O FMI considera que a economia espanhola está a recuperar gradualmente (projectnado um crescimento de 0,8% para este ano e 1,6% em 2012) impulsionada pelas exportações (+11,0% este ano) que deverão compensar a contração da procura interna (-0,4%) resultante da redução do consumo publico e do investimento. Uma taxa de crescimento que não é contudo suficiente para fazer reduzir o desemprego que se deverá manter em níveis inaceitáveis (20,1%), enquanto que o défice corrente deverá registar uma redução situando-se em -2,9% do PIB em 2011.
No curto prazo o FMI chama a atenção para os riscos de aumento dos custos de financiamento do Estado - apesar da redução do défice (para 6,2% este ano) e de as projecções apontarem para que a dívida pública em 2012 se situe nuns comparativamente baixos 69,7% do PIB - e para os desafios que ainda se colocam ao sistema financeiro, considerando que a realocação de factores entre sectores (essencial para o rebalanceamento da economia) irá ainda demorar vários anos e exigirá medidas dirigidas para aumentar o crescimento da produtividade e o funcionamento do mercado de trabalho.
sábado, 30 de julho de 2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Evolução do PIB dos EUA no 2.º trimestre de 2011
De acordo com os dados preliminares hoje divulgados o PIB dos EUA aumentou 1,3% (taxa anualizada) no 2.º trimestre, enquanto que a taxa de cresimento do trimestre anterior foi revista em forte baixa para apenas 0,4%. Tendo-se registado uma forte desaceleração do consumo privado que terá aumentado apenas ao ritmo anual de 0,1% (que compara com 2,1% no trimestre anterior) com especial incidência no consumo de bens duradouros (que neste trimestre se contraiu ao ritmo de 4,4%), e uma redução do consumo e investimento públicos (-1,1%).
Esta evolução menos positiva do consumo foi compensada pela aceleração do investimento privado (que aumentou ao ritmo anual de 7,1%) - registando-se aumentos quer no investimento residencial (3,2%) quer em estruturas (8,2%) quer em equipamento e software (5,7%) - e pelo aumento das exportações (6,0%) - enquanto que as importações cresceram apenas 1,3%.
Esta evolução menos positiva do consumo foi compensada pela aceleração do investimento privado (que aumentou ao ritmo anual de 7,1%) - registando-se aumentos quer no investimento residencial (3,2%) quer em estruturas (8,2%) quer em equipamento e software (5,7%) - e pelo aumento das exportações (6,0%) - enquanto que as importações cresceram apenas 1,3%.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Indicador de Sentimento Económico - Julho 2011
Os indicadores de sentimento económico divulgados pela Comissão Europeia relativos ao mês de Julho revelam uma deterioração de -2,2 pontos do sentimento económico na União Europeia e na zona euro para 102,4 e para 103,2 pontos, respectivamente o que aponta para um aumento da intensidade da desaceleração da expansão da actividade económica na União Europeia e na zona euro, com este indicador a registar reduções em todas as componentes (com excepção da construção, sector em que a confiança se reduziu na zona euro mas subiu no conjunto da União Europeia).
Entre aquelas que são as maiores economias ressaltam as quedas verificadas na Itália (-4,5 pontos), Espanha (-2,7 pontos), Alemanha (-1,8 pontos) e Reino Unido (-1,4 pontos) enquanto que na França se verificou um ligeiro recuo (-0,4 pontos). Note-se, ainda que, embora na média da União Europeia e da zona euro o indicador se mantenha acima dos 100 pontos (valor que corresponde à média de longo prazo), aquele indicador situa-se agora abaixo desse limiar em várias das economias europeias mais significativas (Espanha: 93,0; Países Baixos: 96,7; Polónia: 97,9 e Reino Unido: 98,5) continuando, contudo, significativamente acima desse valor na Alemanha (112,7) e França (106,9) e nos países nórdicos (Suécia: 108,3 e Finlândia: 104,2).
