No comunicado da Reserva Federal de ontem para além da decisão esperada de manutenção das taxas de juro ressalta o reconhecimento de que a recuperação da economia dos EUA está a revelar-se mais débil do que o antecipado e a inflação mais elevada, estando estes indicadores a serem afectados por factores como o aumento dos preços dos produtos alimentares e petrolíferos que a Reserva Federal considera terem natureza temporária, tendo mantido a adecisão de concluir no final do mês o programa de compra 600 mil milhões de USD de títulos do Tesouro e de reinvestir os valores reembolsados dos títulos detidos.
A desaceleração da recuperação da actividade económica nos EUA reflecte-se nas projecções macroecómicas da Reserva Federal que apontam agora para um crescimento em 2011 abaixo dos 3% (entre 2,7% e 2,9%) significativamente abaixo (-0,4 pp) das projecções de Abril, para uma taxa de desemprego entre 8,6% e 8,9% (+0,2 pp) e uma taxa de inflação entre 2,3% e 2,5% (que compara com o anterior intervalo entre 2,1% e 2,8%). Sendo agora os valores médios dos intervalos das projecções para 2012 e 2013 também ligeiramente mais pessimistas, em especial, no que se refere à evolução da taxa de desemprego.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Portugal na Hora da Verdade - Álvaro Santos Pereira
Li, finalmente, o livro do novo ministro da Economia e confesso que fiquei deveras impressionado, com o profundo conhecimento, sempre muito bem sustentado em dados estatísticos e nos resultados de estudos sobre a economia portuguesa, que revela da história e da realidade da economia portuguesa que segundo o autor enfrenta 3 crises: i) uma crise de crescimento - resultado de políticas económicas erradas mas também de dificuldades de ajustamento ao euro e a descida da produtividade e que teve consequências sociais graves como o regresso do desemprego, ii) uma crise de finanças públicas, com uma dívida pública total (incluidndo SEE e PPP) actualizada entre 120% e 130% do PIB e iii) uma crise de endividamento externo, com uma dívida líquida face ao exterior superior a 110% do PIB (e uma dívida bruta superior a 220%) que Álvaro Santos Pereira descreve na primeira parte deste livro.
O mais interessante contudo são as partes II e III do livro que correspondem praticamente a um programa de Governo.
Na Parte II - O que fazer para vencer a crise económica nacional, Alvaro Santos Pereira propõe de forma bastante detalhada: i) uma estratégia de combate ao défice orçamental e à dívida pública através da privatização das empresas e imóveis do Estado e do corte dos consumos intermédios e transferências correntes e, a médio prazo, da reestruturação das entidades públicas que permita recuperar a sustentaibilidade das financças públicas; ii) um relançamento da competitividade através de uma estratégia de "devalorização fiscal" baseada numa descida significativa (cerca de 10 pp) da taxa social única compensada por uma subida da taxa efectiva do IVA e uma redução (adicional) da despesa pública, acompanhada pela redução dos chamados "custos de contexto", reforma da justiça, melhoria da educação, liberalização do mercado de trabalho e desenvolvimento das infra-estruturas (ferroviárias e portuárias) que promovam o escoamento das nossas exportações; iii) da redução do défice e do endividamento externo através de políticas que possibilitem o incremento das exportações e o aumento da poupança, atraiam os reformados europeus e conduzam a uma redução das importações.
Finalmente, na Parte III - Retomar o Sucesso, o novo ministro da Economia defende um programa de transparência e de combate à corrupção, uma agenda com objectivos bastante ambiciosos: um crescimento médio anual a rondar os 3% ao ano, défices público e externo de 0% até 2016, redução da dívida líquida externa para 50% do PIB em 10 anos, propugnando, nomeadamente, pelo desenvolvimento de uma marca Portugal, política de promoção da natalidade (através de licenças de maternidade e paternidade mais alargadas e de políticas de suporte às famílias), de políticas de imigração, da reforma do ensino superior e da reforma e reorganização do sector público.
Um aspecto interessante reside no facto de considerar a restruturação da dívida pública através da redução das taxas de juro ou, inclusive, da "renegociação" dos montantes de endividamento considerando, não só que esta é "de facto, a hipótese mais provável e, porventura, também a mais desejável", como condidera que devia incluir, também, a renegociação das parcerias público-privadas relativamente à qual o autor é muito crítico em várias passagens do livro.
Em suma, um excelente livro que revela que o novo super-Ministro da Economia é alguém com um conhecimento profundo da economia portuguesa e com ideias válidas e interessantes para enfrentar os desafios com que nos defrontamos, sendo de destacar o realismo e o tom positivo, de confiança e de esperança que atravessa todo o livro.
