quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Evolução do desemprego em Portugal

De acordo com os resultados do inquérito ao emprego ontem divulgados pelo INE, no quarto trimestre de 2010 a taxa de desemprego em Portugal situava-se nos 11,1% (619 mil desempregados), tendo a média anual de 2010 situado-se nos 10,8%.

Comparativamente com 2010, a população empregada diminui 1,5% o que corresponde a uma perda de 75,9 mil empregos. A qual é explicada sobretudo pela redução verificada nos empregados por conta própria que se reduziram em 5,9% (74,6 mil empregos). Enquanto que os empregados por conta de outrem diminuiram "apenas" 0,3% (10,8 mil empregos), uma vez que redução de 1,5% (45,8 mil) dos empregados com contratos sem termo e de 5,9% (9,1 mil) classificados em "outras situações" foi compensada por um aumento de 6,4% nos empregados contratados a termo (44,1 mil).

Por regiões ressalta a elevada taxa de desemprego registada no Algarve:14,8% no quarto trimestre de 2010 e 13,4% na média de 2010, que substituiu a Região Norte na nada invejável posição de região onde a taxa de desemprego é mais elevada.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Crescimento do PIB na zona euro

De acordo com as estimativas rápidas hoje divulgadas pelo Eurostat, no 4.º trimestre de 2010 o crescimento do PIB face ao trimestre anterior foi de 0,3% na zona euro (EA16) e de 0,2% para o conjunto da União Europeia.

Comparando com o mesmo trimestre de 2009, a taxa de crescimento situa-se nos 2,0% para a zona euro e nos 2,1% para o conjunto da União Europeia, sobressaindo os fortes crescimentos registados nos países bálticos (Estónia: 6,6%, Lituânia: 4,4% e Letónia 3,7% - onde recorde-se se registaram fortes quedas em 2008 e 2009), Finlândia (5,8%) e na Alemanha (4,0%). Enquanto, por outro lado, ressaltam as quebras do PIB verificadas na Grécia (-6,6%) e Roménia (-0,5%) e o fraco crescimento da economia espanhola (+0,6%).

Refira-se que dos 19 países da União Europeia para os quais existem dados, além de Portugal (-0,3%)apenas outros dois países (Grécia: -1,4%, país onde o PIB caiu em todos os trimestres de 2009, e Reino Unido: - 0,5%) registaram uma queda do PIB neste trimestre. E que, quando comparamos com o PIB no quarto trimestre de 2009, apenas três países (Grécia, Roménia e Espanha) apresentam taxas de crescimento inferiores à verificada em Portugal. Sendo que além destes apenas França (1,5%) e Itália (1,3%) apresentam crescimentos inferiores a 2%.

Mesmo descontando o facto de Portugal ter sido dos países europeus onde o PIB menos caiu em 2009 e, portanto, haver aqui um efeito de base, estes números não parecem ser de molde a inspirar grande confiança na capacidade de crescimento da economia portuguesa. O que conjuntamente com a indefinição relativamente às medidas de reforço e flexibilização do fundo europeu estará a contribuir para a subida das taxas de juro da dívida portuguesa, com as yields das OT's a 10 anos e das OT's a 5 anos a aproximarem-se dos 7,5% e dos 7%, respectivamente,"encostando-se" aos valores a que o BCE terá intervido no passado dia 10 de Fevereiro.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Desemprego estrutural nos EUA

Uma das polémicas mais interessantes actualmente é saber em que medida o desemprego nos EUA resulta de uma desadequação (mismatch) entre a oferta e a procura de trabalho relacionada com uma alteração da estrutura da economia americana ou de uma redução da procura agregada.

Este tema que tem implicações importantes nomeadamente para a aferição do produto potencial dos EUA e para a consequente definição das políticas económicas mais adequadas na situação actual foi objecto de um post recente de Krugman em que este apresentando o rácio do desempregados por ocupação anterior em 2010 face a 2007 chega à conclusão de que não terá existido qualquer quebra estrutural e que portanto o nível de desemprego actual seria explicado não por questões estruturais, mas sim pela redução da procura agregada.

