A Moody's (ver aqui via Alphaville) desceu o rating do Japão de Aa2 para Aa3, justificando essa sua acção com os elevados níveis de défice orçamental (cerca de 7% do PIB), o rápido crescimento da dívida pública desde 2009 (que já atinge 233% do PIB na definição do FMI) e a instabilidade governativa que dificulta a implementação de estratégias económicas e orçamentais sustentáveis no longo prazo, considerando, ainda,que o terramoto e subsequente tsunami de Março passado atrasaram a recuperação dos efeitos da crise internacional e agravaram as condições para a deflação, contribuindo para um cenário de fraco crescimento que torna mais dificil alcançar os objectivos de redução do défice orçamental e implementar medidas de reforma do sistema fiscal e contributivo.
Reconhecendo, no entanto, que os elevados níveis de poupança interna e a forte posição como país credor (a posição líquida externa do Japão ultrapassa os 50% do PIB e o Japão tem uma balança corrente estruturalmente excedentária) devem permitir que o Governo japonês se continue a financiar a taxas muito reduzidas.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Ler os Outros: The Printing Press Mystery - Paul Krugman
A propósito de um artigo de John Plender no FT em que estranha o facto de os mercados apenas "atacarem" os países que não dispõem de moeda própria, considerando que isso contradiz a tradicional preocupação dos mercados com a inflação. Krugman refere que:
"(...) Part of the answer is that countries on the euro are stuck with a severe competitiveness problem that can only be resolved with grinding deflation, making their debt problems worse.
On top of that, however, is the proposition that countries without a printing press are subject to self-fulfilling crises in a way that nations that still have a currency of their own are not. The point is that fears of default, by driving up interest costs, can themselves trigger default — and that because there’s a crossing-the-Rubicon aspect to default, once a country crosses that line it will probably impose fairly severe losses on creditors. A country with its own currency isn’t in the same position: even if it is pushed into some inflation, there’s no red line that need be crossed."
"(...) Part of the answer is that countries on the euro are stuck with a severe competitiveness problem that can only be resolved with grinding deflation, making their debt problems worse.
On top of that, however, is the proposition that countries without a printing press are subject to self-fulfilling crises in a way that nations that still have a currency of their own are not. The point is that fears of default, by driving up interest costs, can themselves trigger default — and that because there’s a crossing-the-Rubicon aspect to default, once a country crosses that line it will probably impose fairly severe losses on creditors. A country with its own currency isn’t in the same position: even if it is pushed into some inflation, there’s no red line that need be crossed."
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Sobre "regras orçamentais"
A proposta de obrigar todos os países da zona euro a incluir nas respectivas constituições uma regra de equilbrio orçamental é reveladora da obsessão dos líderes alemães (e do BCE) com o equilíbrio orçamental e das reformas estrturais como panaceias para todos os problemas da zona euro, revelando que pouco ou nada aprenderam com os casos da Irlanda e da Espanha que durante anos registaram superávites orçamentais e terem níveis de dívida pública baixos e da Irlanda ter sido apresentada como um paradigma de flexibilidade económica.
Na verdade a constitucionalização de uma regra de equilíbrio orçamental não só não resolve o problema como podem ser contraproducentes e até perigosas. É que, mesmo que fosse implementada amanhã, infelizmente isso não iria alterar a avaliação do risco de incumprimento da Grécia (ou Portugal , Irlanda, Espanha ou Itália), podendo até acontecer o contrário como o recente caso dos EUA demonstrou. Finalmente, se uma regra demasiado flexível tenderá a ser inútil, regras rígidas retiram à políticas orçamental a flexibilidade necessária para responder a situações de recessão e podem mesmo forçar a adopção de medidas orçamentais restritivas que agravem essas situações.
Na verdade a constitucionalização de uma regra de equilíbrio orçamental não só não resolve o problema como podem ser contraproducentes e até perigosas. É que, mesmo que fosse implementada amanhã, infelizmente isso não iria alterar a avaliação do risco de incumprimento da Grécia (ou Portugal , Irlanda, Espanha ou Itália), podendo até acontecer o contrário como o recente caso dos EUA demonstrou. Finalmente, se uma regra demasiado flexível tenderá a ser inútil, regras rígidas retiram à políticas orçamental a flexibilidade necessária para responder a situações de recessão e podem mesmo forçar a adopção de medidas orçamentais restritivas que agravem essas situações.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Taxa de desemprego em Portugal - 2.º trimestre de 2011
De acordo com os dados hoje divulgados pelo INE no segundo trimestre de 2011 o número de desempregados ascendeu a 675 mil e a taxa de desemprego situou-se nos 12,1%, registando uma descida de 0,3 pp face à verificada no trimestre anterior. Evolução que, no entanto, resultará essencialmente do efeito sazonal.
