sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Estatísticas do comércio internacional - setembro 2012

As estatísticas do comércio internacional relativas ao período até setembro parecem confirmar a tendência para um  significativo abrandamento das exportações que já era apontada por outros indicadores, nomeadamente a evolução das vendas e das encomendas para o mercado externo e a evolução dos saldos de opiniões na industria relativamente à evolução das encomendas externas. Este abrandamento que contudo terá sido agravado por fatores conjunturais específicos como a greve dos portos, pelo que estes números tenderão a exagerar o efeito da deterioração das condições económicas nos mercados de exportação.

Com efeito, de acordo com os dados hoje divulgados pelo INE, em setembro as saídas globais recuaram 6,5% face ao mês de setembro de 2011. Para esta descida contribuiu quer uma redução de 8,3% das transmissões intracomunitárias quer uma redução de 1,5% das exportações. Não obstante este resultado mensal, no conjunto do terceiro trimeste ter-se-á verificado um aumento das exportações e transmissões intracomunitárias face ao terceiro trimestre de 2011 de cerca de 4,5% (no segundo trimestre a taxa de crescimento homologa terá sido de 7,2%).

Ainda em termos mensais, analisando a evolução das exportações por países destacam-se as quebras acentuadas nas taxas de variação homologa das exportações com destino à Espanha (-8,2% face a -2,0% no mês anterior), Alemanha (-13,5% face a -5,7% no mês anterior), França (-8,2% face a +7,7% no mês anteriro) e Reino Unido (-12,0% face a um aumento de 13,1% no mês anterior), enquanto que no caso de Itália se verificou um crescimento de 9,2% (47,0% no mês anterior). Já a queda das saídas extracomunitárias ficou a dever-se a uma redução das exportações para Àfrica (-2,9%) e América (-7,6%), enqaunto que as exportações para a Àsia registaram um crescimento de 16,1%.

Por seu lado, as entradas registaram um decréscimo de 8,4% no mês de setembro face ao mês homologo face ao mês  (em agosto verificou-se um crescimento de 2,9%) e de 4,2% no terceiro trimestre de 2012 face ao mesmo trimestre de 2011 (no segundo trimestre a taxa de variação homologa foi de 4,2%. Pelo que, no conjunto do trimestre, se  verificou uma redução do défice comercial face ao ano anterior de 1076,8 milhões de euros e um aumento da taxa de cobertura de 73,7% para 80,4%.

Note-se, ainda, que excluindo o efeito das entradas e saídas de combustíveis e lubrificantes as exportações e transmissões intracomunitárias registam taxas de variação homologas mensais e trimestrais de -5,9% (+9,0% no mês anterior) e de 2,7% (5,6% no trimestre anterior), respetivamente, enquanto que as importações e aquisições intracomunitárias apresnetam variações mensais e trimestrais de -12,2% (-3,6% no mês anterior) e de -7,8% (-9,8% no trimestre anterior).

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ler os Outros: Francisco Assis

"(...) Um venerando juiz, Presidente da Associação que supostamente representa a corporação respectiva, produziu, com a transparência que o despudor permite, uma das mais extraordinárias afirmações dos últimos tempos: os juízes dete país, abaixo de uma certa remuneração, felizmente não publicamente quantificada, tornam-se permeáveis à corrupção. No entendimento deste senhor, a integridade moral e profissional dos nossos juízes depende do montante do salário que auferem. Numa sociedade sã esta declaração seria intolerável. Aqui parece não ser. (...)"

"O ministro das Finanças teve razão ao condenar alguma da linguagem que se utiliza hhoje na Assembleia da República. Há quem pense que está a atacar o Governo quando, na verdade, está a pôr em causa os fundamentos da nossa democracia."

(Dois excertos da crónica de hoje no Público) 


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

As previsões de outono da Comissão Europeia

Nas suas previsões de Outono, a Comissão Europeia reviu significativamente em baixa as suas previsões para o crescimento económico em 2012 e em 2013. Com efeito, prevê-se agora que o PIB do conjunto da União Europeia caia 0,3% em 2012 (menos 0,3 p.p. do que nas previsões de Primavera) e que registe um crescimento de apenas 0,4% em 2013 (menos 0,9 p.p. do que nas previsões de Primavera).

De acordo com a Comissão Europeia, em 2013, o consumo privado e o investimento deverão permanecer aos níveis de 2012 (depois de reduções, em 2012, de 0,6 e 2,2%, respetivamente), enquanto que o consumo público se deverá contrair em 0,4%, assentando a previsão de crescimento nas expetativas de evolução das exportações que a Comissão projeta que aumentem 3,4% enqaunto que as importações deverão aumentar apenas 2,4%, daqui resultando um contributo das exportações líquidas para o crescimento equivalente a 0,5 p.p.

