domingo, 9 de janeiro de 2011

O recurso ao FMI

A evolução da taxa de juro da dívida pública portuguesa na última semana, com o yield das emissões a 10 anos a superar claramente os 7% apesar das intervenções do BCE, significa que a já reduzida margem de manobra para evitar o recurso ao FMI e ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira está a esgotar-se rapidamente, surgindo novamente notícias de que os nossos "parceiros" europeus estarão a pressionar para que Portugal solicite rapidamente um pedido de ajuda que a grande maioria dos economistas parece considerar como inevitável.

Particularmente preocupante parece-me, no entanto, a evolução das cotações bolsistas do principais bancos portugueses que afundaram para mínimos históricos pelo que significa em termos de dificuldades de financiamento da nossa economia.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Desemprego nos EUA

Em Dezembro, a taxa de desemprego nos EUA descceu 0,4 pontos percentuais (para 9,4%). A descida foi inflaccionada por uma redução de 0,2 pp da população activa. Não obstante trata-se de mais um indicador da tendência positiva da economia dos EUA que é confirmado pelo aumento de 103 mil empregados por conta de outrem.

Recorde-se, no entanto, que o número de desempregados se situa próximo dos 14,5 milhões e que o número de empregos está ainda mais de 7 milhões abaixo do que se verificava em finais de 2007, pelo que ainda falta percorrer um longo, e provavelmente demorado, caminho para que a taxa de desemprego se reduza para níveis mais "normais".

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A conjuntura nos EUA e na Europa

Nos EUA, o ISM registou uma ligeira subida de 0,4 pontos (para 57 pontos) indicando a continuação da evolução positiva da actividade da industria transformadora sendo de assinalar o aumento de 4,3 pontos (para 60,9 pontos) da componente "novas economendas", enquanto que nos serviços o aumento foi de 2,1 pontos para 57,1.

Entretanto, na União Europeia, o Indicador de Sentimento Económico registou em Dezembro uma subida de 1,0 pontos (para 106,1), verificando-se evoluções positivas nas prinicipais economias à excepção da Espanha onde se verificou uma queda de 0,9 pontos. A evolução deste indicador continua a revelar uma Europa a duas velocidades, existindo uma acentuada divergência entre a situação das economias do centro e norte da Europa (Alemanha, França, Países Baixos, Bélgica e Suécia) nos quais este indicador está claramente acima da média de longo prazo e os países periféricos do Sul da Europa (Bulgária, Grécia, Espanha, Itália, Portugal e Roménia).

domingo, 19 de dezembro de 2010

O "sucesso" da Letónia

Via Krugman chegamos a este post do blog Yglesias que cita declarações de Klaus Regling, administrador do FEEF em que aponta a Letónia como um exemplo de "sucesso" de uma união monetária sem união fiscal e uma demosntração de que as políticas defendidas pela Comissão Europeia funcionam.

Para quem estiver menos familiarizado com a evolução da economia da Lituânia Letónia adverte-se que este caso de "sucesso" traduziu-se, entre 2008 e 2009, numa queda de mais de 25% do PIB (real) (!!) e que o desemprego  ultrapassa os 20%. Se isto é um exemplo de sucesso será melhor nem sequer imaginar um cenário de fracasso.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A evolução das exportações

Um aspecto francamente positivo da evolução da economia portuguesa em 2010 tem sido a evolução das suas exportações.

Esta evolução favorável parece, no entanto, estar longe de constituir um caso excepcional no contexto internacional como confirmam os dados hoje divulgados pelo Eurostat relativamente à evolução do comércio externo nos primeiros 9 meses do ano.

De acordo com os dados do Eurostat a evolução das exportações e do comércio intracomunitário, em Outubro as exportações (para países terceiros) do conjunto dos países da União Europeia ficaram 23% acima do valor registado em Outubro de 2009, valor que compara com um crescimento de 12,3% (divulgado pelo INE) para Portugal.

E no que se refere aos fluxos intracomunitários a situação é similar, pois enquanto os fluxos comerciais intra-comunitários registaram um crescimento de 12% as saídas de Portugal para outros países da União Europeia cresceram 9,7%.

Esta avaliação do comportamento relativo do comércio externo português é confirmada pelos dados divulgados pelo Eurostat relativos ao período Janeiro a Setembro para os diversos países da União Europeia que apontam para um crescimento das exportações portuguesas (incluindo comércio intra-comunitário) de 16% que compara favoravelmente com os registados na Irlanda (+2%), na Grécia (+3%), Dinamarca (+9%) e fica acima dos registados em países como a França (+12%), a Espanha (+13%) ou Itália (+14%), mas fica abaixo dos verificados na Alemanha (+19%), Países Baixos (+21%), República Checa (+21%), Hungria (21%), Reino Unido (21%), Polónia (+25%), Suécia (+25%), Roménia (26%) ou Bulgária (33%).

O crescimento das exportações portuguesas parece, assim, estar longe de ser um caso excepcional no panorama europeu e parece assim assentar no crescimento espectacular da procura externa fundamentalmente de países terceiros. Os dados do Eurostat revelam taxa de crescimento das exportações da União Europeia para países terceiros absolutamente impressionantes para Brasil (+53%), China (+39%), Rússia (+29%), Índia (+27%), Japão (+21%) ou EUA (+17%), para citar apenas as principais economias mundiais, e, igualmente, um crescimento muito forte das importações (incluindo aquisições intracomunitárias) das maiores economias da União Europeia: Itália (+21%), Reino Unido (+20%), Alemanha (+19%), França (+14%) e Espanha (+13%).

