quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ministro das Finanças anuncia pedido de ajuda externa

De acordo com o Jornal de Negócios, o Ministro das Finanças Teixeira dos Santos considera que "é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à actual situação política".

O fim da linha

Estamos na situação singular e absolutamente incrível em que a falta de ligação à realidade da nossa classe política atingiu um grau que levou os presidentes dos maiores bancos portugueses a ter a necessidade de vir à televisão alertar o país para que estamos numa situação de grave emergência financeira.

Sejamos absolutamente claros quando os principais banqueiros dizem publicamente aquilo que têm dito nos últimos dias é porque não só a situação é mesmo de uma gravidade extrema como sentem que não estão a ser ouvidos por quem devia resolver o problema.

Se não formos capazes de perceber isso... então merecemos tudo o que nos possa suceder.

Resultado do leilão de Bilhetes do Tesouro

O IGCP anunciou os resultados do leilão dos Bilhetes de Tesouro, tendo colocado 550 milhões de euros na emissão que vence em Outubro de 2011 à taxa média de 5,117% (taxa mínima de 4,89% e taxa de corte de 6,0%) e 455 milhões de euros na emissão que vence em Março de 2012 à taxa média de 5,902% (taxa mínima de 5,9% e taxa de corte de 6,04%). Note-se que no passado dia 16 de Março o IGCP tinha colocado mil milhões de euros desta mesma emissão de Março de 2012 à taxa média de 4,331%.

O próximo leilão de bilhetes do tesouro está previsto para o dia 20 deste mês e tem um montante indicativo de 750 a 1.500 milhões de euros.

Evolução da poupança, do investimento e défice externo em 2010

As contas nacionais trimestrais por sector institucional do 4.º trimestre de 2010 revelam que a taxa de poupança das famílias em % do rendimento disponível (que, em 2010, aumentou 2,6%) desceu de 10,9% para 9,8% do rendimento disponível.

Em percentagem do PIB, verificou-se uma queda de 0,8 pp da poupança das famílias (valores em % do PIB), a qual foi compensada por um aumento de 0,4 pp da poupança bruta das administrações públicas e de 0,4 pp na poupança das sociedades.

E uma queda do investimento sobretudo das sociedades (-0,6 pp), mas, igualmente, uma queda do investimento das famílias (-0,2 pp) e das administrações públicas (-0,1 pp).

Igualmente em percentagem do PIB verifica-se que o défice externo se reduziu de 9,7% para 8,5% (menos 1,2 pp). Note-se, contudo, que, como resulta dos elementos anteriores, esta redução do desequilíbrio entre a poupança e investimento ficou a dever-se exclusivamente à evolução do investimento que desceu de 0,9 pp (de 19,9% para 19,0%), o que representa o valor mais baixo da série e corresponde a uma redução de 9,8 pp face ao valor em 1998, enquanto a poupança bruta nacional se manteve inalterada relativamente ao valor de 2009 (em 9,2%).

terça-feira, 5 de abril de 2011

Afinal não foi preciso esperar muito...

Para saber o que se tinha passado que justificava as declarações do presidente do BCP na entrevista de ontem.Segundo o Jornal de Negócios os líderes dos dos maiores bancos decidiram que não emprestarão mais dinheiro ao Estado, e agora são precisos 15 mil milhões de euros de apoio intercalar. Para esta decisão terão contribuído as preocupações com a sobrexposição à dívida pública portuguesa e os seus reflexos nos ratings dos bancos e nos resultados dos testes de stress.

Confesso, no entanto, que fiquei com algumas dúvidas, que a edição em papel não esclarece, sobre qual a posição da CGD e também sobre a decisão apenas abrange o Estado ou se se aplica, igualmente, ao Sector Empresarial do Estado (nomeadamente às empresas do sector de transporte) e às autarquias.

PS: As yields das obrigações a 5 anos já estão acima dos 10%.

A restrição externa

Na conferência que ontem o IDEFF realizou na Faculdade de Direito de Lisboa se houve um ponto comum à generalidade das intervenções da parte da tarde foi o realçar da restrição financeira externa.

Neste contexto, realço em particular a intervenção do Prof. Silva Lopes que referiu que segundo com base nos cenários do PEC IV ajustados com as projecções do Banco de Portugal o financiamento externo líquido adicional que será necessário obter entre 2011 a 2014 ascenderá a 53 mil milhões de euros. O que corresponde a cerca de 30% do PIB de 2010 e num cenário de crescimento anémico do PIB a preços constantes (apenas 0,8% em 4 anos) implicaria uma deterioração muito significativa da posição de investimento líquida que no final de 2010 ascendia a cerca de 108,5% do PIB. O que significa que (como já alertamos aqui logo a propósito do PEC I) os cenários assentam num pressuposto que parece muito pouco realista numa altura em que, como foi reconhecido por vários dos intervenientes, o financiamento externo seja ao Estado seja ao sistema bancário português é difícil e caro.

A intervenção do Prof. Silva Lopes teve ainda o mérito de avançar com propostas para reduzir as necessidades de financiamento externo que passam pela repressão da procura interna (através da austeridade que segundo o Prof. Miguel Cadilhe será a única saída, se ainda a houver), mas também da recomposição dessa procura interna evitando as importações através de medidas como o aumento dos impostos especiais (e.g. sobre os combustíveis e os automóveis) e/ou a tributação do crédito ao consumo.

As declarações de Santos Ferreira à TVI

O presidente do BCP dificilmente poderia ser mais claro na entrevista que deu na TVI onde afirmou que: "Recentemente, muita coisa se alterou. A Cimeira de Bruxelas ficou aquém do resultado que prevíamos. O défice ficou acima do expectável e o PEC IV foi rejeitado. Tudo visto e concluído, acho que é indispensável que, neste momento, Portugal peça um apoio intercalar à Comissão Europeia (...) não tenho dúvidas que é indispensável o apoio do FEEF mas isso acontecerá, nas minhas contas em Julho-Agosto (...) até lá, julgo perfeitamente indispensável que este país peça um apoio intercalar à Comissão Europeia".

Trata-se de uma informação de quem tem certamente um conhecimento profundo da situação financeira sendo de destacar que referiu  o apoio necessário "é de certeza superior a 10 mil milhões (...) Eu não me atreveria a pedir apenas 10 mil milhões" e frisou que "Esse apoio intercalar deve ser pedido já. Esse apoio intercalar é urgente que seja pedido", o que indica que a situação será ainda pior do que parece... resta saber exactamente porquê... vamos aguardar os próximos dias.

Isto num dia em que as taxas de juro das OT's a 5 anos quase atingiram os 10% e a Reuters noticiou que os ministros das finanças vão discutir a situação financeira portuguesa na próxima sexta-feira, citando uma fonte anónima que refere que "There is very chaotic communications coming out of Portugal on the necessity, or not, of entering into an EU programme, (...) We would like to have an explanation by the Portuguese finance minister what the economic and public finance situation actually is, (...) Then, once this explanation is given, we also need to have a serious discussion on the room for manoeuvre for this caretaker government -- what it can and cannot decide, (...) Are they legally capable of asking for a financial programme or not? This is different from what they want or don't want to do, (...) They should stop messing around with us and tell us what the situation is, both in terms of the economic analysis and in terms of the political situation. That will take up a large part of the meeting on Friday".