"You can always gauge the temperature of the eurozone crisis by the blame game, writes the FT commentator. Last week, the cacophony briefly subsided when everybody who mattered accused the rating agencies of engaging in an anti-European conspiracy. This was the day after Moody’s downgraded Portugal to junk. The fury of the reaction tells me that the process is in real trouble, once again. The most interesting aspect of Moody’s rating was not the downgrade itself, but the reasoning. Moody’s expects that Portugal, like Greece, will need another loan. Moody’s also expects that the politics will be just as messy. Will not the Germans again seek private-sector participation as a condition? Of course they will. Moody’s concluded, rightly in my view, that the messy European Union politics constitutes a reason for concern. Having observed this crisis from the start, I agree. This is as much a crisis of policy co-ordination as it is a debt crisis."
PS: Não perder o artigo de Martin Wolf no Diário Económico.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
Sobre as agências de rating
A comoção nacional na sequência da decisão da Moodys de baixar o rating da República Portuguesa serviu para revelar duas tendências : i) falar e opinar do que não se entende - pelo menos completamente - com o tom e arrogância das certezas e ii) ter uma visão conspirativa da realidade, em que nada é o que parece.
Qual a função das agências de rating ?
A função das agências de rating é fornecer uma visão independente e objectiva do risco de crédito através da apliucação de uma escala de rating (notação) globalmente consistente. O rating é assim uma indicação standardizada e consistente que traduz uma opinião da entidade que o atribui sobre o risco de crédito título ou entidade. Um rating visa apenas reflectir a capacidade de um emitenete cumprir pontualmente as suas obrigações no curto ou no médio-longo prazo e não o risco de perda (ou ganho) dos seus detentores que depende de outros factores (e.g., evolução da taxa de juro) não constituindo um recomendação para comprar ou vender títulos. O seu papel traduz-se assim em fornecer aos investidores uma medida fácil de utilizar sobre o risco de crédito de investimentos alternativos facilitando a sua tomada de decisões, contribuindo assim para uma maior transparência do risco de crédito e um mercado de capitais mais eficiente.
A importância das agências de rating é ainda potenciada pelo facto de estes serem utilizados como referências pelas entidades reguladoras do sector financeiro e pelos bancos centrais. O que visa sobretido evitar que essas decisões sejam condicionadas por factores de natureza "política" e minimizar os problemas de agência na actividade dessas instituições reguladoras.
O que significa junk (lixo) ?
Os ratings atribuidos pelas agências de rating usam uma escala (cujo significado depende de agência para agência) - no caso da Moodys entre Aaa e C - em que os ratings mais elevados correspondem a uma muito forte (Aaa a Aa3), forte (A1 a A3) ou adequada (Baa1 a Baa3) capacidade de cumprir os cmpromissos financeiros e por conseguinte a uma muito baixa ou baixa (mas nunca nula) probabilidade de entrar em incumprimento e que se traduz por aquilo que o mercado considera serem títulos de elevada ou média qualidade (investment grade). Sendo os títulos com rating inferior qualificados no jargão do mercado como "junk" ou "lixo". Note-se contudo que isso não significa que tais títulos sejam desprovidos de valor. Por exemplo, uma classificação (Ba1 a Ba3) não significa que o emitente irá entrar em incumprimento mas "apenas" que se trata de um título exposto a incertezas resultantes de uma evolução adversa da situação económicoa e financeira e que poderão conduzir o emitente a uma situação em que não seja capaz de solver integral e pontualmente a totalidade dos seus compromissos financeiros.
Quem paga os serviços das agências de rating ?