Refira-se, ainda, que esta evolução está associada a uma recuperação do comércio internacional para níveis próximos dos que se verificavam em 2008, antes do desencadear da crise económica e financeira que teve efeitos dramáticos sobre as exportações e importações (quer em virtude da redução da procura quer devido a problemas de financiamento), pelo que irá, naturalmente, abrandar nos próximos meses. O que significa que para a economia portuguesa possa manter taxas de crescimento das exportações idênticas às que tem vindo a registar terá que conseguir obter ganhos significativos de quota de mercado.

A Iniciativa para a Competitividade e o Emprego

O Governo aprovou no Conselho de Ministros de 5.ª feira uma resolução com um conjunto de 50 “medidas” para melhorar a competitividade da economia e “relançar” as exportações.

As “medidas” apresentadas assentam em 5 eixos: competitividade da economia e apoio às exportações; simplificação administrativa e redução dos custos de contexto para as empresas; competitividade do mercado de trabalho; reabilitação urbana e dinamização do mercado de arrendamento; e combate à informalidade, fraude e evasão fiscal e contributiva.

Um primeiro aspecto a assinalar é o número de medidas que, além de efectivamente impressionante, curiosamente corresponde exactamente ao número de reorganizações de serviços públicos anunciados no Relatório do OE para 2011 e revela um eventual fascínio pelo número 50.

Como seria de esperar as “medidas” agora anunciada são muito desiguais e nem sempre claras revelando e muitas vezes com uma redacção deficiente. Refira-se, aliás, que, regra geral, as alíneas não são minimamente concretizadas pelo que só com muito boa vontade poderão ser qualificadas como “medidas”, correspondendo, antes, um mero enunciado de intenções com carácter programático.

Neste contexto, na generalidade dos casos, não só não é possível avaliar o respectivo impacto como é difícil descortinar de que modo as “medidas” poderão vir a ser concretizadas.

Dito isto julgo que se pode salientar três “ideias” que poderão ter algum impacto positivo: i) o reforço do apoio aos seguros de crédito comercial, com a manutenção, durante o ano de 2011, de linhas específicas no valor de 3 000 milhões de euros, através de garantia pública e o reforço das linhas de crédito comercial com garantia pública para países fora da União Europeia; ii) Acelerar a execução do Quadro de Referência Estratégico Nacional 2007-2013 (QREN), fixando o objectivo de execução financeira para 2011 em 40% das suas dotações, permitindo injectar na economia um investimento superior a 5.000 milhões de euros, dos quais cerca de 3.850 milhões de euros correspondem a apoio público, através de incentivos às empresas, apoios à ciência e à qualificação e investimento em infraestruturas; e iii) a “ideia” de substituição do modelo de contratação colectiva com base sectorial para um modelo de contratação colectiva de base empresarial. Se as duas primeiras terão sobretudo um efeito conjuntural a terceira (cuja concretização antevemos difícil na medida em que corresponde a uma alteração profunda do modelo tradicional de negociação entre empresas e sindicatos) poderá vir a constituir um contributo importante para uma maior flexibilidade do mercado laboral.

Curiosamente, ou talvez não, estas medidas parecem ter passado fora dos "radares" do debate mediático que tem sido doimnado pela questão das compensações em caso de despedimento que teriam sempre um impacto muitissimo reduzido na dinamização do mercado de trabalho (que será obviamente ainda menor tornando-se absolutamente negligenciável no caso de se confirmar que apenas se aplicarão aos novos contratos).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PIB português no 3.º trimestre de 2010

Os dados hoje divulgados pelo INE indicam que no 3.º trimestre o PIB português terá ficado 1,4% acima do valor registado no período homólogo de 2009 e 0,3% acima do registado no trimestre anterior.

Este resultado ficou a dever-se ao bom comportamento da procura externa associado ao forte crescimento das exportações (9,2%) e à desaceleração das importações (1,5%) uma vez que o contributo da procura interna (-0,7%) foi negativo, devido à forte contracção do investimento (-8,6%) e ao moderado crescimento do consumo das famílias (1,3%) e das administrações públicas (0,3%).

De assinalar ainda que nos últimos 4 trimestres corresponderam a 8,2% do PIB. Valor ainda demasiado elevado mas que representa uma redução substancial (- 1,7 pontos percentuais) face aos valor que se registava há um ano atrás.

O elemento mais preocupante será a forte queda do investimento face ao período homólogo. Deve, no entanto, registar-se que, embora o investimento tenha caído 3,1% face ao trimestre anterior, este comportamento negativo ficou a dever-se à redução dos stocks e à FBCF em equipamento de transporte (-5,5% face ao trimestre anterior) tendo a FBCF em Outras máquinas e equipamentos, que regista uma descida homóloga de 14,4%, aumentado 1,7% relativamente ao 2.º trimestre.

Por sua vez, a FBCF em construção aumentou 0,9% face ao 2.º trimestre situando-se, no entanto, ainda em níveis historicamente muito baixos e que correspondem a uma quebra de 37,2% face ao valor máximo registado no 4.º trimestre de 2001.