E acordo com a estimativa rápida do INE, no quarto trimestre de 2010 o PIB português contraiu-se 0,3% face ao trimestre anterior. Comparativamente com o trimestre homólogo de 2009 ter-se-á registado um crescimento de 1,2% (menos 0,1 pontos percentuais do que no trimestre anterior), e no conjunto do ano um aumento de 1,4% face ao valor do PIB em 2009.
Como é habitual na estimativa rápida a informação sobre o contributo das diversas componentes é escasso, referindo o INE que, comparativamente com os resultados no 3.º trimestre, o contributo das exportações manteve-se elevado, e que se registou uma desaceleração das despesas de consumo e uma diminuição homóloga, embora menos intensa, do investimento.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Evolução da construção de edifícios em Portugal
Uma das ideias correntes é da que ao contrário do que ocorreu em outros países como a Irlanda, a Espanha, o Reino Unido ou os EUA, Portugal não teve uma bolha imobiliária.
A evolução dos fogos novos concluídos no Continente, desde 1994, revela no entanto uma história um pouco diferente. O número de fogos construídos mais do que duplicou entre 1994 e 2002 para depois cair, atingindo em 2009 valores próximos dos registados no inicio do período. E com base nos indicadores sobre a produção do sector construção divulgados na quinta-feira pelo INE, essa tendência terá continuado em 2010 com uma redução média de 12,7%, face aos valores de 2009, da construção de edifícios. Sendo de assinalar que a produção deste subsector reduziu-se em todos os anos desde 2001 até 2010. E que, em termos de média anual, o índice da construção de edifícios situou-se, em 2010, nos 66,0 (2005 = 100), o que representa uma queda acumulada de 46,4% face ao valor médio de 123,2 que corresponde ao ano de 2001.
Dados que parecem desmentir a tese de que Portugal não terá tido uma bolha imobiliária. Apesar disso, julgo que existe algumas diferenças face aos outros países mencionados. Em primeiro lugar, no caso português a queda da produção no sector da construção foi, apesar de tudo, bastante gradual - em termos de imagem poderemos dizer que em Portugal a bolha não rebentou, foi-se esvaziando. O que permitiu que a oferta se fosse ajustando à contracção da procura, pelo que contrariamente ao que sucedeu noutros países o ajustamento parece, pelo menos até agora, ter sido feito mais pelas quantidades e não tanto pelos preços, o que permitiu que os seus efeitos sobre os balanços das famílias e sobre a qualidade do crédito hipotecário não fossem tão gravosos.
A evolução dos fogos novos concluídos no Continente, desde 1994, revela no entanto uma história um pouco diferente. O número de fogos construídos mais do que duplicou entre 1994 e 2002 para depois cair, atingindo em 2009 valores próximos dos registados no inicio do período. E com base nos indicadores sobre a produção do sector construção divulgados na quinta-feira pelo INE, essa tendência terá continuado em 2010 com uma redução média de 12,7%, face aos valores de 2009, da construção de edifícios. Sendo de assinalar que a produção deste subsector reduziu-se em todos os anos desde 2001 até 2010. E que, em termos de média anual, o índice da construção de edifícios situou-se, em 2010, nos 66,0 (2005 = 100), o que representa uma queda acumulada de 46,4% face ao valor médio de 123,2 que corresponde ao ano de 2001.
Dados que parecem desmentir a tese de que Portugal não terá tido uma bolha imobiliária. Apesar disso, julgo que existe algumas diferenças face aos outros países mencionados. Em primeiro lugar, no caso português a queda da produção no sector da construção foi, apesar de tudo, bastante gradual - em termos de imagem poderemos dizer que em Portugal a bolha não rebentou, foi-se esvaziando. O que permitiu que a oferta se fosse ajustando à contracção da procura, pelo que contrariamente ao que sucedeu noutros países o ajustamento parece, pelo menos até agora, ter sido feito mais pelas quantidades e não tanto pelos preços, o que permitiu que os seus efeitos sobre os balanços das famílias e sobre a qualidade do crédito hipotecário não fossem tão gravosos.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Taxa de inflação homóloga aumenta para 3,6%
O INE anunciou ontem que em Janeiro a taxa de inflação homóloga ascendeu a 3,6%. O que representa uma subida muito significativa face aos 2,5% que se verificavam em Dezembro. Note-se que de acordo com o INE o efeito do aumento da taxa do IVA terá sido de cerca de 0,7% pelo que mesmo descontando este efeito temos uma clara tendência para a subida da taxa de inflação.
Uma análise mais detalhada da evolução dos preços face ao período homólogo revela que algumas das maiores subidas se verificaram em bens e serviços essenciais como o gás (16,6%) combustíveis (16,1%), frutas (7,3%), serviços de transporte ferroviários e rodoviários (6,9% e 5,5%), produtos hortícolas (5,9%), electricidade (4,8%), produtos farmacêuticos (4,6%) e abastecimento de água (4,2%), ou ainda as taxas de saneamento básico (22,0%) e recolha do lixo (10,4%). Em sentido contrário realce-se a descida de 6,0% nos preços do vestuário e calçado.