No entanto, se em vez destes dados utilizarmos a evolução do emprego encontramos dados que dão uma imagem mais matizada. Com efeito, de acordo com os dados do BLS, entre 2007 e 2010 a queda do emprego no sector privado terá sido de cerca de 7,0%, enquanto a redução do emprego no sector da construção foi de 27,6%. O que significa que do total de 8,041 milhões de empregos perdidos 2,104 milhões (ou seja 26% do total) correspondem à redução do emprego no sector da construção, tendo o peso do emprego neste sector no total do emprego no sector privado reduzido-se de cerca de 6,6% para 5,1%. Se considerarmos que além da construção existem outros sectores como o da informação e dos serviços financeiros onde a queda do emprego (respectivamente 10,6% e 8,5%) foi mais intensa e relativamente aos quais existem razões para supor que uma parte da redução do emprego terá um carácter estrutural.

O que não sendo suficiente para  invalidar inteiramente a tese de Krugman de que a maior parte da queda do emprego (aumento do desemprego) se explica pela redução da procura agregado, parece indicar claramente que as razões estruturais terão tido uma importância não negligenciável na redução do emprego nos EUA.

PIB diminui 0,3% no 4.º trimestre de 2010

E acordo com a estimativa rápida do INE, no quarto trimestre de 2010 o PIB português contraiu-se 0,3% face ao trimestre anterior. Comparativamente com o trimestre homólogo de 2009 ter-se-á registado um crescimento de 1,2% (menos 0,1 pontos percentuais do que no trimestre anterior), e no conjunto do ano um aumento de 1,4% face ao valor do PIB em 2009.

Como é habitual na estimativa rápida a informação sobre o contributo das diversas componentes é escasso, referindo o INE que, comparativamente com os resultados no 3.º trimestre, o contributo das exportações manteve-se elevado, e que se registou uma desaceleração das despesas de consumo e uma diminuição homóloga, embora menos intensa, do investimento.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Evolução da construção de edifícios em Portugal

Uma das ideias correntes é da que ao contrário do que ocorreu em outros países como a Irlanda, a Espanha, o Reino Unido ou os EUA, Portugal não teve uma bolha imobiliária.

A evolução dos fogos novos concluídos no Continente, desde 1994, revela no entanto uma história um pouco diferente. O número de fogos construídos mais do que duplicou entre 1994 e 2002 para depois cair, atingindo em 2009 valores próximos dos registados no inicio do período. E com base nos indicadores sobre a produção do sector construção divulgados na quinta-feira pelo INE, essa tendência terá continuado em 2010 com uma redução média de 12,7%, face aos valores de 2009, da construção de edifícios. Sendo de assinalar que a produção deste subsector reduziu-se em todos os anos desde 2001 até 2010. E que, em termos de média anual, o índice da construção de edifícios situou-se, em 2010, nos 66,0 (2005 = 100), o que representa uma queda acumulada de 46,4% face ao valor médio de 123,2 que corresponde ao ano de 2001.

Dados que parecem desmentir a tese de que Portugal não terá tido uma bolha imobiliária. Apesar disso, julgo que existe algumas diferenças face aos outros países mencionados. Em primeiro lugar, no caso português a queda da produção no sector da construção foi, apesar de tudo, bastante gradual - em termos de imagem poderemos dizer que em Portugal a bolha não rebentou, foi-se esvaziando. O que permitiu que a oferta se fosse ajustando à contracção da procura, pelo que contrariamente ao que sucedeu noutros países o ajustamento parece, pelo menos até agora, ter sido feito mais pelas quantidades e não tanto pelos preços, o que permitiu que os seus efeitos sobre os balanços das famílias e sobre a qualidade do crédito hipotecário não fossem tão gravosos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Taxa de inflação homóloga aumenta para 3,6%

O INE anunciou ontem que em Janeiro a taxa de inflação homóloga ascendeu a 3,6%. O que representa uma subida muito significativa face aos 2,5% que se verificavam em Dezembro. Note-se que de acordo com o INE o efeito do aumento da taxa do IVA terá sido de cerca de 0,7% pelo que mesmo descontando este efeito temos uma clara tendência para a subida da taxa de inflação.