No que respeita a Portugal, o indicador de sentimento económico caiu pelo quinto mês consecutivo, registando uma redução de 0,9 pontos para 83,7 pontos – que corresponde ao segundo valor mais baixo a seguir à Grécia sujo indicador se situa nos 70,0 pontos – em resultado da redução da confiança nos serviços, consumidores e comércio a retalho enquanto que se verificaram recuperações nas componentes da indústria e construção.
Entre aquelas que são as maiores economias ressaltam as quedas verificadas na Itália (-4,5 pontos), Espanha (-2,7 pontos), Alemanha (-1,8 pontos) e Reino Unido (-1,4 pontos) enquanto que na França se verificou um ligeiro recuo (-0,4 pontos). Note-se, ainda que, embora na média da União Europeia e da zona euro o indicador se mantenha acima dos 100 pontos (valor que corresponde à média de longo prazo), aquele indicador situa-se agora abaixo desse limiar em várias das economias europeias mais significativas (Espanha: 93,0; Países Baixos: 96,7; Polónia: 97,9 e Reino Unido: 98,5) continuando, contudo, significativamente acima desse valor na Alemanha (112,7) e França (106,9) e nos países nórdicos (Suécia: 108,3 e Finlândia: 104,2).
No que respeita a Portugal, o indicador de sentimento económico caiu pelo quinto mês consecutivo, registando uma redução de 0,9 pontos para 83,7 pontos – que corresponde ao segundo valor mais baixo a seguir à Grécia sujo indicador se situa nos 70,0 pontos – em resultado da redução da confiança nos serviços, consumidores e comércio a retalho enquanto que se verificaram recuperações nas componentes da indústria e construção.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
A situação do sistema bancário nacional
De acordo com os dados do Banco de Portugal, em Maio de 2011 os activos das OIFM's portuguesas face ao sector não monetário residente ascendiam a cerca de 377 mil milhões de euros enquanto que os depósitos e outros passivos equiparados desse sector correspondiam a pouco mais de 232 mil milhões de euros.
Tradicionalmente a diferença era, em boa parte, financiada através de depósitos e equiparados de instituições financeiras monetárias não residnetes. Porém esta fonte de financiamento tem vindo a reduzir-se substancialmente. Os depósitos e equiparados de IFM não residentes que em Dezembro de 2007 ascendiam a mais de 137 mil milhões de euros enquanto que em Maio de 2011 correspondem a apenas 97 mil milhões de euros. E se durante um primeiro período, até inícios de 2009, a redução dos depósitos e equiparados de IFM não residentes foi compensada através da colocação de títulos - que aumentaram de 31,7 mil milhões em Dezembro de 2007 para um máximo de 75 mil milhões de euroes em Abril de 2010, a verdade é que após essa data essa fonte de financiamento foi-se reduzindo paulatinamente e em Maio de 2011 corresponde a pouco mais de 58 mil milhões de euros. Esta evolução que reflecte as dificuldades de financiamento do nosso sistema financeiro no exterior conduziu a uma cada vez maior dependência do financiamento junto do Eurosistema que até 2008 assumia valores significativos e em Maio de 2011 ascendia a mais de 48 mil milhões de euros que nos termos do Memorando de Entendimento deverá ser reduzida de modo a que a médio prazo os bancos portugueses alcancem "uma posição de financiamento estável com base no mercado".
O que significa que os bancos deverão voltar a conseguir financiar-se no mercado internacional e aumentar a sua base de depósitos ou, em alternativa, adequar a dimensão dos seus activos às suas capacidades de obter financiamento. Para facilitar o processo de ajustamento será extremamente importante que os investidores privados, pelo menos, mantenham a sua exposição ao sector bancário nacional pelo que o programa da troika prevê a emissão pelo Estado português de até 35 mil milhões de euros de garantias a emissões de obrigações portuguesas e, por outro lado, numa tentativa de reforçar a confiança dos investidores na solvabilidade dos bancos portugueses, um aumento dos rácios de capital se necessário através da injecção de até 12 mil milhões de euros fundos públicos.
