontos para 56,6 pontos, o que indica uma continuação da expansão do sector industrial nos EUA, enquanto que o índice de novas encomendas desceu 2,3 pontos para os mesmos 56,6 pontos o que é apesar de tudo um resultado bastante bom especialmente se atendermos a que no mês anterior, depois de 4 quedas consecutivas, esta componente tinha registado um aumento de 7,8 pontos e se colocavam algumas questões quanto à sustentabilidade dessa recuperação que os números de hoje vieram de alguma forma atenuar.

À espera do BCE

Foi um dia de alívio da pressão quer sobre os juros da dívida pública com a taxa de juro das obrigações genéricas a 10 anos a cair para os 6,645% quer sobre as cotações dos principais bancos portugueses com as acções do BCP a recuperarem mais de 6% e as do BPI e do BES a subirem mais de 3%. O que parece estar relacionado com dados positivos relativamente à evolução da indústria e sobretudo com a expectativa de que o BCE poderá anunciar já amanhã nomeadamente através do anúncio de um incremento significativo do volume das suas compras de títulos de dívida pública de países da zona euro.

Entretanto, no leilão de BT realizado hoje o IGCP colocou 500 milhões de euros à taxa média de 5,281% (com a taxa mínima a situar-se nos 5% e a de corte nos 5,4%) o que representa uma subida de 0,468 pp face à emissão realizada no passado dia 17 de Novembro e mais de 2 pp relativamente à taxa do leilão de 3 de Novembro o que ilustra o agravamento muito significativo dos custos de (re)financiamento da República.

Mais más notícias

Foi um dia repleto de mais más notícias. Primeiro com o economista-chefe do Citigroup a considerar que Portugal (conjuntamente com a Grécia, Irlanda e provavelmente também a Espanha) são insolventes e colocar dúvidas quanto à suficiência do FEEF. Depois a S&P a considerar que a economia portuguesa irá contrair-se 2% em 2011 e a colocar o rating sob vigilância, sendo curioso de notar que uma das razões para uma eventual descida do rating da República reside no facto de Portugal poder ter de recorrer ao FEEF e os créditos que virem a ser concedidos nesse âmbito poderem vir a ter preferência sobre os créditos privados.

No que diz respeito a Portugal é ainda cada vez mais preocupante o comportamento das cotações das acções dos nossos bancos, em especial do BCP e do BES, influenciadas pelas preocupações com a exposição da banca nacional à dívida pública portuguesa e, naturalmente, com as desaniomadoras perspectivas para a economia portuguesa.

A nível europeu depois de Grécia, Irlanda, Portugal (que todos os analistas internacionais consideram que irá ser intervencionado) e Espanha a crise da dívida pública europeia está a estender-se à Itália (que mereceu um post de Krugman e uma análise aprofundada da Reuters) e até a França sentiu a necessidade de vir dizer que não é Portugal (onde é que já ouvimos isto ?), o que deve estar a fazer perder muitas horas de sono em Berlim, Bruxelas e Frankfurt e ameaça provocar mais um fim de semana intenso à espera de decisões do Ecofin.