domingo, 10 de julho de 2011
Ler os Outros: Why Are Wages Still Rising? - Paul Krugman
Em mais um excelente post Krugman explica-nos porque é que apesar do elevado nível de desemprego nos EUA os salários continuam a subir, com base na existência de diferentes segmentos de mercado de trabalho que leva a que embora em média a tendência seja para a estagnação ou mesmo para uma redução dos salários essa média resulta da existência de segmentos em que o equilíbrio implica uma subida dos salários (acima da média) e outros em que implica uma descida dos salários superior à média, mas que existindo - como a evidência empírica aponta e várias teorias neo-keynesianas tentam explicar - resistências à descida dos salários nominais que impede a queda dos salários nos segmentos em que estes "deveriam" descer o resultado é uma subida dos salários médios que resulta dos aumentos salariais nos segmentos onde o equilíbrio da oferta e da procura do mercado de trabalho implica essa subida.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Evolução do desemprego nos EUA - Junho 2011
De acordo com os dados hoje revelados pelo BLS em Junho a taxa de desemprego nos EUA registou um ligeiro aumento de 0,1 pp para 9,2%, com o número de desempregados a exceder novamente os 14 milhões, valor que representa uma subida de 545 mil desde Março do corrente ano. Isto apesar de se ter verificado no último mês uma pequena redução (-0,1 pp) na população activa.
Enquanto que o número de empregados assalariados registou um ligeiro aumento de 18 mil (que sobe para 57 mil quando se considera apenas o sector privado) que confirma o comportamento anémico do mercado de trabalho nos EUA.
Enquanto que o número de empregados assalariados registou um ligeiro aumento de 18 mil (que sobe para 57 mil quando se considera apenas o sector privado) que confirma o comportamento anémico do mercado de trabalho nos EUA.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
BCE sobe taxa de juro em 25 pontos base
O Conselho do BCE decidiu na sua reunião de hoje subir a taxa das operações principais de refinanciamento em 25 pontos base, passando para 1,5%.
Esta decisão já esperada foi justificada na conferência de imprensa pela tendência ligeira para a subida da inflação e pela necessidade de conter as tensões inflacionistas numa perspectiva de médio prazo, considerado que, embora num contexto de elevada incerteza, os riscos para a actividade económica são equilibrados enquanto que continuam a existir riscos ascendentes para a inflação resultantes da subida dos preços da energia, bem como dos aumentos dos impostos indirectos e preços administrativos que poderão ser exarcebados por um aumento mais forte que o esperado da procura interna. Reputando como essencial para o crescimento económico que as expetactivas de inflação no médio prazo permaneçam "ancoradas" num valor abaixo mas próximo dos 2%.
Esta decisão já esperada foi justificada na conferência de imprensa pela tendência ligeira para a subida da inflação e pela necessidade de conter as tensões inflacionistas numa perspectiva de médio prazo, considerado que, embora num contexto de elevada incerteza, os riscos para a actividade económica são equilibrados enquanto que continuam a existir riscos ascendentes para a inflação resultantes da subida dos preços da energia, bem como dos aumentos dos impostos indirectos e preços administrativos que poderão ser exarcebados por um aumento mais forte que o esperado da procura interna. Reputando como essencial para o crescimento económico que as expetactivas de inflação no médio prazo permaneçam "ancoradas" num valor abaixo mas próximo dos 2%.
Sobre as reacções ao corte do rating de Portugal
A descida do rating da República Portuguesa para Ba2 deixou aparentemente o país em estado de choque/ indignação que nas vozes de alguns soa a desespero/pânico face à actuação da(s) "malvada(s)" agência(s) de rating (ver aqui, aqui, aqui, aqui, etc, etc, etc, etc...) .
As agências de rating tiveram culpas importantes na génese da chamada crise do subprime, enfrentam problemas de "agência" importantes e têm talvez uma influência exagerada - que em parte lhes é concedida pelos próprios bancos centrais quando usam esses ratings na avaliação dos colaterais que aceitam. E se a decisão de ontem da Moodys não tem impacto significativo no curto prazo para o financiamento da República, poderá (irá) ter reflexos importantes no financiamento da economia portuguesa ao tornar ainda mais dificil que, nomeadamente as empresas públicas e os bancos, consigam financiar-se nos mercados de capitais, contribuindo assim para agravar uma situação económica muito dificil. O que pode ser considerado "injusto" para um Governo que ainda agora iniciou funções e que se comprometeu a fazer tudo para cumprir os seus compromissos internacionais.