Contudo, dada o grau de ajustamento necessário a desalavancagem do sistema bancário português terá quase certamente que passar por uma redução dos activos dos bancos, o que implicará uma redução do volume de crédito concedido à economia - que tenderá a asfixiar o investimento e amplificar o efeito recessivo - e/ou alienar outros activos nomeadamente participações detidas em sociedades não financeiras residentes ou em entidades não residentes.
Tradicionalmente a diferença era, em boa parte, financiada através de depósitos e equiparados de instituições financeiras monetárias não residnetes. Porém esta fonte de financiamento tem vindo a reduzir-se substancialmente. Os depósitos e equiparados de IFM não residentes que em Dezembro de 2007 ascendiam a mais de 137 mil milhões de euros enquanto que em Maio de 2011 correspondem a apenas 97 mil milhões de euros. E se durante um primeiro período, até inícios de 2009, a redução dos depósitos e equiparados de IFM não residentes foi compensada através da colocação de títulos - que aumentaram de 31,7 mil milhões em Dezembro de 2007 para um máximo de 75 mil milhões de euroes em Abril de 2010, a verdade é que após essa data essa fonte de financiamento foi-se reduzindo paulatinamente e em Maio de 2011 corresponde a pouco mais de 58 mil milhões de euros. Esta evolução que reflecte as dificuldades de financiamento do nosso sistema financeiro no exterior conduziu a uma cada vez maior dependência do financiamento junto do Eurosistema que até 2008 assumia valores significativos e em Maio de 2011 ascendia a mais de 48 mil milhões de euros que nos termos do Memorando de Entendimento deverá ser reduzida de modo a que a médio prazo os bancos portugueses alcancem "uma posição de financiamento estável com base no mercado".
O que significa que os bancos deverão voltar a conseguir financiar-se no mercado internacional e aumentar a sua base de depósitos ou, em alternativa, adequar a dimensão dos seus activos às suas capacidades de obter financiamento. Para facilitar o processo de ajustamento será extremamente importante que os investidores privados, pelo menos, mantenham a sua exposição ao sector bancário nacional pelo que o programa da troika prevê a emissão pelo Estado português de até 35 mil milhões de euros de garantias a emissões de obrigações portuguesas e, por outro lado, numa tentativa de reforçar a confiança dos investidores na solvabilidade dos bancos portugueses, um aumento dos rácios de capital se necessário através da injecção de até 12 mil milhões de euros fundos públicos.
Contudo, dada o grau de ajustamento necessário a desalavancagem do sistema bancário português terá quase certamente que passar por uma redução dos activos dos bancos, o que implicará uma redução do volume de crédito concedido à economia - que tenderá a asfixiar o investimento e amplificar o efeito recessivo - e/ou alienar outros activos nomeadamente participações detidas em sociedades não financeiras residentes ou em entidades não residentes.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Análise do FMI sobre a economia dos EUA
O FMI divulgou ontem a sua análise sobre a economia dos EUA:
"The U.S. economy continues to recover from its worst financial crisis since the Great Depression, aided by supportive macroeconomic policies. Monetary policy remains highly accommodative, with policy rates near zero and a significantly expanded Federal Reserve balance sheet. Fiscal policy provided a sizable stimulus to demand over 2009–2010, but the fiscal impulse for the current fiscal year is likely to be about zero. The financial system continues to strengthen, although lending conditions remain tight for some segments. Household balance-sheet repair has continued amidst still declining house prices and high unemployment rates, weighing on consumption, while construction activity remains depressed. Corporate spending and hiring remain relatively weak, despite record-high profit growth and easy financing conditions for large firms. GDP growth slowed from 2¾ percent (saar) in the second half of 2010 to just under 2 percent (saar) in the first half of 2011, reflecting inter alia the impact of higher oil prices and several transient factors. The U.S. current account deficit has moved broadly sideways as higher oil prices have offset the effects of strong external demand and the dollar’s depreciation. Overall, the slow pace of the recovery is consistent with past international experience in the aftermath of housing and financial crises.