As agências de rating são entidades privadas cujas receitas provêm dos serviços prestados. Os serviços das agências de rating são contratados (e pagos) pelos emitentes dos títulos que se submetem "voluntariamente" ao escrutínio das agências de rating como uma forma de ampliar os fundos a que têm acesso e obter melhores condições de financiamento. Este modelo de negócio tem sido muito questionado - sobretudo após a crise financeira de 2008-2009 - na medida em que gera um potencial conflito de interesses, o qual resulta de a entidade que contrata e paga os serviços ter naturalmente interesse em que o rating seja o melhor possível de forma a reduzir os respectivos custos de financiamento pelo que as agências de rating podem serão tentadas a atribuir ratings demasiado favoráveis de forma a não perder os clientes. Uma solução seria passar para um modelo de negócio em que os custos dos serviçois das agências de rating fossem suportados pelos investidores, o que contudo levanta vários problemas de implementação. Outra solução seria a decisão de contratar (ou não) os serviços de uma determinada agência de rating deixar de ser tomada pelo emitente, o que, como é óbvio, coloca também problemas nomeadamente num contexto em que as agências de rating são entidades privadas de natureza comercial que visam o lucro.
Porque têm sido criticadas as agências de rating ?
Nos últimos anos as agências de rating tem sido criticadas sobretudo por tenderem a ter uma tendÊncia para atribuir ratings demasiado favoráveis e não os descerem de forma suficientemente rápida (e.g. casos Enron, Bear Stearns, Lehman Brothers e os chamados títulos subprime), o que tem sido relacionado com os conflitos de interesse acima referidos e com a existência de uma relação demasiado próxima entre os analistas e as entidades (e.g., emitentes e bancos de investimento) com um interesse no rating atribuído. Outra crítica, relacionada com esta (mas contraditória com a crítica de que as agências de rating não descem os ratings de forma suficientemente rápida), é o carácter pro-cíclico dos ratings na medida em que estes tendem a melhorar quando a conjuntura económico-financeira é positiva e a deteriorar-se quando esta conjuntura é adversa gerando um efeito de feed-back que amplificaria a volatilidade dos mercados financeiros e do ciclo económico. Note-se, contudo, que este efeito é de algum modo inerente ao facto de que, pelo menos em média, a capacidade de pagamento das entidades melhorar (piorar) quando a conjuntura económico-financeira é mais (menos) favorável.
Porque não criar uma agência de rating europeia ?
Um dos problemas do sector das agências de rating é a sua excessiva oligopolização ou seja concentração num reduzido número de agências (na prática o mercado é dominado por três entidades: a Standard & Poors, a Moody's e a Fitch). Desse ponto de vista seria conveniente a criação de mais entidades neste sector que permitissem um aumento da concorrência (o que, contudo, poderia execerbar os conflitos de interesse referidos anteriormente). Note-se, no entanto, que um rating só tem utilidade se for credível e essa credibilidade depende da reputação da entidade que o atribuí pelo que existem consideráveis barreiras à entrada neste sector. Uma agência que fosse - justa ou injustamente - percebida como estando condicionada por interesses políticos dificilmente seria credível e aceite pelos mercados (como, a seu modo, João Pereira Coutinho aqui bem salienta).
As agências de rating são condicionadas pelos interesses anglo-saxónicos?
Uma "teoria" que tem surgido com recorrência no espaço mediátrico seria a de que as agências de rating seriam "instrumentos" dos "americanos" para garantir a supremacia do dólar e enfraquecer o euro. Teoria em que sinceramente tenho a maior das dificuldades em acreditar até pela simples razão de que na actual conjuntura uma crise da zona euro que potencialmente pode corresponder a um episódio Lehman Brothers versão 2 poderia facilmente degenerar numa recaída numa situação de recessão mundial que não interessará a (quase) ninguém e muito menos às autoridades dos EUA. Pelo contrário, na actual conjuntura um dólar relativamente (mas não excessivamente) fraco até seria positivo para os EUA na medida em que facilitaria o seu próprio processo de reajustamento económico. Dito isto, deve reconhecer-se que os americanos sempre foram intelectualmente mais cépticos do que os europeus quanto à bondade e sustentabilidade do projecto do euro o que no entanto pode ser facilmente explicado por - comparativamente com os europeus - tenderem a sobrevalorizar as dificuldades económicas (que resultam da zona euro não constituir uma zona monetária óptima) e a subvalorizar os aspectos políticos do projecto de construção europeia.