Dito isto, importa realçar que as agências de rating não se movem por critérios de "justiça" nem têm por missão facilitar a acção dos governantes recém-eleitos, mas sim avaliar - da forma mais objectiva possível - o grau de risco dos títulos que seguem, orientando as decisões dos investidores.
De acordo com as definições utilizadas pela Moodys um rating Ba significa que se trata de uma título que se julga "to have speculative elements and are subject to substantial credit risk". Ora, Portugal é um país que tem uma dívida pública que de acordo com as projecções do programa de ajustamento deverá ultrapassar os 108% do PIB em 2013. Isto assumindo que serão implementadas medidas de austeridade orçamental correspondentes a 5,7% do PIB em 2011, 3,0% do PIB em 2012 e 1,9% do PIB em 2013 (ou seja que em termos acumulados correspondem a mais de 10,7% do PIB). E um país que enfrenta um problema de competitividade que se traduz numa défice externo corrente que em 2011 e apesar da recessão se estima em cerca de 7,5% do PIB e em que os encargos com juros das administrações públicas ascenderão em 2013 a cerca de 5,1% do PIB.
O que significa que mesmo que tudo corra bem (e esperemos bem que sim) só por milagre conseguirá estar em condições de - como o programa prevê - em 2013 refinanciar a quase totalidade da sua dívida no mercado, o que implica que existe uma probabilidade elevada de que Portugal venha a carecer de um segundo programa de assitência financeira. Ora, olhando para o que se está a passar actualmente com a Grécia, é bastante provável que esse programa venha a ser condicionado à "participação" dos investidores privados (e.g. a uma reestruturação ou reescalonamento da dívida). Neste cenário, em que há uma contradição insanável entre a posição da Alemanha quanto à participação dos "privados" e as suas críticas às agências de rating, por muito desagradável que isso seja não me parece que se possa dizer que o rating atribuído se encontre desajustado, podendo quanto muito encontrar-se razões para criticar o timing da decisão.
Neste contexto, criticar a(s) agência(s) de rating é quase o mesmo que criticar um meteorologista pelo mau tempo. Podemos acreditar que vamos ser capazes de superar a tempestade e que a seguir à tempestade virá a bonança, mas não faz sentido - nem é útil - demonizá-lo por prever uma tempestade quando as nuvens se acumulam no horizonte e a pressão atmosférica desce a pique.
Embora me pareça inevitável que o programa de assistência financeira seja "reforçado" e se prolongue para além de 2014 e muito dificil evitar alguma forma de restruturação de dívida, acredito que (ainda) é possível que esta decorra em condições aceitáveis (ver aqui). Mas, para isso não podemos desesperar e será necessário fazer o nosso trabalho de casa, manter a determinação em cumprir os objectivos do programa, contribuir serenamente para que a União Europeia e o BCE tomem as decisões mais correctas, ter consciência das dificuldades, determinação para as enfrentar e (muita) paciência para esperar que os resultados das medidas comecem a surgir e seja possível forma os necessários consensos políticos para que se possa evitar o pior, a situação financeira se possa desanuviar e a tendência se comece a inverter. O que não vai ser fácil, nem vai acontecer da noite para o dia !
PS: Não perder este artigo do Vitor Bento sobre esta matéria.
As agências de rating tiveram culpas importantes na génese da chamada crise do subprime, enfrentam problemas de "agência" importantes e têm talvez uma influência exagerada - que em parte lhes é concedida pelos próprios bancos centrais quando usam esses ratings na avaliação dos colaterais que aceitam. E se a decisão de ontem da Moodys não tem impacto significativo no curto prazo para o financiamento da República, poderá (irá) ter reflexos importantes no financiamento da economia portuguesa ao tornar ainda mais dificil que, nomeadamente as empresas públicas e os bancos, consigam financiar-se nos mercados de capitais, contribuindo assim para agravar uma situação económica muito dificil. O que pode ser considerado "injusto" para um Governo que ainda agora iniciou funções e que se comprometeu a fazer tudo para cumprir os seus compromissos internacionais.
