Num dia em que se multiplicaram as notícias sobre os planos para salvar a zona euro, a verdade é que as soluções para a estabilização da situação económica e financeira são basicamente duas: i) evitar o default das dívidas soberanas ou ii) recapitalizar os bancos.
Qualquer destas opções pode ser combinada de diversas formas (por exemplo através de um haircut da dívida pública grega acompanhado por uma recapitalização dos bancos que compense as perdas de capital daí decorrentes e pela garantia firme e credível de que os restantes países da zona euro cumprirão escrupulosamente os seus compromissos), mas envolverá sempre o comprometimento substancial de recursos públicos dos países do centro e do Norte da Europa - eventualmente alavancados através do BCE - e/ou do BCE, com as inerentes dificuldades políticas daí resultantes. Mas enquanto não houverem "certezas" de que uma destas soluções será implementada a instabilidade financeira irá continuar e está a proximar-se rapidamente o momento em que os líderes europeus terão que fazer uma escolha sobre qual a combinação destas soluções que irão adoptar, sob pena de uma grave crise financeira que lançaria a Europa numa recessão (com reflexos globais) e colocaria em risco um projecto de construção europeia que está já a ser severamente abalado.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
World Economic Outlook do FMI
Na edição de Setembro do World Economic Outlook o FMI prevê que a taxa de crescimento da economia mundial abrande para 4,0% em 2011 e 2012 (menos 0,3 pp em 2011 e 0,5 pp em 2012 do que nas projecções de Junho), com a economia dos EUA a crescer apenas 1,5% em 2011 e 1,8% em 2012 e a zona euro 1,6% em 2011 e 1,1% em 2012.
Nesta edição o FMI considera que dada a lentidão da recuperação da procura privada o esforço de consolidação orçamental, sendo necessário, não deverá ser demasiado acentuado sob pena de comprometer a recuperação e chama a atenção para que os países com superavites externos elevados deverão procurar estimular a procura interna de modo a facilitar os reajustamentos e para a necessidade de medidas decisivas na zona euro que garantam a estabilidade do sistema bancário e financeiro evitando um efeito de desalavancagem e uma eventual queda num ciclo vicioso que reflexos adversos no crescimento económico, enquanto que renova as suas recomendações para que os EUA conciliem a adopção de uma estratégia de consolidação orçamental no médio e longo prazo reforçando os estímulos de curto prazo à recuperação da economia.
Nesta edição o FMI considera que dada a lentidão da recuperação da procura privada o esforço de consolidação orçamental, sendo necessário, não deverá ser demasiado acentuado sob pena de comprometer a recuperação e chama a atenção para que os países com superavites externos elevados deverão procurar estimular a procura interna de modo a facilitar os reajustamentos e para a necessidade de medidas decisivas na zona euro que garantam a estabilidade do sistema bancário e financeiro evitando um efeito de desalavancagem e uma eventual queda num ciclo vicioso que reflexos adversos no crescimento económico, enquanto que renova as suas recomendações para que os EUA conciliem a adopção de uma estratégia de consolidação orçamental no médio e longo prazo reforçando os estímulos de curto prazo à recuperação da economia.
Standard & Poors desce rating de Itália
Em mais uma notícia preocupante para a zona euro a Standard & Poors anunciou a descida do rating da dívida pública de Itália de A+ para A. Na justificação (ver aqui via zerohedge) desta descida a S&P refere uma revisão em baixa das projecções macroeconómicas para 2011-2014 e manifesta preocupações com a estabilidade política e o nível da dívida, considerando, ainda, que as poupanças de € 60 mil milhões anunciadas pelo Governo de Itália dificilmente se concretizarão.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Ler os Outros: The world must demand that Europe act to rescue its currency - Lawrence Summers
Num artigo da edição do FT de hoje o ex-Secretário de Estado do Tesouro dos EUA Lawrence Summers critica duramente a actuação da Europa considerando que:
"At every stage of this process, from the first signs of trouble in Greece (...) They have done just enough beyond euro-orthodoxy to avoid an imminent collapse, but never enough to establish a sound foundation for a resumption of confidence. (...) A continuation of the grudging incrementalism of the past two years now risks catastrophe."