Nota: Sobre este assunto recomendo a leitura deste relatório da SEC sobre o papel das agências de rating nos mercados financeiros.
Qual a função das agências de rating ?
A função das agências de rating é fornecer uma visão independente e objectiva do risco de crédito através da apliucação de uma escala de rating (notação) globalmente consistente. O rating é assim uma indicação standardizada e consistente que traduz uma opinião da entidade que o atribui sobre o risco de crédito título ou entidade. Um rating visa apenas reflectir a capacidade de um emitenete cumprir pontualmente as suas obrigações no curto ou no médio-longo prazo e não o risco de perda (ou ganho) dos seus detentores que depende de outros factores (e.g., evolução da taxa de juro) não constituindo um recomendação para comprar ou vender títulos. O seu papel traduz-se assim em fornecer aos investidores uma medida fácil de utilizar sobre o risco de crédito de investimentos alternativos facilitando a sua tomada de decisões, contribuindo assim para uma maior transparência do risco de crédito e um mercado de capitais mais eficiente.
A importância das agências de rating é ainda potenciada pelo facto de estes serem utilizados como referências pelas entidades reguladoras do sector financeiro e pelos bancos centrais. O que visa sobretido evitar que essas decisões sejam condicionadas por factores de natureza "política" e minimizar os problemas de agência na actividade dessas instituições reguladoras.
O que significa junk (lixo) ?
Os ratings atribuidos pelas agências de rating usam uma escala (cujo significado depende de agência para agência) - no caso da Moodys entre Aaa e C - em que os ratings mais elevados correspondem a uma muito forte (Aaa a Aa3), forte (A1 a A3) ou adequada (Baa1 a Baa3) capacidade de cumprir os cmpromissos financeiros e por conseguinte a uma muito baixa ou baixa (mas nunca nula) probabilidade de entrar em incumprimento e que se traduz por aquilo que o mercado considera serem títulos de elevada ou média qualidade (investment grade). Sendo os títulos com rating inferior qualificados no jargão do mercado como "junk" ou "lixo". Note-se contudo que isso não significa que tais títulos sejam desprovidos de valor. Por exemplo, uma classificação (Ba1 a Ba3) não significa que o emitente irá entrar em incumprimento mas "apenas" que se trata de um título exposto a incertezas resultantes de uma evolução adversa da situação económicoa e financeira e que poderão conduzir o emitente a uma situação em que não seja capaz de solver integral e pontualmente a totalidade dos seus compromissos financeiros.
Quem paga os serviços das agências de rating ?
As agências de rating são entidades privadas cujas receitas provêm dos serviços prestados. Os serviços das agências de rating são contratados (e pagos) pelos emitentes dos títulos que se submetem "voluntariamente" ao escrutínio das agências de rating como uma forma de ampliar os fundos a que têm acesso e obter melhores condições de financiamento. Este modelo de negócio tem sido muito questionado - sobretudo após a crise financeira de 2008-2009 - na medida em que gera um potencial conflito de interesses, o qual resulta de a entidade que contrata e paga os serviços ter naturalmente interesse em que o rating seja o melhor possível de forma a reduzir os respectivos custos de financiamento pelo que as agências de rating podem serão tentadas a atribuir ratings demasiado favoráveis de forma a não perder os clientes. Uma solução seria passar para um modelo de negócio em que os custos dos serviçois das agências de rating fossem suportados pelos investidores, o que contudo levanta vários problemas de implementação. Outra solução seria a decisão de contratar (ou não) os serviços de uma determinada agência de rating deixar de ser tomada pelo emitente, o que, como é óbvio, coloca também problemas nomeadamente num contexto em que as agências de rating são entidades privadas de natureza comercial que visam o lucro.
Porque têm sido criticadas as agências de rating ?
