sexta-feira, 18 de março de 2011

O cenário para os testes de stress

A Autoridade Bancária Europeia publicou hoje os detalhes do cenário para os testes de stress do sistema bancário e a respectiva metodologia.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Presos por arames

De acordo com o Diário Económico o Ministro da Presidência declarou na Assembleia da República que
uma crise política neste momento "Constitui uma ameaça para uma rutura quase imediata da capacidade de financiamento do Estado Português. Isto tem consequências na capacidade do Estado em conseguir honrar os seus compromissos financeiros, para que o sistema financeiro consiga mostrar-se sólido e para que as empresas consigam ter acesso ao crédito, manter a sua actividade e manter o emprego dos trabalhadores" (meu sublinhado) referindo ainda que "Está em causa a proteção social do Estado" e que "Quem provocar uma crise política num momento como este, desfazendo todo o esforço de construção de confiança que resulta do trabalho dos portugueses e das diligências que o Governo tem feito junto das instituições europeias, será responsável pelas consequências dessa crise política".

Deixando de lado a leitura política destas declarações (ver aqui e aqui) não faz sentido apregoar que se está a "construir a confiança" e a seguir dizer que se houver crise política será o caos... ou será que pensam que os "mercados" não lêem jornais.

Em segundo lugar, para os "mercados" e agências de rating é absolutamente indiferente quem Governa desde que as medidas de consolidação sejam tomadas e implementadas. Ora, nada nos leva a concluir que um Governo PSD se revelasse menos empenhado em tomar as medidas necessárias para garantir os objectivos do défice e pelas declarações dos seus responsáveis nos últimos dias parece-me seguro concluir que o PS mesmo na oposição não deixará de, em nome do interesse nacional, apoiar as medidas que um Governo PSD viesse a apresentar e, portanto, não haveria nenhuma razão para temer a hipótese de eleições antecipadas.

Pelo que, ou tudo não passa de encenação ou, estas declarações apenas revelam que infelizmente os esforços do Governo para construir a "confiança" não estarão a ser muito bem sucedidos... e que "estamos presos por arames".

quarta-feira, 16 de março de 2011

A importância da situação dos bancos portugueses

Contrariamente ao que vai sucedendo por cá, onde estranhamente a questão tem passado quase despercebida, a situação dos bancos portugueses e em particular as referências à necessidade de recapitalização parecem começar a merecer a atenção dos observadores internacionais como resulta deste post hoje publicado no Alphaville eloquentemente intitulado "Portugal: finally about the banks", onde se cita um comentário que refere:
Increasing focus on Portuguese banks’ funding. Portuguese banks still have €42b funding from the ECB, down only 18% from the peak, and still very large given their relative size. By contrast, Spain’s ECB financing has fallen from €130bn last July to €49bn now.
The Portuguese Government has given an April 30 deadline to the banks to strengthen their capital. It seems increasingly likely that they will fail to do so, and the Government will eventually end up having to provide capital. This might trigger the Sovereign bailout.
Não tenho quaisquer dados que me permitam concluir quais poderão ser os valores envolvidos e desconheço se os bancos estarão, ou não, (espero que sim) em condições de encontrar fontes de financiamento privadas que lhes permitam fazer face às necessidades de aumento de capital que eventualmente venham a ser detectadas... mas a mera possibilidade de virem a necessitar de fundos públicos é assustadora.

Resultados do leilão de Bilhetes do Tesouro

De acordo com os resultados divulgados pelo IGCP, o Estado português conseguiu colocar o montante máximo pretendido (mil milhões de euros) com um rácio bid to cover bastante confortável de 2,2 a uma taxa de juro média ponderada foi de 4,331% (a taxa mínima 4,1% e a máxima 4,4%).

Estes resultados indicam que, pelo menos por enquanto, o mercado continua a revelar "apetite" pela dívida pública portuguesa, pelo menos de curto prazo, mas apenas a taxas de juro cada vez mais elevadas.

Comunicado da Reserva Federal

No seu comunicado de ontem a Reserva Federal indica que a recuperação económica nos EUA parece estar a consolidar-se e que as condições do mercado de trabalho tem vindo a registar uma melhoria gradual.

Apesar disso e do efeito da subida dos preços das matérias primas sobre a inflação, a Reserva Federal considera que a expectativas de inflação no longo prazo permancem num nível baixo e que o desemprego permanece a um nível muito elevado, tendo mantido a sua taxa de juro entre 0 e 0,25% e continuando a antecipar que as condições económicas provavelmente conduzirão a que venha a manter esta taxa de referência em níveis muito baixos durante um período prolongado.

terça-feira, 15 de março de 2011

Moody's desce o rating de Portugal

A agência de rating Moody's desceu o rating de Portugal de A1 para A3, mantendo o outlook negativo, justificando esta medida com base em quatro factores (informação obtida via Alphaville):

"1. Subdued growth prospects and productivity gains over the near to medium term until structural reforms, especially in the labor market and the justice system, begin to bear fruit;
2. Implementation risks for the government’s ambitious fiscal consolidation targets;
3. The government’s balance sheet may need to expand further in the event it has to provide financial support to the banking sector and government-related institutions (GRIs), which are currently unable to access capital markets; and
4. Challenging market conditions that have led to increases in the government’s financing costs, which, if sustained, will cause its debt affordability to weaken, particularly in the context of generally higher European interest rates. Accessing the European Financial Stability Facility may lead to a reduction in financing costs, but questions would remain as to when the government would be able to re-access the capital markets and on what terms." (meu sublinhado)

PS: Algo que me tem sinceramente surpreendido é o silêncio de (quase) todos os comentadores sobre as várias referências à situação do sistema financeiro português.

Sobre as decisões da cimeira da eurozona

É o tema de um artigo de Daniel Gros (publicado no Vox) no qual considera que estas decisões foram mais um passo para uma partilha pelos contribuintes europeus dos encargos com a dívida grega, chamando a atenção para a reestruturação que resulta de facto do alargamento da maturidade e da descida das taxas de juro dos empréstimos concedidos à Grécia e pondo em causa os cálculos do FMI/União Europeia e Banco Central Europeu relativos à sustentabilidade da dívida grega.

Igualmente interessante é a sua posição relativamente à possibilidade de o FEEF adquirir dívida pública no mercado primário, relativamente ao que refere que: "It is difficult to see the difference between primary market purchases of government bonds and providing credit directly to a country. This part of the agreement will be of limited value unless the condition (EFSF programme) is relaxed, as it well might be in future."