De acordo com os dados para o PIB divulgados pelo INE, o PIB português caiu 0,6% face ao nível do trimestre anterior (menos 0,1 pp do que o valor anunciado na estimativa rápida) valor idêntico ao registado no trimestre anteior e igualmnete 0,6% face ao período homólogo.
Esta evolução ficou a dever-se à evolução da procura interna (-3,2%) com o consumo privado em volume a reduzir-se em 2,1%, em termos homólogos - resultado da queda de 9,8% nas aquisições de bens duradouros -, o consumo público a cair 4,3% e a FBCF a reduzir-se em 5,9%. Evolução que foi parcialmente compensada pela evolução positiva da procura externa (as exportações aumentaram 8,5% e as importações cairam 0,8%).
Sendo de notar a evolução positiva das necessidades líquidas de financiamento da economia portuguesa que cairam num montante equivalente a 2,7% do PIB (para 6,7%) o que faz com que nos últimos 4 trimestres as necessidades de financiamento face ao exterior tenham correspondido a 7,7% e que é o valor mais baixo de desde o primeiro trimeste de 2005.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Declaração do presidente do BCE
Na sua declaração de hoje após a decisão do BCE de manter as taxas de juro inalteradas, o presidente desta instituição considera que, apesar da incerteza a actividade económica no conjunto da zona euro continua a recuperar e que as condições do monetárias continuam acomodatícias dando claros sinais de que muito provavelmente o BCE irá voltar a subir as taxas de juro brevemente, possivelmente já em Julho, ao afirmar que "risks ro the outlook for price stability are on the upside. Accordingly, strong vigilance is warranted. On the basis of our assessment, we will act in a firm and timely manner. We will do all that is needed to prevent recent price developments giving rise to broad-based pressures" (meu sublinhado).
quarta-feira, 8 de junho de 2011
A carta do Ministro das Finanças da Alemanha
O texto da carta do Ministro das Finanças alemão para os presidentes do BCE, FMI e para os seus colegas europeus sobre a situação na Grécia (via Reuters) vai directo ao ponto fulcral ao referir de forma bastante directa que, como era por demais evidente, um regresso da Grécia aos mercados em 2012 parece mais do que irrealista ("more than unrealistic"), tornando inevitável apoios adicionais para evitar uma situação de bancarrota, colocando, no entanto, como condição que qualquer apoio adicional envolva uma partilha "justa" dos esforços entre os contribuintes e os investidores privados para uma maior sustentabilidade da dívida grega e sugerindo que a Grécia - em conjunto com o FMI - inicie um processo de negociação com os detentores dos títulos de dívida grega em termos semelhantes aos da iniciativa de Viena que envolva uma troca de títulos que prolongue a maturidade da dívida em 7 anos.
Esta proposta - que na prática seria insuficiente para resolver o problema da sustentatibilidade da dívida pública grega servindo apenas para "comprar" mais algum tempo - vem avivar a possibilidade de uma reestruturação da dívida pública grega avivando os recieos de que venham a verificar-se as condições para que se considere existir uma situação de incumprimento que o BCE tem pretendido a todo o custo evitar.
Mas vem sobretudo mostrar que existe um limite para a "solidariedade" da Alemanha na ajuda aos países periféricos em dificuldades o que pode conduzir a novas quedas do rating da dívida portuguesa e da Irlanda com consequências imediatas adversas sobre as condições de financiamento da banca e das empresas o que está a fazer os yields da dívida pública portuguesa a 10 anos subirem para níveis superiores a 10%.
Esta proposta - que na prática seria insuficiente para resolver o problema da sustentatibilidade da dívida pública grega servindo apenas para "comprar" mais algum tempo - vem avivar a possibilidade de uma reestruturação da dívida pública grega avivando os recieos de que venham a verificar-se as condições para que se considere existir uma situação de incumprimento que o BCE tem pretendido a todo o custo evitar.
Mas vem sobretudo mostrar que existe um limite para a "solidariedade" da Alemanha na ajuda aos países periféricos em dificuldades o que pode conduzir a novas quedas do rating da dívida portuguesa e da Irlanda com consequências imediatas adversas sobre as condições de financiamento da banca e das empresas o que está a fazer os yields da dívida pública portuguesa a 10 anos subirem para níveis superiores a 10%.
Evolução do PIB na zona Euro
O PIB na zona euro cresceu 0,8% no primeiro trimestre de 2011 face ao trimestre anterioe e 2,5% face ao trimestre homólogo impulsionado pelo forte crescimento na Alemanha (+1,5% face ao último trimestre de 2010 e 4,8% em termos homólogos), enquanto que por componentes ressalta o contributo da formação bruta de capital fixa (+2,1% e +4,2%).
Por países ressalta a divergência entre as economias do centro e norte da Europa que registam taxas de crescimento homólogas bastante elevadas superiores a 3% (como sucede, para além da Alemanha, na Béçgica, países bálticos, Países Baixos, Áustria, Polónia, Finlândia e Suécia) e um conjunto de países com taxas de crescimento próximo ou abaixo de 1% onde se inclui, Espanha, Itália, Grécia e Portugal (a que se deverá acrescentar a Irlanda país para o qual ainda não existem dados relativos ao primeiro trimestre de 2011).
