O IGCP informou hoje que "devido a procura específica neste título, o IGCP irá realizar um leilão extraordinário da OT 5% Junho 2012 amanhã de manhã, das 9:15 horas até às 9:30 horas. O montante indicativo é de EUR 1500 milhões" (meu sublinhado).
Trata-se de uma emissão a pouco mais de um ano, mas mesmo assim, ão deixa de ser surpreendente este anúncio dado o ambiente de hoje nos mercados. A ser bem sucedida esta operação será uma boa notícia que deverá permitir refrear os receios de um recurso imediato ao FMI / FEEF... pelo menos até à semana seguinte para a qual o IGCP anunciou um leilão de bilhetes do tesouro.
PS: Uma possível explicação para a "procura específica" daquele título pode ser o facto de as yields da dívida pública portuguesa nos prazo mais curtos estar acima da dívida irlandesa o que pode ser identificado pelos "especuladores" como uma oportunidade de arbitragem.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Resultados dos testes de stress na Irlanda
Os testes de stress aos bancos irlandeses apontam para que as necessidades de reforço de capital ascendam a 24 mil milhões de euros (ver página 12 do relatório), valor que corresponde a cerca de 15,6% do PIB da Irlanda em 2010.
Numa leitura rápida, saliento que o grau de desalavancagem previsto (ver página 13) é impressionante correspondendo a uma contracção dos empréstimos liquidos de 255,6 mil milhões de euros para 185,2 mil milhões de euros (ou seja um redução de 27,5%) e a dimensão das perdas por imparidade nos créditos que no cenário base correspondem a cerca de 27,5 mil milhões de euros e no cenário de stress a 40,1 mil milhões de euros (ver página 19).
Numa leitura rápida, saliento que o grau de desalavancagem previsto (ver página 13) é impressionante correspondendo a uma contracção dos empréstimos liquidos de 255,6 mil milhões de euros para 185,2 mil milhões de euros (ou seja um redução de 27,5%) e a dimensão das perdas por imparidade nos créditos que no cenário base correspondem a cerca de 27,5 mil milhões de euros e no cenário de stress a 40,1 mil milhões de euros (ver página 19).
A reacção dos mercados
A reacção dos mercados ao anúncio está a ser bastante eloquente, há minutos as taxas eram as seguintes:
2 anos - 8,639% (+0,609 pp); 3 anos - 9,212% (+0,522 pp); 5 anos - 9,581% (+0,449 pp) e 10 anos - 8,342% (+0,241 pp).
Não vale sequer a pena tentar esconder a realidade os números de hoje são não só muito piores do que aqueles com os quais o Governo se tinha comprometido como são também piores do que aqueles que vinham sendo "antecipados" na comunicação social: i) o défice de 2010 foi de 8,6% quando se "falava" num valor de 8%; ii) a revisão dos valores do défice para 2007 e 2008 implicam que 2010 foi o sexto ano consecutivo em que o défice ficou acima dos 3%; e, iii) o aumento da dívida pública superior a 9 pontos percentuais.
Neste contexto, tentar argumentar que se trata de um efeito "contabilístico" pode ser eficaz para consumo político interno, mas apenas contribui para aumentar a desconfiança dos mercados e vir dizer que "Este Governo não tem legitimidade nem condições para negociar seja o que for", mesmo que seja verdade, apenas serve para aumentar mais a incerteza dos investidores.
2 anos - 8,639% (+0,609 pp); 3 anos - 9,212% (+0,522 pp); 5 anos - 9,581% (+0,449 pp) e 10 anos - 8,342% (+0,241 pp).
Não vale sequer a pena tentar esconder a realidade os números de hoje são não só muito piores do que aqueles com os quais o Governo se tinha comprometido como são também piores do que aqueles que vinham sendo "antecipados" na comunicação social: i) o défice de 2010 foi de 8,6% quando se "falava" num valor de 8%; ii) a revisão dos valores do défice para 2007 e 2008 implicam que 2010 foi o sexto ano consecutivo em que o défice ficou acima dos 3%; e, iii) o aumento da dívida pública superior a 9 pontos percentuais.
Neste contexto, tentar argumentar que se trata de um efeito "contabilístico" pode ser eficaz para consumo político interno, mas apenas contribui para aumentar a desconfiança dos mercados e vir dizer que "Este Governo não tem legitimidade nem condições para negociar seja o que for", mesmo que seja verdade, apenas serve para aumentar mais a incerteza dos investidores.