Dito isto, importa realçar que as agências de rating não se movem por critérios de "justiça" nem têm por missão facilitar a acção dos governantes recém-eleitos, mas sim avaliar - da forma mais objectiva possível - o grau de risco dos títulos que seguem, orientando as decisões dos investidores.
De acordo com as definições utilizadas pela Moodys um rating Ba significa que se trata de uma título que se julga "to have speculative elements and are subject to substantial credit risk". Ora, Portugal é um país que tem uma dívida pública que de acordo com as projecções do programa de ajustamento deverá ultrapassar os 108% do PIB em 2013. Isto assumindo que serão implementadas medidas de austeridade orçamental correspondentes a 5,7% do PIB em 2011, 3,0% do PIB em 2012 e 1,9% do PIB em 2013 (ou seja que em termos acumulados correspondem a mais de 10,7% do PIB). E um país que enfrenta um problema de competitividade que se traduz numa défice externo corrente que em 2011 e apesar da recessão se estima em cerca de 7,5% do PIB e em que os encargos com juros das administrações públicas ascenderão em 2013 a cerca de 5,1% do PIB.
O que significa que mesmo que tudo corra bem (e esperemos bem que sim) só por milagre conseguirá estar em condições de - como o programa prevê - em 2013 refinanciar a quase totalidade da sua dívida no mercado, o que implica que existe uma probabilidade elevada de que Portugal venha a carecer de um segundo programa de assitência financeira. Ora, olhando para o que se está a passar actualmente com a Grécia, é bastante provável que esse programa venha a ser condicionado à "participação" dos investidores privados (e.g. a uma reestruturação ou reescalonamento da dívida). Neste cenário, em que há uma contradição insanável entre a posição da Alemanha quanto à participação dos "privados" e as suas críticas às agências de rating, por muito desagradável que isso seja não me parece que se possa dizer que o rating atribuído se encontre desajustado, podendo quanto muito encontrar-se razões para criticar o timing da decisão.
Neste contexto, criticar a(s) agência(s) de rating é quase o mesmo que criticar um meteorologista pelo mau tempo. Podemos acreditar que vamos ser capazes de superar a tempestade e que a seguir à tempestade virá a bonança, mas não faz sentido - nem é útil - demonizá-lo por prever uma tempestade quando as nuvens se acumulam no horizonte e a pressão atmosférica desce a pique.
Embora me pareça inevitável que o programa de assistência financeira seja "reforçado" e se prolongue para além de 2014 e muito dificil evitar alguma forma de restruturação de dívida, acredito que (ainda) é possível que esta decorra em condições aceitáveis (ver aqui). Mas, para isso não podemos desesperar e será necessário fazer o nosso trabalho de casa, manter a determinação em cumprir os objectivos do programa, contribuir serenamente para que a União Europeia e o BCE tomem as decisões mais correctas, ter consciência das dificuldades, determinação para as enfrentar e (muita) paciência para esperar que os resultados das medidas comecem a surgir e seja possível forma os necessários consensos políticos para que se possa evitar o pior, a situação financeira se possa desanuviar e a tendência se comece a inverter. O que não vai ser fácil, nem vai acontecer da noite para o dia !
PS: Não perder este artigo do Vitor Bento sobre esta matéria.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Resultados do leilão de BT
Comparativamente com os resultados do leilão de BT's efectuado em 15 de Junho com um prazo similar e montantes indicativos similares no leilão de hoje verificou-se uma subida significativa das taxas de juro média ponderada (de 4,863% para 4,926%) enquanto que a procura e o montante colocado se mantiveram em níveis similares. O que acaba por ser um resultado satisfatório num contexto particularmente adverso em que os yields da dívida pública portuguesa no mercado secundário registam uma forte subida com a taxa dos títulos a 3 anos próximas dos 20%, enquanto que o yield das OT's a 10 anos estava há momentos já acima dos 13%.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Moody's baixa rating de Portugal
A Moody's baixou o rating de Portugal de Baa1 para Ba2 o que coloca os títulos da Répública Portuguesa na categoria de activos especulativos (ou "junk"). Justificando esta decisão com i) os riscos crescentes de que Portugal irá necessitar de um segundo programa de assitência financeira e o aumento da probabilidade de que tal implique uma participação do sector privado (i.e., uma restruturação da dívida) e ii) o que considera ser um risco elevado de que Portugal não consiga atingir os objectivos do défice estabelecidos no Memorando de Entendimento.
