sábado, 23 de julho de 2011
A reacção dos mercados
A reacção dos mercados aos resultados da cimeira europeia foi mista. Com efeito se, por um lado, o euro e os mercados accionistas evoluíram de forma positiva e se verificaram descidas substanciais quer dos credit-default swaps quer dos yields da dívida pública de Grécia, Irlanda e Portugal, a verdade é que, depois de terem descido ontem significativamente, os yields da dívida pública de Espanha e Itália fecharam a subir ligeiramente face ao dia anterior, o que indica algum cepticismo dos mercados que a manter-se pode conduzir à situação algo paradoxal destes países se estarem a financiar-se no mercado a taxas significativamente superiores às dos empréstimos no âmbito dos programas de assistência financeira.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
E se não houver acordo nos EUA ?
Uma análise interessante das opções e possíveis consequências no caso de democratas e republicanos não chegarem a um acordo para o aumento do limite da dívida federal americana.
O programa para a participação "voluntária" dos investidores privados
De acordo com um documento divulgado pelo Institute of International Finance, o programa para a participação "voluntária" dos privados envolverá a troca dos títulos de dívida gregos por uma combinação de quatro instrumentos:
"1) A Par Bond Exchange into a 30 year instrument
2) A Par Bond offer involving rolling-over maturing Greek government bonds into 30 year instruments
3) A Discount Bond Exchange into a 30 year instrument
4) A Discount Bond Exchange into a 15 year instrument
For instruments, 1, 2 and 3 the principal is fully collateralized by 30 year zero coupon AAA Bonds. For instrument 4, the principal is partially collateralized through funds held in an escrow account.
It is assumed that investors will select among the four instruments in equal proportions of 25% of total participation.
All instruments will be priced to produce a 21% Net Present Value (NPV) loss based on an assumed discount rate of 9%. The terms outlined in the Term Sheet are broadly comparable to those of the official sector. The interest rates are structured to maximize the benefits to Greece in the early years of the program as Greece regains access to global capital markets. For example, the coupon on the Par Bond will be 4% during the first five years, 4.5% during the next five years, and 5% for years 2011-2030. Based on a target participation rate of 90%, the private sector investors through this program will contribute €54 billion from mid-2011 through mid-2014 and a total of €135 billion to the financing of Greece from mid-2011 to end-2020. In addition to this assured financing, this program will also improve significantly the maturity profile of Greece’s debt, increasing the average maturity from an average of 6 years to 11 years."
O documento contém no anexo 2 a lista das entidades que já terão aceitado participar no programa.
"1) A Par Bond Exchange into a 30 year instrument
2) A Par Bond offer involving rolling-over maturing Greek government bonds into 30 year instruments
3) A Discount Bond Exchange into a 30 year instrument
4) A Discount Bond Exchange into a 15 year instrument
For instruments, 1, 2 and 3 the principal is fully collateralized by 30 year zero coupon AAA Bonds. For instrument 4, the principal is partially collateralized through funds held in an escrow account.
It is assumed that investors will select among the four instruments in equal proportions of 25% of total participation.
All instruments will be priced to produce a 21% Net Present Value (NPV) loss based on an assumed discount rate of 9%. The terms outlined in the Term Sheet are broadly comparable to those of the official sector. The interest rates are structured to maximize the benefits to Greece in the early years of the program as Greece regains access to global capital markets. For example, the coupon on the Par Bond will be 4% during the first five years, 4.5% during the next five years, and 5% for years 2011-2030. Based on a target participation rate of 90%, the private sector investors through this program will contribute €54 billion from mid-2011 through mid-2014 and a total of €135 billion to the financing of Greece from mid-2011 to end-2020. In addition to this assured financing, this program will also improve significantly the maturity profile of Greece’s debt, increasing the average maturity from an average of 6 years to 11 years."
