terça-feira, 19 de abril de 2011
O anúncio da Standard & Poors
Embora já se falasse algum tempo na possibilidade de, tal como sucedeu com o Japão, a dívida pública dos EUA poder vir a perder a notação AAA, a Standard & Poors chocou ontem os mercados ao anunciar que o seu outlook tinha passado de estável para negativo, justificando esta medida com a dimensão dos défices e o dívida pública sem que seja clara qual será a trajectória para estabilizar o rácio da dívida pública, chamando a atenção para as incertezas políticas relativamente à possibilidade de chegar a um acordo político que permita corrigir a situação orçamental.
domingo, 17 de abril de 2011
A inflação nos países emergentes
Um excelente post de Krugman sobre a inflação nos países emergentes no qual explica os diferenciais de inflação entre as economias avançadas (onde a inflação continua baixa) e as economias emergentes (onde a inflação está a começar a assumir valores que justificam preocupação) pela combinação de uma política monetária expansionista nas economias avançadas, como forma de combater o desemprego e a recusa das economias emergentes (e.g., China) em aceitar a apreciação nominal das suas moedas.
Neste cenário a consequência é um aumento dos fluxos de capitais com destino às economias emergentes que tende a gerar um sobreaquecimento destas economias e um aumento da inflação que conduz a uma apreciação real. Neste contexto, as alternativas que se colocam aos países emergentes são: i) aceitar uma apreciação da sua moeda, ou ii) restringir a sua procura interna, com efeitos recessivos, podendo os controlos de capitais surgir como uma alternativa pelo menos temporária para permitir um ajustamento mais suave das suas economias.
Neste cenário a consequência é um aumento dos fluxos de capitais com destino às economias emergentes que tende a gerar um sobreaquecimento destas economias e um aumento da inflação que conduz a uma apreciação real. Neste contexto, as alternativas que se colocam aos países emergentes são: i) aceitar uma apreciação da sua moeda, ou ii) restringir a sua procura interna, com efeitos recessivos, podendo os controlos de capitais surgir como uma alternativa pelo menos temporária para permitir um ajustamento mais suave das suas economias.
sábado, 16 de abril de 2011
Economia e Política
Continuando a leitura do livro Economia, Moral e Política (ver posts anteriores aqui, aqui e aqui ), ainda no segundo capítulo do livro, Vitor Bento discute a relação entre Economia e Política, onde justifica a intervenção política na economia para corrigir as "falhas de mercado", definindo as regras do jogo e garantindo o respectivo cumprimento, para manipular os resultados do processo económico no sentido de procurar obter resultados económicos tidos como mais desejáveis em função das preferências sociais - o que como se alerta no livro envolve (quase) sempre juízos morais e, portanto, subjectivos - por exemplo privilegiando a eficiência e o crescimento económico ou, pelo contrário, a distribuição do rendimento e a coesão social.
Esta intervenção do Estado pode e deve beneficiar dos ensinamentos da Economia que pode fornecer aos decisores informações - mais ou menos precisas - sobre quais os efeitos previsíveis das opções de política económica que forem prosseguidas, orientando o decisor sobre qual a melhor maneira - mais eficaz e mais eficiente - de atingir os objectivos políticos pretendidos.
Existe, no entanto, um risco considerável de, dada a natureza aproximada da economia e a existência de teorias económicas alternativas que a invocação de determinada teoria económica para fundamentar as escolhas de políticas económicas seja feita com base em critérios ideológicos e não com base em critérios científicos.
Por outro lado, dada a complexidade do sistema económico mesmo que se utilize o modelo correcto os resultados obtidos poderão divergir consideravelmente dos pretendidos em virtude da acção de factores que escapam ao controlo dos decisores políticos (por exemplo, evolução do preço do petróleo), pelo que estes não têm a garantia de que os resultados obtidos correspondam aos pretendidos.
Esta intervenção do Estado pode e deve beneficiar dos ensinamentos da Economia que pode fornecer aos decisores informações - mais ou menos precisas - sobre quais os efeitos previsíveis das opções de política económica que forem prosseguidas, orientando o decisor sobre qual a melhor maneira - mais eficaz e mais eficiente - de atingir os objectivos políticos pretendidos.
Existe, no entanto, um risco considerável de, dada a natureza aproximada da economia e a existência de teorias económicas alternativas que a invocação de determinada teoria económica para fundamentar as escolhas de políticas económicas seja feita com base em critérios ideológicos e não com base em critérios científicos.
Por outro lado, dada a complexidade do sistema económico mesmo que se utilize o modelo correcto os resultados obtidos poderão divergir consideravelmente dos pretendidos em virtude da acção de factores que escapam ao controlo dos decisores políticos (por exemplo, evolução do preço do petróleo), pelo que estes não têm a garantia de que os resultados obtidos correspondam aos pretendidos.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Os efeitos económicos do aumento dos preços do petróleo
Além do seu efeito sobre a inflação, o aumento dos preços do petróleo corresponde a uma transferência de rendimento dos países importadores - que ficam mais pobres - em favor dos países exportadores de petróleo - que ficam mais ricos - agravando os desequilíbrios de balança de pagamentos entre estes países e que tende a prejudicar particularmente os países mais pobres.
Spyros Andreopoulos do Morgan Stanley (via Alphaville) procurou responder às seguintes questões: 1) qual a dimensão dessa transferência de riqueza dos páises importadores para os países exportadores de petróleo ? 2) Qual a parte desses montantes que "regressa" aos países importadores de petróleo através do aumento das importações dos países produtores de petróleo ? 3) Qual o impacto dessa transferência sobre os mercados de activos ? 4) Qual será o valor dessa transferência e da destriuição de riqueza se o preço do petróleo continuar a subir e 5) Quais as consequências para a economia global?
