Num excelente artigo sobre os custos da "indecisão" europeia Campos e Cunha escreve:
"Com a crise das finanças públicas gregas duas soluções estavam à vista (e no meio não há nada): ou se deixava ir a Grécia à bancarrota ou se apoiava a Grécia a sair do problema. A primeira solução - deixar a gRécia ir à bancarrota - era uma solução possível (...) Os bancos alemães e franceses (e portugueses) tinham perdas avultadas mas haveriam de sobreviver. (...)
Outra alternativa era a Europa pensar que a Grécia podia sair da crise com ajuda europeia e com um programa de estabilidade orçamental. Evitando-se, neste caso, não só para os gregos os problemas drmáticos de uma bancarrota, mas também problemas sérios nos sistemas bancários alemães ou franceses. (...) O apoio, uma vez decidido, tem de ser muito claro e brutal para que o país deixe de ser esquartejado nos mercados. (...) Apoiar a Grécia de forma pouco decidida é apenas adiar o desastre, porque teria de voltar a pedir novo apoio europeu, mais tarde ou mais cedo. Pedir novo apoio, passa a ser visto como a prova provada do erro de apoiar da primeira vez e da incapacidade do país realizar o trabalho necessário. O populismo na Europa alimenta-se disto tudo e a Grécia irá à bancarrota com elevadissima probabilidade.
(...)
Estes erros volta-se agora contra o euro. Todos os dias vemos comentários, mais ou menos absurdos, sobre o colapso do euro."
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
BCE anuncia cedência de liquidez em dólares
O BCE anunciou uma decisão coordenada com a Reserva Federal, o Banco de Inglaterra, o Banco do Japão e o Banco da Suíça três operações de cedência de liquidez em dólares com um prazo de aproximadamente três meses. Uma iniciativa que reage às crescentes dificuldades que vinham sendo sentidas pelo sistema bancário europeu para se refinanciar nesta moeda e que foi um dos factores da acentuada queda do euro nos últimos dias.
Previsões da Comissão Europeia
Comparativamente com as projecções divulgadas em Maio, a Comissão Europeia manteve a sua projecção de um crescimento de 1,6% para o PIB da zona euro e reviu em baixa ligeira (-0,1 pp) para 1,7% o crescimento do conjunto da União Europeia, chamando no entanto a atenção para riscos de que a recente desaceleração da actividade se venha a acentuar em virtude, nomeadamente: i) da deterioração da confiança em resultado da turbulência dos mercados financeiros, chamando a atenção para que "The baseline forecast scenario depends crucially on the ability of economic policy to prevent or interrupt negative feedback loops between sovereign debt concerns, banking sector fragility and slowing growth"; ii) os efeitos das medidas de condolidação orçamental sobre a procura interna; iii) as preocupações com as tensões inflaccionistas nos países emergentes que podem levar à necessidade de medidas com efeitos adversos sobre a procura externa.
Avaliação do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro
A Comissão Europeia divulgou a primeira avaliação do Programa de Ajsutamento Económico e Financeiro para Portugal.
"It is the joint assessment of the three institutions that the programme is on track. The new government that took office on 21 June is fully committed to the programme agreed in May 2011 and has already shown its determination by reacting quickly to evidence of an emerging shortfall in public finances and by moving ahead with some important structural reforms.
The macroeconomic scenario of the programme remains valid. Economic growth and inflation for the year as a whole are expected to remain in line with the programme. Export growth has been strong; consumer confidence indicators are steady; and employment has remained broadly stable. While GDP is expected to contract in 2011 and 2012, a recovery is projected to begin taking hold in early 2013. Near-term risks to the scenario appear broadly balanced. GDP growth in the second quarter has been more favourable than expected, but the external environment is less favourable than previously assumed.
Recent data pointed to an opening gap between fiscal trends and the 2011 deficit targets. Expenditure overruns in the first half of the year, underperforming non-tax revenue and the reclassification of some operations led to a projected shortfall of about 1.1 percent of GDP. The net costs related to the sale of the troubled bank BPN will add another 0.2 percent of GDP to the headline deficit. The authorities have reacted promptly. Budget execution is being tightened; a one-off surcharge on the personal income tax has been introduced; increases in VAT on natural gas and electricity have been brought forward from next year to 1 October; sales of concessions will be stepped up. The ongoing process of a phased transfer of banks pension funds to the state social security system will exceptionally provide a buffer towards meeting the 5.9 percent of GDP deficit target in 2011."
"It is the joint assessment of the three institutions that the programme is on track. The new government that took office on 21 June is fully committed to the programme agreed in May 2011 and has already shown its determination by reacting quickly to evidence of an emerging shortfall in public finances and by moving ahead with some important structural reforms.
The macroeconomic scenario of the programme remains valid. Economic growth and inflation for the year as a whole are expected to remain in line with the programme. Export growth has been strong; consumer confidence indicators are steady; and employment has remained broadly stable. While GDP is expected to contract in 2011 and 2012, a recovery is projected to begin taking hold in early 2013. Near-term risks to the scenario appear broadly balanced. GDP growth in the second quarter has been more favourable than expected, but the external environment is less favourable than previously assumed.