Para a zona euro, as previsões da Comissão são de um decréscimo do produto de 0,4% em 2012 e de um crescimento de somente 0,1% em 2013.

Neste contexto, a Comissão Europeia projeta que a taxa de desemprego se situe nos 10,5%, em 2012, e aumente para 10,9% em 2013, (11,8% e 11,7% para a zona euro) enquanto que a taxa inflação se deverá situar em 2,0%, em 2012, e 1,8%, em 2013 (1,8% e 1,6%, para a zona euro).

Por Estados-Membros a Comissão Europeia prevê que o PIB diminua em seis países da zona euro (Grécia: -4,2%, Chipre: -1,7%, Eslovénia: -1,6%, Espanha: -1,4%, Portugal: -1,0% e Itália: -0,5%), enquanto que a Alemanha deverá crescer 0,8%, a França 0,4% e o Reino Unido 0,9%.

Volume de negócios na indústria - setembro de 2012

De acordo com os números hoje divulgados pelo INE relativos ao mês de setembro de 2012 o volume negócios da industria (em termos nominais) desceu 8,1% face a setembro de 2011, valor que representa uma queda face ao mês anterior em que a quebra havia sido de 1,2%.

Esta deterioração significativa das vendas resulta quer do comportamento do mercado nacional no qual se registou uma taxa de variação homóloga de -9,3% (-5,0% no mês anterior) quer no mercado externo no qual a taxa de variação homologa se situou em -5,5% (+5,7% no mês anteriror).

Muito embora esteja associada a um efeito base resultante do forte crescimento das vendas no mercado externo verificado nos últimos meses de 2011 (em setembro de 2011 as vendas no mercado externo registaram um crescimento de 14,1% face a setembro de 2010), das vendas no mercado externo constitui mais um indicador de tendência de abrandamento do crescimento das exportações de bens que é  perceptivel desde os meses de março abril. Sendo de referir que a taxa de variação homóloga no terceiro trimestre (julho a setembro) das vendas da industria no mercado externo terá sido de 0%.

Curiosamente a tendência de abrandamento tem sido bastante mais intensa nesta série do que na do comércio internacional, o que aumenta o interesse dos valores do comércio internacional relativos a setembro que serão divulgados amanhã.

Refira-se ainda que, em setembo a taxa de variação homóloga do emprego na indústria foi de -4,5% (-4,8% no mês anterior).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Vendas de automóveis - outubro 2012

Em outubro, as vendas de automóveis ligeiros de passageiros e todo o terreno registaram uma descida de 19,1% face ao mês homólogo de 2011, embora muito elevada a taxa de decréscimo das vendas é significativamente inferior à  nos meses anteriores (em setembro havia sido de 30,9%), enquanto que as vendas acumuladas de janeiro a outubro desceram 38,3% (no período janeiro a setembro a descida foi de 39,7%).

Esta evolução reflete, todavia, sobretudo o efeito base associado à forte queda das vendas nos últimos meses de 2011 (em outubro de 2011 as vendas mensais decresceram 40,4% face aos valores de outubro de 2010), o qual se deverá manter em novembro e dezembro (meses em que no ano transato se registaram quebras nas vendas de 48,6% e 60,0%. Sendo de assinalar que as vendas nos últimos 12 meses correspondem a apenas 102.630 veículos valor que corresponde a cerca de um terço do máximo histórico e perspetiva que as vendas no conjunto do ano de 2012 se situem no valor mais baixo desde 1986.

No que respeita aos comerciais ligeiros a descida das vendas mensais ascendeu a 45,2% (54,2% em setembro), enquanto que as vendas acumuladas nos meses janeiro a outubro se verifica uma redução de 54,1% (55,0% em setembro).

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A economia dos EUA na véspera das eleições

Quando, em janeiro de 2009, Barack Obama tomou posse como 44.º presidente, a economia dos EUA estava numa situação de grave recessão. No último trimestre de 2008 o PIB dos EUA caiu a uma taxa anualizada de 8,9%, a taxa de desemprego subiu de cerca de 5% no final de 2008 para 7,4% no final do ano (só no último trimestre de 2008 foram "destruidos" cerca de 2 milhões de empregos) e a produção  industrial, as vendas de comércio a retalho, a construção, os preços das casas e das ações pareciam em  "queda livre", suscitando receios de que pudesse ocorrer uma situação de depressão comparável à verificada na década de 1930.

Um cenário que felizmente não se concretizou, em grande parte em virtude de uma ação determinada das autoridades através de políticas fiscais e, sobretudo, monetárias fortemente expansionistas. As quais permitiram que o PIB dos EUA tenha crescido sistematicamente desde o terceiro trimestre de 2009 e que, depois de atingir um máximo de 10% em outubro de 2009, a taxa de desemprego tenha iniciado uma tendência de descida até aos atuais 7,9%.

