sábado, 22 de setembro de 2012

Torso arcaico de Apolo - Rilke




Não sabemos como era a cabeça, que falta,
De pupilas amadurecidas. Porém
O torso arde ainda como um candelabro e tem,
Só que meio apagada, a luz do olhar, que salta

E brilha. Se não fosse assim, a curva rara
Do peito não deslumbraria, nem achar
Caminho poderia um sorriso e baixar
Da anca suave ao centro onde o sexo se alteara.

Não fosse assim, seria essa estátua uma mera
Pedra, um desfigurado mármore, e nem já
Resplandecera mais como pele de fera.

Seus limites não transporia desmedida,
Como uma estrela; pois ali ponto não há
Que não te mire. Força é mudares de vida.

[Tradução de Manuel Bandeira]

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Indicadores de conjuntura do Banco de Portugal

De acordo com os Indicadores de Conjuntura hoje divulgado pelo Banco de Portugal, o indicador coincidente de atividade económica melhorou ligeiramente no mês de agosto situando-se agora em -2,3 (em julho tinha registado -.2,5). Este indicador tem vindo a evoluir de forma favorável desde dezembro de 2011.

O indicador coincidente do consumo privado registou igualmente uma melhoria ao passar de -5,3 em julho para -4,9 em agosto.

Destaque-se ainda, que a contração do crédito bancário ao setor pruivado não financeiro voltou a acentuar-se ligeiramente (passando de -1,1% para -1,5%), sendo contudo de registar que excluindo as empresas incluidas no perimetro das administrações públicas se verifica um aumento do cr+edito concedido de 0,4%.

Finalmente, realce-se o facto de a balança corrente ter registado em julho um superavite de 913 milhões de euros o que representa uma melhoria de quase 1,5 mil milhões de euros face ao período homologo de 2011.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um país que ninguém quer governar ?




Portugal é hoje um país numa situação económica e financeira grave, com o PIB em queda ininterrupta há sete trimestres - apesar do excelente comportamento das esportações - e o desemprego próximo dos 15%, com rácios de endividamento público e de endividamento externo dos mais elevados do mundo.

Apesar de melhorias significativas nas contas externas e de alguns progressos na consolidação das contas públicas a verdade é que o esforço de contenção orçamental que será necessário concretizar em 2013 e 2014 é enorme e que as perspetivas para a evolução da atividade económica e o desemprego não são positivas.

Neste contexto, a verdade é que os partidos portugueses parecem cada vez mais relutantes em participar em qualquer solução governativa, esforçando-se denodadamente para se demarcarem da ação governativa e aguardando por momentos mais propícios.

Chegámos, assim, a uma situação em que o líder do PS ao mesmo tempo em que anunuciou o voto contra o Orçamento do Estado para 2013 e uma moção de censura ao governo recusa não só qualquer participação numa solução governativa sem eleições (o que razoável) como também afirma que uma eventual situação de rutura política será da exclusiva responsabilidade dos partidos da maioria, confessando assim que espera que a apresentação da moção de censura não produza os resultados que supostamente visa.

Do outro lado, o líder do segundo partido da coligação veio demarcar publicamente de uma decisão do governoa, no dia a seguir a uma gigantesca manifestação de protesto,  afirmando que estava contra essa medida e que apenas a "não bloqueou" em nome do interesse nacional e um PSD, em clara queda nas intenções de voto, no qual é evidente o crescendo de vozes dissonantes com a ação governtaiva e cujo primeiro-ministro surge nas notícias como tendo equacionado apresentar a sua demissão, intenção que apenas não terá concretizado por razões de responsabilidade nacional.

Neste contexto, urge que da reunião entre as lideranças dos dois partidos da coligação surja rapidamente uma clarificação da situação da coligação e um consenso relativamente à estratégia de consolidação orçamental com a qual os dois partidos se sintam inteiramente comprometidos, é desfazer a ideia de que os partidos se sentem desconfortáveis e incapazes para assumir as responsabilidades de governação do país na atual conjuntura.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sondagem CESOP

A sondagem do CESOP da Universidade Católica realizada nos dias 15 a 17 de setembro aponta para os seguintes resultados:

PS: 31%
PSD: 24%
CDU: 13%
BE: 11%
CDS-PP: 7%
Outros: 3%

Estes resultados que apontam para uma clara maioria de esquerda e para uma vantagem significativa do PS sobre o PSD resulta da queda a pique do PSD (-12 pontos percentuais face à sondagem anterior), a qual contudo se reflete no aumento dos votos em branco ou nulos que aumentam de 4% para 11% dos inquirido, sendo de desatacar ainda que 23% dos inquiridos cdeclarou que não iria votar.

