quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Reestruturação da dívida soberana

A grande notícia dos últimos dias tem sido o facto de cada vez mais se falar abertamente na possibilidade de reestruturação da dívida soberana. Parecem ser cada vez menos aqueles que acreditam que, nomeadamente, a Grécia irá consguir satisfazer a totalidade dos seus compromissos.

Pessoalmente tendo a concordar com essas análises e penso que o facto de essa hipótese estar a ser colocada em cima da mesa constitui um sinal positivo de que a Europa será capaz de enfrentar os seus problemas, o que é um primeiro passo para os resolver.

No entanto, estas notícias pode ter um efeito preverso sobre a capacidade dos outros Estados mais débeis, sobretudo Portugal e Espanha, se financiarem no mercado e, por isso, parece-me fundamental que se verifique um aumento do FEEF que torne absolutamente claro que, caso necessário, estarão disponíveis os recursos necessários para um eventual apoio a Espanha.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Yields da dívida soberana

A notícia de que os ministros das financças da zona euro recusaram uma expansão do fundo de estabilização conduziu a uma subida das txas de juro da dívida portuguesa com os yields a 10 anos a fixarem-se nos 7,07%, os yields da dívida a 5 anos a atingir os 6,21% e os yields a 2 anos os 4,43%. Tendo igualmente afectado, embora em menor grau, as taxas de juro da dívida soberana espanhol.

Curiosamente esta informação não parece, contudo, ter afectado adversamente o euro nem as cotações dos bancos portugueses.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A crise da zona euro e situação de Portugal segundo a revista Economist

Na sua última edição, a revista Economist publica uma série de três artigos sobre a crise da zona Euro, cuja principal ideia é a de que a estratégia que está a ser seguida para conter a crise da dívida soberana dos países da zona euro está fracassar, considerando como virtualmente inevitável uma reestruturação da dívida em pelo menos alguns dos países da zona euro.

Segundo o Economist, a situação dos diversos países não é contudo idêntica. Enquanto que no caso da Grécia, mesmo com taxas de juro subsidiadas o peso do serviço da dívida será insuportável, no caso de Portugal e Irlanda os seus cálculos indicam que seria possível uma estabilização dos rácios de dívida caso as taxas de juro se situassem em níveis próximos dos 4%. Colocando, no entanto, um grande ponto de interrogação relacionado com a eventual necessidade de apoios adicionais aos respectivos sistemas financeiros.

Um ponto a salientar neste conjunto de artigos (onde se faz uma análise bastante interessante da evolução da economia portuguesa na última década associando o seu fraco desempenho à concorrência primeiro dos países asiáticos nos sectores tradicionais e depois dos países do alargamento) são as dúvidas quanto à saúde do nosso sistema bancário. A respeito do qual se refere que "Portugal says its banks are sound. But the combination of capital inflows and low productivity hints at wasteful investments and bad-debt problem".

sábado, 15 de janeiro de 2011

A (falta de) transparência na colocação da dívida pública

Os termos e condições que Portugal terá eventualmente oferecido para assegurar a colocação da dívida pública, junto de alguns países amigos quer no leilão do passado dia 12 de Janeiro quer numa operação de colocação directa de 1,1 mil milhões de euros (ver aqui, aqui e aqui) foi objecto de justificada chamada de atenção por parte de Daniel Bessa relativamente às eventuais contrapartidas políticas que possam ter sido prometidas, posição já secundada por Vitor Bento no blog da Sedes.

Com efeito como se referiu no Alphaville não é claro "what countries with relatively small stocks of debt, but incredibly poor sustainability of that debt (such as Portugal!) have to gain from MTNs. Or, more to the point — what investors get out of the notes, either". E, também não é clara a leitura destas   operações pois como também se refere no mesmo post "private placing signals something about a country’s assessment of its own standing in the market, for all the stability that a placement offers. On the other, it shows resourcefulness on the part of Portuguese debt managers".

Inflação nos EUA

Os dados ontem divulgados pelo BLS indicam que uma taxa de crescimento dos preços no consumidor nos últimos 12 meses de 1,5% (que compara com os 2,7% registados em 2009) e, mais importante, uma taxa de crescimento dos preços excluindo as componentes mais voláteis dos produtos energéticos e alimentares de somente 0,6% e que corresponde ao valor mais baixo desde 1958.

O que significa que, como seria de esperar dada a conjugação do elevado nível de desemprego nos EUA com a flexibilidade desta economia, existirão todas as condições para que a Reserva Federal prolongue (ou até intensique) a sua actual política monetária acomodatícia durante um período prolongado.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Vamos ser racionais ?

É o título, com ponto de interrogação e tudo, de uma série de 3 posts de Vitor Bento publicados no blog da SEDES (primeiro, segundo e terceiro) onde procura desmistificar o "papão" do FMI.

Parece-me, apenas, que omite um argumento contra a intervenção do FMI que é o facto de essa intervenção poder implicar um estigma com efeitos sobre a credibilidade do país perante os credores que poderá eventualmente perdurar por vários anos ou décadas. Dito isto, infelzimente, correndo o risco de ser acusado de falta de patriotismo e esperando que os acontecimentos revelem que estou errado julgo que tem razão num ponto essencial: o de que na actual situação será inevitável o recurso a alguma forma de auxilio externo (que aliás já está a ocorrer via intervenção do BCE no mercado secundário) e que não reconhecer essa realidade poderá contribuir para agravar o problema.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O comunicado do BCE

O BCE decidiu manter as suas taxas de juro e manteve a sua posição relativamente às medidas excepcionais:

"The stance, the provision of liquidity and the allotment modes will be adjusted as appropriate, taking into account the fact that all the non-standard measures taken during the period of acute financial market tensions are, by construction, temporary in nature. Accordingly, the Governing Council will continue to monitor all developments over the period ahead very closely."

Registe-se, no entanto, a alteração significativa do comunicado na parte em que se refere à inflação, relativamente à qual ressalta a passagem:

"Overall, we see evidence of short-term upward pressure on overall inflation, stemming largely from global commodity prices. While this has not so far affected our assessment that price developments will remain in line with price stability over the policy-relevant horizon, very close monitoring of price developments is warranted." (meu sublinhado)

E, igualmente, o facto de onde no comunicado de enquanto no comunicado de 2 de Dezembro, o BCE referia:

"Risks to the outlook for price developments are broadly balanced."

No de hoje refere-se o seguinte:

"Risks to the medium-term outlook for price developments are still broadly balanced but could move to the upside." (meu sublinhado)

O que denota claramente uma maior preocupação do BCE com a evolução dos preços na zona euro e, em particular, com os efeitos que as recentes subidas dos prços dos produtos energéticos e alimentares poderão ter sobre a evolução do nível de inflação no médio prazo.