Em Fevereiro, o indicador de sentimento económico na União Europeia aumentou 1,4 pontos (para 107,3 pontos), enquanto que na zona euro a subida foi de 1,0 pontos (para 107,8 pontos). Sendo de assinalar a continuação da tendência positiva da economia alemã cujo indicador subiu 1,3 pontos (para 116,8 pontos), e a recuperação da economia do Reino Unido (+1,1 pontos para 101,9 pontos), enquanto que França e Itália se registaram pequenas descidas (-0,4 pontos para 108,5 pontos e -0,5 pontos para 101,1 pontos, respectivamente).
De assinalar a recuperação do indicador de sentimento económico em Portugal que subiu 4,3 pontos (para 94,7 pontos), com uma melhoria da confiança na indústria, serviços e construção bem como da confiança dos consumidores e apesar da descida da confiança dos retalhistas. Note-se, no entanto, que apesar desta recuparação que permitiu que este indicador atingisse o valor mais alto desde Agosto de 2008, o mesmo se manteve abaixo dos 100 pontos.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Perspectivas para a evolução do consumo privado
As perspectivas para a evolução do consumo privado em 2011 já eram bastante negativas pelo efeito combinado: i) da redução dos rendimentos reais, em virtude da contenção salarial, do aumento da inflação e do efeito da contracção do emprego; ii) do aumento dos impostos sobre o rendimento e iii) do aumento das dificuldades no acesso ao crédito e iv) do efeito riqueza negativo em resultado da tendência de queda do mercado imobiliário.
Nas últimas semanas têm crescido as indicações de que o Banco Central Europeu poderá aumentar as taxas de juro de referência provavelmente no terceiro trimestre o que tem vindo a reflectir-se numa subida das taxas euribor. O que, mantendo-se esta tendência, será mais um factor fortemente negativo para a evolução da situação financeira dos consumidores em Portugal dado não só o elevado nível de endividamento das famílias, como igualmente o facto de grande parte dos juros dessa dívida estar indexadas às taxas euribor, o que torna as famílias portuguesas particularmente vulneráveis (nomeadamente comparativamente ao que se verifica noutros países da zona euro) a uma subida das taxas de juro no mercado monetário.
Recorde-se a este respeito que um dos factores que, em 2009 e 2010, atenuou consideravelmente os efeitos da crise sobre a situação financeira das famílias foi precisamente a descida das taxas euribor. Por exemplo, a euribor a 6 meses que desceu de valores acima dos 5%, em meados de 2008, para valores abaixo de 1%, na primeira metade de 2010, tem vindo a subir ligeiramente desde Junho e já se situava ontem nos 1,367% e a curva de rendimentos indica que as expectativas do mercado são de que esta tendência de subida prossiga nos próximos meses, o que tenderá a agravar a já dificil situação financeira das famílias e, a ocorrer, não deixará de ter reflexos sobre a evolução do consumo.
Nas últimas semanas têm crescido as indicações de que o Banco Central Europeu poderá aumentar as taxas de juro de referência provavelmente no terceiro trimestre o que tem vindo a reflectir-se numa subida das taxas euribor. O que, mantendo-se esta tendência, será mais um factor fortemente negativo para a evolução da situação financeira dos consumidores em Portugal dado não só o elevado nível de endividamento das famílias, como igualmente o facto de grande parte dos juros dessa dívida estar indexadas às taxas euribor, o que torna as famílias portuguesas particularmente vulneráveis (nomeadamente comparativamente ao que se verifica noutros países da zona euro) a uma subida das taxas de juro no mercado monetário.
Recorde-se a este respeito que um dos factores que, em 2009 e 2010, atenuou consideravelmente os efeitos da crise sobre a situação financeira das famílias foi precisamente a descida das taxas euribor. Por exemplo, a euribor a 6 meses que desceu de valores acima dos 5%, em meados de 2008, para valores abaixo de 1%, na primeira metade de 2010, tem vindo a subir ligeiramente desde Junho e já se situava ontem nos 1,367% e a curva de rendimentos indica que as expectativas do mercado são de que esta tendência de subida prossiga nos próximos meses, o que tenderá a agravar a já dificil situação financeira das famílias e, a ocorrer, não deixará de ter reflexos sobre a evolução do consumo.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Evolução dos juros da dívida pública
Balança de Pagamentos e Posição de Investimento Internacional
De acordo com o Banco de Portugal, em 2010, o défice da balança corrente terá ascendido a 17.060 milhões de euros (uma descida de 1.302 milhões de euros) enquanto que o défice conjunto da blança corrente e de capital desceu cerca de 1.850 milhões de euros para 15.119 milhões de euros (que corresponde a cerca de 8,7% do PIB). Mantendo-se ainda assim em valores que são claramente insustentáveis.