Uma análise mais detalhada da evolução dos preços face ao período homólogo revela que algumas das maiores subidas se verificaram em bens e serviços essenciais como o gás (16,6%) combustíveis (16,1%), frutas (7,3%), serviços de transporte ferroviários e rodoviários (6,9% e 5,5%), produtos hortícolas (5,9%), electricidade (4,8%), produtos farmacêuticos (4,6%) e abastecimento de água (4,2%), ou ainda as taxas de saneamento básico (22,0%) e recolha do lixo (10,4%). Em sentido contrário realce-se a descida de 6,0% nos preços do vestuário e calçado.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Análise dos acontecimentos de hoje no mercado da dívida pública

O dia de hoje serviu para demonstrar, aos que eventualmente ainda teriam dúvidas, que a tão propalada "confiança dos mercados" que os mercados tem demonstrado na dívida pública portuguesa assentará quase exclusivamente na ideia de que os nossos parceiros europeus estão disponíveis para nos auxiliar e no "put" (opção de venda) que na prática representam as sucessivas intervenções do BCE adquirindo a nossa dívida nos mercados secundários sempre que as yields começam a subir de forma perigosa.

O dia de hoje foi sobretudo um "teste" dos mercados à disponibilidade e prontidão do BCE para continuar a adquirir dívida portuguesa no mercado secundário, ao qual este respondeu. Sendo curioso de notar que a intervenção terá surgido quando as taxas de juro das yields das OT's a 10 anos estavam no patamar dos 7,6% e as yields das OT's a 5 anos tinham atingido os 6,9%, sendo que ambas fecharam o dia a cair ligeiramente para 7,30% e 6,52%, respectivamente.Enquanto as yields da OT's a 2 anos fecharam com uma ligeira subida face ao dia anterior fixando-se nos 4,45%.

A questão que se coloca é até quando o BCE estará disponível para manter os actuais níveis de apoio à República e ao sistema financeiro português. Pessoalmente, penso que o cenário mais provável é que o BCE manter o apoio até ao reforço e flexibilização do FEEF que deverá ser decidido em Março... a não ser claro que se torne evidente antes dessa data que não será possível o Conselho Europeu chegar a um acordo. Passada essa data, julgo que o cenário mais provável é ficarmos por nossa conta e ou conseguimos recuperar a confiança dos mercados ou seremos mesmo forçados a recorrer ao FEEF.

PS: Concordo com quase tudo o que o Vasco Campilho refere neste post do Albergue Espanhol, no sentido de que o famoso pacto para a competitividade pouco ou nada contribui para a resolução dos problemas fundamentais que a zona euro enfrenta actualmente e que uma solução a prazo deverá passar pelos dois primeiros passos que ele enuncia aqui ou seja por uma reestruturação da dívida dos países em dificuldades financeiras (i.e., Grécia, Irlanda e eventualmente Portugal) e pela recapitalização do sistema bancário, tendo, no entanto, dúvidas quanto à melhor forma de o fazer, nomeadamente quanto a saber se seria politicamente possível a criação de um fundo europeu para esse efeito. Não tenho nada de fundamental a opor ao 5.º passo, mas penso que politicamente será dificil alcançar o reforço do orçamento comunitário aí referido e não me parece que seja essencial no imediato. E sinceramente tenho dúvidas quanto à bondade quer dos Eurobonds quer de mecanismos de sanções automáticas quer ainda quanto à praticabilidade e eficácia do controlo dos desequilibrios macroeconómicos.