sábado, 4 de junho de 2011

"Double dip" nos EUA ?

Os indicadores divulgados nas últimas semanas para a economia dos EUA apontam de forma consistente para uma desaceleração da actividade económica dos EUA que, no primeiro trimestre, tinha crescido a uma taxa anual de apenas 1,8% insuficiente para reduzir de forma substancial a taxa de desemprego que nos últimos dois meses registou mesmo um ligeiro aumento.

Embora ainda seja cedo para dizer se a economia americana poderá voltar a entrar em recessão, esta evolução recente da economia americana - que em parte será atribuível ao aumento dos preços do petróleo e das matérias primas - veio reavivar as dúvidas quanto à sustentabilidade da recuperação da  economia dos EUA, especialmente num contexto em que polítia orçamental nos EUA será provavelmente mais restritiva e parece afastar a possibilidade de uma subida das taxas de juro no curto prazo (podendo eventualmente conduzir a uma extensão do programa da Reserva Federal de compra de dívida pública), tendo-se reflectido numa descida das taxas de juro de longo prazo e - apesar da instabilidade na zona euro gerada pelos problemas na Grécia - a uma apreciação do euro.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Evolução do desemprego nos EUA - Maio de 2011

De acordo com os dados divulgados hoje pelo BLS, a taxa de desemprego nos EUA aumentou em Maio para 9,1 % (+0,1 pp) e o número de desempregados aumentou pelo terceiro mês consecutivo, tendo o número de empregados por conta de outrem aumentado em apenas 54 mil.

Estes valores são mais um indicador de uma desaceleração da actividade económica dos EUA.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O fim da soberania orçamental na zona euro ?

Numa comunicação feita hoje o Presidente do BCE formula uma proposta de alteração radical do quadro institucional da zona euro.

"As a first stage, it is justified to provide financial assistance in the context of a strong adjustment programme. It is appropriate to give countries an opportunity to put the situation right themselves and to restore stability.

At the same time, such assistance is in the interests of the euro area as a whole, as it prevents crises spreading in a way that could cause harm to other countries.

It is of paramount importance that adjustment occurs; that countries – governments and opposition – unite behind the effort; and that contributing countries survey with great care the implementation of the programme.
 But if a country is still not delivering, I think all would agree that the second stage has to be different.

Would it go too far if we envisaged, at this second stage, giving euro area authorities a much deeper and authoritative say in the formation of the country’s economic policies if these go harmfully astray? A direct influence, well over and above the reinforced surveillance that is presently envisaged?

The rationale for this approach would be to find a balance between the independence of countries and the interdependence of their actions, especially in exceptional circumstances.

We can see before our eyes that membership of the EU, and even more so of EMU, introduces a new understanding in the way sovereignty is exerted. Interdependence means that countries de facto do not have complete internal authority. They can experience crises caused entirely by the unsound economic policies of others.
 With a new concept of a second stage, we would change drastically the present governance based upon the dialectics of surveillance, recommendations and sanctions.
 In the present concept, all the decisions remain in the hands of the country concerned, even if the recommendations are not applied, and even if this attitude triggers major difficulties for other member countries.

In the new concept, it would be not only possible, but in some cases compulsory, in a second stage for the European authorities – namely the Council on the basis of a proposal by the Commission, in liaison with the ECB – to take themselves decisions applicable in the economy concerned.

One way this could be imagined is for European authorities to have the right to veto some national economic policy decisions. The remit could include in particular major fiscal spending items and elements essential for the country’s competitiveness."

PS: Confesso que o que me deixa mais intrigado é saber o que se consideram como elementos essenciais para a competitividade de um país.

Avaliação da Standard & Poors da situação de Portugal

Em nota de 31 de Maio, a Standard & Poors refere relativamente à República Portuguesa que:

"we believe that the [EU/IMF] program's implementation risks are significant. These stem from potential weakening in political suppor for the prgram, macro-economic risks associated with financial sector deleverage and what we view as the likely downward pressures on wages, compensation and private and public sector investment in Portugal.
(...)
If the government fully implement the EU/IMF program and puts the public debt trajectory onto a sustainable path, Portugal may be able to obtain funding from the European Stability mechanism (ESM) without restructuring its existing debt in 2013. Nevertheless, we undersand that ESM borrowings would be senior to Portugal's government bonds. The seniority of ESM borrowings (and the consequent subordination of government bonds) in our view reduces the prospect of timely repayment to holders of unsecured Portuguese government bonds, and would also likely result in lower recovery values" (os negritos e o sublinhado são meus)

Além dos avisos relativamente aos riscos de desvios na implementação do programa de ajustamento o ponto sem dúvida mais saliente é o facto de implicitamente a S&P atribuir uma elevada probabilidade a um cenário em que Portugal continue, após 2013, a ter sérias dificuldades de acesso ao financiamento nos mercados e, consequentemente, dependente da assistência financeira externa, nomeadamente no quadro da UE e a admissão de que poderá vir a ocorrer uma reestruturação da dívida portuguesa em 2013.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A evolução da indústria transformadora nos EUA - ISM de Maio de 2011

Confirmando os sinais de desaceleração da economia dos EUA, o ISM relativo ao mês de Maio regista uma queda de 6,9 pontos (para 53,4 pontos) relativamente ao mês anterior, apresentando reduções significativas quer na componente novas encomendas (-10,7 para 51,0 pontos) quer nas componentes produção (-9,8 para 54,0 pontos) e emprego (-4,5 para 58,2 pontos).

Estes indicadores são consistentes com um crescimento da actividade da indústria transformadora mas a um nível claramente mais moderado. Note-se contudo como aspectos positivos a redução da componente preços (-9,0 para 76,5 pontos) e o facto de não haver indicações de acumulação de stocks.

E não é só nos EUA

O blog Alphaville apresenta hoje dois posts sobre as perspectivas para os mercados imobiliários da China e do Reino Unido que não são nada animadores, apontando para a possibilidade de quedas de preços da ordem dos 10% nos próximos dois anos, o que - além dos efeitos sobre a actividade no sector de construção e a confiança dos consumidores - teria um impacto adverso significativo sobre o sector bancário.

Situação do sector imobiliário nos EUA

O índice Case-Shiller ontem divulgado indicou que o índice de preços médios voltou a cair no mês de Março Março, elevando para 3,6% a redução de preços em termos homólogos e para 33,1% a redução dos preços nominais desde o máximo verificado em Julho de 2006, enquanto que em valores ajustados da inflação a descida dos preços em temros homólogos se situa nos 6,1% e a acumulada ascende a 39,6%, sendo de referir que em valores ajustados da inflação os preços se encontram em níveis semelhantes aos observados em 2000. 

Este indicado junta-se a outros relativos à evolução da actividade na construção e nas vendas de casas novas que permanecem em valores muito próximos dos respectivos mínimos histórios e vem confirmar que o sector imobiliário nos EUA continua a atravessar uma fase bastante dificil e sem que se vislumbrem sinais de recuperação no curto prazo.