Por regiões as taxas de desemprego mais elevadas verificam-se no Algarve (onde apesar de uma descida de 2,2 pp face ao trimestre anterior atinge os 14,7%), Lisboa (onde a taxa de desemprego desceu apenas 0,1 pp para 13,5%) e Madeira (onde desceu 0,4 pp para 13,5%).
Por regiões as taxas de desemprego mais elevadas verificam-se no Algarve (onde apesar de uma descida de 2,2 pp face ao trimestre anterior atinge os 14,7%), Lisboa (onde a taxa de desemprego desceu apenas 0,1 pp para 13,5%) e Madeira (onde desceu 0,4 pp para 13,5%).
Resultado do leilão de Bilhetes do Tesouro
No leilão hoje realizado pelo IGCP foram colocados 985 milhões de euros de BT's com a 3 meses e 172 milhões de BT's a 6 meses às taxas médias ponderadas de 4,854% e 4,989%, respectivamente.
No entanto, apesar da forte procura o montante total colocado (1.157 milhões de euros) ficou abaixo do limite superior do montante indicativo (1.250 milhões de euros) num contexto em que as primeiras taxas não aceites foram de 5,000% e 5,100%.
No entanto, apesar da forte procura o montante total colocado (1.157 milhões de euros) ficou abaixo do limite superior do montante indicativo (1.250 milhões de euros) num contexto em que as primeiras taxas não aceites foram de 5,000% e 5,100%.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Evolução do PIB na União Europeia - 2.º trimestre de 2011
De acordo com o Eurostat o PIB na União Europeia e na zona euro aumentou 0,2% face ao trimestre precedente e 1,7% face ao trimestre homólogo. Valores que confirmam a expectativa de desaceleração do crescimento da actividade económica, sendo de destacar os fracos crescimentos face ao trimestre anterior verificados na Alemanha (0,1%), França (0,0%) e Reino Unido (0,2%). Enquanto que para Espanha e Itália o Eurostat aponta para taxas de crescimento de 0,2% e 0,3%, respectivamente.
Assinale-se, por outro lado, que nos 20 países para os quais foram divulgadas estimativas nenhuma aponta para um decréscimo da actividade face ao primeiro trimestre e as fortes taxas de crescimento verificadas nos países escandinavos (Suécia: +1,0%, Finlândia: +1,2%) e nos países bálticos (Estónia: +1,8%, Letónia: +2,2%).
Em termos homólogos o único país que apresenta um decréscimo do PIB é Portugal (-0,9%) ao qual no entanto poderemos igualmente juntar a Grécia, país para o qual o Eurostat não divulgou estimativa mas onde no trimestre anterior o PIB apresentava uma queda de 5,5% em termos homólogos que de acordo com notícias recentes se terá agravado para 6,9%.
Assinale-se, por outro lado, que nos 20 países para os quais foram divulgadas estimativas nenhuma aponta para um decréscimo da actividade face ao primeiro trimestre e as fortes taxas de crescimento verificadas nos países escandinavos (Suécia: +1,0%, Finlândia: +1,2%) e nos países bálticos (Estónia: +1,8%, Letónia: +2,2%).
Em termos homólogos o único país que apresenta um decréscimo do PIB é Portugal (-0,9%) ao qual no entanto poderemos igualmente juntar a Grécia, país para o qual o Eurostat não divulgou estimativa mas onde no trimestre anterior o PIB apresentava uma queda de 5,5% em termos homólogos que de acordo com notícias recentes se terá agravado para 6,9%.
Evolução do PIB português no 2.º trimestre de 2011
De acordo com a estimativa rápida hoje divulgada pelo INE, no segundo trimestre do corrente ano o PIB português terá registado uma queda de 0,6% face ao período homólogo (mantendo-se estável face ao período precedente). De acordo com INE esta queda do produto resulta da evolução negativa da procura interna associada a uma acentuada diminuição do Investimento e das Despesas de Consumo Final das Famílias, sobretudo na componente de bens duradouros, e que se terá também reflectido numa diminuição das Importações de Bens e Serviços. Enquanto que, pelo contrário, e as Exportações de Bens e Serviços, que mantiveram um elevado crescimento homólogo.
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