O documento contém no anexo 2 a lista das entidades que já terão aceitado participar no programa.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Declaração da Cimeira Europeia
No texto oficial já disponível aqui é possível ver que o pacote de assistência financeira à Grécia ascenderá a 109 mil milhões de euros e que a contribuição líquida do sector privado será de 37 mil milhões de euros. Saliente-se, ainda, que a Grécia beneficárá de um período de carência de 10 anos e que a declaração refere expressamente que serão dadas garantias adicionais para que a dívida grega continue a ser aceite no Eurosisstema que - se necessário - serão disponibilizados os fundos necessários para recapitalizar o sistema financeiro grego.
PS: Um aspecto crucial é o compromisso sublinhado na declaração do Presidente do Conselho de que o envolvimento privado no caso Grego será uma situação excepcional e única. Resta saber se o mercado vai considerar esta "promessa" como credível.
PS: Um aspecto crucial é o compromisso sublinhado na declaração do Presidente do Conselho de que o envolvimento privado no caso Grego será uma situação excepcional e única. Resta saber se o mercado vai considerar esta "promessa" como credível.
Ler os Outros: 1937! 1937! 1937! - Paul Krugman
"(...) The financial engineering is Rube Goldbergish and unconvincing. But here’s what leaped out at me:
Plus, the ECB is raising rates.
So demand will be depressed in both crisis and non-crisis economies; this will lead to a vigorous recovery through … what?
The Serious People are determined to destroy all the advanced economies in the name of prudence."
(ver aqui)
Paul Krugman está talvez a ser demasiado severo. Embora coloque o acento tónico na contenção orçamental em todos os países da zona euro independentemente da situação das suas contas externas, na verdade o ponto 9. refere a correcção dos desequilíbrios macroeconómicos (e.g., desequilíbrios externos) - o que apontaria para que os países superavitários implementassem políticas de estímulo à sua procura interna. Se é verdade que existe um conflito de objectivos, é positivo que, pelo menos, se reconheça a necessidade de correcção desses desequilíbrios.
9. All euro area Member States will adhere strictly to the agreed fiscal targets, improve competitiveness and address macro-economic imbalances. Deficits in all countries except those under a programme will be brought below 3% by 2013 at the latest.OK, so we’re going to demand harsh austerity in the debt-crisis countries; and meanwhile, we’re also going to have austerity in the non-debt-crisis countries.
Plus, the ECB is raising rates.
So demand will be depressed in both crisis and non-crisis economies; this will lead to a vigorous recovery through … what?
The Serious People are determined to destroy all the advanced economies in the name of prudence."
(ver aqui)
Paul Krugman está talvez a ser demasiado severo. Embora coloque o acento tónico na contenção orçamental em todos os países da zona euro independentemente da situação das suas contas externas, na verdade o ponto 9. refere a correcção dos desequilíbrios macroeconómicos (e.g., desequilíbrios externos) - o que apontaria para que os países superavitários implementassem políticas de estímulo à sua procura interna. Se é verdade que existe um conflito de objectivos, é positivo que, pelo menos, se reconheça a necessidade de correcção desses desequilíbrios.
Projecto de conclusões da cimeira europeia
O projecto de conclusões que está em discussão na cimeira europeia está aser divulgado pelo Telegraph (ver aqui).
PS: Os pontos mais importantes do documento parecem ser: i) o acordo para um novo programa para a Grécia; ii) o aumento da maturidade - para, pelo menos, 15 anos - e redução da taxa de juros - para taxas equivalente à da facilidade de Balança de Pagamentos actualmente de 3,5% - do empréstimo concedido à Grécia - condições que serão estensíveis a Portugal e Irlanda; iii) a participação do sector privado numa base "voluntária" (com carácter excepcional) e iv) o aumento da flexibilidade do FEEF que passará a poder intervir numa base preventiva (mas com adequada condicionalidade), financiar a recapitalização de instituições financeiras através de empréstimos aos governos (incluindo aqueles em que não existe programa de assistência financeira) e intervir no mercado secundário com base numa análise do BCE que reconheça a existência de condições excepcionais.
