terça-feira, 31 de maio de 2011

Indicador de Sentimento Económico (ESI) - Maio 2011

Os dados divulgados pela Comissão Europeia relativos ao mês de Maio revelam uma ligeira subida do indicador de sentimento económico na União Europeia  (+0,3 pontos para 105,4) e uma redução na zona euro (-0,1 pontos para 106,2 pontos na zona euro), o que aponta para uma desaceleração da expansão da actividade económica.

Sendo esta divergência explicada fundamentalmente pela evolução no Reino Unido que depois da queda de 5,1 pontos no mês anterior recuperou 2,6 pontos em Maio (situando-se agora nos 102,1 pontos). Entre aquelas que são as maiores economias ressalta a queda de 2,7 pontos em Itália (para 97,5 pontos) e de 1,9 pontos na França (para 106,9 pontos) enquanto que na Alemanha se verificou um ligeiro decréscimo de 0,1 pontos mantendo-se o indicador num nível bastante robusto (115,1 pontos). Deve no entanto realçar-se que na maioria dos países se assistiu a um recuo em alguns casos (v.g. Hungria: -6,7 pontos; Países Baixos: - 4,6 pontos. Sendo, ainda, de destacar em termos sectoriais que esta evolução global se encontra associada a uma evolução negativa da confinaça na indústria.

No que respeita a Portugal, o indicador de sentimento económico caiu 1,9 pontos (para 85,2 pontos) constatando-se uma redução da confiança na indústria, construção e serviços enquanto que o sentimento no comércio e dos consumidores recuperou ligeiramente.

Em termos globais estes resultados acentuam ligeiramente as diferenças entre um pequeno grupo de países composto pela Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Finlândia e Suécia e os restantes países da União Europeia.

Governação económica na União Europeia

Um paper recente do BCE conclui que o "Pacto de Estabilidade e Crescimento não tenhum nenhum efeito, ou teve um efeito limitado, no balanço primário. Embora tenha aumentado a contra-ciclicidade da política orçamental também aumentou a sua sensibilidade ao ciclo político" e que na melhor das hipóteses a Estratégia de Lisboa não teve qualquer impacto na evolução do PIB rela per capita, emprego e produtividade do trabalho.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Evolução da balança corrente em Portugal

De acordo com os dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal, nos três primeiros meses de 2011, o défice externo corrente diminuiu em 1.178,6 milhões de euros, tendo-se verificado uma melhoria em todas as principais componetes. Com efeito, a balança de bens melhorou em 346,6 milhões de euros, enquanto que a balança de serviços e de rendimentos contribuiram com 287,3 e 86,1 milhões de euros. Tendo, todavia, o principal contributo sido a evolução favorável da balança de trasnferências correntes cujo saldo positivo aumentou em 458,6 milhões de euros, em resultado de um aumento do saldo líquido quer das transferências correntes públicas (+264,9 milhões de euros dos quais +183,1 milhões de euros com a União Europeia) quer das transferências correntes privadas (+193,7 milhões de euros, sendo de notar que o contributo das remessas de emigrantes/imigrantes foi ligeiramente negativo no montante de 12,1 milhões de euros).

domingo, 29 de maio de 2011

Ler os Outros: Inflation and Debt (Wonkish) - Paul Krugman

Não perder este post sobre em que Krugman comenta uma caixa do capítulo I do Economic Outrlook da OCDE sobre o efeito da inflação sobre a dívida pública (os negritos são meus):

"the report has a box dismissing the possibility that a higher inflation target, which has been advocated among others by Olivier Blanchard and even Greg Mankiw, could do any good. The report does some arithmetic on the likely reduction in public debt burdens, finding that a sustained increase in inflation by 2 percentage points would be required over a 10-year period to erode the average crisis-induced increase in the debt ratio in the OECD area which the OECD takes as evidence that inflation can’t be a useful response.
So, what’s wrong with this? I see at least three things wrong.

First, the report writes as if a period of 4 percent inflation rather than 2 percent inflation would be a terrible thing, highly disruptive to the economy.

Second — and this is technical but important — the OECD assumes that higher inflation would be reflected one-for-one in higher interest rates. This is a good assumption in normal times — but the whole reason we’re in such a mess is the fact that short-term rates are up against the zero lower bound, that is, that we’re in a liquidity trap. This means that short-term rates would not rise at all for some length of time if we had higher inflation, and that long rates, which reflect expected short rates, should rise less than one for one. In fact, that’s one of the main arguments for higher inflation when you’re facing a zero lower bound: it would reduce real interest rates. So the benefits for the public debt burden would be larger than the estimates suggest.

