O Programa de Estabilidade e Crescimento para 2011-2014 hoje apresentado no Parlamento prevê para 2011 uma queda do PIB de 0,9% provocada por uma queda de todas as componentes da procura interna (consumo privado: -1,1%; consumo público: -6,8% e investimento: -4,2%), parcialmente compensada pela evolução positiva das exportações (+5,6%) e das importações (-1,1%) e uma redução do emprego de 0,6% que elevará a taxa de desemprego média para 11,2%. Para os anos seguintes prevê-se uma taxa de crescimento de somente 0,3%, 0,7% e 1,3% e um aumento do emprego de 0,1%, 0,7% e 1,0%. Valores que implicam um aumento da produtividade muito baixo. Enquanto que a FBCF deverá continuar a cair embora a um ritmo mais moderado em 2012 e 2013, apenas subindo ligeiramente em 2014.
No que se refere ao cenário macroeconómico refira-se ainda que apesar deste comportamento as necessidades de financiamento face ao exterior manter-se-ão em valores muito elevados (8,3%, em 2011, 7,0%, em 2012, 5,8%, em 2013, e 4,9% em 2014), valores superiores ao crescimento do PIB e que implicam uma continuação da deterioração da posição de investimento internacional.
terça-feira, 22 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
A inflação na China
A nível global um dos temas mais importantes dos últimos meses tem sido a discussão em torno da evolução da inflação nas economias emergentes e, em particular, na China onde a taxa de inflação regstou uma subida ao longo de 2010 situando-se em Fevereiro nos 4,9% e relativamente à qual têm surgido várias notícias dando contas de uma pressão altista sobre os salários.
Ora embora esta situação possa obrigar a que as autoridades chinesas tenham de restringir a política monetária e orçamental, como têm começado a fazer, para reduzir a procura e, assim, conter as tensões inflacionistas o que pode ter um efieto negativo sobre o produto mundial, por outro lado, estas tensões tornam mais fácil que a China aceite uma valorização gradual do yuan que tem sido reclamada como uma das medidas necessárias para ajudar a solucionar os desequilibrios macroeconómicos globais. Não será, no entanto, de esperar que essa valorização, por si só, seja suficiente para resolver qualquer dos problemas na medida em que, por um lado, uma valorização forte do yuan podia colocar em risco sectores importantes da sua indústria exportadora e, por outro lado, o efeito dessa alorização sobre a inflação na China seria relativamente limitado.
No entanto, o próprio efeito da inflação tenderá a contribuir para esse reequilíbrio, na medida em que no cenário actual de inflação relativamente baixa nos EUA e na Europa corresponde a uma revalorização real do yuan que, associada a uma subida dos níveis salarias na China, impulsionará o consumo interno e ajudará a redireccionar a economia chinesa para o mercado interno para satisfazer essa mesma procura.
Neste contexto, uma subida moderada da inflação na China é um desenvolvimento positivo para a sustentabilidade da situação da economia mundial.
Ora embora esta situação possa obrigar a que as autoridades chinesas tenham de restringir a política monetária e orçamental, como têm começado a fazer, para reduzir a procura e, assim, conter as tensões inflacionistas o que pode ter um efieto negativo sobre o produto mundial, por outro lado, estas tensões tornam mais fácil que a China aceite uma valorização gradual do yuan que tem sido reclamada como uma das medidas necessárias para ajudar a solucionar os desequilibrios macroeconómicos globais. Não será, no entanto, de esperar que essa valorização, por si só, seja suficiente para resolver qualquer dos problemas na medida em que, por um lado, uma valorização forte do yuan podia colocar em risco sectores importantes da sua indústria exportadora e, por outro lado, o efeito dessa alorização sobre a inflação na China seria relativamente limitado.
No entanto, o próprio efeito da inflação tenderá a contribuir para esse reequilíbrio, na medida em que no cenário actual de inflação relativamente baixa nos EUA e na Europa corresponde a uma revalorização real do yuan que, associada a uma subida dos níveis salarias na China, impulsionará o consumo interno e ajudará a redireccionar a economia chinesa para o mercado interno para satisfazer essa mesma procura.