Nos últimos anos as agências de rating tem sido criticadas sobretudo por tenderem a ter uma tendÊncia para atribuir ratings demasiado favoráveis e não os descerem de forma suficientemente rápida (e.g. casos Enron, Bear Stearns, Lehman Brothers e os chamados títulos subprime), o que tem sido relacionado com os conflitos de interesse acima referidos e com a existência de uma relação demasiado próxima entre os analistas e as entidades (e.g., emitentes e bancos de investimento) com um interesse no rating atribuído. Outra crítica, relacionada com esta (mas contraditória com a crítica de que as agências de rating não descem os ratings de forma suficientemente rápida), é o carácter pro-cíclico dos ratings na medida em que estes tendem a melhorar quando a conjuntura económico-financeira é positiva e a deteriorar-se quando esta conjuntura é adversa gerando um efeito de feed-back que amplificaria a volatilidade dos mercados financeiros e do ciclo económico. Note-se, contudo, que este efeito é de algum modo inerente ao facto de que, pelo menos em média, a capacidade de pagamento das entidades melhorar (piorar) quando a conjuntura económico-financeira é mais (menos) favorável.
Porque não criar uma agência de rating europeia ?
Um dos problemas do sector das agências de rating é a sua excessiva oligopolização ou seja concentração num reduzido número de agências (na prática o mercado é dominado por três entidades: a Standard & Poors, a Moody's e a Fitch). Desse ponto de vista seria conveniente a criação de mais entidades neste sector que permitissem um aumento da concorrência (o que, contudo, poderia execerbar os conflitos de interesse referidos anteriormente). Note-se, no entanto, que um rating só tem utilidade se for credível e essa credibilidade depende da reputação da entidade que o atribuí pelo que existem consideráveis barreiras à entrada neste sector. Uma agência que fosse - justa ou injustamente - percebida como estando condicionada por interesses políticos dificilmente seria credível e aceite pelos mercados (como, a seu modo, João Pereira Coutinho aqui bem salienta).
As agências de rating são condicionadas pelos interesses anglo-saxónicos?
Uma "teoria" que tem surgido com recorrência no espaço mediátrico seria a de que as agências de rating seriam "instrumentos" dos "americanos" para garantir a supremacia do dólar e enfraquecer o euro. Teoria em que sinceramente tenho a maior das dificuldades em acreditar até pela simples razão de que na actual conjuntura uma crise da zona euro que potencialmente pode corresponder a um episódio Lehman Brothers versão 2 poderia facilmente degenerar numa recaída numa situação de recessão mundial que não interessará a (quase) ninguém e muito menos às autoridades dos EUA. Pelo contrário, na actual conjuntura um dólar relativamente (mas não excessivamente) fraco até seria positivo para os EUA na medida em que facilitaria o seu próprio processo de reajustamento económico. Dito isto, deve reconhecer-se que os americanos sempre foram intelectualmente mais cépticos do que os europeus quanto à bondade e sustentabilidade do projecto do euro o que no entanto pode ser facilmente explicado por - comparativamente com os europeus - tenderem a sobrevalorizar as dificuldades económicas (que resultam da zona euro não constituir uma zona monetária óptima) e a subvalorizar os aspectos políticos do projecto de construção europeia.
Nota: Sobre este assunto recomendo a leitura deste relatório da SEC sobre o papel das agências de rating nos mercados financeiros.