Third, public debt is not our only problem — in fact, it’s not the core problem. The key problem is, instead, the overhang of private debt. (...) And a period of modestly higher inflation would help reduce that private debt overhang, which would help promote economic recovery, which would in turn raise revenues and help the fiscal situation."

sábado, 28 de maio de 2011

One size (doesn't) fits all

Um dos principais desafios que se colocam à condução da política monetária na zona euro é a divergência que se verifica nas condições económicas dos diversos países que a integram.

Numa inversão do que ocorreu até 2007 a política monetária do BCE corre o risco de ser exageradamente acomodatícia para os países cujas economias estão a recuperar mais rapidamente da crise económica e financeira de 2008-2009 e, simultaneamente, revelar-se demasiado restritiva para os países da periferia que têm de cumprir programas de ajustamento orçamental extremamente exigentes (v.g., Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha).

De algum modo o problema também se coloca noutras "uniões" monetárias como, por exemplo, os EUA, mas aí o problema é consideravelmente atenuado pela existência de um orçamento federal com um peso muito significativo e por uma maior integração dos mercados de trabalho e bancário.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Perspectivas para a política monetária segundo a OCDE

No seu recente Economic Outlook, a OCDE considera que nos países membros apesar do recente aumento das taxas de inflação os riscos de uma subida das expectativas dos agentes económicos relativamente à evolução dos preços no médio longo prazo são contrabalançados pelo facto de as economias estarem a operar significativamente abaixo do seu nível potencial e pelo efeito das medidas de consolidação orçamental que estão a ser implementadas, salientando que a inflação base (excluindo as componentes mais voláteis, nomeadamente o efeito do aumento dos preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares) se mantém em níveis bastante baixos.

O que para esta organização configura um cenário que recomenda a manutenção de políticas monetárias acomodatícias ao longo de 2011, considerando contudo que no caso dos EUA e Reino Unido (mas não do Japão) se justificará um ajustamento da taxa de juro para que as autoridades monetárias possam dispor de margem de manobra para fazer face a um resurgimento de fragilidades no sistema financeiro e como forma de conter surpresas na evolução da inflação. Defendendo que, mantendo-se a tendência de recuperação económica, a política monetária se deverá ir tornando progressivamente mais restritiva ao longo de 2012.

Já para as principais economias dos países não membros da OCDE, esta organização considera que as políticas monetárias se deverão tornar mais restritivas por forma a conter os riscos de inflação e prevenir o surgimento de bolhas especulativas, aconselhando ainda um ajustamento das taxas de câmbio que seja consistente com as necessidades das respectivas economias internas e ao mesmo tempo contribua para uma redução dos elevados desequilíbrios externos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A sucessão no FMI

O pronto apoio dos principais países europeus à candidatura da ministra das finanças francesa, Christine Lagarde, ao cargo de presidente do FMI deve ser suficiente para garantir que ainda não seja desta vez que vai chegar ao fim a tradição de que esta intituição seja liderada por um europeu, até porque parece ser dificil que os países emergentes sejam capazes de se unir perante uma candidatura alternativa com um currículo à altura.

A confirmar-se esta escolha isso é sem dúvida uma boa notícia para a Europa onde, contrariamente, ao que se pensaria antes da crise financeira de 2008-2009 o FMI tem continua a desempenhar um papel essencial, como o revelam mnão só as suas intervenções nos programas de ajustamento da Grécia, Irlanda e Portugal mas também o papel fundamental que desempenharam em muitos países do Leste Europeu.

É preciso, contudo, que a comunidade internacional - e a Europa - sejam capazes de reconhecer que os problemas da economia mundial não se circunscrevem à crise das dívidas soberanas na Europa e que a saúde da economia mundial depende, sobretudo, da capacidade para conter corrigir de forma gradual os desequilíbrios globais nas balanças externas correntes. Importa, pois, que o facto de ser liderada por um europeu não conduza a uma menor atenção relativamente aos riscos macroecómicos globais nem a uma menor capacidade do FMI para contribuir para a correcção desses desequilíbrios.