The outlook is for continued albeit modest growth. With sluggish private domestic demand economic slack remains large: in particular, the unemployment rate has declined only modestly from its recent peak. As a result, inflation pressures will likely remain contained, despite the recent firming in core inflation. Risks are elevated and tilted to the downside, especially from the housing market and possible global financial market disruptions from the sovereign crisis in Europe."
Neste contexto, o FMI considera que embora seja necessário assegurar a estabilidade das finanças públicas nos EUA a sitruação económica aconselha uma retirada cautelosa dos apoios orçamentais à actividade económica, aleratndo para a importância de um acordo relativamente ao aumento do limite da dívida federal e a um plano de ajustamento orçamental no médio longo prazo, defendendo que esse esforço de consolidação orçamental deverá começar em 2012 e ser acompanhado, durante um período considerável, pela manutenção de uma política monetária acomodatícia.
"The U.S. economy continues to recover from its worst financial crisis since the Great Depression, aided by supportive macroeconomic policies. Monetary policy remains highly accommodative, with policy rates near zero and a significantly expanded Federal Reserve balance sheet. Fiscal policy provided a sizable stimulus to demand over 2009–2010, but the fiscal impulse for the current fiscal year is likely to be about zero. The financial system continues to strengthen, although lending conditions remain tight for some segments. Household balance-sheet repair has continued amidst still declining house prices and high unemployment rates, weighing on consumption, while construction activity remains depressed. Corporate spending and hiring remain relatively weak, despite record-high profit growth and easy financing conditions for large firms. GDP growth slowed from 2¾ percent (saar) in the second half of 2010 to just under 2 percent (saar) in the first half of 2011, reflecting inter alia the impact of higher oil prices and several transient factors. The U.S. current account deficit has moved broadly sideways as higher oil prices have offset the effects of strong external demand and the dollar’s depreciation. Overall, the slow pace of the recovery is consistent with past international experience in the aftermath of housing and financial crises.
The outlook is for continued albeit modest growth. With sluggish private domestic demand economic slack remains large: in particular, the unemployment rate has declined only modestly from its recent peak. As a result, inflation pressures will likely remain contained, despite the recent firming in core inflation. Risks are elevated and tilted to the downside, especially from the housing market and possible global financial market disruptions from the sovereign crisis in Europe."
Neste contexto, o FMI considera que embora seja necessário assegurar a estabilidade das finanças públicas nos EUA a sitruação económica aconselha uma retirada cautelosa dos apoios orçamentais à actividade económica, aleratndo para a importância de um acordo relativamente ao aumento do limite da dívida federal e a um plano de ajustamento orçamental no médio longo prazo, defendendo que esse esforço de consolidação orçamental deverá começar em 2012 e ser acompanhado, durante um período considerável, pela manutenção de uma política monetária acomodatícia.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
A descida de rating da Grécia pela Moody's
A Moody's justifica a sua decisão de descer o rating da dívida da Grécia de Ca from Caa1 com base no "announced EU support programme and debt exchange proposals by major financial institutions implies that private creditors will incur substantial economic losses on their holdings of government debt. considrando que "The announced EU programme along with the Institute of International Finance's (IIF's) statement (representing major financial institutions) implies that the probability of a distressed exchange, and hence a default, on Greek government bonds is virtually 100%. The magnitude of investor losses will be determined by the difference between the face value of the debt exchanged and the market value of the debt received. The IIF has indicated that investor losses are likely to be in excess of 20%".
Mais importante, contudo, é o facto de a Moody's, embora reconhecendo que as medidas contribuem para melhorar a sustentabilidade das finanças públicas da Grécia e conter o efeito de contágio que teria resultado de uma situação de incumprimento, considerar que "Greece will still face medium-term solvency challenges: its stock of debt will still be well in excess of 100% of GDP for many years and it will still face very significant implementation risks to fiscal and economic reform".