Ler os Outros: Why Are Wages Still Rising? - Paul Krugman
Em mais um excelente post Krugman explica-nos porque é que apesar do elevado nível de desemprego nos EUA os salários continuam a subir, com base na existência de diferentes segmentos de mercado de trabalho que leva a que embora em média a tendência seja para a estagnação ou mesmo para uma redução dos salários essa média resulta da existência de segmentos em que o equilíbrio implica uma subida dos salários (acima da média) e outros em que implica uma descida dos salários superior à média, mas que existindo - como a evidência empírica aponta e várias teorias neo-keynesianas tentam explicar - resistências à descida dos salários nominais que impede a queda dos salários nos segmentos em que estes "deveriam" descer o resultado é uma subida dos salários médios que resulta dos aumentos salariais nos segmentos onde o equilíbrio da oferta e da procura do mercado de trabalho implica essa subida.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Evolução do desemprego nos EUA - Junho 2011
De acordo com os dados hoje revelados pelo BLS em Junho a taxa de desemprego nos EUA registou um ligeiro aumento de 0,1 pp para 9,2%, com o número de desempregados a exceder novamente os 14 milhões, valor que representa uma subida de 545 mil desde Março do corrente ano. Isto apesar de se ter verificado no último mês uma pequena redução (-0,1 pp) na população activa.
Enquanto que o número de empregados assalariados registou um ligeiro aumento de 18 mil (que sobe para 57 mil quando se considera apenas o sector privado) que confirma o comportamento anémico do mercado de trabalho nos EUA.
Enquanto que o número de empregados assalariados registou um ligeiro aumento de 18 mil (que sobe para 57 mil quando se considera apenas o sector privado) que confirma o comportamento anémico do mercado de trabalho nos EUA.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
BCE sobe taxa de juro em 25 pontos base
O Conselho do BCE decidiu na sua reunião de hoje subir a taxa das operações principais de refinanciamento em 25 pontos base, passando para 1,5%.
Esta decisão já esperada foi justificada na conferência de imprensa pela tendência ligeira para a subida da inflação e pela necessidade de conter as tensões inflacionistas numa perspectiva de médio prazo, considerado que, embora num contexto de elevada incerteza, os riscos para a actividade económica são equilibrados enquanto que continuam a existir riscos ascendentes para a inflação resultantes da subida dos preços da energia, bem como dos aumentos dos impostos indirectos e preços administrativos que poderão ser exarcebados por um aumento mais forte que o esperado da procura interna. Reputando como essencial para o crescimento económico que as expetactivas de inflação no médio prazo permaneçam "ancoradas" num valor abaixo mas próximo dos 2%.
Esta decisão já esperada foi justificada na conferência de imprensa pela tendência ligeira para a subida da inflação e pela necessidade de conter as tensões inflacionistas numa perspectiva de médio prazo, considerado que, embora num contexto de elevada incerteza, os riscos para a actividade económica são equilibrados enquanto que continuam a existir riscos ascendentes para a inflação resultantes da subida dos preços da energia, bem como dos aumentos dos impostos indirectos e preços administrativos que poderão ser exarcebados por um aumento mais forte que o esperado da procura interna. Reputando como essencial para o crescimento económico que as expetactivas de inflação no médio prazo permaneçam "ancoradas" num valor abaixo mas próximo dos 2%.
Sobre as reacções ao corte do rating de Portugal
A descida do rating da República Portuguesa para Ba2 deixou aparentemente o país em estado de choque/ indignação que nas vozes de alguns soa a desespero/pânico face à actuação da(s) "malvada(s)" agência(s) de rating (ver aqui, aqui, aqui, aqui, etc, etc, etc, etc...) .
As agências de rating tiveram culpas importantes na génese da chamada crise do subprime, enfrentam problemas de "agência" importantes e têm talvez uma influência exagerada - que em parte lhes é concedida pelos próprios bancos centrais quando usam esses ratings na avaliação dos colaterais que aceitam. E se a decisão de ontem da Moodys não tem impacto significativo no curto prazo para o financiamento da República, poderá (irá) ter reflexos importantes no financiamento da economia portuguesa ao tornar ainda mais dificil que, nomeadamente as empresas públicas e os bancos, consigam financiar-se nos mercados de capitais, contribuindo assim para agravar uma situação económica muito dificil. O que pode ser considerado "injusto" para um Governo que ainda agora iniciou funções e que se comprometeu a fazer tudo para cumprir os seus compromissos internacionais.