Neste contexto, uma subida moderada da inflação na China é um desenvolvimento positivo para a sustentabilidade da situação da economia mundial.
sábado, 19 de março de 2011
Breve comentário sobre o cenário dos testes de stress
De acordo com a informação disponibilizada pela EBA, os testes de stress que serão publicados em Junho do corrente de ano, serão conduzidos tendo por base os dados de balanço consolidados com referência a 31 de Dezembro de 2010 e a aplicação dos cenários por um período de 2 anos (2011 e 2012) e visam estimar os efeitos ddas variáveis macroeconómicas - PIB, desemprego, taxas de juro, preço do imobiliário, evolução do mercado de acções e das taxas de câmbio - sobre o capital dos bancos, partindo de um cenário base que está em linha com aquelas que são as previsões da Comissão Europeia (para a zona euro: crescimento de 1,5% em 2011 e 1,8% em 2012, redução gradual dos défices públicos e do desemprego e inflação média de 1,75%), sobre o qual se aplicam choques externos que se traduzem num "cenário adverso" hipotético.
Deve-se dizer que o "cenário adverso" é bastante exigente correspondendo, por exemplo, para Portugal a um cenário hipotético de redução do PIB de 3% em 2011 e 2,6% em 2019, uma taxa de desemprego de 12,9% no final de 2012, taxa de juro de longo prazo acima dos 9% em ambos os anos e uma queda dos preços do imobiliário (residencial) de 2,9% em 2011 e 8,4% em 2012 e uma queda das cotações em bolsa de cerca de 15%. Sendo certo que é sempre possível imaginar situações em que estas variáveis poderão assumir valores ainda mais adversos parece-me um cenário razoavelmente pessimista para os efeitos pretendidos.
A grande questão dos resultados de stress e a razão pelo qual os mesmos dificilmente serão considerados como satisfatórios por muitos investidores não serão pois tanto os cenários considerados, mas o que não é testado. Com efeito, nos testes em causa não será explicitamente analisado o risco de liquidez - que muitos apontam como um elemento crucial - e, sobretudo, os efeitos da "crise da dívida soberana" apenas são tidos em conta relativamente aos títulos detidos na carteira de negociação e não nos títulos detidos até à maturidade, o que sendo consistente com a hipótese de que não haverá reestruturação da dívida não deixará de ser criticado por muitos analistas numa altura em que se fala cada vez com mais insistência numa reestruturação da dívida pública grega.
Deve-se dizer que o "cenário adverso" é bastante exigente correspondendo, por exemplo, para Portugal a um cenário hipotético de redução do PIB de 3% em 2011 e 2,6% em 2019, uma taxa de desemprego de 12,9% no final de 2012, taxa de juro de longo prazo acima dos 9% em ambos os anos e uma queda dos preços do imobiliário (residencial) de 2,9% em 2011 e 8,4% em 2012 e uma queda das cotações em bolsa de cerca de 15%. Sendo certo que é sempre possível imaginar situações em que estas variáveis poderão assumir valores ainda mais adversos parece-me um cenário razoavelmente pessimista para os efeitos pretendidos.
A grande questão dos resultados de stress e a razão pelo qual os mesmos dificilmente serão considerados como satisfatórios por muitos investidores não serão pois tanto os cenários considerados, mas o que não é testado. Com efeito, nos testes em causa não será explicitamente analisado o risco de liquidez - que muitos apontam como um elemento crucial - e, sobretudo, os efeitos da "crise da dívida soberana" apenas são tidos em conta relativamente aos títulos detidos na carteira de negociação e não nos títulos detidos até à maturidade, o que sendo consistente com a hipótese de que não haverá reestruturação da dívida não deixará de ser criticado por muitos analistas numa altura em que se fala cada vez com mais insistência numa reestruturação da dívida pública grega.
sexta-feira, 18 de março de 2011
O cenário para os testes de stress
A Autoridade Bancária Europeia publicou hoje os detalhes do cenário para os testes de stress do sistema bancário e a respectiva metodologia.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Presos por arames
De acordo com o Diário Económico o Ministro da Presidência declarou na Assembleia da República que
uma crise política neste momento "Constitui uma ameaça para uma rutura quase imediata da capacidade de financiamento do Estado Português. Isto tem consequências na capacidade do Estado em conseguir honrar os seus compromissos financeiros, para que o sistema financeiro consiga mostrar-se sólido e para que as empresas consigam ter acesso ao crédito, manter a sua actividade e manter o emprego dos trabalhadores" (meu sublinhado) referindo ainda que "Está em causa a proteção social do Estado" e que "Quem provocar uma crise política num momento como este, desfazendo todo o esforço de construção de confiança que resulta do trabalho dos portugueses e das diligências que o Governo tem feito junto das instituições europeias, será responsável pelas consequências dessa crise política".
Deixando de lado a leitura política destas declarações (ver aqui e aqui) não faz sentido apregoar que se está a "construir a confiança" e a seguir dizer que se houver crise política será o caos... ou será que pensam que os "mercados" não lêem jornais.