Uma análise mais detalhada da evolução dos preços face ao período homólogo revela que algumas das maiores subidas se verificaram em bens e serviços essenciais como o gás (16,6%) combustíveis (16,1%), frutas (7,3%), serviços de transporte ferroviários e rodoviários (6,9% e 5,5%), produtos hortícolas (5,9%), electricidade (4,8%), produtos farmacêuticos (4,6%) e abastecimento de água (4,2%), ou ainda as taxas de saneamento básico (22,0%) e recolha do lixo (10,4%). Em sentido contrário realce-se a descida de 6,0% nos preços do vestuário e calçado.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Análise dos acontecimentos de hoje no mercado da dívida pública
O dia de hoje serviu para demonstrar, aos que eventualmente ainda teriam dúvidas, que a tão propalada "confiança dos mercados" que os mercados tem demonstrado na dívida pública portuguesa assentará quase exclusivamente na ideia de que os nossos parceiros europeus estão disponíveis para nos auxiliar e no "put" (opção de venda) que na prática representam as sucessivas intervenções do BCE adquirindo a nossa dívida nos mercados secundários sempre que as yields começam a subir de forma perigosa.
O dia de hoje foi sobretudo um "teste" dos mercados à disponibilidade e prontidão do BCE para continuar a adquirir dívida portuguesa no mercado secundário, ao qual este respondeu. Sendo curioso de notar que a intervenção terá surgido quando as taxas de juro das yields das OT's a 10 anos estavam no patamar dos 7,6% e as yields das OT's a 5 anos tinham atingido os 6,9%, sendo que ambas fecharam o dia a cair ligeiramente para 7,30% e 6,52%, respectivamente.Enquanto as yields da OT's a 2 anos fecharam com uma ligeira subida face ao dia anterior fixando-se nos 4,45%.
A questão que se coloca é até quando o BCE estará disponível para manter os actuais níveis de apoio à República e ao sistema financeiro português. Pessoalmente, penso que o cenário mais provável é que o BCE manter o apoio até ao reforço e flexibilização do FEEF que deverá ser decidido em Março... a não ser claro que se torne evidente antes dessa data que não será possível o Conselho Europeu chegar a um acordo. Passada essa data, julgo que o cenário mais provável é ficarmos por nossa conta e ou conseguimos recuperar a confiança dos mercados ou seremos mesmo forçados a recorrer ao FEEF.
PS: Concordo com quase tudo o que o Vasco Campilho refere neste post do Albergue Espanhol, no sentido de que o famoso pacto para a competitividade pouco ou nada contribui para a resolução dos problemas fundamentais que a zona euro enfrenta actualmente e que uma solução a prazo deverá passar pelos dois primeiros passos que ele enuncia aqui ou seja por uma reestruturação da dívida dos países em dificuldades financeiras (i.e., Grécia, Irlanda e eventualmente Portugal) e pela recapitalização do sistema bancário, tendo, no entanto, dúvidas quanto à melhor forma de o fazer, nomeadamente quanto a saber se seria politicamente possível a criação de um fundo europeu para esse efeito. Não tenho nada de fundamental a opor ao 5.º passo, mas penso que politicamente será dificil alcançar o reforço do orçamento comunitário aí referido e não me parece que seja essencial no imediato. E sinceramente tenho dúvidas quanto à bondade quer dos Eurobonds quer de mecanismos de sanções automáticas quer ainda quanto à praticabilidade e eficácia do controlo dos desequilibrios macroeconómicos.
O dia de hoje foi sobretudo um "teste" dos mercados à disponibilidade e prontidão do BCE para continuar a adquirir dívida portuguesa no mercado secundário, ao qual este respondeu. Sendo curioso de notar que a intervenção terá surgido quando as taxas de juro das yields das OT's a 10 anos estavam no patamar dos 7,6% e as yields das OT's a 5 anos tinham atingido os 6,9%, sendo que ambas fecharam o dia a cair ligeiramente para 7,30% e 6,52%, respectivamente.Enquanto as yields da OT's a 2 anos fecharam com uma ligeira subida face ao dia anterior fixando-se nos 4,45%.
A questão que se coloca é até quando o BCE estará disponível para manter os actuais níveis de apoio à República e ao sistema financeiro português. Pessoalmente, penso que o cenário mais provável é que o BCE manter o apoio até ao reforço e flexibilização do FEEF que deverá ser decidido em Março... a não ser claro que se torne evidente antes dessa data que não será possível o Conselho Europeu chegar a um acordo. Passada essa data, julgo que o cenário mais provável é ficarmos por nossa conta e ou conseguimos recuperar a confiança dos mercados ou seremos mesmo forçados a recorrer ao FEEF.