PPS: O documento não contém qualquer referência a um reforço dos recursos do FEEF nem concretiza os fundos a realocar para um plano Marshall Europeu de apoio ao crescimento e ao investimento na Grécia referido no ponto 4 do documento.
PPPS: O ponto 5 do documento parece demasiado vago, não sendo claro o que se deve entender por "condições comparáveis" ao apoio público (significa empréstimos a 15 anos com uma taxa de 3,5% ?) nem se a participação voluntária abrange todos os "investidores privados" ou apenas as instituições financeiras.
PS: Os pontos mais importantes do documento parecem ser: i) o acordo para um novo programa para a Grécia; ii) o aumento da maturidade - para, pelo menos, 15 anos - e redução da taxa de juros - para taxas equivalente à da facilidade de Balança de Pagamentos actualmente de 3,5% - do empréstimo concedido à Grécia - condições que serão estensíveis a Portugal e Irlanda; iii) a participação do sector privado numa base "voluntária" (com carácter excepcional) e iv) o aumento da flexibilidade do FEEF que passará a poder intervir numa base preventiva (mas com adequada condicionalidade), financiar a recapitalização de instituições financeiras através de empréstimos aos governos (incluindo aqueles em que não existe programa de assistência financeira) e intervir no mercado secundário com base numa análise do BCE que reconheça a existência de condições excepcionais.
PPS: O documento não contém qualquer referência a um reforço dos recursos do FEEF nem concretiza os fundos a realocar para um plano Marshall Europeu de apoio ao crescimento e ao investimento na Grécia referido no ponto 4 do documento.
PPPS: O ponto 5 do documento parece demasiado vago, não sendo claro o que se deve entender por "condições comparáveis" ao apoio público (significa empréstimos a 15 anos com uma taxa de 3,5% ?) nem se a participação voluntária abrange todos os "investidores privados" ou apenas as instituições financeiras.
A call to action: EU leaders must act to save the euro and avoid a recession
"The Eurozone crisis is coming to a head. This column is an open letter to European leaders imploring them to take decisive action this week. Any more delays could mark the end of the Eurozone as we know it.
The debt crisis has reached the core of the Eurozone.
•Italy and Spain are now directly involved in a serious credibility crisis.
•The creditworthiness of more than one-third of the Eurozone is being challenged.
For the first time, the very survival of the euro is at stake.
EU leaders gathering in Brussels on Thursday face a historical responsibility. It is essential that an agreement be reached on a plan that prevents further escalation of the crisis.
As economists actively involved in the policy debate, we have offered a number of suggestions. The common thrust of these proposals is that the expansion the European Financial Stability Facility (EFSF) is essential; it must be able to make banks strong enough to withstand a default by Greece. The EFSF should also be allowed to operate in secondary bond markets and be given operational flexibility and independence. There are many technical details and many variants of these proposals. The important thing is to acknowledge that leaders are out of time. Deciding to not decide could mark the end of the Eurozone as we know it."
(editorial do site Vox)
The debt crisis has reached the core of the Eurozone.
•Italy and Spain are now directly involved in a serious credibility crisis.
•The creditworthiness of more than one-third of the Eurozone is being challenged.
For the first time, the very survival of the euro is at stake.
EU leaders gathering in Brussels on Thursday face a historical responsibility. It is essential that an agreement be reached on a plan that prevents further escalation of the crisis.
As economists actively involved in the policy debate, we have offered a number of suggestions. The common thrust of these proposals is that the expansion the European Financial Stability Facility (EFSF) is essential; it must be able to make banks strong enough to withstand a default by Greece. The EFSF should also be allowed to operate in secondary bond markets and be given operational flexibility and independence. There are many technical details and many variants of these proposals. The important thing is to acknowledge that leaders are out of time. Deciding to not decide could mark the end of the Eurozone as we know it."
(editorial do site Vox)
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