De acordo com o Banco de Portugal, em 2010, o défice da balança corrente terá ascendido a 17.060 milhões de euros (uma descida de 1.302 milhões de euros) enquanto que o défice conjunto da blança corrente e de capital desceu cerca de 1.850 milhões de euros para 15.119 milhões de euros (que corresponde a cerca de 8,7% do PIB). Mantendo-se ainda assim em valores que são claramente insustentáveis.
Para esta melhoria contribui sobretudo o aumento dos superávites das balanças de serviços (+723 milhões de euros) e de capitais (+548 milhões de euros), bem como a redução em cerca de 675 milhões de euros da balança de rendimentos. Já que, apesar do forte crescimento das exportações, o défice da balança de bens aumentou cerca de 136 milhões de euros.
No final de 2010 a posição de investimento líquida situava-se nos -185.551 mil milhões de euros, valor que corresponde a cerca de 108,5% do PIB e que representa uma melhoria face aos 111,1% no final do ano anterior, o que no entanto só foi possível graças às variações de preço, e cambiais, favoráveis verificadas em 2010.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Evolução dos proveitos no Turismo
De acordo com as estatísticas da Balança de Pagamentos do Banco de Portugal em 2010 ter-se-á registado um aumento de 10,2% das exportações de viagens e turismo que foi enaltecido pelo nosso primeiro ministro.
Trata-se contudo de uma rubrica onde se inclui igualmente as exportações de serviços de transporte e que é, no entanto, muito superior ao que foi divulgado pelo INE que apontam para um crescimento dos proveitos dos estabelecimentos hoteleiros, em 2010, de apenas 3,2%. E embora seja verdade que, além de serem obtidos através de metodologias diferentes, estes valores do INE incluem quer os proveitos de estadias de residentes quer de não residentes, é de notar que as dormidas de residentes aumentaram 4,4% enquanto que as de não residentes aumentaram apenas 2,2%.
Trata-se contudo de uma rubrica onde se inclui igualmente as exportações de serviços de transporte e que é, no entanto, muito superior ao que foi divulgado pelo INE que apontam para um crescimento dos proveitos dos estabelecimentos hoteleiros, em 2010, de apenas 3,2%. E embora seja verdade que, além de serem obtidos através de metodologias diferentes, estes valores do INE incluem quer os proveitos de estadias de residentes quer de não residentes, é de notar que as dormidas de residentes aumentaram 4,4% enquanto que as de não residentes aumentaram apenas 2,2%.
Portugal já está ou não em recessão ?
A definição de recessão constitui uma questão recorrente que desta vez renasceu com as divergências entre as declarações do Governador do Banco de Portugal que veio dizer que Portugal já estava em recessão técnica e que foram posteriormente contrariadas por outros, entre os quais o Presidente do Tribunal de Contas que veio dizer que "Tecnicamente ainda não estamos em situação de recessão".
Estas diferenças de opinião resultam de duas coisas. Em primeiro lugar, de uma deficiência do entendimento sobre a definição de "recessão" que, seguindo a definiçao utilizada pelo NBER corresponde a um decréscimo significativo da actividade económica “lasting more than a few months, normally visible in production, employment, real income, and other indicators” (por exemplo, produção industrial e vendas do comércio). A ideia corrente de que uma recessão corresponde a pelo menos dois trimestres consecutivos de queda do PIB é apenas uma simplificação utilizada pelos economistas, mas que nem sempre se adequa. Podendo existir uma recessão mesmo sem que se verifique uma queda do PIB durante dois trimestres consecutivos. Assim, por exemplo, relativamente aos EUA, o NBER considera que existiu uma recessão em 2001 apesar de nessa altura não se terem registado dois trimestres consecutivos de queda do PIB (o PIB caiu no 1.º e 3.º trimestres de 2001 mas aumentou no 2.º trimestre) e declarou como Dezembro de 2007 como o início da recessão apesar do PIB ter aumentado no 2.º trimestre de 2008.
Por outro lado, confunde-se muitas vezes o momento da recessão com o seu reconhecimento. Dada a definição de recessão acima e o desfasamento com que são conhecidos os dados económicos, uma situação de recessão apenas pode ser ser tecnicamente confirmada vários meses depois do seu início efectivo (o mesmo ocorrendo relativamente à confirmação do fim de uma recessão), sucedendo por vezes que o início de uma recessão apenas seja confirmada quando de facto (como posteriormente se vem a confirmar) ela já terminou. Mas isso não significa que a recessão apenas se inicie quando existe essa informação, mas apenas que ainda não existem os dados que permitam confirmar com toda a certeza essa situação.
