quinta-feira, 30 de junho de 2011

Indicador de Sentimento Económico (ESI) - Junho 2011

Os indicadores de sentimento económico divulgados pela Comissão Europeia relativos ao mês de Junho revelam uma deterioração da confiança na União Europeia (-1,0 pontos para 104,4) e uma igualmente uma redução, embora mais ligeira, na zona euro (-0,4 pontos para 105,1 pontos na zona euro), o que aponta para uma continuação da desaceleração da expansão da actividade económica.

Entre aquelas que são as maiores economias ressalta a queda de 2,2 pontos no Reino Unido (para 99,9 pontos) enquanto que na Alemanha e França se verificaram ligeiros recuos (de -0,9 e -0,6 pontos respectivamente) - mantendo-se, no entanto, o indicador em níveis claramente acima da média de longo prazo ( 114,5 e e 106,3 pontos) – e na Espanha e Itália se registaram ligeiras subidas (+2,6 para 95,7 pontos e +1,8 para 99,3 pontos).

No que respeita a Portugal, o indicador de sentimento económico caiu pelo quatro mês consecutivo, registando uma redução de 0,6 pontos para 84,6 pontos – que corresponde ao segundo valor mais baixo a seguir à Grécia sujo indicador se situa nos 70,0 pontos – em resultado da redução da confiança na indústria, construção, comércio e dos consumidores enquanto que se verificou uma recuperação da componente serviços.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O texto da proposta francesa

Está acessível aqui (via Alphaville).

De acordo com os pressupostos do documento documento o montante dos títulos que vencem até meados de 2014 ascende a 85,5 mil milhões de euros dos quais 25 mil nilhões de euros são detidos pelo BCE e os restantes 65,5 mil milhões pelos investidores privados, sendo o objectivo que os participantes no plano financiem cerca de 30 mil milhões de euros, podendo optar entre (meus sublinhados):
- Opção A: "will invest a minimum of 70% of the principal amount of proceeds received (the “Received Amounts”) in new Greek government bonds, resulting in a net debt financing of at least 50% of the Received Amounts for Greece, as described below (the “New GGBpg”): i) Government bonds issued by the Hellenic Republic with a maturity at issue of 30 years; ii) With a full principal guarantee by an SPV collateralised by zero-coupon bonds purchased from one or more AAA-rated sovereigns, supranational institutions or European agencies (the “Collateral”); iii) Bearing interest at a rate of 5.5% plus the yearly Greek GDP growth capped at 2.5% and floored at 0% per annum ; and iv) Listed on an EU regulated market, but with restricted trading in the New GGBpg until 1st January 2022 ";
- Opção B: "will invest a minimum of 90% (and preferably 100%) of the Received Amounts in new GGBs as described below (the “New GGB”): i) Government bonds issued by the Hellenic Republic with a maturity at issue of 5 years; ii) Bearing interest at a rate of 5.5% ; and iii) Listed on an EU-regulated market, but with restricted trading".

De salientar que de acordo com o documento o processo está condicionado a: i ) "Informal clearance from rating agencies that the Proposal will not trigger a downgrade to default or similar status on the Hellenic Republic, Existing GGB, New GGB or New GGBpg"; ii) "ECB’s willingness not to sell its Existing GGBs during the Period"; iii) "A significant majority of bondholders participate as Participants"; iv) Greece respects its commitments under the Program"; and v) "The European Union and the International Monetary Fund respect their current commitments, disburse funding as provided under the Program and continue to provide assistance to promote the medium-term sustainability of the Greek fiscal situation".

terça-feira, 28 de junho de 2011

A proposta francesa para o roll-over da dívida grega

De acordo com a Reuters o Presidente francês Sarkozy terá alcançado um projecto de acordo com os bancos franceses para o reinvestimento de 70% dos montantes de reembolso de títulos gregos que venham a ocorrer até 2014 dos quais 50% serão aplicados em títulos a 30 anos com uma taxa de juro correspondente aos empréstimos europeus adicionado de um prémio indexado ao crescimento da economia grega. Os novos títulos serão colocados num veículo especial (SPV) constituido para o efeito e serão garantidos pelo FEEF ou pelo Banco Europeu de Investimento, o que, confirmando-se, significa de facto uma transferência de risco dos bancos para os contribuintes europeus. Ainda de acordo com a Reuters os restantes 20% serão reinvestidos em obrigações cupão zero com rating AAA.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Uma semana decisiva para a Europa

A semana que hoje se inicia vai ser decisiva para a Grécia e para a Europa. Um eventual chumbo pelo Parlamento da Grécia do programa de austeridade poderá ter consequência uma ruprtura desordenada dos pagamentos e constituir "momento Lehman" para a Europa com consequências financeiras, económicas e políticas imprevisíveis.