Procedimento de défices excessivos 2011 indica que o défice público foi de 8,6%
O INE divulgou os valores da notificação ao Eurostat dos valores do défice e da dívida pública para efeitos do Procedimento de Défices Excessivos de 2011 e o que se pode dizer é que os números são (significativamente) piores do que aquilo que vinha sendo antecipado, indicando que o défice das administrações públicas no ano de 2010 foi de 14.911,6 milhões de euros que corresponde a 8,6% do PIB ou seja 1,3 pontos percentuais acima do famoso objectivo dos 7,3% com que o Governo se havia comprometido.
Para este resultado contribuiu a inclusão das empresas de transporte: REFER, Metropolitano de Lisboa e Metro do Porto que tiveram um impacto no défice de 2010 de 793 milhões de euros (cerca de 0,5% do PIB) enquanto que o impacto do BPN e das garantias do BPP ascendeu a 2.250 milhões de euros (cerca de 1,3% do PIB).
De referir ainda que em consequência da reclassificação daquelas empresas de transporte os valores dos défices de 2007 a 2009 foram revistos em alta correspondendo, de acordo com os dados agora divulgados a (valores em percentagem do PIB) 3,1% em 2007, 3,5% em 2008 e 10,0% em 2009.
Igualmente importante e não deixará certamente de ter um impacto significativo nos mercados é o efeito da inclusão daquelas empresas no rácio de dívida bruta. Os valores agora apresentados para a dívida das administrações públicas indicam que no final de 2010 a dívida pública ascendia a 159.469,1 milhões de euros que corresponde a 92,4% do PIB o que representa um aumento de 9,5 pontos percentuais face ao valor de 2009 e uma subida de 9,1 pontos percentuais relativamente ao valor previsto na notificação enviada ao Eurostat no Outono do ano passado.
Para este resultado contribuiu a inclusão das empresas de transporte: REFER, Metropolitano de Lisboa e Metro do Porto que tiveram um impacto no défice de 2010 de 793 milhões de euros (cerca de 0,5% do PIB) enquanto que o impacto do BPN e das garantias do BPP ascendeu a 2.250 milhões de euros (cerca de 1,3% do PIB).
De referir ainda que em consequência da reclassificação daquelas empresas de transporte os valores dos défices de 2007 a 2009 foram revistos em alta correspondendo, de acordo com os dados agora divulgados a (valores em percentagem do PIB) 3,1% em 2007, 3,5% em 2008 e 10,0% em 2009.
Igualmente importante e não deixará certamente de ter um impacto significativo nos mercados é o efeito da inclusão daquelas empresas no rácio de dívida bruta. Os valores agora apresentados para a dívida das administrações públicas indicam que no final de 2010 a dívida pública ascendia a 159.469,1 milhões de euros que corresponde a 92,4% do PIB o que representa um aumento de 9,5 pontos percentuais face ao valor de 2009 e uma subida de 9,1 pontos percentuais relativamente ao valor previsto na notificação enviada ao Eurostat no Outono do ano passado.
Economia e Moral
Na apresentação do novo livro de Vitor Bento "Economia, Moral e Política" as intervenções, especialmente a do autor, versaram sobretudo sobre o tema da relação entre a Economia e a moral e a ligação das teorias económicas à moralidade social que definiu como o conjunto de valores que uma sociedade valoriza e os incentivos (ou penalizações) que atribui para orientar os comportamentos para esses valores e que o autor considerou constituir uma "função de restrição" que condiciona o comportamento (maximizador) dos agentes e assim determina os resultados económicos.
Não foi tão evidenciado na apresentação, mas resulta claro da primeira parte do livro (que já pude ler), que os próprios princípios éticos do indívíduo podem desempenhar um papel idêntico, ou o que conduzirá a um resultado semelhante serem incorporados nas "funções de utilidade" dos indivíduos. E, por outro lado, a influência que a própria teoria económica e em particular as hipóteses de que os objectivos dos agentes consistem na maximização do seu bem-estar material ou, no caso das empresas, do lucro podem ter na própria formação da moral social e individual levando-as a adoptar aqueles objectivos como "valores" em si mesmos.