Relativamente a este segundo ponto esta agência considera que:
"1) The government's plans to restrain its spending may prove difficult to implement in full in sectors such as healthcare, state-owned enterprises and regional and local governments.
2) The government's plans to improve tax compliance (and, hence, generate the projected additional revenues) within the timeframe of the loan programme and, in combination with the factor above, may hinder the authorities' ability to reduce the budget deficit as targeted.
3) Economic growth may turn out to be weaker than expected, which would compromise the government's deficit reduction targets. Moreover, the anticipated fiscal consolidation and bank deleveraging would further exacerbate this. Consensus growth forecasts for the country have been revised downwards following the EU/IMF loan agreement. Even after these downward revisions, Moody's believes the risks to economic growth remain skewed to the downside.
4) There is a non-negligible possibility that Portugal's banking sector will require support beyond what is currently envisaged in the EU/IMF loan agreement. Any capital infusion into the banking system from the government would add additional debt to its balance sheet." (meus sublinhados)
Relativamente a este segundo ponto esta agência considera que:
"1) The government's plans to restrain its spending may prove difficult to implement in full in sectors such as healthcare, state-owned enterprises and regional and local governments.
2) The government's plans to improve tax compliance (and, hence, generate the projected additional revenues) within the timeframe of the loan programme and, in combination with the factor above, may hinder the authorities' ability to reduce the budget deficit as targeted.
3) Economic growth may turn out to be weaker than expected, which would compromise the government's deficit reduction targets. Moreover, the anticipated fiscal consolidation and bank deleveraging would further exacerbate this. Consensus growth forecasts for the country have been revised downwards following the EU/IMF loan agreement. Even after these downward revisions, Moody's believes the risks to economic growth remain skewed to the downside.
4) There is a non-negligible possibility that Portugal's banking sector will require support beyond what is currently envisaged in the EU/IMF loan agreement. Any capital infusion into the banking system from the government would add additional debt to its balance sheet." (meus sublinhados)
The Economic Adjustment Programme for Portugal
É o título de um paper da Comissão Europeia com um conjunto de informação muito completo sobre a programa de ajustamento para Portugal e que, nomeadamente, inclui um conjunto de anexos com os cenários macroeconómicos (pagina 31) e de evolução das contas das administrações públicas (página 33) e das necessidades e fontes de financiamento das administrações públçicas (página 36).
Sendo de realçar que o total das necessidades de financiamento previstas ascende a 105 mil milhões de euros aos quais, de acordo com o documento, haverá ainda que acrescer 12 mil milhões de euros do mecanismo de apoio ao sistema bancário e 12,9 mil milhões de outras que inclui nomeadamente os custos com a reestruturação do sistema bancário. Uma vez que nos termos do programa de financiamento da UE e FMI estas instituições apenas irão disponibilizar 78 mil milhões de euros, as administrações públicas portuguesas terão que obter durante a aplicação do programa (até Junho de 2014) através de meios alternativos cerca 52 mil milhões de euros, dos quais 5 mil milhões resultarão de receitas de privatização e 47 mil milhões através do rollover da dívida que irá vencer ao longo do período.
Sendo de realçar que o total das necessidades de financiamento previstas ascende a 105 mil milhões de euros aos quais, de acordo com o documento, haverá ainda que acrescer 12 mil milhões de euros do mecanismo de apoio ao sistema bancário e 12,9 mil milhões de outras que inclui nomeadamente os custos com a reestruturação do sistema bancário. Uma vez que nos termos do programa de financiamento da UE e FMI estas instituições apenas irão disponibilizar 78 mil milhões de euros, as administrações públicas portuguesas terão que obter durante a aplicação do programa (até Junho de 2014) através de meios alternativos cerca 52 mil milhões de euros, dos quais 5 mil milhões resultarão de receitas de privatização e 47 mil milhões através do rollover da dívida que irá vencer ao longo do período.
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