terça-feira, 19 de julho de 2011

O impasse nas negociações nos EUA

A radicalização das posições dos republicanos nas negociações para um aumento do limite da dívida federal nos EUA torna particularmente dificil a obtenção de um compromisso aceitável para ambas as partes que evite uma situação em que, mesmo que seja possível assegurar o cumprimento do serviço da dívida, uma eventual ausência de acordo é um indicador dos elevados riscos políticos - aumentando a probabilidade de uma descida da notação da dívida federal dos EUA - e poderá implicar cortes na despesa pública que no actual contexto em que se verifica uma desaceleração do crescimento da actividade económica nos poderão colocar os EUA numa situação de recessão.

Pois se é vedade que trajectória actual da dívida pública é insustentável tornando necessária a implementação de medidas de redução da despesa e/ou aumento das receitas no médio prazo, não é menos verdade que, no momento actual, medidas de contenção orçamental demasiado drásticas representam o sério risco de agravar ainda mais o sério problema de desemprego na economia americana.

Apesar de tudo os EUA (ainda) não são a Grécia e têm (ainda) possibilidade de combinar uma política orçamental expansionista no curto prazo com medidas de médio-longo prazo para a contenção do défice e da dívida públicas. E parece existir, pelo menos, um consenso relativamente à necessidade de corrigir a trajectória das finanças públicas americanas. As principais dificuldades são de natureza política e respeitam a uma profunda divisão entre democratas e republicanos quanto ao peso do Estado na economia e, consequentemente, à repartição do esforço de ajustamento entre medidas do lado da despesa e medidas do lado da receita.

domingo, 17 de julho de 2011

Sobre o câmbio euro-dólar

Ontem o Presidente Cavaco Silva referiu a evolução da taxa de câmbio entre o euro e o dólar como demosntração da confiança dos mercados na moeda única europeia, considerando até que o euro estaria actualmente demasiado "forte" e que uma depreciação do euro face ao dólar até seria positiva na medida em que contribuiria para uma maior competitividade dos países da zona euro.

Efectivamente, uma depreciação do euro facilitaria o processo de ajustamento da economia na medida em que permitiria ganhar quotas de mercado nas exportações e reduzir as importações com origem em países terceiros, contribuindo para o indispensável aumento do peso dos sectores transaccionáveis. Deve, no entanto, salientar-se que a balnça comercial - e a balança corrente - do conjunto da zona euro face ao resto do mundo verificam uma situação equilibrada pelo que os desequilíbrios de balança corrente de alguns países (e.g., Portugal) está associado a uma perda de competitividade relativa face aos outros países da zona euro (e.g., Alemanha) e não tanto face aos países terceiros.

Por outro lado, deve, igualmente, notar-se que os EUA - apesar do fraco crescimento - continuam a registar défices correntes substanciais (correspondentes a cerca de 3% do PIB), e que os desequilíbrios externos globais não resultam do nível da taxa de câmbio euro-dólar, mas estão sobretudo relacionados com os superávites das economias emergentes (e.g., China) e dos países produtores de petróleo.

sábado, 16 de julho de 2011

Momentos decisivos

A subida das taxas de juro da dívida pública italiana constitui un preço extremamente elevado a pagar pela indecisão da Europa relativamente à Grécia, dando razão aos receios que o BCE vinha manifestando relativamente às exigências de participação dos investidores privados.

Dada a dimensão colossal da dívida pública de Itália (quase 2 milhões de milhões de euros) a mera possibilidade remota de um "haircut" da dívida italiana representa um risco considerável de conduzir a uma paralisia do mercado monetário internacional idêntica à que ocorreu em 2008, com consequências potencialmente devastadoras para a estabilidade do sistema financeiro da zona euro. Um risco que se sobrepõe aos resultados (globalmente positivos) dos testes de stress ao sistema bancário ontem conhecidos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Resultados dos testes de stress

Já estão disponíveis os resultados do stress de teste para o conjunto da Europa (aqui no site da EBA) e para os bancos portugueses (aqui no site do Banco de Portugal). No cenário adverso os rácios Core Tier 1 dos quatro bancos portugueses analisados, no cenário adverso considerando as medidas de aumento de capital implementadas até 30 de Abril situam-se, em 2012, nos seguintes valores :
- BPI: 6,7%;
- BCP: 5,4%;
- CGD: 6,2%;
- ESFG: 5,1%.

Nota do FMI para o G-20 sobre a conjuntura económica mundial

Numa nota em que refere a desaceleração do crescimento económico - embora considerando que a mesma deverá ser temporária e que a economia munida deverá reacelerar na segunda metade do ano - o FMI revela-se relativamente pessimista quanto à evolução da actividade nas economias mais avançadas que será condicionada pelo processo de desalavacagem financeira e alerta para um aumento dos riscos relacionados, por um lado, com a sustentabilidade da finanças públicas na periferia da Europa, mas também nos EUA e Japão e, por outro lado, com a intensificação dos sintomas de sobreaquecimento das economias emergentes considerando que "Indications of overheating in emerging market economies have increased. Symptoms include output running above long-term trends, rising inflation rates and wage increases, booming asset prices, high rates of growth in private sector credit, and increasing current account deficits" e que "Policy makers in some economies have tightened the monetary stance, but others have fallen behind the curve. The longer that policy tightening is delayed, the greater the risk of a hard landing in the future".

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ler os Outros: Eurozone at breakpoint

Um post muito interessante no Alphaville:

"Cailloux & Co expect the crisis to continue and threaten the entire euro area because policy makers still don’t understand market dynamics. A Greek debt swap might bring temporary relief but investors will soon refocus on the systemic issues, they say.
(...)
One possible bond buyer is European Financial Stability Facililty (EFSF) or its successor the European Stability Mechanism (ESM). But given the systemic nature of the crisis Cailloux says they would have to be increased in size to 3.45 trillion and 3.0 trillion respectively.
Needless to say, that wouldn’t be politically acceptable.
Which means President Trichet and successor Mario Draghi are the eurozone’s only hope."

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Moodys desce o rating da Irlanda

A seguir a Portugal foi a vez de a Irlanda sofrer uma descida do rating da Moodys de Baa3 para Ba1. Esta descida ocorre não obstante a Moodys reconhecer que  a Irlanda tem revelado "a strong commitment to fiscal consolidation and has, to date, delivered on its programme objectives" e, apesar de considerar que continuam a existir riscos de implementação do programa associados à evolução da economia, decorre
 sobretudo da "growing likelihood that participation of existing investors may be required as a pre-condition for any future rounds of official financing, should Ireland be unable to borrow at sustainable rates in the capital markets after the end of the current EU/IMF support programme at year-end 2013. Private sector creditor participation could be in the form of a debt re-profiling -- i.e., the rolling-over or swapping of a portion of debt for longer-maturity bonds with coupons below current market rates -- in proportion to the size of the creditors' holdings of debt that are coming due".

A Moody's justifica esta sua hipótese com "EU policymakers' increasingly clear preference -- as expressed during the negotiations over the refinancing of Greek debt -- for requiring some level of private sector participation given that private investors continue to hold the majority of outstanding debt. A call for private sector participation in the current round of financing for Greece signals that such pressure is likely to be felt during all future rounds of official financing for other distressed sovereigns, including Ba2-rated Portugal (as Moody's recently stated) as well as Ireland".