Uma demonstração interessante da influência da moralidade sobre os comportamentos "económicos" são as experiências relatadas por Dan Ariely (e que aparecem referidas num livro de que recentemente falei aqui) de que o autor nos fala no final da primeira parte do livro e que revelam a influência das âncoras valorativas e do exemplo sobre os comportamentos económicos.
Não foi tão evidenciado na apresentação, mas resulta claro da primeira parte do livro (que já pude ler), que os próprios princípios éticos do indívíduo podem desempenhar um papel idêntico, ou o que conduzirá a um resultado semelhante serem incorporados nas "funções de utilidade" dos indivíduos. E, por outro lado, a influência que a própria teoria económica e em particular as hipóteses de que os objectivos dos agentes consistem na maximização do seu bem-estar material ou, no caso das empresas, do lucro podem ter na própria formação da moral social e individual levando-as a adoptar aqueles objectivos como "valores" em si mesmos.
Uma demonstração interessante da influência da moralidade sobre os comportamentos "económicos" são as experiências relatadas por Dan Ariely (e que aparecem referidas num livro de que recentemente falei aqui) de que o autor nos fala no final da primeira parte do livro e que revelam a influência das âncoras valorativas e do exemplo sobre os comportamentos económicos.
Uma excepção rara e notável
Depois do meu próprio recente post sobre um artigo de Greenspan não resisti a colocar um link para este post que glosa com a uma frase proferida por Greenspan:
Today’s competitive markets, whether we seek to recognise it or not, are driven by an international version of Adam Smith’s “invisible hand” that is unredeemably opaque. With notably rare exceptions (2008, for example), the global “invisible hand” has created relatively stable exchange rates, interest rates, prices, and wage rates.Recomendo que não percam a caixa de comentários, com (algumas) excelentes variações sobre o tema, sendo que a minha preferida é:
Pompeii has always been a safe place to raise a family, except on those notably rare exceptions when Vesuvius erupts.PS: Quem ainda não estiver cansado pode ver outra lista de "variações" aqui.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Evolução do indicador de sentimento económico
Os dados hoje divulgados pela Comissão Europeia revelam uma estabilização do sentimento económico na União Europeia (aumento de +0,2 pontos para 107,4) e um ligeiro decréscimo no conjunto da zona euro (-0,6 pontos para 107,3) sendo este comportamento divergente resultado do decréscimo deste indicador na Alemanha (-0,7 pontos para 116,1) e do acréscimo no Reino Unido (+2,7 pontos para 104,6). Nas outras duas principais economias verificou-se um aumento de 0,9 pontos (patra 110,0 pontos) em França e de 0,1 pontos (para 101,2) em Itália.
Estes dados apontam para uma continuação da recuperação da actividade económica na Europa no seu conjunto, enqaunto se acentuou ligeiramente a divergência entre a situação conjuntural nos países do centro e norte da Europa - e.g., Bélgica, Dinamarca, Alemanha, França, Países Baixos, Áustria, Finlândia e Suécia - onde o indicador se situa em níveis claramente superiores à média histórica de 100 pontos e os países periféricos do sul da Europa - Espanha, Portugal e Grécia (mais uma vez não existem dados para a Irlanda) - onde o indicador se situa significativamente abaixo desse limiar e voltou a cair: -1,0 pontos (para 78,4) na Grécia, -3 pontos (para 90,9) em Espanha e - 6 pontos (para 88,7) em Portugal, países que são conjuntamente com o Chipre (85,3 pontos) aqueles onde este indicador apresenta os valores mais baixos.
Estes dados apontam para uma continuação da recuperação da actividade económica na Europa no seu conjunto, enqaunto se acentuou ligeiramente a divergência entre a situação conjuntural nos países do centro e norte da Europa - e.g., Bélgica, Dinamarca, Alemanha, França, Países Baixos, Áustria, Finlândia e Suécia - onde o indicador se situa em níveis claramente superiores à média histórica de 100 pontos e os países periféricos do sul da Europa - Espanha, Portugal e Grécia (mais uma vez não existem dados para a Irlanda) - onde o indicador se situa significativamente abaixo desse limiar e voltou a cair: -1,0 pontos (para 78,4) na Grécia, -3 pontos (para 90,9) em Espanha e - 6 pontos (para 88,7) em Portugal, países que são conjuntamente com o Chipre (85,3 pontos) aqueles onde este indicador apresenta os valores mais baixos.
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