Tendo chegado às seguintes respostas: 1) Cerca de 3,2 milhões de milhões de USD, que correspondem a mais de 3,5% do PIB dos países importadores de pet´róleo; 2) Cerca de 50%, admitindo no entanto que este valor possa subir em virtude dos esforços para manter a estabilidade política via aumento da despesa 3) Cerca de 1 milhão de milhões de USD serão poupoados e reinvestidos em activos apoiando os respectivos preços; 4) Se o preço do petróleo subir para uma média de 140 USD por barril a transferência de riqueza anual aumentará para quase 3 milhões de milhões de USD, que correspondem a 4,5% do PIB dos países importadores de petróleo; 5) No caso do preço do petróleo subir sustentadamente para uma média de 140 USD tal poderá provocar um cenário estagflação para a economia mundial.
Isto numa altura em que crescem os receios de que a inflação na China já esteja a escapar ao controlo (ver aqui) e os últimos números não são nada animadores apontando que a inflação na China tenha atringido os 5,4% impulsionada por uma subida de 11,7% dos preços dos bens alimentares (ver aqui).
Spyros Andreopoulos do Morgan Stanley (via Alphaville) procurou responder às seguintes questões: 1) qual a dimensão dessa transferência de riqueza dos páises importadores para os países exportadores de petróleo ? 2) Qual a parte desses montantes que "regressa" aos países importadores de petróleo através do aumento das importações dos países produtores de petróleo ? 3) Qual o impacto dessa transferência sobre os mercados de activos ? 4) Qual será o valor dessa transferência e da destriuição de riqueza se o preço do petróleo continuar a subir e 5) Quais as consequências para a economia global?
Tendo chegado às seguintes respostas: 1) Cerca de 3,2 milhões de milhões de USD, que correspondem a mais de 3,5% do PIB dos países importadores de pet´róleo; 2) Cerca de 50%, admitindo no entanto que este valor possa subir em virtude dos esforços para manter a estabilidade política via aumento da despesa 3) Cerca de 1 milhão de milhões de USD serão poupoados e reinvestidos em activos apoiando os respectivos preços; 4) Se o preço do petróleo subir para uma média de 140 USD por barril a transferência de riqueza anual aumentará para quase 3 milhões de milhões de USD, que correspondem a 4,5% do PIB dos países importadores de petróleo; 5) No caso do preço do petróleo subir sustentadamente para uma média de 140 USD tal poderá provocar um cenário estagflação para a economia mundial.
Isto numa altura em que crescem os receios de que a inflação na China já esteja a escapar ao controlo (ver aqui) e os últimos números não são nada animadores apontando que a inflação na China tenha atringido os 5,4% impulsionada por uma subida de 11,7% dos preços dos bens alimentares (ver aqui).
quinta-feira, 14 de abril de 2011
As perguntas de Pedro Passos Coelho
Independentemente do tom, eventualmente um pouco excessivo, da declaração pública de Pedro Passos Coelho parece-me inegável que qualquer apresentação de propostas sérias exige que previamente se disponha de informações sobre a real situação financeira do país e as questões que o PSD pretende ver esclarecidas parecem-me razoáveis e adequadas ao exercício que é necessário efectuar.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
A tempestade perfeita ?
De acordo com o INE em Março a taxa de inflação homóloga atingiu o 4% pressionada pela subida dos preços dos produtos energéticos (que subiram 13,3%) e dos produtos alimentares (subida de 4,6%). Conjugada com a tendência de subida das taxas de juro do mercado monetário e os efeitos sobre os rendimentos que se adivinham vir resultar do programa de assistência financeira do FMI... estamos perante um cenário extremamente negativo para a evolução do rendimento disponível das famílias nos próximos meses que não deverá deixar de ter efeitos significativos sobre a evolução do consumo privado, componente que representa cerca de 65% do PIB.
As projecções do WEO do FMI para Portugal
De acordo com as previsões do FMI para Portugal o PIB deveria cair 1,5% este ano e 0,5% no próximo ano enquanto que a taxa de desemprego atingiria 11,9% em 2011 e 12,4% em 2012.
Note-se, no entanto, que a realidade será provavelmente pior, pois estas projecções não incluem o efeito das medidas constantes do PEC IV nem do programa de ajustamento que será acordado e de acordo com as mesmas previsões o défice orçamental seria de 5,6% do PIB em 2011 e 5,5% do PIB em 2012, mantendo-se em níveis acima dos 5% no período até 2016. O que significa que para atingir uma situação sustentável das finanças públicas será necessário introduzir medidas restritivas que irão ter um efeito recessivo e, ceteris paribus, traduzir-se numa recessão mais profunda.
Note-se, ainda, que de acordo com aquelas previsões o défice externo seria de 8,7% do PIB em 2011 e de 8,5% em 2012, mantendo-se acima dos 6% nos três anos seguintes, o que significaria uma continuação da deterioração da posição de investimento internacional do nosso país.
Note-se, no entanto, que a realidade será provavelmente pior, pois estas projecções não incluem o efeito das medidas constantes do PEC IV nem do programa de ajustamento que será acordado e de acordo com as mesmas previsões o défice orçamental seria de 5,6% do PIB em 2011 e 5,5% do PIB em 2012, mantendo-se em níveis acima dos 5% no período até 2016. O que significa que para atingir uma situação sustentável das finanças públicas será necessário introduzir medidas restritivas que irão ter um efeito recessivo e, ceteris paribus, traduzir-se numa recessão mais profunda.
Note-se, ainda, que de acordo com aquelas previsões o défice externo seria de 8,7% do PIB em 2011 e de 8,5% em 2012, mantendo-se acima dos 6% nos três anos seguintes, o que significaria uma continuação da deterioração da posição de investimento internacional do nosso país.
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