Dito isto, importa realçar que as agências de rating não se movem por critérios de "justiça" nem têm por missão facilitar a acção dos governantes recém-eleitos, mas sim avaliar - da forma mais objectiva possível - o grau de risco dos títulos que seguem, orientando as decisões dos investidores.
De acordo com as definições utilizadas pela Moodys um rating Ba significa que se trata de uma título que se julga "to have speculative elements and are subject to substantial credit risk". Ora, Portugal é um país que tem uma dívida pública que de acordo com as projecções do programa de ajustamento deverá ultrapassar os 108% do PIB em 2013. Isto assumindo que serão implementadas medidas de austeridade orçamental correspondentes a 5,7% do PIB em 2011, 3,0% do PIB em 2012 e 1,9% do PIB em 2013 (ou seja que em termos acumulados correspondem a mais de 10,7% do PIB). E um país que enfrenta um problema de competitividade que se traduz numa défice externo corrente que em 2011 e apesar da recessão se estima em cerca de 7,5% do PIB e em que os encargos com juros das administrações públicas ascenderão em 2013 a cerca de 5,1% do PIB.
O que significa que mesmo que tudo corra bem (e esperemos bem que sim) só por milagre conseguirá estar em condições de - como o programa prevê - em 2013 refinanciar a quase totalidade da sua dívida no mercado, o que implica que existe uma probabilidade elevada de que Portugal venha a carecer de um segundo programa de assitência financeira. Ora, olhando para o que se está a passar actualmente com a Grécia, é bastante provável que esse programa venha a ser condicionado à "participação" dos investidores privados (e.g. a uma reestruturação ou reescalonamento da dívida). Neste cenário, em que há uma contradição insanável entre a posição da Alemanha quanto à participação dos "privados" e as suas críticas às agências de rating, por muito desagradável que isso seja não me parece que se possa dizer que o rating atribuído se encontre desajustado, podendo quanto muito encontrar-se razões para criticar o timing da decisão.
Neste contexto, criticar a(s) agência(s) de rating é quase o mesmo que criticar um meteorologista pelo mau tempo. Podemos acreditar que vamos ser capazes de superar a tempestade e que a seguir à tempestade virá a bonança, mas não faz sentido - nem é útil - demonizá-lo por prever uma tempestade quando as nuvens se acumulam no horizonte e a pressão atmosférica desce a pique.
Embora me pareça inevitável que o programa de assistência financeira seja "reforçado" e se prolongue para além de 2014 e muito dificil evitar alguma forma de restruturação de dívida, acredito que (ainda) é possível que esta decorra em condições aceitáveis (ver aqui). Mas, para isso não podemos desesperar e será necessário fazer o nosso trabalho de casa, manter a determinação em cumprir os objectivos do programa, contribuir serenamente para que a União Europeia e o BCE tomem as decisões mais correctas, ter consciência das dificuldades, determinação para as enfrentar e (muita) paciência para esperar que os resultados das medidas comecem a surgir e seja possível forma os necessários consensos políticos para que se possa evitar o pior, a situação financeira se possa desanuviar e a tendência se comece a inverter. O que não vai ser fácil, nem vai acontecer da noite para o dia !
PS: Não perder este artigo do Vitor Bento sobre esta matéria.
As agências de rating tiveram culpas importantes na génese da chamada crise do subprime, enfrentam problemas de "agência" importantes e têm talvez uma influência exagerada - que em parte lhes é concedida pelos próprios bancos centrais quando usam esses ratings na avaliação dos colaterais que aceitam. E se a decisão de ontem da Moodys não tem impacto significativo no curto prazo para o financiamento da República, poderá (irá) ter reflexos importantes no financiamento da economia portuguesa ao tornar ainda mais dificil que, nomeadamente as empresas públicas e os bancos, consigam financiar-se nos mercados de capitais, contribuindo assim para agravar uma situação económica muito dificil. O que pode ser considerado "injusto" para um Governo que ainda agora iniciou funções e que se comprometeu a fazer tudo para cumprir os seus compromissos internacionais.