Opções para um roll-over da dívida grega
Chamo a atenção para um post do Aphaville em que citanmdo um analista do banco Nomura aponta três alternativas possíveis para um roll-over da dívida grega:
"(1) bond maturity extensions, which almost certainly would result in default or selective default as viewed by rating agencies (if not for CDS) and is thus a clearly negative outcome leading to contagion in the rest of the periphery and the banking system in Europe;
(2) rollovers into GGBs (or any loan to Greece) negotiated with some of the largest GGB holders (so called “Vienna option”) which are a soft way of extending maturities, potentially avoiding a default as viewed by rating agencies and positive for the periphery in the short term to the extent that a default and the contagion effect are avoided for now;
(3) voluntary rollovers into debt that has better credit than GGBs, ideally EFSF bonds (a European version of the Brady bonds) if not enhanced GGBs, which would be very positive because it is the closest thing to a durable solution to the problem (GGBs are removed from the circulation and the new debt is guaranteed by the rest of Europe) while it should considerably limit the risk of a default rating.
The first outcome seems to be no longer be an option since the press conference on Friday. The second is likely, but a form of guarantee/collateral on the new debt, as would be necessary in option 3, has not yet been openly debated and would need to be considered if avoiding [default/contagion] is the objective. If it is part of the package, it would be an important positive surprise for periphery bonds."
Note-se, no entanto, que os Brady Bonds correspondiam a uma reestruturação da dívida através da troca por títulos com menor valor de reembolso ou menor taxa de juro o que tornará incerta a adesão "voluntária" à solução. Uma adesão que significaria sempre que os credores consideram muito provável um cenário de incumprimento, preferindo por isso trocar por a dívida que detêm por títulos com menor valor actual mas com garantia de reembolso, transfere de facto o risco de incumprimento da Grécia para os contribuintes europeia e não garante as condições para o regresso da Grécia ao mercado após o novo prazo.
"(1) bond maturity extensions, which almost certainly would result in default or selective default as viewed by rating agencies (if not for CDS) and is thus a clearly negative outcome leading to contagion in the rest of the periphery and the banking system in Europe;
(2) rollovers into GGBs (or any loan to Greece) negotiated with some of the largest GGB holders (so called “Vienna option”) which are a soft way of extending maturities, potentially avoiding a default as viewed by rating agencies and positive for the periphery in the short term to the extent that a default and the contagion effect are avoided for now;
(3) voluntary rollovers into debt that has better credit than GGBs, ideally EFSF bonds (a European version of the Brady bonds) if not enhanced GGBs, which would be very positive because it is the closest thing to a durable solution to the problem (GGBs are removed from the circulation and the new debt is guaranteed by the rest of Europe) while it should considerably limit the risk of a default rating.
The first outcome seems to be no longer be an option since the press conference on Friday. The second is likely, but a form of guarantee/collateral on the new debt, as would be necessary in option 3, has not yet been openly debated and would need to be considered if avoiding [default/contagion] is the objective. If it is part of the package, it would be an important positive surprise for periphery bonds."
Note-se, no entanto, que os Brady Bonds correspondiam a uma reestruturação da dívida através da troca por títulos com menor valor de reembolso ou menor taxa de juro o que tornará incerta a adesão "voluntária" à solução. Uma adesão que significaria sempre que os credores consideram muito provável um cenário de incumprimento, preferindo por isso trocar por a dívida que detêm por títulos com menor valor actual mas com garantia de reembolso, transfere de facto o risco de incumprimento da Grécia para os contribuintes europeia e não garante as condições para o regresso da Grécia ao mercado após o novo prazo.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Execução Orçamental Janeiro a Maio de 2011
De acordo com a Síntese de Execução Orçamental da DGO "O saldo global da Administração Central na óptica da Contabilidade Pública, de Janeiro a Maio de 2011, foi de 1 028 milhões de euros, resultado que tem implícita uma melhoria de 2 354 milhões de euros relativamente a igual período do ano precedente".
Com a receita efectiva a crescer em todos os sectores - com excepção da Segurança Social - a uma taxa superior à implicita no Orçamento do Estado para 2011 e a despesa primária a decrescer no Estado e na Administração Local a uma taxa superior à constante desse documento.
No que se refere à receita do subsector Estado é de salientar a acentuada variação homóloga da taxa de crescimento dos impostos directos - IRS e IRC - que apontam agora para um crescimento de 12,5% do IRS e uma queda de 4,8% do IRC e a desaceleração da taxa de crescimento do IVA para 13,7% que terá sido justificada por um "elevado montante de reembolsos", enquanto que o imposto sobre os veículos (ISV), o imposto de selo e os impostros sobre o tabaco e os produtos petrolíferos continuam a sentir os efeitos da contração na venda de veículos, nas operações financeiras e na introdução ao consumo de tabaco e gasolina, respectivamente.
Do lado da despesa deste subsector verificou-se uma descida de 7,2% da despesa global e de 5,7% da despesa primária e de 5,2% na despesa corrente primária. Sendo de notar que se acentuou o efeito temporário que resulta do "diferente padrão intra-anual de pagamento de juros", referindo-se ainda no documento da DGO que "O decréscimo mais acentuado da despesa efectiva e efectiva primária observado em Maio relativamente ao mês precedente (por memória, -3% e -2,3%, respectivamente) é justificado essencialmente pelo efeito base associado ao facto de, nos primeiros quatro meses de 2010, ter sido executado o orçamento transitório".