PS: Concordo com quase tudo o que o Vasco Campilho refere neste post do Albergue Espanhol, no sentido de que o famoso pacto para a competitividade pouco ou nada contribui para a resolução dos problemas fundamentais que a zona euro enfrenta actualmente e que uma solução a prazo deverá passar pelos dois primeiros passos que ele enuncia aqui ou seja por uma reestruturação da dívida dos países em dificuldades financeiras (i.e., Grécia, Irlanda e eventualmente Portugal) e pela recapitalização do sistema bancário, tendo, no entanto, dúvidas quanto à melhor forma de o fazer, nomeadamente quanto a saber se seria politicamente possível a criação de um fundo europeu para esse efeito. Não tenho nada de fundamental a opor ao 5.º passo, mas penso que politicamente será dificil alcançar o reforço do orçamento comunitário aí referido e não me parece que seja essencial no imediato. E sinceramente tenho dúvidas quanto à bondade quer dos Eurobonds quer de mecanismos de sanções automáticas quer ainda quanto à praticabilidade e eficácia do controlo dos desequilibrios macroeconómicos.
BCE is back
De acordo com o blog Alphaville o BCE voltou ao mercado para comprar títulos da dívida portuguesa, fazendo recuar os yields que se mantém, no entanto, em níveis francamente elevados.
Subida das taxas de juro da dívida portuguesa
A subida que se está a registar hoje nos yields da dívida pública portuguesa constituem um sinal deveras preocupante (2 anos, 5 anos e 10 anos), na medida em que coloca as taxas de juro num patamar que ultrapassa claramente as taxas (cerca de 6%) que têm vindo a ser apontado por diversos analistas como o valor máximo a partir do qual a trajectória da dívida pública será insustentável.
Estamos pois perante um cenário em que os riscos de entrar num ciclo vicioso, que torne inevitável o recurso a auxílio externo e/ou a reestrutuiração da dívida, são muitissimo elevados. E que constitui um sério "teste" dos mercados ao BCE, que segundo tem sido noticiado tem estado ausente do mercado nas últimas semanas, e à capacidade da Europa em obter um acordo sobre o aumento do FEEF.
Estamos pois perante um cenário em que os riscos de entrar num ciclo vicioso, que torne inevitável o recurso a auxílio externo e/ou a reestrutuiração da dívida, são muitissimo elevados. E que constitui um sério "teste" dos mercados ao BCE, que segundo tem sido noticiado tem estado ausente do mercado nas últimas semanas, e à capacidade da Europa em obter um acordo sobre o aumento do FEEF.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Situação económica e financeira na Irlanda
Para todos os que gostem de acompanhar a evolução da situação a Irlanda, recomendo o relatório hoje divulgado pelo FMI, o qual contem um anexo com bastante informação sobre a evolução dos principais indicadores económicos que como seria de esperar não são famosos. O PIB per capita em 2010 terá sido cerca de 19,7% inferior (em termos nominais) ao de 2007, a taxa de desemprego está nos 13,3% (em 2007, era 4,6%), os preços do imobiliário ter-se-ão reduzido 40-60% (!!) e o investimento, em % do PIB, caiu de 28,0 pp, em 2006, para 11,8 pp, em 2010.
O relatório aponta para que o ponto mais baixo da recessão económica já tenha passado e que estará já em curso uma recuperação baseada num crescimento moderado das exportações.que permitiu um crescimento do PIB no 3.º trimestre face ao trimestre anterior de 0,5%. No que respeita aos objectivos orçamentais indica-se que o crescimento das receitas ficou acima do esperado e que, embora tenha havido alguma derrapagem nas despesas sociais, os objectivos fixados forma atingidos.O ponto mais vulnerável parece ser o sector financeiro que continua sob pressão, mantendo-se as dificuldades de acesso à obtenção de financiamentos nos mercados monetário e obrigacionista e os problemas com a qualidade do crédito (em Setembro a % de créditos em incumprimento rondava os 13%), referindo-se no relatório a propósito do sector bancário que:
O relatório aponta para que o ponto mais baixo da recessão económica já tenha passado e que estará já em curso uma recuperação baseada num crescimento moderado das exportações.que permitiu um crescimento do PIB no 3.º trimestre face ao trimestre anterior de 0,5%. No que respeita aos objectivos orçamentais indica-se que o crescimento das receitas ficou acima do esperado e que, embora tenha havido alguma derrapagem nas despesas sociais, os objectivos fixados forma atingidos.O ponto mais vulnerável parece ser o sector financeiro que continua sob pressão, mantendo-se as dificuldades de acesso à obtenção de financiamentos nos mercados monetário e obrigacionista e os problemas com a qualidade do crédito (em Setembro a % de créditos em incumprimento rondava os 13%), referindo-se no relatório a propósito do sector bancário que:
While the good start of the process to overhaul the Irish banking system is encouraging, the outstanding challenges are significant. Simultaneously recapitalizing, deleveraging and resolving the nonviable parts of the banking system—in a transparent and competitive manner—would be difficult even in the best of circumstances. Moreover, given that the various elements are interdependent, the inherited stress in the banking system makes implementing a comprehensive and coherent strategy a major operational challenge. For example, the deleveraging process hinges on the accuracy of the asset valuation, the difficulty of which is exacerbated due to market uncertainty.
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