Apesar da capacidade para conter a emergência de uma nova grande depressão constituir em si um feito notável, a verdade é que a situação atual da economia dos EUA não é brilhante. De facto, não obstante o nível de produto ter suplantado no quarto trimestre de 2011 os níveis pré-crise, a verdade é que recuperação económica tem sido desanimadoramente lenta com a taxa de crescimento nos últimos dois anos em níveis relativamente fracos (cerca de 2%) e a taxa de desemprego permanece em níveis historicamente elevados, sendo, ainda, de salientar que, em especial, ao longo do corrente ano a economia tem revelado sinais de algum enfraquecimento, nomeadamente no que se refere a evolução da taxa de desemprego e, sobretudo, do investimento (que no 3.º trimestre aumentou apenas à taxa anualizada de 1,5%).

Por outro lado, o défice das contas públicas mantém-se em níveis muito elevados com as necessidades de financiamento das administrações públicas a corresponderem a cerca de 9% do PIB, a dívida pública (bruta) a atingir cerca de 106% do PIB, o défice da balança corrente próximo dos 3% do PIB. Enquanto que se verificaram avanços significativos no processo de desalavancagem das famílias (cujo grau de endividamento em percentagem do rendimento disponível desceu de cerca 134% em finais de 2007 para 113% no segundo trimestre de 2012) e o mercado imobiliário tem revelado sinais de alguma reanimação e, embora o nível de dívida pública seja muito elevado, contrariamente a muitos receios, as taxas de juro dos títulos do tesouro permanece a níveis muito baixos (abaixo de 1% para títulos com prazo até 5 anos e dos 2% para as obrigações a 10 anos) e, apesar da política monetária fortemente acomodatícia, a taxa de inflação médias nos últimos 12 meses é de apenas cerca de 2,4% não existindo indicadores que apontem para um aumento das tensões inflacionistas.

 De facto neste momento, para além da dinâmica do investimento e do abrandamento da economia mundial (nomeadamente na Europa e na Ásia) o ponto de interrogação mais importante sobre a economia dos EUA no curto prazo consiste no risco de ausência de um acordo político entre Democratas e Republicanos que evite que a entrada em vigor no próximo mês de janeiro de um conjunto de medidas de aumento de impostos e redução de despesa num montante global de cerca de 720 mil milhões de dólares (cerca de 4,6% do PIB).

Uma situação que estará a criar uma situação de incerteza com efeitos adversos sobre o investimento empresarial e o emprego e que se não for solucionada se traduzirá num "choque de austeridade" que, se não for mitigado, conduzirá a uma recaída dos EUA numa situação de recessão com repercussões globais. Uma situação que, no entanto, estou convicto de que, seja qual for o vencedor das eleições de amanhã, o futuro presidente dos EUA tudo fará para tentar evitar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A reforma da despesa pública

Como refere Vasco Pulido Valente na sua crónica de hoje "«Refundação do memorando» é uma expressão sem sentido: um memorando não se refunda. «Refundação do Estado» é uma expressão que não se aplica a Portugal: o Estado português não precisa de uma «refundação» como, por exemplo, a França e a Alemanha de 1945: o Estado português precisa de uma reforma".

Concretamente, trata-se de procecer a uma reforma da despesa pública, com o objetivo de assegurar a sustentabilidade financeira do Estado, através da obtenção de poupanças, que de acordo com o anunciado deverão corresponder já em 2014 a cerca de 4 mil milhões de euros (i.e., cerca de 2,3% do PIB).

Não sendo de admitir a "privatização" do sistema de justiça ou das forças de segurança e parecendo existir um largo consenso nacional em favor do sistema nacional de saúde, do ensino público e do sistema previdencial.

Ora, a verdade é que, embora se possa debater a sua bondade em termos de eficiência, a verdade é que as eventuais poupanças financeiras associadas à transferência de funções do Estado (por exemplo, na área dos transportes públicos, da rede pública de abastecimento de água e saneamento, na comunicação social, etc.) serão sempre relativamente diminutas face aos montantes em causa.

Por isso, mais do que repensar as funções que o Estado exerce, trata-sem, sobretudo, de repensar o modo como essas funções são exercidas e como o respetivo financiamento é assegurado. Por forma a obter poupanças através da racionalização e reestrutuação dos serviços públicos (com a consequente deslocação ou dispensa de funcionários), o aumento dos preços cobrados pelos serviços públicos (por exemplo, na área dos transportes e do medicamento) e o aprofundamento dos sistemas de co-pagamento, chamando os particulares a suportar diretamente uma fração superior do custo dos serviços, nomeadamente nas áreas da saúde e da educação.

O que, obviamente, exige estudos técnicos mas também escolhas políticas, designadamente quanto à repartição desse esforço pelas diversas áreas.