Para esta evolução da despesa corrente primária do Estado contribuiram sobretudo a redução das despesas com pessoal (-7,2%) e das transferências correntes (-4,5%) enquanto que, em sentido contrário se verificou uma subida doas aquisições de bens e serviços (+49,0%), que no entanto resulta quase inteiramente de uma alteração metodológica decorrente da introdução da contribuição patronal para a ADSE sem a qual o acréscimo seria ainda assim de 5% que no documento se diz ser "justificado pelo pagamento de trabalhos especializados no âmbito da Lei de Programação Militar".
Com a receita efectiva a crescer em todos os sectores - com excepção da Segurança Social - a uma taxa superior à implicita no Orçamento do Estado para 2011 e a despesa primária a decrescer no Estado e na Administração Local a uma taxa superior à constante desse documento.
No que se refere à receita do subsector Estado é de salientar a acentuada variação homóloga da taxa de crescimento dos impostos directos - IRS e IRC - que apontam agora para um crescimento de 12,5% do IRS e uma queda de 4,8% do IRC e a desaceleração da taxa de crescimento do IVA para 13,7% que terá sido justificada por um "elevado montante de reembolsos", enquanto que o imposto sobre os veículos (ISV), o imposto de selo e os impostros sobre o tabaco e os produtos petrolíferos continuam a sentir os efeitos da contração na venda de veículos, nas operações financeiras e na introdução ao consumo de tabaco e gasolina, respectivamente.
Do lado da despesa deste subsector verificou-se uma descida de 7,2% da despesa global e de 5,7% da despesa primária e de 5,2% na despesa corrente primária. Sendo de notar que se acentuou o efeito temporário que resulta do "diferente padrão intra-anual de pagamento de juros", referindo-se ainda no documento da DGO que "O decréscimo mais acentuado da despesa efectiva e efectiva primária observado em Maio relativamente ao mês precedente (por memória, -3% e -2,3%, respectivamente) é justificado essencialmente pelo efeito base associado ao facto de, nos primeiros quatro meses de 2010, ter sido executado o orçamento transitório".
Para esta evolução da despesa corrente primária do Estado contribuiram sobretudo a redução das despesas com pessoal (-7,2%) e das transferências correntes (-4,5%) enquanto que, em sentido contrário se verificou uma subida doas aquisições de bens e serviços (+49,0%), que no entanto resulta quase inteiramente de uma alteração metodológica decorrente da introdução da contribuição patronal para a ADSE sem a qual o acréscimo seria ainda assim de 5% que no documento se diz ser "justificado pelo pagamento de trabalhos especializados no âmbito da Lei de Programação Militar".
Política Monetária nos EUA desde 2000
Neste post publicado no blog Econbrowser chama-se a atenção para um paper sobre a política monetária nos EUA desde a década de 1950 no qual se aponta que a Reserva Federal terá seguido uma política demasiado expansionista na primeira metade da década de 2000 - e esm epsecial entre 2003 e 2005 -, a qual terá constituido um dos factores que contribuiu para a bolha imobiliária e a subsequente crise.
domingo, 19 de junho de 2011
Ler os Outros: Keynes and the Moderns - Krugman
É o título da apresentação de Paul Krugman numa conferência em Cambridge, Reino Unido, disponível aqui, um texto que apesar de excessivamente político é estimulantemente provocador e interessante, referindo, por exemplo, que: "inflows of capital from other nations simply add to the already excessive supply of U.S. savings relative to investment demand. These inflows of capital have as their counterpart a trade deficit that makes America worse off, not better off; if the Chinese, in a huff, stopped buying Treasuries they would be doing us a favor. And the fact that top officials and highly regarded economists don’t get this, 75 years after the General Theory, represents a sad case of intellectual regression".
Ler também esta entrevista de Krugman em que escolhe como livros que mais o influenciaram:
1. Foundation, de Isaac Asimov
2. An Enquiry Concerning Human Understanding, de David Hume
3. The General Theory of Employment, Interest and Money, de John M. Keynes
4. Essays in Persuasion, de John M. Keynes
5. Essays in Economics, de James Tobin
Ler também esta entrevista de Krugman em que escolhe como livros que mais o influenciaram:
1. Foundation, de Isaac Asimov
2. An Enquiry Concerning Human Understanding, de David Hume
3. The General Theory of Employment, Interest and Money, de John M. Keynes
4. Essays in Persuasion, de John M. Keynes
5. Essays in Economics, de James Tobin
Greenspan sobre a Grécia
Numa altura em que a Grécia está à beira do precipício numa situação de impasse político e crescem as vozes que consideram que a assistência financeira prometida por França e Alemanha serão insuficientes para resolver o "problema" grego o ex-presidente da Reserva Federal dos EUA, Alain Greenspan, veio afirmar que a probabilidade de incumprimento é de tal modo elevada que se pode dizer que não há saída e que isso poderá conduzir a uma recaída da economia dos EUA numa situação de recessão.
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