Para esta melhoria contribui sobretudo o aumento dos superávites das balanças de serviços (+723 milhões de euros) e de capitais (+548 milhões de euros), bem como a redução em cerca de 675 milhões de euros da balança de rendimentos. Já que, apesar do forte crescimento das exportações, o défice da balança de bens aumentou cerca de 136 milhões de euros.
No final de 2010 a posição de investimento líquida situava-se nos -185.551 mil milhões de euros, valor que corresponde a cerca de 108,5% do PIB e que representa uma melhoria face aos 111,1% no final do ano anterior, o que no entanto só foi possível graças às variações de preço, e cambiais, favoráveis verificadas em 2010.
Para esta melhoria contribui sobretudo o aumento dos superávites das balanças de serviços (+723 milhões de euros) e de capitais (+548 milhões de euros), bem como a redução em cerca de 675 milhões de euros da balança de rendimentos. Já que, apesar do forte crescimento das exportações, o défice da balança de bens aumentou cerca de 136 milhões de euros.
No final de 2010 a posição de investimento líquida situava-se nos -185.551 mil milhões de euros, valor que corresponde a cerca de 108,5% do PIB e que representa uma melhoria face aos 111,1% no final do ano anterior, o que no entanto só foi possível graças às variações de preço, e cambiais, favoráveis verificadas em 2010.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Evolução dos proveitos no Turismo
De acordo com as estatísticas da Balança de Pagamentos do Banco de Portugal em 2010 ter-se-á registado um aumento de 10,2% das exportações de viagens e turismo que foi enaltecido pelo nosso primeiro ministro.
Trata-se contudo de uma rubrica onde se inclui igualmente as exportações de serviços de transporte e que é, no entanto, muito superior ao que foi divulgado pelo INE que apontam para um crescimento dos proveitos dos estabelecimentos hoteleiros, em 2010, de apenas 3,2%. E embora seja verdade que, além de serem obtidos através de metodologias diferentes, estes valores do INE incluem quer os proveitos de estadias de residentes quer de não residentes, é de notar que as dormidas de residentes aumentaram 4,4% enquanto que as de não residentes aumentaram apenas 2,2%.
Trata-se contudo de uma rubrica onde se inclui igualmente as exportações de serviços de transporte e que é, no entanto, muito superior ao que foi divulgado pelo INE que apontam para um crescimento dos proveitos dos estabelecimentos hoteleiros, em 2010, de apenas 3,2%. E embora seja verdade que, além de serem obtidos através de metodologias diferentes, estes valores do INE incluem quer os proveitos de estadias de residentes quer de não residentes, é de notar que as dormidas de residentes aumentaram 4,4% enquanto que as de não residentes aumentaram apenas 2,2%.
Portugal já está ou não em recessão ?
A definição de recessão constitui uma questão recorrente que desta vez renasceu com as divergências entre as declarações do Governador do Banco de Portugal que veio dizer que Portugal já estava em recessão técnica e que foram posteriormente contrariadas por outros, entre os quais o Presidente do Tribunal de Contas que veio dizer que "Tecnicamente ainda não estamos em situação de recessão".
Estas diferenças de opinião resultam de duas coisas. Em primeiro lugar, de uma deficiência do entendimento sobre a definição de "recessão" que, seguindo a definiçao utilizada pelo NBER corresponde a um decréscimo significativo da actividade económica “lasting more than a few months, normally visible in production, employment, real income, and other indicators” (por exemplo, produção industrial e vendas do comércio). A ideia corrente de que uma recessão corresponde a pelo menos dois trimestres consecutivos de queda do PIB é apenas uma simplificação utilizada pelos economistas, mas que nem sempre se adequa. Podendo existir uma recessão mesmo sem que se verifique uma queda do PIB durante dois trimestres consecutivos. Assim, por exemplo, relativamente aos EUA, o NBER considera que existiu uma recessão em 2001 apesar de nessa altura não se terem registado dois trimestres consecutivos de queda do PIB (o PIB caiu no 1.º e 3.º trimestres de 2001 mas aumentou no 2.º trimestre) e declarou como Dezembro de 2007 como o início da recessão apesar do PIB ter aumentado no 2.º trimestre de 2008.