Mais importante, contudo, é o facto de a Moody's, embora reconhecendo que as medidas contribuem para melhorar a sustentabilidade das finanças públicas da Grécia e conter o efeito de contágio que teria resultado de uma situação de incumprimento, considerar que "Greece will still face medium-term solvency challenges: its stock of debt will still be well in excess of 100% of GDP for many years and it will still face very significant implementation risks to fiscal and economic reform".
Os resultados da cimeira europeia
A cimeira europeia da passada 5.ª feira aprovou um conjunto de medidas bastante importantes que incluem a aprovação de um novo pacote de ajuda à Grécia no valor de 109 mil milhões de euros que - conjuntamente com a participação prevista dos investidores privados, os resultados do programa de ajustamento grego e as receitas das privatizações - deverão permitir assegurar as necessidades de financiamento deste país até 2014.
Simultaneamente, o aumento da maturidade dos empréstimos e a descida das taxas de juro dos empréstimos oficiais, e a reestruturação "voluntária" de (parte da) dívida pública da Grécia detida por privados - que de acordo com o divulgado corresponde a uma perda de valor de cerca de 21% - corresponde a uma redução significativa do esforço do serviço da dívida que impendia sobre este país, contribuindo para uma maior sustentabilidade não só da dívida pública grega, como também da dívida portuguesa e irlandês, na medida em que as novas condições dos empréstimos concedidos pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) serão igualmente aplicáveis a estes países.
Finalmente, cumpre destacar as garantias dadas pelos líderes europeus de que serão assegurados os fundos que se venham a revelar necessários para recapitalizar o sistema bancário europeu (e em particular o sistema financeiro grego).
A verdade, no entanto, é que, apesar de importantes, estas medidas não parecem ser suficientes para assegurar o fim da chamada crise das dívidas soberanas.
Com efeito, em primeiro lugar, parece provável que apesar do alívio das condições de financiamento Portugal e/ou a Irlanda possam vir - tal como a Grécia - a sentir dificuldades em "regressar aos mercados" nos prazos previstos nos programas de assitência em curso e venham a necessitar de um prolongamento dos montantes de assistência financeira.
Em segundo lugar, o esforço de reestruturação da dívida pública da Grécia parece não ser suficiente para que esta se reduza para níveis sustentáveis, continuando igualmente a suscitar-se dúvidas quanto à sustentabilidade das dívidas públicas de outros países no caso destes não conseguirem colocar no médio prazo as suas economias a crescer a taxas razoáveis.
Ora, o reforço da contenção orçamental a nível do conjunto dos países da zona euro não só vão dificultar o aumento das exportações destes países como também a obtenção de ganhos de competitividade face ao resto da zona euro, contribuindo para tornar o esforço de ajustamento dos custos unitários relativos no quadro da união monetária mais penoso - e prolongado - em termos de crescimento económico e de emprego, colocando uma pressão adicional quer sobre a sutentabilidade da trajectória da dívida pública quer sobre o sistema financeiro.
Por outro lado, para além dos problemas de "risco moral" que estas decisões podem acarretar ao implicar que os países que beneficiem de programa de assistência passem a obter fundos à taxa de financiamento do FEEF, o que na prática cria uma situação paradoxal destes países se financiarem a uma taxa de juro inferior àquela a que outros (e.g., Espanha, Itália ou Bélgica) se financiam nos mercados financeiros internacionais.
Finalmente, apesar da capacidade de decisão demonstrada pelos líderes políticos o facto de não ter sido anunciado o reforço dos fundos do FEEF pode ser tido como um indicador da falta de clareza relativamente à existência de suficente apoio político nos países financiadores para disponibilizar os fundos que eventualmente venham a ser necessários para o reforço da ajuda a Portugal e Irlanda e/ou para assistir outros países que venham a sentir dificuldades em financiar-se nos mercados a taxas razoáveis. Ou que para reunir esses fundos não venha, apesar das promessas de que o envolvimento dos privados no caso da Grécia seria uma situação única, a ser exigido a participação dos investidores privados.