Daí que pessoalmente concorde completamente com a posição do Governador do Banco de Portugal quando diz que "Pode dizer-se que estamos em recessão. A dinâmica das variáveis macro-económicas vai produzir aquilo que dissemos e que as instituições internacionais confirmaram: uma recessão económica durante o ano de 2011". E a única critica que lhe poderá ser feita será eventualmente a de que
ainda não dispomos dos dados que permitam efectivamente verificar ser essa a situação e que, portanto, trata-se de uma posição fundamentada, mas que ainda não é possível confirmar tecnicamente.
Estas diferenças de opinião resultam de duas coisas. Em primeiro lugar, de uma deficiência do entendimento sobre a definição de "recessão" que, seguindo a definiçao utilizada pelo NBER corresponde a um decréscimo significativo da actividade económica “lasting more than a few months, normally visible in production, employment, real income, and other indicators” (por exemplo, produção industrial e vendas do comércio). A ideia corrente de que uma recessão corresponde a pelo menos dois trimestres consecutivos de queda do PIB é apenas uma simplificação utilizada pelos economistas, mas que nem sempre se adequa. Podendo existir uma recessão mesmo sem que se verifique uma queda do PIB durante dois trimestres consecutivos. Assim, por exemplo, relativamente aos EUA, o NBER considera que existiu uma recessão em 2001 apesar de nessa altura não se terem registado dois trimestres consecutivos de queda do PIB (o PIB caiu no 1.º e 3.º trimestres de 2001 mas aumentou no 2.º trimestre) e declarou como Dezembro de 2007 como o início da recessão apesar do PIB ter aumentado no 2.º trimestre de 2008.
Por outro lado, confunde-se muitas vezes o momento da recessão com o seu reconhecimento. Dada a definição de recessão acima e o desfasamento com que são conhecidos os dados económicos, uma situação de recessão apenas pode ser ser tecnicamente confirmada vários meses depois do seu início efectivo (o mesmo ocorrendo relativamente à confirmação do fim de uma recessão), sucedendo por vezes que o início de uma recessão apenas seja confirmada quando de facto (como posteriormente se vem a confirmar) ela já terminou. Mas isso não significa que a recessão apenas se inicie quando existe essa informação, mas apenas que ainda não existem os dados que permitam confirmar com toda a certeza essa situação.
Daí que pessoalmente concorde completamente com a posição do Governador do Banco de Portugal quando diz que "Pode dizer-se que estamos em recessão. A dinâmica das variáveis macro-económicas vai produzir aquilo que dissemos e que as instituições internacionais confirmaram: uma recessão económica durante o ano de 2011". E a única critica que lhe poderá ser feita será eventualmente a de que
ainda não dispomos dos dados que permitam efectivamente verificar ser essa a situação e que, portanto, trata-se de uma posição fundamentada, mas que ainda não é possível confirmar tecnicamente.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Yields da dívida pública portuguesa
Num dia em que foi noticiado que o BCE voltou a intervir no mercado secundário, comprando OT's para evitar a escalda dos juros, mesmo assim os yields voltaram a subir sobretudo nos prazos mais curtos, atingindo os 4,71% para as OT's a 2 anos e os 5,61% para as OT's a 3 anos, enquanto que para as OT's a 5 anos a taxa de juro já vai nos 7,13%.
Perante este cenário torna-se cada vez mais dificil acreditar não só que Portugal conseguirá evitar o recurso ao FEEF, tendo voltado a surgir notícias de pressões dos nossos parceiros europeus nesse sentido, como começa inclusivé a parecer provável que o tenha de fazer já nas próximas semanas.
Perante este cenário torna-se cada vez mais dificil acreditar não só que Portugal conseguirá evitar o recurso ao FEEF, tendo voltado a surgir notícias de pressões dos nossos parceiros europeus nesse sentido, como começa inclusivé a parecer provável que o tenha de fazer já nas próximas semanas.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Evolução do desemprego em Portugal
De acordo com os resultados do inquérito ao emprego ontem divulgados pelo INE, no quarto trimestre de 2010 a taxa de desemprego em Portugal situava-se nos 11,1% (619 mil desempregados), tendo a média anual de 2010 situado-se nos 10,8%.