Por outro lado, mesmo que o programa seja aprovado a verdade é que isso não significará os problemas da Grécia e da Europa permitindo "apenas" ganhar tempo para que seja possível encontrar uma solução que tudo indica inevitavelmente envolverá uma reestruturação da dívida grega, restando saber quando, em que condições e qual será a repartição dos custos entre os contribuintes dos outros países da UE e os investidores privados.

domingo, 26 de junho de 2011

A evolução PIB no EUA no primeiro trimestre de 2011

Os dados divulgados esta semana pelo BEA que indicam para um crescimento (anualizado) do PIB dos EUA de 1,9% confirma a forte desaceleração do crescimento da actividade económica (no trimestre o crescimento havia sido 3,1%), apesar do contributo positivo do investimento impulsionado pelo investimento em equipamento e software e pela evolução dos stocks).

Para esta desacelaração contribuiu bastante a desaceleração do crescimento do consumo privado e das exportações líquidas, cujo contributo para o crescimento no trimestre anterior tinha sido particularmente elevado, mas também a contração do consumo e investimento públicos que se acentuou contribuindo negativamente, para a evolução do produto.

Numa altura em que o défice das administrações públicas de acordo com o BEA ascendeu a 9,9% no primeiro trimestre de 2011 (e a 10,5% na média dos últimos 4 trimestres) tornando evidente a necessidade de ajustamento orçamental. A verdade é que um acentuar dos esforços de contenção orçamental no curto prazo arrisca-se a conduzir a uma situação de crescimento lento insuficiente para reduzir de forma significativa o desemprego e o output gap ou mesmo a uma recaída numa situação de recessão. A ideia que tem vindo a ser defendida de evitar uma contração orçamental acentuada mantendo o défice elevado no curto prazo e simultaneamente tomar medidas que, de forma credível, corrijam o grave desequilíbrio orçamental no médio-longo prazo corresponde assim a uma tentativa de conciliar dois objectivos contraditórios, mas corresponde aseguir um caminho em cima do fio da navalha.

sábado, 25 de junho de 2011

Ler os Outros: A Pior Opção - Rui Ramos

Recomendo a excelente crónica do Rui Ramos no Expresso de hoje em que analisa de forma lúcida as alternativas aos «programas» de receber assistência financeira celebrados pela Grécia, Irlanda e Portugal com a chamada troika.

Começando pela «europerização» da dívida, Rui Ramos considera que "Não há acrescento de «solidariedade» ou de «integração» que apague os Estados e nações da Europa de hoje. Seja qual for o quadro institucional europeu, continuará a haver eleitorados nórdicos pouco inclinados a arriscar as suas poupanças ou o seu crédito para proporcionar às populações meridionais um nível de vida que estas não conseguem ou não querem pagar só com o seu trabalho. Um «governo económico europeu», para evitar revoltas setentrionais teria de fazer como a Comissão Europeia e o BCE hoje, e submeter as suas províncias do sul a curas rigorosas. Ou seja, a federalização da nossa dívida implicaria mais - e não menos - cortes e mudanças."

Quanto à hipótese de renegociação da dívida Rui Ramos alerta que os nossos credores (e é importante não esquecer que a nossa dívida será cada vez detida pelo FMI e os nossos parceiros europeus) iriam exigir "austeridade e liberalização da economia, tudo inspeccionado por eles" , admitindo que "Talvez a renegociação da dívida ou outro tipo de apoio europeu venham a ser necessários. Mas nunca servirão para nos poupar à dieta e à ginástica do programa em curso".

Finalmente, quanto à proposta de saída do euro defendida por Professor João Ferreira do Amaral, Rui Ramos recorda que para além dos custos económicos de "redução de 30% do poder de compra, a restrição na liberdade de circulação de capitais, etc. Há, no entanto, um outro preço, simbólico, a considerar. Nesta década o euro serviu para nos endividarmos. Mas a ideia da adesão foi outra: a de fazer Portugal um país monetariamente credível e forçá-lo a competir de outra maneira, sem recorrer a desvalorizações, isto é, a salários baixos. Desistir do euro seria, também, desistir disso".

Concluindo que "Como no dito célebre, o programa da troika é a pior opção - com excepção de todas as outras".

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sobre a proposta de João Ferreira do Amaral para uma saída ordenada do Euro

A proposta de João Ferreira do Amaral para uma saída ordenada da zona euro o mais rápido possível - que o próprio autor não nega que terá consequências fortemente negativas - levanta-me sérias dúvidas quer do ponto de vista técnico pois: i) não ficou ainda claro para mim quer como é que se chega ao valor de 50 mil a 60 mil milhões de euros (cerca de 30% do PIB) referidos pelo Professor Ferreira do Amaral quer o modo como esses recursos seriam empregues de modo a compensar o aumento das dívidas; e ii) não estou convencido de que a mera desvalorização seja suficiente para garantir o regresso aos mercados nomeadamente se como parece a dívida pública continuar denominada em euros.

Mas, sobretudo, não me parece que fosse fácil reunir o necessário apoio dos nossos parceiros europeus e do BCE para que a operação tivesse possibilidades de sucesso, parecendo-me, pelo contrário, que as consequências reais e sobretudo sobre a psicologia dos mercados para a situação de outros Estados-membros nomeadamente a Espanha e a Itália seriam de molde a garantir a oposição das instituições europeias a esse cenário.