"At every stage of this process, from the first signs of trouble in Greece (...) They have done just enough beyond euro-orthodoxy to avoid an imminent collapse, but never enough to establish a sound foundation for a resumption of confidence. (...) A continuation of the grudging incrementalism of the past two years now risks catastrophe."
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
O "buraco" da Madeira
De acordo com a nota hoje divulgada pelo INE e pelo Banco de Portugal, as autoridades da Região Autónoma da Madeira não registaram nem comunicaram às autoridades estatísticas um conjunto de montantes respeitantes a dívidas contraídas desde 2003, juros de mora e encargos com despesas de saúde no montante global superior a 1,1 mil milhões de euros, valor que corresponde a quase 0,7% do PIB nacional e a mais cerca de 21,7% (!!!) do PIB desta região autónoma no ano de 2009 (ultimo ano disponível).
Ler os Outros: Sim ou não ? - Luis Campos e Cunha
Num excelente artigo sobre os custos da "indecisão" europeia Campos e Cunha escreve:
"Com a crise das finanças públicas gregas duas soluções estavam à vista (e no meio não há nada): ou se deixava ir a Grécia à bancarrota ou se apoiava a Grécia a sair do problema. A primeira solução - deixar a gRécia ir à bancarrota - era uma solução possível (...) Os bancos alemães e franceses (e portugueses) tinham perdas avultadas mas haveriam de sobreviver. (...)
Outra alternativa era a Europa pensar que a Grécia podia sair da crise com ajuda europeia e com um programa de estabilidade orçamental. Evitando-se, neste caso, não só para os gregos os problemas drmáticos de uma bancarrota, mas também problemas sérios nos sistemas bancários alemães ou franceses. (...) O apoio, uma vez decidido, tem de ser muito claro e brutal para que o país deixe de ser esquartejado nos mercados. (...) Apoiar a Grécia de forma pouco decidida é apenas adiar o desastre, porque teria de voltar a pedir novo apoio europeu, mais tarde ou mais cedo. Pedir novo apoio, passa a ser visto como a prova provada do erro de apoiar da primeira vez e da incapacidade do país realizar o trabalho necessário. O populismo na Europa alimenta-se disto tudo e a Grécia irá à bancarrota com elevadissima probabilidade.
(...)
Estes erros volta-se agora contra o euro. Todos os dias vemos comentários, mais ou menos absurdos, sobre o colapso do euro."
"Com a crise das finanças públicas gregas duas soluções estavam à vista (e no meio não há nada): ou se deixava ir a Grécia à bancarrota ou se apoiava a Grécia a sair do problema. A primeira solução - deixar a gRécia ir à bancarrota - era uma solução possível (...) Os bancos alemães e franceses (e portugueses) tinham perdas avultadas mas haveriam de sobreviver. (...)
Outra alternativa era a Europa pensar que a Grécia podia sair da crise com ajuda europeia e com um programa de estabilidade orçamental. Evitando-se, neste caso, não só para os gregos os problemas drmáticos de uma bancarrota, mas também problemas sérios nos sistemas bancários alemães ou franceses. (...) O apoio, uma vez decidido, tem de ser muito claro e brutal para que o país deixe de ser esquartejado nos mercados. (...) Apoiar a Grécia de forma pouco decidida é apenas adiar o desastre, porque teria de voltar a pedir novo apoio europeu, mais tarde ou mais cedo. Pedir novo apoio, passa a ser visto como a prova provada do erro de apoiar da primeira vez e da incapacidade do país realizar o trabalho necessário. O populismo na Europa alimenta-se disto tudo e a Grécia irá à bancarrota com elevadissima probabilidade.
(...)
Estes erros volta-se agora contra o euro. Todos os dias vemos comentários, mais ou menos absurdos, sobre o colapso do euro."
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
BCE anuncia cedência de liquidez em dólares
O BCE anunciou uma decisão coordenada com a Reserva Federal, o Banco de Inglaterra, o Banco do Japão e o Banco da Suíça três operações de cedência de liquidez em dólares com um prazo de aproximadamente três meses. Uma iniciativa que reage às crescentes dificuldades que vinham sendo sentidas pelo sistema bancário europeu para se refinanciar nesta moeda e que foi um dos factores da acentuada queda do euro nos últimos dias.
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