Registe-se, ainda, a de popularidade do Governo. De acordo com a RTP "se numa sondagem de Junho ainda havia 25 por cento dos inquiridos a avaliá-lo de forma positiva, essa percentagem caiu agora para 16 por cento. As avaliações negativas sobem, com relativa moderação, de 67 para 77 por cento. No entanto, a maior parte desta subida regista-se nas opiniões que dão o desempenho do Governo como “muito mau” (saltam de 30 para 42 por cento)".

Resultados do leilão de dívida pública

O IGCP colocou hoje 709 milhões de euros de bilhetes do tesouro (BT's) com maturidade em março de 2013 a uma taxa média de 1,7% e 1291 milhões de euros de BT's com maturidade em março de 2014 a uma taxa média de 2,967%.

Estas taxas representam descidas muito significativas face aos leilões anteriores, Ciom efeito, em abril a taxa de juro média para BT's a 18 meses foi de 4,537% (ou seja 157 pontos base superior) e ainda a taxa média dos BT's a seis meses colocados em 18 de julho foi de 2,292% (ou seja 59 pontos base superior).

terça-feira, 18 de setembro de 2012

E agora ?


O primeiro-ministro tem que encontrar rapidamente uma solução para três questões, nenhuma deles de fácil resposta e todas elas interligadas.

Em primeiro lugar, tem que ser capaz de resolver ou pelo menos conter as tensões políticas. Depois das declarações sucessivas do líder do CDS e da reação do PSD através da convocação dos seus órgãos para analisar as consequências da tomada de posição do CDS, é urgente estancar as dúvidas quanto à sustentabilidade do próprio governo, afastando um cenário e crise política e restaurando a coesão do governo.

Em segundo lugar, terá que tomar dificeis decisões quanto às alterações na TSU e a eventuais medidas alternativas que permitam cumprir a decisão do tribunal constitucional e atingir o impacto fiscal que seria obtido através dessa medida.

Relativamente a este ponto, as declarações do secretário de estado adjunto indiciam que a intenção será manter a medida com alterações. O que constitui uma tentativa de alcançar um equilíbrio evitando um recuo total que fragilize a autoridade e credibilidade do governo, mas que não só foi já aberta e claramente recusada pelo PS.

Qualquer que seja a solução que vier a ser encontrada será obviamente imprescindivel que a mesma possa contar com o apoio inequívoco do CDS e seria, ainda, extremamente importante que a mesma pudesse obter, pelo menos, a aceitação dos parceiros sociais, o que parece dificil de alcançar através da mera "modelação" da medida da TSU.

Finalmente, o primeiro-ministro deverá procurar restaurar a confiança dos portugueses no governo e ser capaz de conter a tendência para a agudização da conflitualidade política e social, o que podendo passar por uma remodelação governamental, irá depender, sobretudo, da capacidade do governo para ouvir, dialogar e explicar aos portugueses a situação do país e as opções de política que é necessário tomar, demonstrando que as mesmas não só têm em conta, e visam minimzar, os impactos sociais negativos como constituem o melhor caminho para criar as condições para um crescimento da economia e do emprego em bases sustentáveis.

Façam o favor de se entenderem !



A divulgação hoje através do jornal Público que vários ministros do PSD Paula Teixeira da Cruz, Miguel Macedo e Paulo Macedo "levantaram dúvidas e manifestaram obstáculos de vária ordem" em relação à medida de alteração da TSU em contraponto acom o silêncio da ministra do CDS presente nessa reunião é mais um sinal da escalada de mal estar no interior da coligação e de que o governo está muito próximo de um ponto de não retorno.

É urgente parar o clima de parada e resposta  em que os partidos da maioria se estão a deixar envolver e que só poderá contribuir para minar a credibilidade do governo, tornar ainda mais dificil as posições do primeiro-ministro e do ministro das finanças e acentuar as divisões no seio da coligação.