Neste contexto, não é de afastar que os mercados continuem a demonstrar algum cepticismo e voltem a "testar" novamente a determinação dos líderes da zona euro.
(texto publicado originalmente em Letra1)
Simultaneamente, o aumento da maturidade dos empréstimos e a descida das taxas de juro dos empréstimos oficiais, e a reestruturação "voluntária" de (parte da) dívida pública da Grécia detida por privados - que de acordo com o divulgado corresponde a uma perda de valor de cerca de 21% - corresponde a uma redução significativa do esforço do serviço da dívida que impendia sobre este país, contribuindo para uma maior sustentabilidade não só da dívida pública grega, como também da dívida portuguesa e irlandês, na medida em que as novas condições dos empréstimos concedidos pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) serão igualmente aplicáveis a estes países.
Finalmente, cumpre destacar as garantias dadas pelos líderes europeus de que serão assegurados os fundos que se venham a revelar necessários para recapitalizar o sistema bancário europeu (e em particular o sistema financeiro grego).
A verdade, no entanto, é que, apesar de importantes, estas medidas não parecem ser suficientes para assegurar o fim da chamada crise das dívidas soberanas.
Com efeito, em primeiro lugar, parece provável que apesar do alívio das condições de financiamento Portugal e/ou a Irlanda possam vir - tal como a Grécia - a sentir dificuldades em "regressar aos mercados" nos prazos previstos nos programas de assitência em curso e venham a necessitar de um prolongamento dos montantes de assistência financeira.
Em segundo lugar, o esforço de reestruturação da dívida pública da Grécia parece não ser suficiente para que esta se reduza para níveis sustentáveis, continuando igualmente a suscitar-se dúvidas quanto à sustentabilidade das dívidas públicas de outros países no caso destes não conseguirem colocar no médio prazo as suas economias a crescer a taxas razoáveis.
Ora, o reforço da contenção orçamental a nível do conjunto dos países da zona euro não só vão dificultar o aumento das exportações destes países como também a obtenção de ganhos de competitividade face ao resto da zona euro, contribuindo para tornar o esforço de ajustamento dos custos unitários relativos no quadro da união monetária mais penoso - e prolongado - em termos de crescimento económico e de emprego, colocando uma pressão adicional quer sobre a sutentabilidade da trajectória da dívida pública quer sobre o sistema financeiro.
Por outro lado, para além dos problemas de "risco moral" que estas decisões podem acarretar ao implicar que os países que beneficiem de programa de assistência passem a obter fundos à taxa de financiamento do FEEF, o que na prática cria uma situação paradoxal destes países se financiarem a uma taxa de juro inferior àquela a que outros (e.g., Espanha, Itália ou Bélgica) se financiam nos mercados financeiros internacionais.
Finalmente, apesar da capacidade de decisão demonstrada pelos líderes políticos o facto de não ter sido anunciado o reforço dos fundos do FEEF pode ser tido como um indicador da falta de clareza relativamente à existência de suficente apoio político nos países financiadores para disponibilizar os fundos que eventualmente venham a ser necessários para o reforço da ajuda a Portugal e Irlanda e/ou para assistir outros países que venham a sentir dificuldades em financiar-se nos mercados a taxas razoáveis. Ou que para reunir esses fundos não venha, apesar das promessas de que o envolvimento dos privados no caso da Grécia seria uma situação única, a ser exigido a participação dos investidores privados.
Neste contexto, não é de afastar que os mercados continuem a demonstrar algum cepticismo e voltem a "testar" novamente a determinação dos líderes da zona euro.
(texto publicado originalmente em Letra1)
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