Dito isto, importa realçar que as agências de rating não se movem por critérios de "justiça" nem têm por missão facilitar a acção dos governantes recém-eleitos, mas sim avaliar - da forma mais objectiva possível - o grau de risco dos títulos que seguem, orientando as decisões dos investidores.
De acordo com as definições utilizadas pela Moodys um rating Ba significa que se trata de uma título que se julga "to have speculative elements and are subject to substantial credit risk". Ora, Portugal é um país que tem uma dívida pública que de acordo com as projecções do programa de ajustamento deverá ultrapassar os 108% do PIB em 2013. Isto assumindo que serão implementadas medidas de austeridade orçamental correspondentes a 5,7% do PIB em 2011, 3,0% do PIB em 2012 e 1,9% do PIB em 2013 (ou seja que em termos acumulados correspondem a mais de 10,7% do PIB). E um país que enfrenta um problema de competitividade que se traduz numa défice externo corrente que em 2011 e apesar da recessão se estima em cerca de 7,5% do PIB e em que os encargos com juros das administrações públicas ascenderão em 2013 a cerca de 5,1% do PIB.
O que significa que mesmo que tudo corra bem (e esperemos bem que sim) só por milagre conseguirá estar em condições de - como o programa prevê - em 2013 refinanciar a quase totalidade da sua dívida no mercado, o que implica que existe uma probabilidade elevada de que Portugal venha a carecer de um segundo programa de assitência financeira. Ora, olhando para o que se está a passar actualmente com a Grécia, é bastante provável que esse programa venha a ser condicionado à "participação" dos investidores privados (e.g. a uma reestruturação ou reescalonamento da dívida). Neste cenário, em que há uma contradição insanável entre a posição da Alemanha quanto à participação dos "privados" e as suas críticas às agências de rating, por muito desagradável que isso seja não me parece que se possa dizer que o rating atribuído se encontre desajustado, podendo quanto muito encontrar-se razões para criticar o timing da decisão.
Neste contexto, criticar a(s) agência(s) de rating é quase o mesmo que criticar um meteorologista pelo mau tempo. Podemos acreditar que vamos ser capazes de superar a tempestade e que a seguir à tempestade virá a bonança, mas não faz sentido - nem é útil - demonizá-lo por prever uma tempestade quando as nuvens se acumulam no horizonte e a pressão atmosférica desce a pique.
Embora me pareça inevitável que o programa de assistência financeira seja "reforçado" e se prolongue para além de 2014 e muito dificil evitar alguma forma de restruturação de dívida, acredito que (ainda) é possível que esta decorra em condições aceitáveis (ver aqui). Mas, para isso não podemos desesperar e será necessário fazer o nosso trabalho de casa, manter a determinação em cumprir os objectivos do programa, contribuir serenamente para que a União Europeia e o BCE tomem as decisões mais correctas, ter consciência das dificuldades, determinação para as enfrentar e (muita) paciência para esperar que os resultados das medidas comecem a surgir e seja possível forma os necessários consensos políticos para que se possa evitar o pior, a situação financeira se possa desanuviar e a tendência se comece a inverter. O que não vai ser fácil, nem vai acontecer da noite para o dia !
PS: Não perder este artigo do Vitor Bento sobre esta matéria.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Resultados do leilão de BT
Comparativamente com os resultados do leilão de BT's efectuado em 15 de Junho com um prazo similar e montantes indicativos similares no leilão de hoje verificou-se uma subida significativa das taxas de juro média ponderada (de 4,863% para 4,926%) enquanto que a procura e o montante colocado se mantiveram em níveis similares. O que acaba por ser um resultado satisfatório num contexto particularmente adverso em que os yields da dívida pública portuguesa no mercado secundário registam uma forte subida com a taxa dos títulos a 3 anos próximas dos 20%, enquanto que o yield das OT's a 10 anos estava há momentos já acima dos 13%.
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