Em segundo lugar, para os "mercados" e agências de rating é absolutamente indiferente quem Governa desde que as medidas de consolidação sejam tomadas e implementadas. Ora, nada nos leva a concluir que um Governo PSD se revelasse menos empenhado em tomar as medidas necessárias para garantir os objectivos do défice e pelas declarações dos seus responsáveis nos últimos dias parece-me seguro concluir que o PS mesmo na oposição não deixará de, em nome do interesse nacional, apoiar as medidas que um Governo PSD viesse a apresentar e, portanto, não haveria nenhuma razão para temer a hipótese de eleições antecipadas.
Pelo que, ou tudo não passa de encenação ou, estas declarações apenas revelam que infelizmente os esforços do Governo para construir a "confiança" não estarão a ser muito bem sucedidos... e que "estamos presos por arames".
uma crise política neste momento "Constitui uma ameaça para uma rutura quase imediata da capacidade de financiamento do Estado Português. Isto tem consequências na capacidade do Estado em conseguir honrar os seus compromissos financeiros, para que o sistema financeiro consiga mostrar-se sólido e para que as empresas consigam ter acesso ao crédito, manter a sua actividade e manter o emprego dos trabalhadores" (meu sublinhado) referindo ainda que "Está em causa a proteção social do Estado" e que "Quem provocar uma crise política num momento como este, desfazendo todo o esforço de construção de confiança que resulta do trabalho dos portugueses e das diligências que o Governo tem feito junto das instituições europeias, será responsável pelas consequências dessa crise política".
Deixando de lado a leitura política destas declarações (ver aqui e aqui) não faz sentido apregoar que se está a "construir a confiança" e a seguir dizer que se houver crise política será o caos... ou será que pensam que os "mercados" não lêem jornais.
Em segundo lugar, para os "mercados" e agências de rating é absolutamente indiferente quem Governa desde que as medidas de consolidação sejam tomadas e implementadas. Ora, nada nos leva a concluir que um Governo PSD se revelasse menos empenhado em tomar as medidas necessárias para garantir os objectivos do défice e pelas declarações dos seus responsáveis nos últimos dias parece-me seguro concluir que o PS mesmo na oposição não deixará de, em nome do interesse nacional, apoiar as medidas que um Governo PSD viesse a apresentar e, portanto, não haveria nenhuma razão para temer a hipótese de eleições antecipadas.
Pelo que, ou tudo não passa de encenação ou, estas declarações apenas revelam que infelizmente os esforços do Governo para construir a "confiança" não estarão a ser muito bem sucedidos... e que "estamos presos por arames".
quarta-feira, 16 de março de 2011
A importância da situação dos bancos portugueses
Contrariamente ao que vai sucedendo por cá, onde estranhamente a questão tem passado quase despercebida, a situação dos bancos portugueses e em particular as referências à necessidade de recapitalização parecem começar a merecer a atenção dos observadores internacionais como resulta deste post hoje publicado no Alphaville eloquentemente intitulado "Portugal: finally about the banks", onde se cita um comentário que refere:
Increasing focus on Portuguese banks’ funding. Portuguese banks still have €42b funding from the ECB, down only 18% from the peak, and still very large given their relative size. By contrast, Spain’s ECB financing has fallen from €130bn last July to €49bn now.
The Portuguese Government has given an April 30 deadline to the banks to strengthen their capital. It seems increasingly likely that they will fail to do so, and the Government will eventually end up having to provide capital. This might trigger the Sovereign bailout.Não tenho quaisquer dados que me permitam concluir quais poderão ser os valores envolvidos e desconheço se os bancos estarão, ou não, (espero que sim) em condições de encontrar fontes de financiamento privadas que lhes permitam fazer face às necessidades de aumento de capital que eventualmente venham a ser detectadas... mas a mera possibilidade de virem a necessitar de fundos públicos é assustadora.
Resultados do leilão de Bilhetes do Tesouro
De acordo com os resultados divulgados pelo IGCP, o Estado português conseguiu colocar o montante máximo pretendido (mil milhões de euros) com um rácio bid to cover bastante confortável de 2,2 a uma taxa de juro média ponderada foi de 4,331% (a taxa mínima 4,1% e a máxima 4,4%).
Estes resultados indicam que, pelo menos por enquanto, o mercado continua a revelar "apetite" pela dívida pública portuguesa, pelo menos de curto prazo, mas apenas a taxas de juro cada vez mais elevadas.
Estes resultados indicam que, pelo menos por enquanto, o mercado continua a revelar "apetite" pela dívida pública portuguesa, pelo menos de curto prazo, mas apenas a taxas de juro cada vez mais elevadas.
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