Comparativamente com 2010, a população empregada diminui 1,5% o que corresponde a uma perda de 75,9 mil empregos. A qual é explicada sobretudo pela redução verificada nos empregados por conta própria que se reduziram em 5,9% (74,6 mil empregos). Enquanto que os empregados por conta de outrem diminuiram "apenas" 0,3% (10,8 mil empregos), uma vez que redução de 1,5% (45,8 mil) dos empregados com contratos sem termo e de 5,9% (9,1 mil) classificados em "outras situações" foi compensada por um aumento de 6,4% nos empregados contratados a termo (44,1 mil).
Por regiões ressalta a elevada taxa de desemprego registada no Algarve:14,8% no quarto trimestre de 2010 e 13,4% na média de 2010, que substituiu a Região Norte na nada invejável posição de região onde a taxa de desemprego é mais elevada.
Comparativamente com 2010, a população empregada diminui 1,5% o que corresponde a uma perda de 75,9 mil empregos. A qual é explicada sobretudo pela redução verificada nos empregados por conta própria que se reduziram em 5,9% (74,6 mil empregos). Enquanto que os empregados por conta de outrem diminuiram "apenas" 0,3% (10,8 mil empregos), uma vez que redução de 1,5% (45,8 mil) dos empregados com contratos sem termo e de 5,9% (9,1 mil) classificados em "outras situações" foi compensada por um aumento de 6,4% nos empregados contratados a termo (44,1 mil).
Por regiões ressalta a elevada taxa de desemprego registada no Algarve:14,8% no quarto trimestre de 2010 e 13,4% na média de 2010, que substituiu a Região Norte na nada invejável posição de região onde a taxa de desemprego é mais elevada.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Crescimento do PIB na zona euro
De acordo com as estimativas rápidas hoje divulgadas pelo Eurostat, no 4.º trimestre de 2010 o crescimento do PIB face ao trimestre anterior foi de 0,3% na zona euro (EA16) e de 0,2% para o conjunto da União Europeia.
Comparando com o mesmo trimestre de 2009, a taxa de crescimento situa-se nos 2,0% para a zona euro e nos 2,1% para o conjunto da União Europeia, sobressaindo os fortes crescimentos registados nos países bálticos (Estónia: 6,6%, Lituânia: 4,4% e Letónia 3,7% - onde recorde-se se registaram fortes quedas em 2008 e 2009), Finlândia (5,8%) e na Alemanha (4,0%). Enquanto, por outro lado, ressaltam as quebras do PIB verificadas na Grécia (-6,6%) e Roménia (-0,5%) e o fraco crescimento da economia espanhola (+0,6%).
Refira-se que dos 19 países da União Europeia para os quais existem dados, além de Portugal (-0,3%)apenas outros dois países (Grécia: -1,4%, país onde o PIB caiu em todos os trimestres de 2009, e Reino Unido: - 0,5%) registaram uma queda do PIB neste trimestre. E que, quando comparamos com o PIB no quarto trimestre de 2009, apenas três países (Grécia, Roménia e Espanha) apresentam taxas de crescimento inferiores à verificada em Portugal. Sendo que além destes apenas França (1,5%) e Itália (1,3%) apresentam crescimentos inferiores a 2%.
Mesmo descontando o facto de Portugal ter sido dos países europeus onde o PIB menos caiu em 2009 e, portanto, haver aqui um efeito de base, estes números não parecem ser de molde a inspirar grande confiança na capacidade de crescimento da economia portuguesa. O que conjuntamente com a indefinição relativamente às medidas de reforço e flexibilização do fundo europeu estará a contribuir para a subida das taxas de juro da dívida portuguesa, com as yields das OT's a 10 anos e das OT's a 5 anos a aproximarem-se dos 7,5% e dos 7%, respectivamente,"encostando-se" aos valores a que o BCE terá intervido no passado dia 10 de Fevereiro.
Comparando com o mesmo trimestre de 2009, a taxa de crescimento situa-se nos 2,0% para a zona euro e nos 2,1% para o conjunto da União Europeia, sobressaindo os fortes crescimentos registados nos países bálticos (Estónia: 6,6%, Lituânia: 4,4% e Letónia 3,7% - onde recorde-se se registaram fortes quedas em 2008 e 2009), Finlândia (5,8%) e na Alemanha (4,0%). Enquanto, por outro lado, ressaltam as quebras do PIB verificadas na Grécia (-6,6%) e Roménia (-0,5%) e o fraco crescimento da economia espanhola (+0,6%).