Recent data pointed to an opening gap between fiscal trends and the 2011 deficit targets. Expenditure overruns in the first half of the year, underperforming non-tax revenue and the reclassification of some operations led to a projected shortfall of about 1.1 percent of GDP. The net costs related to the sale of the troubled bank BPN will add another 0.2 percent of GDP to the headline deficit. The authorities have reacted promptly. Budget execution is being tightened; a one-off surcharge on the personal income tax has been introduced; increases in VAT on natural gas and electricity have been brought forward from next year to 1 October; sales of concessions will be stepped up. The ongoing process of a phased transfer of banks pension funds to the state social security system will exceptionally provide a buffer towards meeting the 5.9 percent of GDP deficit target in 2011."
A crise das dívidas soberanas
Depois de vários dias em que cresceram os sinais preocupantes, hoje foi um dia relativamente positivo em que a chanceler Merkel e os presidentes Sarkozy e Papandreou repetiram (mais uma vez) velhas promessas, os bons sinais vieram também da Itália que aprovou um pacote de austeridade e, sobretudo, de Bruxelas com o anúncio da proposta da Comissão Europeia para reduzir os juros - passando a cobrar um spread zero - e aumentar para 30 anos o prazo máximo de reembolso dos empréstimos europeus à Irlanda e Portugal.
Apesar da reacção favorável dos mercados no dia de hoje trata-se, contudo, de medidas que permitem quanto muito ganhar algum tempo, mas que não serão suficientes para, por si só, assegurar uma estabilização da situação financeira em que se tem assistido a uma queda abrupta do euro e das bolsas, com destaque para as acções do sector bancário, que se não forem rapidamente contidas poderão conduzir a uma situação recessiva.
Apesar da reacção favorável dos mercados no dia de hoje trata-se, contudo, de medidas que permitem quanto muito ganhar algum tempo, mas que não serão suficientes para, por si só, assegurar uma estabilização da situação financeira em que se tem assistido a uma queda abrupta do euro e das bolsas, com destaque para as acções do sector bancário, que se não forem rapidamente contidas poderão conduzir a uma situação recessiva.
domingo, 11 de setembro de 2011
Evolução do PIB português no 2.º trimestre de 2011
As estimativas para o PIB português no 2.º trimestre divulgadas pelo INE na passada quinta-feira aponta para que este se tenha reduzido apenas marginalmente face ao trimestre anterior e cerca de 0,9% face ao mesmo trimestre de 2010.
Para este resultado contribuiram o bom comportamento das exportações que aumentaram quase 4% face ao trimestre anterior (e 8,4% relativamente ao mesmo trimestre de 2010) e a queda das importações que desceram 0,2% face ao trimestre anterior (5,4% em termos homólogos). Valores que compensaram a significativa contração da procura interna (-1,3% relativamente ao trimesttre anterior e -5,2% em termos homólogos) associada à redução do consumo das famílias (-0,7% relativamente ao trimesttre anterior e -3,4% em termos homólogos) e do investimento (-7,1% relativamente ao trimesttre anterior e -12,5% em termos homólogos).
Sendo de assinalar a queda das necessidades líquidas de financiamento face ao exterior que apesar de no conjunto dos últimos quatro trimestes corresponderem a 7,6% (-1,9 pp do que no 2.º trimestre de 2010). A qual está. no entanto, em boa parte associada a uma forte queda do investimento, cujo peso no PIB continua em forte queda e em mínimos históricos.
Para este resultado contribuiram o bom comportamento das exportações que aumentaram quase 4% face ao trimestre anterior (e 8,4% relativamente ao mesmo trimestre de 2010) e a queda das importações que desceram 0,2% face ao trimestre anterior (5,4% em termos homólogos). Valores que compensaram a significativa contração da procura interna (-1,3% relativamente ao trimesttre anterior e -5,2% em termos homólogos) associada à redução do consumo das famílias (-0,7% relativamente ao trimesttre anterior e -3,4% em termos homólogos) e do investimento (-7,1% relativamente ao trimesttre anterior e -12,5% em termos homólogos).
Sendo de assinalar a queda das necessidades líquidas de financiamento face ao exterior que apesar de no conjunto dos últimos quatro trimestes corresponderem a 7,6% (-1,9 pp do que no 2.º trimestre de 2010). A qual está. no entanto, em boa parte associada a uma forte queda do investimento, cujo peso no PIB continua em forte queda e em mínimos históricos.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Evolução na indústria transformadora dos EUA - ISM em Agosto de 2011
O indicador de confiança na indústria transformadora dos EUA desceu em Agosto 0,3 pontos para 50,6 indicando uma desaceleração da expansão da actividade deste sector. Sendo de destacar a queda de 3,7 pontos (para 48,6 pontos) na componente produção e o facto de apesar da subida de 0,4 pontos a de novas encomedas se ter situado nos 49,6 pontos, o que aponta para uma ligeira contracção. Sendo ainda de salientar que a componente stocks aumentou 3,0 pontos (para 52,3) o que indica uma subida, embora ligeira, dos stocks que poderá condicionar a evolução da produção nos próximos meses.
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