Por outro lado, confunde-se muitas vezes o momento da recessão com o seu reconhecimento. Dada a definição de recessão acima e o desfasamento com que são conhecidos os dados económicos, uma situação de recessão apenas pode ser ser tecnicamente confirmada vários meses depois do seu início efectivo (o mesmo ocorrendo relativamente à confirmação do fim de uma recessão), sucedendo por vezes que o início de uma recessão apenas seja confirmada quando de facto (como posteriormente se vem a confirmar) ela já terminou. Mas isso não significa que a recessão apenas se inicie quando existe essa informação, mas apenas que ainda não existem os dados que permitam confirmar com toda a certeza essa situação.
Daí que pessoalmente concorde completamente com a posição do Governador do Banco de Portugal quando diz que "Pode dizer-se que estamos em recessão. A dinâmica das variáveis macro-económicas vai produzir aquilo que dissemos e que as instituições internacionais confirmaram: uma recessão económica durante o ano de 2011". E a única critica que lhe poderá ser feita será eventualmente a de que
ainda não dispomos dos dados que permitam efectivamente verificar ser essa a situação e que, portanto, trata-se de uma posição fundamentada, mas que ainda não é possível confirmar tecnicamente.
Estas diferenças de opinião resultam de duas coisas. Em primeiro lugar, de uma deficiência do entendimento sobre a definição de "recessão" que, seguindo a definiçao utilizada pelo NBER corresponde a um decréscimo significativo da actividade económica “lasting more than a few months, normally visible in production, employment, real income, and other indicators” (por exemplo, produção industrial e vendas do comércio). A ideia corrente de que uma recessão corresponde a pelo menos dois trimestres consecutivos de queda do PIB é apenas uma simplificação utilizada pelos economistas, mas que nem sempre se adequa. Podendo existir uma recessão mesmo sem que se verifique uma queda do PIB durante dois trimestres consecutivos. Assim, por exemplo, relativamente aos EUA, o NBER considera que existiu uma recessão em 2001 apesar de nessa altura não se terem registado dois trimestres consecutivos de queda do PIB (o PIB caiu no 1.º e 3.º trimestres de 2001 mas aumentou no 2.º trimestre) e declarou como Dezembro de 2007 como o início da recessão apesar do PIB ter aumentado no 2.º trimestre de 2008.
Por outro lado, confunde-se muitas vezes o momento da recessão com o seu reconhecimento. Dada a definição de recessão acima e o desfasamento com que são conhecidos os dados económicos, uma situação de recessão apenas pode ser ser tecnicamente confirmada vários meses depois do seu início efectivo (o mesmo ocorrendo relativamente à confirmação do fim de uma recessão), sucedendo por vezes que o início de uma recessão apenas seja confirmada quando de facto (como posteriormente se vem a confirmar) ela já terminou. Mas isso não significa que a recessão apenas se inicie quando existe essa informação, mas apenas que ainda não existem os dados que permitam confirmar com toda a certeza essa situação.
Daí que pessoalmente concorde completamente com a posição do Governador do Banco de Portugal quando diz que "Pode dizer-se que estamos em recessão. A dinâmica das variáveis macro-económicas vai produzir aquilo que dissemos e que as instituições internacionais confirmaram: uma recessão económica durante o ano de 2011". E a única critica que lhe poderá ser feita será eventualmente a de que
ainda não dispomos dos dados que permitam efectivamente verificar ser essa a situação e que, portanto, trata-se de uma posição fundamentada, mas que ainda não é possível confirmar tecnicamente.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Yields da dívida pública portuguesa
Num dia em que foi noticiado que o BCE voltou a intervir no mercado secundário, comprando OT's para evitar a escalda dos juros, mesmo assim os yields voltaram a subir sobretudo nos prazos mais curtos, atingindo os 4,71% para as OT's a 2 anos e os 5,61% para as OT's a 3 anos, enquanto que para as OT's a 5 anos a taxa de juro já vai nos 7,13%.
Perante este cenário torna-se cada vez mais dificil acreditar não só que Portugal conseguirá evitar o recurso ao FEEF, tendo voltado a surgir notícias de pressões dos nossos parceiros europeus nesse sentido, como começa inclusivé a parecer provável que o tenha de fazer já nas próximas semanas.
Perante este cenário torna-se cada vez mais dificil acreditar não só que Portugal conseguirá evitar o recurso ao FEEF, tendo voltado a surgir notícias de pressões dos nossos parceiros europeus nesse sentido, como começa inclusivé a parecer provável que o tenha de fazer já nas próximas semanas.
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