Refira-se que dos 19 países da União Europeia para os quais existem dados, além de Portugal (-0,3%)apenas outros dois países (Grécia: -1,4%, país onde o PIB caiu em todos os trimestres de 2009, e Reino Unido: - 0,5%) registaram uma queda do PIB neste trimestre. E que, quando comparamos com o PIB no quarto trimestre de 2009, apenas três países (Grécia, Roménia e Espanha) apresentam taxas de crescimento inferiores à verificada em Portugal. Sendo que além destes apenas França (1,5%) e Itália (1,3%) apresentam crescimentos inferiores a 2%.
Mesmo descontando o facto de Portugal ter sido dos países europeus onde o PIB menos caiu em 2009 e, portanto, haver aqui um efeito de base, estes números não parecem ser de molde a inspirar grande confiança na capacidade de crescimento da economia portuguesa. O que conjuntamente com a indefinição relativamente às medidas de reforço e flexibilização do fundo europeu estará a contribuir para a subida das taxas de juro da dívida portuguesa, com as yields das OT's a 10 anos e das OT's a 5 anos a aproximarem-se dos 7,5% e dos 7%, respectivamente,"encostando-se" aos valores a que o BCE terá intervido no passado dia 10 de Fevereiro.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Desemprego estrutural nos EUA
Uma das polémicas mais interessantes actualmente é saber em que medida o desemprego nos EUA resulta de uma desadequação (mismatch) entre a oferta e a procura de trabalho relacionada com uma alteração da estrutura da economia americana ou de uma redução da procura agregada.
Este tema que tem implicações importantes nomeadamente para a aferição do produto potencial dos EUA e para a consequente definição das políticas económicas mais adequadas na situação actual foi objecto de um post recente de Krugman em que este apresentando o rácio do desempregados por ocupação anterior em 2010 face a 2007 chega à conclusão de que não terá existido qualquer quebra estrutural e que portanto o nível de desemprego actual seria explicado não por questões estruturais, mas sim pela redução da procura agregada.
No entanto, se em vez destes dados utilizarmos a evolução do emprego encontramos dados que dão uma imagem mais matizada. Com efeito, de acordo com os dados do BLS, entre 2007 e 2010 a queda do emprego no sector privado terá sido de cerca de 7,0%, enquanto a redução do emprego no sector da construção foi de 27,6%. O que significa que do total de 8,041 milhões de empregos perdidos 2,104 milhões (ou seja 26% do total) correspondem à redução do emprego no sector da construção, tendo o peso do emprego neste sector no total do emprego no sector privado reduzido-se de cerca de 6,6% para 5,1%. Se considerarmos que além da construção existem outros sectores como o da informação e dos serviços financeiros onde a queda do emprego (respectivamente 10,6% e 8,5%) foi mais intensa e relativamente aos quais existem razões para supor que uma parte da redução do emprego terá um carácter estrutural.
O que não sendo suficiente para invalidar inteiramente a tese de Krugman de que a maior parte da queda do emprego (aumento do desemprego) se explica pela redução da procura agregado, parece indicar claramente que as razões estruturais terão tido uma importância não negligenciável na redução do emprego nos EUA.
Este tema que tem implicações importantes nomeadamente para a aferição do produto potencial dos EUA e para a consequente definição das políticas económicas mais adequadas na situação actual foi objecto de um post recente de Krugman em que este apresentando o rácio do desempregados por ocupação anterior em 2010 face a 2007 chega à conclusão de que não terá existido qualquer quebra estrutural e que portanto o nível de desemprego actual seria explicado não por questões estruturais, mas sim pela redução da procura agregada.
No entanto, se em vez destes dados utilizarmos a evolução do emprego encontramos dados que dão uma imagem mais matizada. Com efeito, de acordo com os dados do BLS, entre 2007 e 2010 a queda do emprego no sector privado terá sido de cerca de 7,0%, enquanto a redução do emprego no sector da construção foi de 27,6%. O que significa que do total de 8,041 milhões de empregos perdidos 2,104 milhões (ou seja 26% do total) correspondem à redução do emprego no sector da construção, tendo o peso do emprego neste sector no total do emprego no sector privado reduzido-se de cerca de 6,6% para 5,1%. Se considerarmos que além da construção existem outros sectores como o da informação e dos serviços financeiros onde a queda do emprego (respectivamente 10,6% e 8,5%) foi mais intensa e relativamente aos quais existem razões para supor que uma parte da redução do emprego terá um carácter estrutural.
O que não sendo suficiente para invalidar inteiramente a tese de Krugman de que a maior parte da queda do emprego (aumento do desemprego) se explica pela redução da procura agregado, parece indicar claramente que as razões estruturais terão tido uma importância não negligenciável na redução do emprego nos EUA.
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