No que se refere a Portugal salienta-se o facto de ser, pelo menos entre aqueles países para os quais existem dados, o país onde o PIB mais caiu no primeiro trimestre face ao trimestre anterior (-0,7%), o segundo - a seguir à Grécia - onde o PIB mais caiu em termos homólogos (-0,7%) e um dos dois onde o PIB desceu pelo segundo trimestre consecutivo (o outro é a Dinamarca onde depois de uma queda de 0,2% no 4.º trimestre de 2010 se registou uma queda 0,5%).
Por países ressalta a divergência entre as economias do centro e norte da Europa que registam taxas de crescimento homólogas bastante elevadas superiores a 3% (como sucede, para além da Alemanha, na Béçgica, países bálticos, Países Baixos, Áustria, Polónia, Finlândia e Suécia) e um conjunto de países com taxas de crescimento próximo ou abaixo de 1% onde se inclui, Espanha, Itália, Grécia e Portugal (a que se deverá acrescentar a Irlanda país para o qual ainda não existem dados relativos ao primeiro trimestre de 2011).
No que se refere a Portugal salienta-se o facto de ser, pelo menos entre aqueles países para os quais existem dados, o país onde o PIB mais caiu no primeiro trimestre face ao trimestre anterior (-0,7%), o segundo - a seguir à Grécia - onde o PIB mais caiu em termos homólogos (-0,7%) e um dos dois onde o PIB desceu pelo segundo trimestre consecutivo (o outro é a Dinamarca onde depois de uma queda de 0,2% no 4.º trimestre de 2010 se registou uma queda 0,5%).
A sistematização das medidas da troika
O Ministério das Finanças disponibilizou no seu site um documento com a sistematização das medidas previstas no programa acordado com a União Europeia e o FMI que deverão ser implementadas até ao final do corrente ano de 2011, sendo que 13 delas deverão ser postas em prática até ao fim do corrente mês.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
A aplicação do acordo com a troika
Nas eleições de ontem os partidos que assinaram o acordo com a União Europeia e o FMI obtiveram 78,42% dos votos e resultou uma maioria clara PSD e CDS-PP que permite criar as condições políticas para a respectiva aplicação com uma legitimidade que resulta dos partidos que irão ser responsáveis pela formação do Governo, e em particular o PSD, não ter escondido que as medidas que é necessário aplicar para corrigir os graves desequilíbrios orçamental e externo serão extremamente duras e exigentes e que a situação económica e social não só irá certamente degradar-se nos próximos meses como a recuperação será lenta e dificil.
domingo, 5 de junho de 2011
Declaração do BCE, Comissão Europeia e FMI
Num comunicado conjunto do BCE, Comissão Europeia e FMI sobre a Grécia, estas instituições consideram que apesar de progressos significativos no processo de consolidação orçamental são necessárias medidas adicionais que incluem nomeadamente uma redução significativa do emprego no sector público, reestruturação ou eliminação de entidades públicas, redução das isenções fiscais, aumento dos impostos sobre os imóveis, reforço dos esfroços para combater a evasão fiscal e aceleração do processo de privatizações com o objectivo de obter 50 mil milhões de euros até ao final de 2015.
Este comunicado surge num contexto em que terá sido obtido um acordo para um reforço do programa de assistência que se tornou inevitável face aos desvios em relação aos objectivos e perante a evidência de que seria impossível à Grécia "regressar ao mercado" em 2012.
Segundo o que tem vindo a ser noticiado os investidores privados serão incentivados a colaborar de forma voluntária no programa em moldes que contudo não foram ainda divulgados, mas que segundo o que tem sido aventado poderá consistir, à semelhança do que ocorreu em 2009 no quadro da chamada iniciativa de Viena, em estes aceitarem em refinanciar os créditos que detenham sobre o Estado grego.
Este acordo que evita uma reestruturação imediata da dívida pública grega permitirá, pelo menos, ganhar tempo que poderá ser utilizado pelos bancos europeus credores para reforçarem os seus capitais e aos restantes países da zona euro, em especial os mais vulneráveis (v.g., Irlanda, Portugal e Espanha) consolidarem as respectivas situações orçamentais de forma a minimizarem os riscos de contágio.
Este comunicado surge num contexto em que terá sido obtido um acordo para um reforço do programa de assistência que se tornou inevitável face aos desvios em relação aos objectivos e perante a evidência de que seria impossível à Grécia "regressar ao mercado" em 2012.
Segundo o que tem vindo a ser noticiado os investidores privados serão incentivados a colaborar de forma voluntária no programa em moldes que contudo não foram ainda divulgados, mas que segundo o que tem sido aventado poderá consistir, à semelhança do que ocorreu em 2009 no quadro da chamada iniciativa de Viena, em estes aceitarem em refinanciar os créditos que detenham sobre o Estado grego.
Este acordo que evita uma reestruturação imediata da dívida pública grega permitirá, pelo menos, ganhar tempo que poderá ser utilizado pelos bancos europeus credores para reforçarem os seus capitais e aos restantes países da zona euro, em especial os mais vulneráveis (v.g., Irlanda, Portugal e Espanha) consolidarem as respectivas situações orçamentais de forma a minimizarem os riscos de contágio.
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